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A fogueira está queimando

As apostas sobre o destino do ex-presidente Lula ardem na fogueira de São João, santo celebrado hoje com alegria e devoção pelo Brasil afora. Preso pela Operação Lava-Jato em abril do ano passado, o ex-presidente vem tentando, desde então, a suspeição do juiz Sérgio Moro, agora ministro da Justiça e Segurança Pública. O julgamento do pedido de habeas corpus que será retomado amanhã iniciou em dezembro do ano passado, mas foi suspenso a pedido do ministro Gilmar Mendes.

Agora, com as revelações de diálogos entre o então juiz Moro e o procurador Deltan Dallagnol, o pedido de habeas corpus ganhou fôlego e volta a julgamento. Os ministros Edson Fachin e Carmem Lúcia já votaram contra o pedido de liberdade de Lula. Faltam ainda os votos dos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandovski e Celso de Mello. Tanto Gilmar quanto Lewandovski são, de certa forma, previsíveis. A definição deve vir, portanto, do voto de Celso de Mello.

O país inteiro acompanha esse julgamento que será decisivo para a Operação Lava Jato, responsável pela devolução de R$ 13 bilhões ao Erário e pela prisão de dezenas de políticos de alto calibre que desviaram dinheiro público. Há questionamentos de toda ordem sobre esse julgamento, mas a questão que fica é a continuidade da Lava Jato e o fortalecimento do ministro Sérgio Moro. A julgar pelas manifestações populares, Moro permanece com grande respaldo para tocar seu trabalho. Do outro lado, os demais condenados pela Operação esperam a libertação de Lula para usarem o mesmo argumento e também tornarem-se livres. Pelo menos, até a próxima condenação.