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Gota D'água

Não foi apenas uma rebelião, foi mais uma, em meio a tantas que se sucedem no sistema prisional do Piauí. Os motins, fugas e rebeliões se tornaram frequentes, sem que a população veja uma ação efetiva de combate ou controle a esse tipo de protesto, que revela a fragilidade do sistema como um todo, desde a sua infraestrutura, capacidade de atendimento, escassez de recursos humanos e a  falha no sistema de segurança.

A penitenciária Major César, a exemplo dos outros presídios piauienses, vive superlotada, com presos amontoados – essa é a expressão mais apropriada – em celas, formando um ambiente propício para o planejamento de fugas em massa e outros atos de rebeldia, quase sempre acompanhados de extrema violência.

Ontem, havia cerca de 600 detentos em uma construção que tem capacidade para abrigar apenas 200, segundo o sindicato dos agentes penitenciários. Em um ambiente assim, qualquer faísca vira o estopim para uma explosão. Sem falar que o número de agentes é insuficiente, o que faz com que eles próprios vivam uma situação de ameaça permanente.

Ao tomar conhecimento da fuga de 200 presos, a sociedade, que já vive sobressaltada com a violência cotidiana das ruas, entra em pânico, e não é para menos. A segurança pública, em todas as suas vertentes, deveria ser a prioridade absoluta hoje no Piauí. Sem ela, as pessoas estão perdendo a coragem de sair para trabalhar, estudar ou simplesmente se divertir. Muitas famílias choram os parentes perdidos para a violência urbana, que chegou a níveis insustentáveis. É um problema para o qual não se pode mais fechar os olhos ou empurrar com a barriga.