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Lugar de criança é na escola.

É preocupante quando o presidente da República, que deveria zelar pela Constituição brasileira, bem como pela infância do seu país, defende publicamente o trabalho infantil, uma chaga que nos envergonha, por roubar a infância, o potencial de desenvolvimento e, muitas vezes, até mesmo a saúde das nossas crianças. Segundo dados do IBGE, em 2016, o Brasil contava com 2,4 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalhando.

Não é preciso ser gênio para saber que lugar de criança é na escola. E isso está assegurado pela Constituição de 1988. É na escola que as crianças têm condições de desenvolver todo o seu potencial para terem uma chance no futuro, rompendo o círculo de pobreza que empurra os jovens para o trabalho, afastando-os da sala de aula.

A exceção já está regulamentada na Lei do Aprendiz que permite a adolescentes, a partir dos 14 anos, poderem aprender um ofício e aprimorar seus conhecimentos, desde que vinculado à educação formal. O trabalho, nesse caso, é exercido em condições especiais e sempre associado ao ensino formal.

Generalizar a possibilidade de crianças e adolescentes trabalharem antes da hora e sem regulamentação específica é um golpe na infância. A preocupação deve ser em investir ao máximo na educação dos brasileiros para que o país forme profissionais competentes, inovadores e capazes de tirar a Nação do atraso em que se encontra.

E, por favor, não venham com comparações distorcidas de um filho de classe média alta que ajudou o pai na padaria ou no armazém da família, em uma situação totalmente diferente, depois de chegar da escola particular, de ter feito sua tarefa de casa e já bem alimentado. Quando se defende o trabalho infantil, abre-se a possibilidade para a exploração de milhões de crianças que irão abandonar a escola para entrarem precocemente no mercado de trabalho, condenados a ocuparem, para sempre, as posições mais baixas da cadeia produtiva.