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A república dos filhos

Não foi bem recebida, de forma alguma, a intenção do presidente Jair Bolsonaro de nomear o próprio filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos, posto de relevante destaque na diplomacia. É praxe a nomeação de diplomatas de carreira, formados pelo Instituto Rio Branco, após disputadíssimo concurso. Atualmente, 100% dos embaixadores são oriundos do Instituto Rio Branco, embora essa não seja uma obrigação constitucional.

O presidente trata a República como uma extensão da sua casa, ao permitir que um filho assuma sua conta no twitter – meio preferencial para divulgar as mensagens do seu governo, bem como decida pela demissão de ministros de estado, como já aconteceu com dois integrantes da equipe de Bolsonaro ( os ex-ministros Gustavo Bebiano e o General Santos Cruz). Agora, opta pelo nome de um outro filho para assumir um posto de extrema importância como a embaixada nos EUA, alegando que o rebento é amigo dos filhos do presidente Donald Trump, como se a embaixada fosse um clubinho dos amigos dos filhos dos chefes de estado.

O presidente precisa lembrar que a instituição que comanda não pode refletir simplesmente sua arena doméstica, mas uma estrutura bem mais  complexa, que obedece a padrões, normas e protocolos nacionais e internacionais. É bom recordar que ele foi eleito justamente com o discurso de quebrar as velhas práticas políticas, entre as quais se incluem o nepotismo.