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Os bandidos agradecem

O magistrado Giovanni Falcone, que desvendou a máfia italiana Cosa Nostra, deixou uma lição para todos os investigadores que trabalham no combate ao crime organizado e à corrupção: “É só seguir o caminho do dinheiro, pois, sem capital, o crime não prospera”. Essa máxima passou a ser adotada em várias partes do mundo com efetivo sucesso, inclusive no Brasil. Mas, infelizmente, a decisão monocrática do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Dias Toffoli, pode pôr esse trabalho abaixo.

Na decisão que atende ao pedido do advogado de defesa do filho do presidente Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, Toffoli limita o compartilhamento de dados de órgãos do governo federal à prévia autorização judicial. A medida atinge em cheio vários processos que correm a partir dos dados obtidos junto ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras-COAF. E ele existe justamente para isso: identificar movimentações financeiras atípicas que sugiram alguma ilicitude. É a ponta de partida de muitas investigações hoje em curso no Brasil.

Ao atacar a economia movimentada pelo crime organizado, os investigadores chegam à origem da organização. Por isso mesmo, a decisão do ministro foi festejada pelos criminosos e suas caríssimas bancas de defesa. A quem mais pode interessar tal medida? Em Santa Catarina, inclusive, advogados dos investigados pela Operação Alcatraz já entraram com pedido de suspensão e nulidade dos processos que se utilizaram das informações do COAF.

Quando a gente pensa que o Brasil deu um passo à frente no combate à corrupção, vem um ministro do Supremo e faz o país voltar dez casas no jogo.