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ESCURIDÃO NO HORIZONTE

O Piauí sofreu ontem mais uma humilhação no quesito infraestrutura. Os passageiros que estavam na noite desta quinta-feira no aeroporto de Teresina esperaram durante um bom tempo por uma explicação oficial para o vexame de esperarem por horas a fio para pegar o voo previsto. Os pousos e decolagens foram suspensos por falta da iluminação no balizamento da pista, tornando a operação absolutamente inviável por falta de segurança.

É inadmissível que a capital de um Estado brasileiro não disponha de um aeroporto com o mínimo de estrutura e conforto, como é o caso de Teresina. Há muito, reclama-se de uma reforma e ampliação, ou mesmo da construção de um novo terminal. E não é para menos. Vivemos em uma sociedade globalizada, onde as pessoas têm necessidade de deslocar-se constantemente a negócios, estudos ou simplesmente lazer.

Teresina, a muito custo, vem tentando consolidar-se como uma capital de eventos e negócios, já que não pode competir com os atrativos turísticos das outras capitais nordestinas banhadas pelo mar. Mas como atrair congressos, feiras e eventos se os passageiros não têm nem mesmo como chegar à cidade?

Não dá para imaginar que o único aeroporto de uma capital suspenda as operações porque as luzes do balizamento não funcionam e a pista fica no escuro. É muito primitivo. No mundo dos negócios, tempo é dinheiro. Perder voo por causa de mau tempo é aborrecido, mas parcialmente justificável, já que os aeroportos mais modernos funcionam por instrumentos nessas ocasiões. Ainda assim, em última análise, a culpa recai sobre a natureza. E esta, só Deus a governa. Agora, perder voo por conta de falta de equipamentos e, pior ainda, por falta de luz, é literalmente a treva.

Estamos na escuridão do desenvolvimento, do progresso, da modernidade. Que venham as luzes para clarear um novo caminho para o Piauí, permitindo novos investimentos e atraindo pessoas e negócios que promovam o crescimento do Estado.

SAUDAÇÃO À MANDIOCA

A mandioca elevada à condição de heroína, a grande redenção do povo brasileiro ! Pode haver algo mais tupiniquim? Viva Macunaíma e a República das Bananas! Agora é que o mundo inteiro , e nós mesmos, brasileiros , não entendemos coisa alguma do que está se passando no país. Durante a abertura dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, a Presidente Dilma fez mais um dos seus discursos desconexos e desconectados. “ Então, aqui, hoje, eu tô saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil” , disse a Presidente.

Pois bem, se a mandioca é uma das maiores conquistas do Brasil nós estamos mesmo muito mal. Enquanto outras nações orgulham-se de listar entre suas conquistas a redução da desigualdade social, o acesso universal à educação de qualidade, a cobertura de saneamento básico à totalidade dos seus habitantes, a redução da mortalidade infantil, novas descobertas científicas  para o combate a doenças endêmicas, o avanço na tecnologia da informação, nós rendemos graças e louvores à mandioca.

No mesmo surpreendente discurso, a inspirada fala da Presidente foi além e instituiu o termo “mulheres sapiens”, para espanto dos presentes. Para falar a verdade, não só espanto, mas risos também.  Dilma falou que  “ quando nós criamos um bola dessas, nos transformamos em Homo sapiens ou mulheres sapiens”. Santa sapiência!

O discurso da Presidente Dilma é tão confuso quanto sua política de governo. Não se sabe aonde, e nem como, ela pretende chegar. Uma hora diz que não mexe no direito dos trabalhadores “ nem que a vaca tussa”, para logo em seguida mudar a regra do jogo. Anuncia como slogan de governo “A Pátria Educadora”  para, na sequência, cortar financiamento do FIES , programa de financiamento estudantil.

Com frases picotadas e sem sentido, o governo segue confundindo a cabeça dos brasileiros, cansados de trabalhar, pagar impostos, sofrer nas filas dos hospitais, esperar que a inflação baixe, que os serviços melhorem e que possam planejar a vida, sabendo o que os espera no futuro.

PRESÍDIOS EM COLAPSO

O Brasil expôs ontem uma radiografia preocupante do sistema prisional no país. A ponto de o próprio Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reconhecer que a situação “é ruim, péssima”. E o que o sistema “está em colapso”. O Ministro apenas admitiu publicamente o que todos já sabem. As cadeias brasileiras estão superlotadas, as celas são desprovidas das mínimas condições de higiene, a violência se multiplica e o índice de assassinatos dentro dos presídios é, no mínimo, assustador.

No Piauí, a situação não é diferente. O Estado registra a segunda maior taxa de assassinatos em presídios do Brasil.  São 27,9 mortes por 10 mil presos ( Fonte: INFOPEN – Sistema de Informações Estatísticas do Sistema Penitenciário, do Ministério da Justiça).

Tão grave quanto o alto número de mortes dentro das celas é a superlotação. A média no Brasil é de 66%. No Piauí, esse índice é de 61%. O Estado possui 2.230 vagas, ocupadas por cerca de 3.700 presos. Desses, mais de 2 mil aguardam julgamento, O que representa outro problema grave, gravíssimo: o tempo de espera dos presos por julgamento. Por lei, esse tempo deveria ser de , no máximo,  seis meses, mas na prática chega a três, quatro e até cinco anos, segundo o Secretário Estadual de Justiça, Daniel Oliveira.

Passando mais tempo encarcerados do que deveriam, sem assistência médica, sem saneamento básico, e amontoados feito bichos, não existe a menor condição de ressocialização dos presos. Daí, a velha máxima de que as cadeias brasileiras são escolas do crime e de que os presos costumam sair piores do que entraram.

Daniel Oliveira diz que é preciso mais investimentos para ampliação e reforma das cadeias e qualificação dos servidores para que haja um atendimento mais humanizado. E já anuncia mudanças para o segundo semestre. As audiências de custódia devem começar a ser realizadas ainda este ano para avançar nos julgamentos e diminuir a superlotação. O sistema vai funcionar com o encaminhamento do preso em flagrante para o juiz e a decisão deste, sem demora, optando, inclusive, por penas alternativas para crimes mais brandos.

A outra notícia vinda da Secretaria de Justiça para o próximo semestre é a retomada das obras do presídio de Campo Maior, que foram embargadas por uma decisão judicial. Se tudo der certo, são mais 140 vagas que, somadas às 140 do presídio de Altos, representam um acréscimo de 280 vagas. Não resolve, mas já ajuda bastante.

 

LINHA CRUZADA

A questão da mobilidade urbana é hoje um dos maiores problemas de todas as cidades brasileiras de médio e grande porte. E não é diferente em Teresina. Pelo contrário. Aqui, as reclamações sobre as dificuldades de deslocamento são repetidas exaustivamente por todos que precisam se deslocar diariamente de casa para o trabalho ou para a escola.

Carros demais, ruas de menos, excesso de carros e motocicletas, sistema de transporte público deficiente, tudo junto resulta em um trânsito complicado e cada vez mais caótico. Com poucos recursos, os investimentos na área não chegam na mesma proporção da necessidade dos moradores.

Para completar, ainda nos deparamos com algumas situações inusitadas, para não dizer absurdas. Um dos gargalos do trânsito da capital é a ponte Wall Ferraz. Estreita, com apenas uma via em cada sentido, a ponte já não atende mais à demanda de veículos que trafegam por lá todos os dias. Pois para piorar o cenário que já é naturalmente ruim, no horário de pico, compreendido entre 7h30 e 8h, os veículos ainda precisam parar por um longo tempo enquanto o trem de carga cruza a linha férrea que passa sobre a ponte.

Sem interrupção, o trânsito já sofre com o estreitamento na pista. Quando o trem cruza a ponte, então, rapidamente forma-se um longo congestionamento para complicar ainda mais a vida dos teresinenses que saem de casa logo cedo, gastando toda a cota de paciência que deveria ser usada ao longo do dia.

VOLUME MORTO

O país entrou no volume morto, para usar uma metáfora do ex-presidente Lula sobre a crise política e econômica que se abate sobre o Brasil. A inflação continua a subir, afastando os consumidores de produtos que já haviam sido incorporados à sua mesa até bem pouco tempo atrás. Com retração no consumo, as empresas sentem o impacto e também começam a demitir, elevando a estatística do desemprego, uma preocupação que ocupa hoje o centro das atenções das famílias brasileiras.

Politicamente, o governo está fragilizado. Em Brasília, quem dá as cartas é o Congresso, movido muito menos pelos interesses nacionais e mais por querelas pessoais e paroquiais. É por isso que o ajuste fiscal proposto pelo Ministro da Economia, Joaquim Levy, está sendo todo fatiado.

Por outro lado, a Presidente está à volta com a necessidade de dar explicações ao TCU sobre as pedaladas fiscais, sob risco de ter as contas reprovadas. O TCU calculou em cerca de R$ 40 bilhões a dívida do governo com a Caixa Econômica, Banco do Brasil, BNDES e FGTS até junho do ano passado. Hoje, essa dívida já chega a R$ 60 bilhões.

Tudo somado, a popularidade da Presidente Dilma despencou a índices próximos ao do período pré-impeachment do Collor. Inimagináveis 65% de reprovação. E o que é pior, a insatisfação já atinge até mesmo as classes mais baixas, até então reduto absoluto do PT.

Com esse cenário, os investidores estão inibidos de abrir ou expandir as empresas. E as expectativas não são nada boas para o segundo semestre. Consumidores, empresários e governantes estão com o freio de mão puxado, acertadamente. Só que sem investimento não há crescimento. E a crise vai se aprofundando ainda mais.

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