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MAIS UM AUMENTO PARA CURAR A RESSACA

Manhã de carnaval. Quando os foliões acordarem nesta segunda-feira, alguns ainda ressacados pela festa de ontem, terão um susto capaz de curar-lhes qualquer resquício de embriaguez que ainda possa persistir. Se precisarem reabastecer o tanque de combustível do veículo para continuar a brincadeira verão que o preço da gasolina subiu outra vez. Parece piada, mas não é.

Ainda nem bem acostumados com o último aumento, que elevou o preço do litro a mais de R$ 3, e já somos surpreendidos com outro aumento. E em pleno carnaval, quando boa parte da população está anestesiada com os efeitos da maior festa popular. A data escolhida para mais esse golpe no bolso do consumidor não é mera coincidência. É para passar despercebida mesmo.

Só que daqui a dois dias  guardam-se as fantasias e a vida volta ao normal. As pessoas terão que ir e vir novamente ao trabalho, assim como deixar e buscar os filhos na escola. Aí o aumento vai ser sentido.

A estimativa do sindicato dos proprietários de postos de combustíveis é de que o litro do produto aumente em média entre seis e sete centavos. Não é pouca coisa. Aliás, é muito para quem começou o ano sendo bombardeado por uma série de aumentos. A conta de energia elétrica, que disputa com a da gasolina para saber qual delas sobe mais, também deve sofrer novo reajuste. Enquanto isso, os salários vão encolhendo no final do mês.

Ora, em um país no qual a base dos transportes é rodoviária, a elevação no preço dos combustíveis implica uma cascata de aumentos em sequencia. Quem vai ao supermercado sabe que não consegue pagar o mesmo preço por igual quantidade de compras  duas vezes seguida. E a solução encontrada é ir diminuindo, cada vez mais, o número de produtos levados para casa.

Todos os reajustes reprimidos na época da campanha eleitoral estão explodindo agora feito uma hemorragia. O trabalhador, como sempre, é a parte mais fraca dessa engrenagem. A ele cabe o sacrifício de ir adaptando-se progressivamente aos cortes e apertos no orçamento doméstico, ou então voltar às ruas e protestar como em junho de 2013.

PERIGO AO VOLANTE

A quantidade absurda de veículos nas ruas de Teresina, por si só,  já é suficiente para deixar o trânsito  tumultuado e estressante. Mas, não satisfeito, os motoristas teresinenses resolvem dar sua contribuição para tornar o ruim ainda pior. Há tempos venho observando o comportamento de quem conduz carros e motos pelas ruas da capital. E, cada vez mais, fico assustada com a violência como isso acontece.

Outro dia, uma sábia amiga, fez o seguinte comentário: “ não entendo como o teresinense é tão gentil quando a gente vai à casa dele e se transforma em uma pessoa tão violenta quando está dentro do carro.” Infelizmente, fui obrigada a concordar.

O carro transformou-se em uma arma perigosa. E quanto maior e mais potente o veículo, mais agressivo tende a ser o seu condutor. Como se o tamanho e o valor da máquina fossem proporcional à força e à arrogância de quem o conduz.

É só prestar atenção para ver o festival de atrocidades cometidas diariamente. Nos horários de pico, o problema se agrava. São fechadas violentas, carros que saem “cantando pneus”, buzina incessante na metade do primeiro segundo depois que o semáforo abre, estacionamentos em filas duplas ou triplas, e outras aberrações do gênero. Em dias de festa, como agora no carnaval, ou em Copa do Mundo, há ainda o agravante do álcool.

E nem pense você em reclamar. A pessoa que comete esse tipo de infração costuma ser de uma violência quase animal. Basta você olhar feio pra ela já sair xingando você e, em alguns casos, até partindo para a agressão física.

Todo mundo vive em uma pressa enlouquecedora para chegar a qualquer destino. Se uma outra pessoa atravessa o caminho, é suficiente para ser destratada. Não é a toa que Teresina registra tantos acidentes de trânsito. Boa parte deles poderia ser evitada apenas com um pouco mais de civilidade e educação.

Mas os motoristas preferem seguir em uma competição quase suicida para saber quem pode mais ao volante, deixando para trás milhares de vítimas. Esquecem eles que, ao perderem a cabeça, podem acabar perdendo a vida também.

SELVA URBANA

O Código de Hamurabi é um conjunto de leis criado por volta do século XVIII a. C. na Mesopotâmia. O Rei que emprestou seu nome ao severo código baseou-se na lei de talião, do “olho por olho, dente por dente”. Quem cometesse qualquer crime recebia pena proporcional à gravidade do delito. A pena de morte é a punição mais comum das leis do código.

Séculos e séculos depois, os teresinenses resolveram resgatar o código de Hamurabi aqui na cidade outrora  pacata. Só esta semana foram registrados dois casos de linchamento. Na quarta-feira à noite, um jovem de 18 anos foi espancado até a morte. No dia seguinte, pela manhã, outros dois jovens assaltaram um supermercado na zona leste e a população, revoltada, também tentou linchar a dupla. A polícia chegou a tempo de evitar o desfecho planejado pelas vítimas do assalto.

Não é natural que o teresinense, sempre tão afável, seja tomado por tamanha ira a ponto de espancar uma pessoa até a morte. O que está acontecendo é um sentimento de revolta pela sensação de insegurança que o cerca e da impunidade que blinda os bandidos. Cansados de esperar por uma ação efetiva do Estado, os cidadãos comuns, pais de família que trabalham e tentam educar seus filhos dentro da lei, resolveram agir por conta própria, numa atitude tão perigosa quanto condenável. Perigosa porque estão sempre em desvantagem com relação a quem fez do crime profissão e já não tem mais nada a perder. E, acima de tudo, condenável porque ao tornarem-se assassinos, ainda que eles tentem justificar racionalmente o que estão fazendo, acabam descendo ao nível do criminoso.

Não se pode justificar um crime com outro. Nem fomos preparados para isso. Seria a volta da barbárie humana. Uma selva na qual sobreviveriam apenas os mais fortes e talhados para a luta, como no início da evolução das espécies.  O hábito de praticar “justiça com as próprias mãos” nega toda a história da civilização humana. É certo que nosso código penal, datado de 1940, há muito já caducou. Precisa ser revisto com urgência, urgentíssima. Como precisam ser revistos nossos modelos de presídios, que mais se assemelham a cativeiros de animais ferozes.

A certeza da impunidade, certamente, tem feito prosperar a violência em nosso meio. Mas a punição deve vir de quem foi constituído legalmente para isso. Punições severas, sim. Os cidadãos que estão cometendo linchamentos provavelmente não estariam praticando atos tão radicais se soubessem que os assaltantes que atentam contra suas vidas e de suas famílias fossem presos e cumprissem a pena integralmente, sem os artifícios da lei que lhes garante a liberdade logo em seguida.

Portanto, polícia, justiça, Estado, façam sua parte! Não deixem que a população já tão sobrecarregada de impostos arque com mais esse ônus.

DEPUTADO PIAUIENSE É RELATOR DA REFORMA POLÍTICA

Laycer Tomaz / Câmara dos Deputados

 

            O Deputado federal Marcelo Castro , do PMDB, foi indicado relator de uma matéria que deve tirar o sono do Planalto. O piauiense foi encarregado de fazer o relatório da polêmica e necessária reforma do sistema político. Uma reforma, aliás, que já se arrasta há anos porque contraria muitos e diversos interesses.

            O governo federal queria que a presidência e a relatoria desse assunto ficassem à cargo do PT. Mas no embate travado com o PMDB, o partido do atual presidente da Câmara Federal levou a melhor. E o deputado piauiense está agora com a missão de costurar as diferentes propostas que devem dar nova cara ao nosso desgastado sistema eleitoral. O trabalho deve ser levado ao plenário dentro de cerca de 40 sessões, o que irá acontecer provavelmente lá pelo mês de maio.

            Mas o relator já adiantou algumas propostas que promete defender com toda a sua conhecida eloquência. Uma delas é a da coincidência de mandatos para que o Brasil possa ter eleições unificadas para todos os cargos proporcionais e majoritários. A ideia de Marcelo Castro é que o mandato dos próximos prefeitos, eleitos em 2016, dure apenas dois anos. Dessa forma, em 2018 o eleitor iria às urnas para votar para todos os cargos: vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal,  governador, senador e presidente da república. E, a partir de então, os eleitos ( para todos os cargos, inclusive para o senado) teriam mandatos de 5 anos, sem direito à reeleição no caso de prefeito, governador e presidente da república.

            Isso evitaria que o país trabalhasse apenas nos anos ímpares, já que a cada ano par as ações administrativas e parlamentares se voltam para a campanha eleitoral.  A boa governança teria muito a ganhar com um mandato contínuo, sem interrupção para o calendário eleitoral, que tantos prejuízos traz ao cidadão comum que trabalha, paga impostos e quer ver os serviços públicos funcionando ininterruptamente, de preferência com qualidade. Sem falar nos altos custos que a Justiça Eleitoral é obrigada a fazer a cada dois anos.

            Outra novidade seria com relação aos suplentes de senadores. Hoje qualquer ilustre desconhecido é indicado à posição de suplente, apenas para compor a chapa, dando lugar,  muitas vezes , a um amigo ou parente que nunca disputou uma eleição na vida e nem teria condições para tal. No caso do eventual afastamento do senador eleito, uma pessoa de quem os eleitores sequer sabem o nome pode assumir a cadeira do salão azul. O deputado piauiense vai defender a proposta de que os suplentes seriam os candidatos com maior votação logo abaixo dos eleitos. Assim, os três suplentes seriam o 4º, 5º e 6º candidatos mais bem votados para o Senado.

            Uma das propostas que deve levantar a poeira da indignação, especialmente no meio publicitário, é a que mexe com o marketing eleitoral, hoje uma máquina que envolve milhões de reais e para onde são destinados os obscuros recursos do caixa dois das campanhas. O que Marcelo Castro tem em mente é que o horário eleitoral não utilize mais artifícios de edição, como jingles, cenas externas, uso de atores, animação gráfica ou qualquer outro tipo de pirotecnia que relega o candidato à mera condição de coadjuvante do seu próprio horário no rádio ou na TV. A fala do candidato até pode ser gravada, mas só ele tem direito a aparecer no ar para apresentar suas propostas. Isso, sem dúvida, diminuiria, e muito, os custos da campanha.

            As metas são ousadas. Difícil vai ser convencer os demais deputados, já acostumados com os benefícios do atual sistema, a mudar pra valer. Marcelo Castro esclarece que, na condição de relator, vai defender suas idéias até o limite que a democracia permite, mas o texto final deve ser escrito de acordo com o pensamento da maioria da comissão. Aí é que mora o problema. A solução seria o acompanhamento dos trabalhos por parte de cada eleitor que não está satisfeito com o atual modelo. As reformas nesse país só irão acontecer de verdade quando os cidadãos entenderem que a obrigação do eleitor não termina no dia da eleição. Ele tem que fiscalizar e cobrar a atuação dos seus candidatos para confirmar o seu voto na próxima eleição ou buscar um outro que atenda as suas necessidades.

O CAMINHO DO SERVIÇO

A Caminhada da Fraternidade está completando 20 anos de existência. Não é pouca coisa em uma sociedade de valores e acontecimentos efêmeros, que  chegam e desaparecem ao sabor dos modismos da estação. São duas décadas de serviço que transformaram a Caminhada em um evento obrigatório no calendário  da cidade.

O interessante é que não se trata de festa ou qualquer tipo de  competição . É simplesmente uma ação voluntária para ajudar a transformar a nossa cidade em um lugar melhor para  se viver. Há muito tempo, os países desenvolvidos perceberam que o governo sozinho não consegue resolver todos os problemas sociais. Daí nasceu o terceiro setor. Nos Estados Unidos, por exemplo, o voluntariado ocupa um espaço de destaque na vida dos norte-americanos.

E aqui em Teresina, com um povo de natureza generosa e solidária, bastou uma boa ideia ser lançada para ganhar corpo e frutificar, trazendo resultados positivos para uma comunidade desassistida pelo poder público.

Tudo começou a partir da necessidade de atender os pacientes portadores do vírus HIV, que eram duplamente castigados ao receberem o diagnóstico, com a  dor e o estigma da doença.  Atingidos pelo preconceito, eram discriminados e rejeitados até pela própria família. E foi assim que a Arquidiocese de Teresina decidiu abrir os braços para acolher essas pessoas. A maneira encontrada para  obter o dinheiro necessário à construção de um lar que os abrigasse foi a Caminhada da Fraternidade.

Com o dinheiro obtido com a venda dos kits, que inclui boné, camiseta e mochila, conseguiu  construir o Lar da Fraternidade e devolver a saúde e a dignidade aos pacientes com AIDS. Sim, porque a Caminhada não foi concebida apenas para arrecadar dinheiro, mas também para dar visibilidade à quem não era visto pela sociedade.

Com o tempo, novas pessoas foram se juntando ao projeto original. A Caminhada cresceu e, hoje, atende a muitas outras instituições, como o Centro Maria Imaculada, que trata pacientes com hanseníase ; e o Lar de Misericórdia, que atende pacientes com câncer, só para citar algumas delas.

Este ano, a Caminhada já tem data marcada: dia 14 de junho. Com o slogan “SERVIR É O NOSSO CAMINHO”, a Igreja Católica mais uma vez espera mobilizar a multidão dos anos anteriores para mostrar que servir é dever de todo cidadão. E que se cada um faz a sua parte,  o mundo fica melhor para todos.

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