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O LADO PROVINCIANO DE TERESINA

Aos 163 anos, Teresina ganhou ares de metrópole, com ruas movimentadas, carros e motocicletas circulando em todas as direções, e uma população de pouco mais de 800 mil habitantes utilizando-se dos mais diferentes serviços nas áreas de educação, saúde e comércio.

A modernidade, no entanto, é aparente. A capital piauiense ainda guarda algumas contradições que revelam seu lado provinciano. Uma delas é a presença de animais nas ruas, indiferentes ao tráfego intenso à sua volta. O problema é que esta cena não é uma raridade. Ao contrário, é comum vê-los pastando por ruas do bairro Ilhotas, na zona sul, e também no bairro dos Noivos, na zona leste, só para citar dois exemplos.

Acontece é que animais passeando pelas ruas não são apenas pitorescos ou prosaicos. São um risco para o trânsito e podem causar graves acidentes. Portanto, não dá para aceitar a cena como natural. A paisagem urbana não pode ser invadida por animais do porte de cavalos, jumentos ou vacas, como ainda se vê por aqui.

Os proprietários desses animais são os responsáveis por mantê-los presos em lugar que não corram perigo de ser atropelados e ou de causarem um acidente, podendo mesmo até tirar a vida do motorista. Se os donos não cuidam dos seus animais, que o poder público cuide da vida dos seus cidadãos e recolha os bichos que estão soltos na cidade antes que aconteça uma tragédia.

A PANELA ESTÁ FERVENDO

A primeira semana de agosto fecha com um saldo negativo para o governo federal e, de resto, para toda a nação. Como já havia sido anunciado, o Congresso voltou com a carga toda para atingir em cheio o Planalto. E, não só conseguiu aprovar a primeira das suas pautas-bomba, como o fez com larga maioria, impondo mais uma derrota à Presidente Dilma. Até mesmo parlamentares petistas votaram a favor do aumento para delegados das polícias federal  e civil, procuradores estaduais e municipais e para as carreiras da AGU – Advocacia Geral da União, comprometendo o programa de ajustes fiscais do Ministro Joaquim Levy.

O dólar disparou e já ultrapassou a barreira dos R$ 3,50, arrastando uma série de aumentos nos preços de mercadorias que têm como matéria prima produtos importados. A bolsa opera em queda e o mercado, como um todo, vai mal. A crise política, definitivamente, comprometeu a economia. O vice-Presidente e articulador político, Michel Temer, chegou a fazer um apelo pedindo a união, um espécie de pacto, pelo Brasil. Os deputados não o ouviram.

Em meio a esse cenário, o programa político do PT foi ao ar, tentando recuperar a confiança dos brasileiros e melhorar a imagem da Presidente Dilma, que chegou a seu pior nível de avaliação já registrado até agora, com 71% de reprovação. De nada adiantou o trabalho dos publicitários para tentar neutralizar o efeito das panelas. Elas ocuparam mais uma vez o cenário urbano, em uma manifestação de protesto coletivo nas grandes cidades brasileiras. Aqui em Teresina, também ouviu-se o barulho do panelaço em algumas regiões, como na Av. Marechal Castelo Branco, onde há uma grande concentração de edifícios residenciais de alto padrão.

A estratégia governista precisa mudar e começar a apresentar resultados rápidos. As contas dos governos Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula já foram votadas no Congresso, abrindo caminho para a votação das contas de Dilma. Mais um ingrediente apimentado para ir à panela em que frita a popularidade da Presidente.

 

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EDUCAÇÃO QUE TRANSFORMA

Em uma época de tantas notícias ruins sobre a economia, a política e a segurança pública, a educação vem nos redimir. No ranking das maiores notas obtidas na avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio de 2014, divulgado ontem pelo MEC, o Piauí aparece com duas escolas entre as vinte melhores do país. E não é a primeira vez que o Estado desponta entre as escolas de ponta do Brasil, competindo com Estados reconhecidamente mais ricos e desenvolvidos, como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo.

Prova de que a educação pode romper barreiras econômicas e geográficas. Com um projeto pedagógico sério, professores valorizados e o compromisso com o  ensino de qualidade, os alunos são capazes de se destacar, independente de onde se encontrem. Foi isso que o Instituto Dom Barreto e o Colégio Lerote demonstraram, alcançando o décimo sexto e o vigésimo lugar, respectivamente.

Para melhorar ainda mais nossa autoestima, tão castigada por outros indicadores, vale ressaltar uma outra lista: a das escolas públicas que obtiveram melhores  notas no ENEM. Entre os 21 estabelecimentos de ensino público listados, quatro são piauienses: o Campus Angical do Instituto Federal do Piauí, o Campus Parnaíba do Instituto Federal do Piauí , a já conhecida e premiada escola Augustinho Brandão em Cocal dos Alves e o Campus Picos, também do Instituto Federal do Piauí.

Todas essas escolas são motivo de orgulho e devem servir de exemplo para o  Estado, como uma demonstração inequívoca de que, quando bem conduzida,  a educação é um rio que corre intrépido, apesar das margens estreitas que tentam sufocá-lo. E esse é o único caminho possível para vencer o atraso e o subdesenvolvimento. Com alunos bem preparados e qualificados poderemos vencer o ciclo de pobreza que os cerca no sertão piauiense.

São exemplos pontuais e localizados. Mas têm a força de mostrar que é possível e que educação tem mais a ver com determinação e boa vontade do que com dinheiro, embora este seja necessário, sobretudo para pagar salários decentes aos professores.

As notas desses alunos soam para nós como notas musicais de extrema beleza e nos fazem acreditar na nossa capacidade de superação e, acima de tudo, de transformação da nossa realidade. É o Piauí que brilha!

 

VAMOS FLORIR TERESINA?

Ao longo dos anos, Teresina vem perdendo a sua cobertura vegetal. O progresso tem dessas coisas. Na ânsia de construir novos empreendimentos, nem sempre há a salutar preocupação de preservar o verde e muitas árvores são derrubadas impiedosamente para dar lugar ao concreto armado. Piora a paisagem urbana, mas, principalmente, piora o clima e a qualidade do ar que respiramos. Não é a toa que sempre que chega o segundo semestre as reclamações sobre o calor excessivo se multiplicam pelos quatro cantos da cidade.

Pois bem, em vez de simplesmente reclamar, o que estamos fazendo, efetivamente, para reverter essa situação? A Prefeitura de Teresina anunciou que está fazendo um programa de replantio de árvores por toda a cidade. Ótimo! Mas essa não é tarefa exclusiva do poder público. Cada um de nós, cidadãos teresinenses, temos que dar nossa contribuição para tornar o clima da nossa cidade mais agradável e nossas ruas mais belas.

E uma boa oportunidade para isso pode ser encontrada a partir de amanhã na Praça Pedro II. É o Festival de Flores de Holambra que, apesar de estar ainda na sua sexta edição, já virou tradição e conquistou o teresinense. De 6 a 16 de agosto, a cidade fica mais bonita com a exposição e comercialização de mais de 230 espécies de flores, plantas ornamentais e mudas vindas diretamente de Holambra, em São Paulo.

É um espetáculo que enche os olhos. E que não deveria ficar só na contemplação. O ideal é que as flores e plantas ornamentais saiam da praça Pedro II e se espalhem pelos jardins, quintais, praças e canteiros de Teresina, enchendo a cidade de cores, aromas e beleza. Sem dúvida, o melhor presente para Teresina nestes 163 anos.

A FRAGILIDADE DOS PRESÍDIOS AMEAÇA O CIDADÃO

É preocupante a quantidade de presos que fogem frequentemente dos presídios do Piauí. Locais que deveriam ser de extrema segurança para abrigar pessoas que, por decisão judicial, devem ser afastadas do convívio social. É dever do Estado garantir que os presos cumpram sua pena integralmente, em condições adequadas, sem ameaça da sua integridade física e sem que ameacem a vida dos que estão lá fora, usufruindo da liberdade a que têm direito.

Tanto na Casa de Custódia, quanto nos presídios do interior do Estado, as notícias de fuga se repetem com uma intensidade assustadora. Ora, já é difícil chegar-se à conclusão dos processos criminais, pela própria morosidade crônica da justiça, ou por inquéritos mal instruídos. Uma vez concluídos e definida a pena, o mínimo que se pode esperar é que elas sejam cumpridas na sua integralidade, para que a sociedade sinta-se mais segura, ou pelo menos tenha esta sensação.

No entanto, o sistema prisional do Estado revela-se frágil e incapaz de manter a população carcerária dentro do seu espaço. Quando não somos surpreendidos com fugas, o somos com a informação de que presos foram mortos por colegas de cela. Numa e noutra situação, sobressai a incapacidade do Estado em lidar com um problema crucial que atinge toda a comunidade.

Cobra-se da polícia, e ela até tem feito sua parte. Cobra-se da justiça, que ainda tem muito o que melhorar, mas não podemos esquecer do desfecho desse processo, que é o cumprimento da pena. As penitenciárias, teoricamente, deveriam ser lugar de ressocialização dos presos para que pudessem retornar ao convívio social. Isso, porém, nunca passou de  mito. Mas que, pelo menos, tenhamos a certeza de que cumprirão a integralidade da pena para que não sejam presos em um dia e no dia seguinte estejam praticando novos crimes no meio de onde saíram.

 

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