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A ESCURA TRAJETÓRIA DA ELETROBRÁS

O cerco vai se fechando contra os agentes de corrupção que atuavam nos órgãos federais. Depois do rumoroso escândalo da Petrobrás, que ainda está longe de chegar ao fim, vem a aguardada investigação sobre a Eletrobrás, outro foco de desvio de recursos públicos. Ontem, a operação Radioatividade, desencadeada  pela Polícia Federal, levou à prisão o Presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva. Ele é suspeito de ter recebido R$ 4,5 milhões em propina.

As suspeitas sobre a Eletrobrás são tão antigas quanto a má qualidade do serviço prestado pela mesma. Envolta em negócios obscuros, a empresa parece ter esquecido de realizar o trabalho que é da sua responsabilidade. As queixas existem no país inteiro.

Aqui no Piauí, a situação não é diferente. Os moradores de norte a sul do Estado reclamam da má qualidade do serviço e do atendimento da Eletrobrás que, preocupada com “as comissões” a receber por liberação de grandes obras, como a Angra III, não dá sequer ouvidos aos clamores dos clientes piauienses.

A falta de energia por aqui é tão frequente que deixou de ser exceção para tornar-se rotina na vida dos moradores. Quando o cliente liga para reclamar, quase nunca é atendido, e quando isso acontece, não raro é mal tratado. Os prejuízos com eletrodomésticos queimados em função de queda de energia já se acumulam de tal forma que os proprietários perderam até a conta.

A TV Cidade Verde mostrou um outro problema recorrente em decorrência da falta de atenção da Eletrobrás com a comunidade. No residencial Murilo Resende, zona sul de Teresina, um curto circuito na rede elétrica causou estouros na fiação, produzindo faíscas e fogo na rua. Uma cena que lembrava os fogos das festas de São João, mas que, ao invés do encantamento provocado por estes, trouxeram medo e pânico aos moradores.

Sob a mira da Polícia Federal e do Ministério Público, espera-se não apenas que a sangria dos cofres públicos seja estancada, mas também que haja melhoria na qualidade de um serviço que é essencial para a população e que não pode mais ser negligenciado em pleno século XXI, sob pena de manter nosso Estado nas trevas do atraso.

O QUE HÁ POR TRÁS DAS DROGAS

Foi destaque nacional, ontem, a apreensão de mais de 60 mil pés de maconha em uma fazenda no interior do Piauí, na cidade de Miguel Leão. Segundo a polícia, a maior apreensão de drogas feita este ano no Nordeste. No local, havia 1.680 kg estocados para venda. A estrutura era grande e bem organizada, o que revela uma produção planejada da droga que seria distribuída a partir do Estado.

A operação provou o que a polícia já vinha alertando há algum tempo. O Piauí deixou de ser um Estado da rota do tráfico para se tornar produtor de droga. E o mais preocupante é pensar o que o tráfico de drogas traz junto: criminalidade, tráfico de armas, prostituição e até mesmo corrupção.

Não é a toa que o Piauí tornou-se um Estado perigoso, onde a violência vem tomando proporções assustadoras. Como o cerco policial se fechou contra os bandidos em outros Estados que outrora controlavam o comércio das drogas, esses sujeitos migraram para cá em busca de maior tranquilidade para operar um negócio sujo e perigoso.

A droga vem corrompendo menores, destruindo famílias e assustando a sociedade, com um todo, pois onde há o comércio de entorpecentes há também o crime. Os roubos, assaltos e assassinatos passaram a fazer parte da nossa rotina. Quase que diariamente, jovens são exterminados em disputas de gangues por pontos de venda de drogas.

A ação da polícia foi eficiente ao secar o nascedouro do produto ilícito que iria ser comercializado. Mas sabe-se que há muito mais a ser desbaratado. Portanto, a polícia precisa e merece receber todo o aparato necessário para continuar combatendo a ação de traficantes que querem transformar o Piauí numa terra sem lei, uma espécie de faroeste moderno.

PIAUÍ DESPREZA SEU MAIOR PATRIMÔNIIO

Definitivamente, o Piauí não é um Estado pobre, mas esquecido. Dentre as inúmeras riquezas de que o Estado dispõe, uma, sem dúvida, merece um olhar diferenciado, até mesmo porque não diz respeito somente aos piauienses, mas ao mundo inteiro. Trata-se do Parque Nacional da Serra da Capivara, um tesouro arqueológico escondido, e abandonado, no interior do Piauí.

Criado e mantido graças ao esforço hercúleo da pesquisadora Niéde Guidon, o Parque da Serra da Capivara é patrimônio do mundo, já que sua riqueza atrai o interesse da comunidade científica internacional. E só não atrai mais turistas do exterior porque até hoje o tão sonhado aeroporto internacional de São Raimundo Nonato não começou a funcionar, tornando o percurso até a cidade que sedia o parque extremamente penoso, devido à distância que o separa da capital, Teresina.

Independente do turismo, que deveria ser estimulado para atrair mais divisas para o Piauí, a Serra da Capivara tem um valor científico inestimável, pois, a partir das suas descobertas, a origem do homem no continente americano foi posta em prova. Com vestígios que remontam 50 mil anos, há evidências de que o sul do Piauí teria sido o primeiro território a ser habitado pelo homem nas Américas.

Niéde Guidon percebeu o valor dos fósseis e inscrições rupestres encontradas na Serra da Capivara e dedicou sua vida inteira a pesquisar o material disponível por lá. Montou, a muito custo, o Museu do Homem Americano, que é absolutamente fantástico. No entanto, seu trabalho não é valorizado. Muito pior, não é sequer financiado e, por isso, o Parque está ameaçado de fechar.

Sem recursos para manter o Parque funcionando, os funcionários começaram a ser demitidos. Os caçadores aproveitam a falta de fiscalização e realizam caçadas e acendem fogueiras no interior do sítio, comprometendo um acervo arqueológico preciosíssimo. Como falei antes, um patrimônio da humanidade! E tudo isso sob os olhares indiferentes das autoridades que deveriam defender e promover essa riqueza incrustada no sertão piauiense.

A governadora em exercício, Margareth Coelho, esteve recentemente por lá e ficou encantada com o que viu. Postou, inclusive, algumas fotos nas redes sociais. Agora chegou a hora de uma ação concreta para salvar o Parque Nacional da Serra da Capivara, que é motivo de orgulho para os piauienses e que não pode mais ser desprezado. Nossa maior herança não pode simplesmente ser abandonada e destruída pela desatenção de quem deveria protegê-la.

AGOSTO SEM ESPERANÇA

Diz o dito popular que agosto é o  mês do desgosto. Particularmente, acho uma injustiça com o mês que, aqui em nosso meio, celebra o aniversário de Teresina e, ainda por cima, brinda os nossos olhos com a espetacular florada dos ipês. Provérbios à parte, o mês que se aproxima não deve ser bom para o governo federal.

Apesar de tantas notícias ruins, ainda não chegamos ao fundo do poço, o que significa dizer que devemos descer um pouco mais antes de começar a subir novamente. Este finalzinho de julho, tempo de férias, deveria ser um período de refresco para o Planalto, mas não está sendo.Longe disso!

A avaliação internacional sobre o Brasil continua em queda, afastando os investidores de outros países. O respeitado jornal Financial Times definiu a situação atual do Brasil como “um filme de terror sem fim”, por conta das medidas econômicas equivocadas que foram adotadas pelo governo e pelas denúncias de corrupção da Operação Lava Jato.

Os indicadores econômicos, de fato, vão mal, muito mal. O dólar segue em disparada, chegando próximo a R$ 3,30. O desemprego atingiu a casa dos 6,9%, crescendo na mesma proporção em que cai a popularidade da Presidente Dilma Rousseff, cuja aprovação foi reduzida a míseros 7,7%.

Mas o pior ainda está por vir. O TCU pediu urgência na avaliação das contas presidenciais, aquelas da famosa pedalada fiscal. E, pra completar, com o fim do recesso de julho, o Congresso volta à cena, com um presidente carregado até aqui de mágoa por conta da investigação da Lava Jato. Eduardo Cunha já anunciou o rompimento com o governo da Presidente Dilma, não por razões ideológicas, que estas há muito já não existem no Congresso, mas por questões pessoais nada republicanas.

A população, por sua vez, sentindo no bolso os efeitos da crise econômica, começa a se articular para mais uma manifestação de rua marcada para o próximo dia 16. Recorrendo mais uma vez aos provérbios populares, “na casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão”.

MELHORAR AS RUAS PARA MELHORAR O TRÂNSITO

A Superintendência Municipal de Trânsito realizou uma séria de intervenções no trânsito de Teresina com o propósito de dar mais fluidez ao tráfego de veículos. De fato, o trânsito é dinâmico e precisa ser reinventado constantemente, de acordo com a demanda da cidade que não para de crescer. Na falta de um sistema de transporte público de qualidade, o cidadão acaba enveredando pela opção de comprar um veículo e, com isso, os espaços públicos, obviamente, tornam-se limitados.

Muitas das mudanças realizadas pela STRANS foram questionadas pelos motoristas. Algumas críticas são injustas; outras, nem tanto. Realmente, os percursos aumentaram e, às vezes, fica difícil saber onde é possível fazer uma conversão. Mas a questão aqui é outra.

Se a intenção é facilitar o tráfego e desafogar os grandes corredores, já sobrecarregados, a Prefeitura deveria se preocupar em asfaltar ou colocar um calçamento decente, de paralelepípedo plano, nas ruas secundárias.

Vamos pegar a zona leste, sempre tomada como exemplo. Já que as conversões de um lado para outro não são mais possíveis nas avenidas mais movimentadas, o motorista pode optar por dirigir pelas ruas paralelas, fugindo dos congestionamentos e liberando as avenidas, certo? Só que não. Experimente andar pelo “miolo” da zona leste, onde o valor do IPTU é bem alto, aliás. O calçamento conhecido como cabeça de jacaré é de acabar com o pneu e suspensão de qualquer carro, o que faz com que o motorista desista de tentar uma nova rota.

Se é para melhorar o trânsito, vamos melhorar as condições das ruas, tornando-as planas, assim também como acabando com algumas valas que, de tão fundas, parecem que vão engolir os carros, levando o motorista a reduzir a velocidade quase a zero, atrapalhando ainda mais o tráfego.

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