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UMA FLOR VENCE A DENGUE

Uma florzinha amarela, simples, que atende pelo difícil nome de crotalária pode ser a solução para combater o mosquito da dengue e também da febre chikungunya.A planta se desenvolve bem em climas tropicais como o nosso e pode mesmo ser facilmente encontrada em beira de estrada.Ela exerce o controle biológico, atraindo as libélulas que, por sua vez, se alimentam do Aedes Aegypti. A libélula põe seus ovos nas mesmas águas paradas que o mosquito transmissor da dengue. Quando os ovos da libélula tornam-se larvas, elas também se alimentam da larva do Aedes. Portanto, a libélula é um predador natural do mosquito da dengue tanto na fase adulta, quanto ainda em larva.

A experiência do plantio de crotalária no combate ao mosquito da dengue já foi realizada no município de Sorriso, em Mato Grosso, com bastante sucesso. Lá, os agentes de saúde distribuem a muda da planta gratuitamente para a comunidade. E o resultado é que no mês passado não foi registrado um caso sequer de dengue.

A descoberta foi feita em um congresso de produtores rurais. A Prefeitura de Sorriso apostou na planta e agora está colhendo muito mais do que flores. Com um cinturão de crotalária na cidade, os moradores estão aparentemente livres da dengue, uma doença que já registrou 1.464 casos em Teresina este ano.

Quem já teve dengue ou chikungunya sabe como as doenças são incômodas e doloridas. Há muitos anos, as autoridades de saúde realizam campanhas educativas para que a população elimine os depósitos de água para evitar que o mosquito deposite seus ovos. Mas a população não faz o dever de casa e, ano após ano, a dengue se multiplica.

A distribuição de sementes de crotalária pode ser uma alternativa viável para controlar o mosquito em Teresina. A ação é barata e eficaz. Por isso mesmo, não custa tentar.

A TRAGÉDIA DO NEPAL

O mundo inteiro está acompanhando com indisfarçável comoção a tragédia que se abateu sobre o Nepal, atingindo também a Índia e a China. O número de mortos já chegou a três mil. Outros tantos corpos ainda podem estar sob os escombros. Os sobreviventes estão sendo atendidos no meio da rua porque não há mais vagas em hospitais e também por medo de novos desabamentos. Além disso, templos que eram considerados patrimônio histórico da humanidade pela UNESCO foram ao chão.

Mas a ajuda internacional não está chegando na mesma proporção da tragédia. A rica União Europeia, assim como os Estados Unidos que financiam guerras e armamentos  nos quatro cantos do mundo, estão enviando parcos recursos diante das tantas perdas acumuladas pelo pobre Nepal. O governo norte-americano enviou U$ 1 milhão. Muito pouco se levarmos em conta as proporções do desastre.

E o governo brasileiro, tão solícito em financiar as ditaduras latino americanas, o que fez? Limitou-se a enviar uma nota de pesar, solidarizando-se com o Nepal. Ora, o país está precisando de muito mais que uma nota oficial e protocolar. São milhares de vidas humanas que perderam tudo: casa, comida, roupas e a própria identidade do país. Por que então não há uma mobilização internacional à altura? Porque o Nepal é um país pobre e distante incrustado na Ásia. É como se houvesse valores diferentes para mensurar a vida de um europeu ou um norte-americano e a de um asiático, embora sejam todos da mesma espécie humana, merecedores da mesma solidariedade.

O que está acontecendo no Nepal, assim como o que vem se repetindo quase que diariamente nas águas do mediterrâneo com os refugiados da Líbia, é estarrecedor, digno de mobilizar toda a humanidade para aliviar o sofrimento desses povos. No entanto, eles são tratados apenas numericamente, aumentando a estatística dos desassistidos. É triste e lamentável que seres humanos recebam tratamento diferente pela cor da pele, conta bancária ou país de origem. Enquanto isso acontecer, não viveremos a sonhada paz mundial.

A BICICLETA COMO OPÇÃO

O trânsito de Teresina cresceu além do que a cidade esperava ou para o qual tinha sido planejada, tornando absolutamente estressante o simples deslocamento de um ponto a outro. Uma das alternativas pensadas para fugir aos constantes congestionamentos é o sistema viário para bicicletas. Atualmente, Teresina dispõe de 24,15 km de ciclovias e 25,85 km de ciclofaixas, aquelas faixas vermelhas pintadas do lado direito da pista para uso dos ciclistas. Ainda é muito pouco diante da extensão territorial da cidade. Mas a Secretaria Municipal de Planejamento está elaborando o Plano Diretor Cicloviário, que encontra-se em fase de diagnóstico. A ideia é definir um padrão viário para bicicletas em função da demanda existente. Já está previsto no PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) Mobilidade o investimento para a construção de mais 22 km de ciclovias. O uso da bicicleta como alternativa para fugir ao trânsito caótico dos grandes centros não é mais novidade. Na Europa, essa opção já vem sendo adotada há algum tempo com sucesso. Em Londres, existe um projeto, ainda não aprovado, de utilizar túneis subterrâneos de estações de metrô abandonadas para criar uma ciclovia por baixo da terra, onde qualquer pessoa poderia alugar uma das bicicletas públicas da cidade, que custam uma libra por pessoa por dia ou 50 libras por ano. Chamado de London Underline, o projeto utiliza principalmente o trecho das estações do centro da cidade, incluindo também alguns túneis que ligavam abrigos anti-bombas durante a Segunda Guerra. É bem verdade que o clima europeu ajuda. Aqui em Teresina o sol forte desencoraja as pessoas a trocarem o conforto do carro pelo esforço da bicicleta. Os que se aventuram a pedalar pela cidade, em boa parte, o fazem como prática esportiva à noite ou aos finais de semana. Ainda assim, muitos trabalhadores que não dispõem de dinheiro para comprar um carro ou motocicleta poderiam usar mais a bicicleta se tivéssemos mais estrutura urbana para que eles pudessem circular com segurança.

O SOL E O VENTO COMO SOLUÇÃO

Um grupo de deputados piauienses visita hoje o parque eólico do Araripe, que está sendo construído na divisa dos Estados do Piauí  e de Pernambuco. A obra está prevista para ser concluída no próximo ano e, depois de pronta, deve gerar energia 15 vezes superior a da Usina de Boa Esperança.

As fontes alternativas de energia são uma solução altamente viável, especialmente no Brasil, e mais ainda no Nordeste, onde há condições climáticas favoráveis com ventos e sol em abundância durante quase o ano inteiro. No entanto, tanto a energia eólica quanto a solar ainda são pouco utilizáveis por aqui.

O petróleo, além de caro é uma fonte esgotável. O custo das usinas térmicas é altíssimo e as usinas hidrelétricas, vez por outra, como agora, sofrem o problema da escassez de água por conta da irregularidade das chuvas. Por que então não investir nas fontes de energia renováveis, cujo custo inicial pode até ser alto, mas se pagam depois?  E, ainda por cima, possuem a vantagem de produzir energia limpa.

Os parques de energia eólica funcionam a partir de aerogeradores que captam a força dos ventos por meio de hélices ligadas a uma turbina que, por sua vez, aciona um gerador elétrico. Para isso, precisa que a região onde seja instalada a usina possua velocidade mínima de vento de 7 a 8 m/s.

No caso da energia solar, a matéria prima é farta e intensa. O Brasil recebe energia solar da ordem de 1013 MWh ( mega watt hora) por ano, o que corresponde a 50 mil vezes o consumo anual de eletricidade. Precisa de argumento melhor do que este para que haja investimento na área? Claro que não. Precisa apenas haver interesse e disposição em fazer projetos para buscar financiamento e dar resposta a  um problema gravíssimo e que vem, inclusive, inibindo a indústria piauiense. O Estado tem que se planejar e pensar no futuro, mas pensar grande, com projetos que venham realmente a alavancar o desenvolvimento do Piauí.

MUNICÍPIOS PIAUIENSES NÃO CUMPREM LEI DA TRANSPARÊNCIA

Em vigor desde 2011, a Lei da Transparência é cumprida apenas por dez dos 224 municípios piauienses. E, ainda assim, de forma parcial. Nem mesmo a capital, Teresina, cumpre todos os pré requisitos da lei. Por ela, é assegurado a qualquer cidadão o acesso a todas as informações relativas à execução orçamentária financeira das administrações públicas. A Lei 12.527 estabelece que os gestores devem colocar à disposição da população um portal com informações claras, objetivas e de fácil acesso sobre todas as despesas realizadas, incluindo licitações, contratos administrativos, transferência de recursos e gastos com pessoal, além do acompanhamento de programas, ações, projetos e obras. O objetivo é desenvolver o controle social da administração, incentivando a sociedade a fiscalizar os gastos com os recursos públicos. Acontece que os cidadãos ainda não adquiriram o hábito de fiscalizar o dinheiro que depositam nos cofres públicos sob a forma de imposto e, quando o fazem, nem sempre encontram resposta, como no caso dos municípios piauienses. Não sabem eles que se a informação solicitada não estiver disponível, a administração em questão pode ser denunciada ao Ministério Público. E que esse tipo de negligência do poder público pode ensejar ação de improbidade administrativa.

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