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Não está fácil pra ninguém


Os brasileiros já começam a acumular algumas preocupações com relação ao ano que se inicia daqui a dois dias. E eles estão concentrados, principalmente, no bolso, considerado por muitos como a parte mais sensível do corpo. Os trabalhadores que conseguiram manter seus empregos pularam a primeira fogueira, mas sabem que ainda há muito fogo para apagar.


O anúncio do valor do salário mínimo que passa a vigorar a partir do dia primeiro de janeiro é uma dessas preocupações. Embora represente um ganho para quem sobrevive com esse rendimento, sabe-se que, quando o salário mínimo sobe, os preços correm atrás. E a explicação é muito simples: o valor do salário, acrescido dos encargos sociais, é repassado ao preço final dos produtos e serviços adquiridos pelos consumidores. Para alguns empregadores, o pagamento do novo salário tornou-se inviável e a única saída possível é a demissão de servidores, o que já começou a acontecer, sobretudo na indústria da construção civil.


Outro motivo de apreensão é o reajuste na tarifa dos ônibus urbanos. O Conselho Municipal de Transportes Coletivos de Teresina aprovou um aumento de 13% na tarifa, elevando a passagem dos atuais R$ 2,50 para R$ 2,83. Esse reajuste ainda precisa ser aprovado pelo Pefeito Firmino Filho. Ainda que o Prefeito não autorize o reajuste total proposto pelo Conselho-  afinal 2016 é um ano eleitoral -  algum aumento deve haver porque os custos do sistema, como combustíveis e despesas com pessoal também aumentaram.


Tudo isso seria suportável se nós não estivéssemos enfrentando uma recessão severa, acompanhada de inflação acima de 10%. A difícil ginástica de fechar as contas no final do mês nunca esteve tão à prova quanto agora. E como o cidadão comum não pode fazer uso de pedaladas fiscais para finalizar seu balanço mensal, o jeito é cortar mais ainda os gastos. Regra que o governo nunca aprendeu a fazer, mas impõe a seus contribuintes sem dó nem piedade.

Sem energia, Piauí perde oportunidades.


Ontem, em pleno horário das 17h30, uma grande loja de supermercado da zona leste estava fechada por falta de energia. O vigilante informava aos clientes que chegavam que até mesmo o gerador, de tanto ser solicitado nas últimas semanas, também havia pifado, o que  obrigou o gerente a fechar as portas do estabelecimento em uma data próxima ao reveillon, quando as pessoas procuram os supermercados para comprar os produtos da ceia da virada do ano.


Na filial da mesma rede, algumas quadras depois, assisti a um diálogo indignado na fila do caixa. Uma professora universitária nascida em São Paulo, e atualmente residindo em Teresina, falava em alto e bom som para quem quisesse ouvir que iria fazer o caminho de volta para a capital paulista. A professora reclamava, com justificada razão, que não suporta mais ficar sem dormir a noite inteira, por causa do calor. Sem energia, ela não tem como ligar o aparelho de ar condicionado.


Logo atrás, um senhor, em tom mais baixo, reafirmava o mesmo propósito. Ele disse que também está pensando seriamente em mudar-se de Teresina porque, segundo ele, não é mais possível viver sem energia, com prejuízos constantes por danos nos aparelhos eletroeletrônicos.


Se os cidadãos comuns já não suportam mais, imagine os empresários que dependem da energia para produzir, gerar riqueza e empregos, e pagar os impostos que sustentam o Piauí. Estes já não sabem mais a quem recorrer. Na penúltima semana, a interrupção no fornecimento de energia levou os proprietários de bares e restaurantes à beira da loucura. Muitas confraternizações agendadas com antecedência foram predujicadas porque não havia luz para que os clientes pudessem festejar  com os amigos no restaurante.


Em todos os setores, há reclamações constantes por conta dos prejuízos físicos e materiais provocados pelo péssimo serviço de energia fornecido no Piauí. Os turistas que foram aproveitar as belezas da praia de Barra Grande amargaram longas 12 horas sem luz, que não fosse a do sol. Aí vem a pergunta inquietante: onde está a ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica - que não regula, nem fiscaliza, e muito menos pune a  ELETROBRÁS por não prestar um serviço de qualidade? O Piauí precisa levantar a voz para protestar e se fazer ouvido diante deste gravíssimo problema.
Às vezes, chego a pensar que, de tanto insistir, a ELETROBRÁS vai acabar conseguindo quebrar esse Estado. Afinal, quem vai querer investir e produzir em um lugar onde não há energia elétrica?

Municípios piauienses estão "quebrados"


O ano de 2015 despede-se melancolicamente como o ano da "quebradeira" geral, tanto para os consumidores, quanto para empresários e gestores públicos. Nas lojas de Teresina, a avaliação comum é de que as vendas do Natal foram abaixo do esperado para este período, considerado o melhor do calendário comercial. Com medo do que vem pela frente em 2016, os consumidores puxaram o freio das compras e limitaram-se a levar para casa somente o essencial.


A mesma cautela foi registrada entre os empresários que, já prevendo o que poderia acontecer, fizeram pedidos em menor quantidade do que gostariam de ter feito. Mas a preocupação maior abateu-se mesmo entre os gestores públicos, especialmente os prefeitos de pequenos municípios, com quase nenhuma arrecadação própria, e que dependem basicamente dos repasses federais.


Com a recessão descendo em cascata, a União passou a diminuir e atrasar o repasse aos municípios, levando-os a uma situação extremamente delicada. O Governo Federal delegou uma série de atividades aos municípios, seja na área da saúde, como na da educação e assistência social. O problema é que, ao tempo em que aumentou a responsabilidade dos municípios, esqueceu de aumentar o aporte financeiro para os mesmos.


É bem verdade que em muitas cidades, e o interior do Piauí está cheio de exemplos dessa natureza, não há planejamento suficiente para que as Prefeituras enfrentem um tempo de vacas magras, embora isso fosse absolutamente previsível. Não obstante a recessão econômica que vem se desenrolando desde o início do ano, em muitas cidades não faltaram festas, com contratação de bandas, às vezes superfaturadas. Também não houve economia na distribuição graciosa de cargos comissionados e benesses aos gestores. Resultado: agora está faltando dinheiro até para serviços essenciais, como escolas e postos de saúde.


Mesmo para quem vem administrando os cofres públicos com extremo rigor, a situação está difícil. Se está faltando dinheiro até para abastecer as ambulâncias, imagine para investimento em obras de infraestrutura, necessárias para a melhoria do bem estar da população! Em 2016 mais apertos são esperados. Os gestores terão que repensar o modo de administrar ou as Prefeituras fecharão as portas por não terem mais o que fazer.

2016 já vai nascer mais caro

Os meteorologistas preveem que o Fenômeno El Niño deve se estender até março do próximo ano, provocando diminuição na quantidade e intensidade de chuvas e elevando as temperaturas ainda mais. Nada animador para quem já sofre com o calor intenso em todo o estado do Piauí. Pois não bastasse essa notícia, uma outra nos chega para trazer  mais desconforto a todos nós, piauienses: as contas de energia elétrica devem sofrer um reajuste médio de 4,6% em 2016.


A correlação é imediata. Com o aumento da temperatura, aumenta também o consumo de energia. Se a conta vai subir, significa que o consumidor vai gastar bem mais do que já gasta com um bem que é essencial e indispensável. E aqui, com um agravante: o serviço pestado é de baixa qualidade.


Agora mesmo, a associação de bares e restaurantes de Teresina se prepara para entrar com uma ação contra a Eletrobrás por conta dos prejuízos quase diários causados pela falta ou oscilação de energia. Nesta época de fim de ano, quando esse segmento mais fatura com as confraternizações, as perdas provocadas pelos apagões constantes têm tirado a alegria dos empresários. Sem energia, os restaurantes ficam no escuro, no calor, as bebidas não gelam e os clientes, claro, vão embora.


A inflação chegou a dezembro na casa dos dois dígitos. Mais aumentos virão a partir de janeiro, a começar pelo salário mínimo, que passará a valer R$ 871. E com ele, uma cascata de novos reajustes se espalha pela cadeia produtiva. Os economistas, sempre prudentes, recomendam cautela nos gastos e, se possível, poupança de até 20% do valor do salário. Mas, nas atuais circunstâncias, fechar as contas no final do mês, pra quem ainda conseguiu manter o emprego, já é um luxo. Poupar, então, tornou-se um sonho cada vez mais distante.

PM registra 12 assaltos por dia em Teresina


2015 foi um ano violento. Chacinas, estupro coletivo, rebeliões, sequestros relâmpagos, arrombamentos de agências bancárias marcaram os últimos doze meses. E a confirmação desse estado de insegurança foi confirmada ontem pelo comando da Polícia Militar do Piauí, que apresentou a estatística  de uma pessoa assaltada a cada duas horas em Teresina. Isso sem contar os casos em que as vítimas não se dão ao trabalho de registrar um boletim de ocorrência, porque já perderam a esperança de que possam recuperar o que lhes foi tirado.


O medo já dominou de tal forma os piauienses que, hoje,as vítimas de assalto ainda agradecem quando conseguem sobreviver, o que não foi possível no caso da professora Ana Valéria, assassinada na semana passada durante um assalto à uma farmácia. As farmácias, aliás, tornaram-se um dos alvos preferenciais dos bandidos, junto com agências lotéricas, dos Correios e bancárias.


Circular pela cidade, mesmo que durante o dia e em vias movimentadas, tornou-se extremamente perigoso. A qualquer instante, e em qualquer lugar, corre-se o risco de ficar sob a mira de assaltantes, muitas vezes agindo sob o efeito de drogas e, por isso mesmo, prontos a disparar o gatilho ao menor sinal de reação, ainda que involuntária.


A boa notícia para o próximo ano é que a Secretaria de Segurança pretende ampliar o monitoramento na cidade, com a instalação de 160 câmeras de vigilância em pontos estratégicos. Ainda é pouco, mas já é um começo. Em grandes cidades, como Nova York e Londres, há praticamente uma câmera a cada esquina. E a estratégia deu resultados positivos. Em ambas, a criminalidade caiu vertiginosamente, para tranquilidade dos seus moradores. É essa mesma tranquilidade que queremos para nós. Não é pedir muito.

 

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