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Os aguapés estão de volta

Quando a gente pensava que estava livre dos aguapés, eles ressurgem com força total, pra mostrar que o Rio Poty está pedindo socorro. A degradação do leito e a devastação das margens estão matando um dos nossos maiores patrimônios naturais e cartão postal que embeleza Teresina.

Os aguapés revelam a falta de oxigênio no rio e o descaso com que tratamos nossos recursos naturais, fonte de vida e meio de sobrevivência para muitas pessoas, quando suas águas ainda não eram tão poluídas. Não é mais possível continuarmos jogando nossos esgotos no leito do Poty, achando que ele tudo pode absorver sem apresentar a sua reação.

Na foto acima, o tapete verde estendido atrás da vegetação nada tem de belo ou poético. É simplesmente o retrato da falta de uma política de preservação ambiental com um presente da natureza para a capital piauiense, já tão castigada com um clima quente e seco.

 

Jogos de Azar

Na tentativa de obter caixa a qualquer custo para os esvaziados cofres públicos, o PP volta a insistir na legalização dos jogos de azar, como uma redenção para tempos de crise. É preciso analisar essa proposta com cautela. Começa por uma modalidade mais simples de jogo até chegar às outras formas. O perigo está justamente nas portas que o jogo começa a abrir. Normalmente, ele vem associado a práticas criminosas como tráfico de drogas, de armas e prostituição.

Não adianta aumentar a receita a qualquer custo, abrindo um flanco para a criminalidade, já tão presente em nosso país. O senador Magno Malta (PR-ES) diz que “a jogatina é uma indústria de lavagem de dinheiro que gera crimes e sofrimento”. Ele já defendeu que o PLS 186, que oficializa bingos e cassinos, seja encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça  porque aborda a contravenção penal.

O desfecho da água

Depois de uma enxurrada de questionamentos políticos, sindicais e judiciais, o processo licitatório que escolheu a empresa Águas de Teresina volta hoje a julgamento no plenário do Tribunal de Contas do Estado. Falta o voto do Conselheiro Luciano Nunes, que havia pedido vistas do processo.

O processo volta à análise do TCE com a autorização do Supremo Tribunal Federal, que, ao contrário do Tribunal de Justiça do Piauí, entende que é competência do TCE analisar processos dessa natureza.

Antes do pedido de vistas, o placar estava em 4X1 para a suspensão do processo licitatório. Com o aval do TJ, a empresa assinou o contrato, já começou a trabalhar e a investir recursos no sistema de abastecimento de águas da cidade. E agora, como fica?

Secretário de Fazenda ainda não fez o recadastramento

 

A Secretaria de Administração fez circular uma lista com nomes de mais de nove mil servidores públicos estaduais que não teriam atualizado o cadastro funcional e, por isso, correm o risco de ficar sem receber salário no próximo mês. Ainda segundo informações da secretaria, o servidor terá o salário desbloqueado assim que fizer o recadastramento.

Caso o bloqueio perdure por três meses, a SeadPrev vai abrir procedimento administrativo que pode resultar na exoneração definitiva do servidor. Cerca de 4mil pessoas da lista são aposentados e pensionistas, muitos deles sem acesso a computador ou qualquer familiaridade com o mundo digital.

No entanto, o que chama a atenção na lista dos servidores que não fizeram o recadastramento é o nome do secretário de Fazenda, Rafael Tajra Fonteles. Isso mesmo. Nem ele fez o recadastramento. E agora?

85% das famílias correm o risco de perde o Bolsa Família

A Prefeitura de Teresina, por meio da Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social, faz o alerta de que cerca de 39 mil famílias corem o risco de perder o benefício do Bolsa Família. Das 45 mil famílias cadastradas no programa, apenas seis mil, o equivalente a 15%, estão cumprindo as exigências para ter direito à ajuda financeira.

Os técnicos da secretaria dizem que essas famílias estão omitindo informações indispensáveis para a atualização do cadastro. Além disso, para ter direito ao benefício, as famílias precisam realizar o acompanhamento previsto para manter a saúde em dia, como a manutenção do cartão de vacinação e o acompanhamento pré-natal no caso das gestantes, bem como as exigências na área da educação, que incluem o desempenho nas atividades escolares e a frequência escolar das crianças. É a contrapartida, justa, para que os beneficiados continuem recebendo a ajuda financeira mensal paga pelo governo.

 

Repasse do governo federal não ajuda no combate à seca

O Ministério da Integração Nacional encaminhou ofício à Assembleia Legislativa do Piauí comunicando a liberação de R$ 750 mil para o combate à seca nos 86 municípios piauienses que se encontram em estado de emergência por conta da longa estiagem que castiga o estado.

Seria até risível, não fosse penoso para os milhares de sertanejos que sofrem com falta de água e alimentos. Em um cálculo simples, dividindo R$ 750 mil por 86, chega-se a ínfima quantia de R$ 8.720 para cada município. Isso é nada diante da carência existente nesses lugares.

E assim essa prática vem se repetindo décadas a fio. O governo federal, insensível à dor de quem não tem água sequer para beber, envia migalhas como esmolas distribuídas em uma esquina esquecida do país. Até quando vamos nos conformar em ver essa situação humilhante se repetir, sem que seja desenvolvida uma política duradoura e eficaz de convivência com a seca? Não faltam exemplos pelo mundo afora de soluções possíveis para o enfrentamento da estiagem. Mas é preciso vontade política de romper com esse ciclo de miséria que cria dependência e rende votos a cada eleição. 

Dom Barreto é a 3ª melhor escola do país pelas notas do Enem

E o Piauí, mais uma vez, faz bonito no cenário nacional. Entre as dez escolas do Brasil que mais tiveram alunos com notas altas no Exame Nacional do Ensino Médio – Enem- está o Instituto Dom Barreto. A escola de Teresina aparece como a  terceira colocada no ranking nacional , segundo pesquisa do Idados, publicada na edição desta semana da Revista Veja.

A reportagem, que tem como título “Na Trilha da Excelência”, traz ainda em destaque a foto do estudante Vítor Melo Rebelo, 20 anos, que atualmente cursa medicina na Universidade Federal do Piauí e obteve a maior nota no ano em que participou do exame.

Não é de hoje que o Dom Barreto e mais dois ou três colégios de Teresina são destaques nacionais. O problema ainda é o imenso fosso que separa a elite que pode estudar nessas escolas e a grande massa da população que não dispõe de recursos para pagar mensalidades acima de R$ 1 mil. A distância é maior ainda se comparada aos alunos da rede pública, com exceção de algumas ilhas que se diferenciam, como a escola Augustinho Brandão, em Cocal.

Aproximar as duas pontas da realidade educacional do estado, bem como do país, é o grande desafio dos gestores para alcançarmos um nível de desenvolvimento desejável para o Piauí e para o Brasil.

As incoerências entre o que diz e o que faz a Corte

É difícil para a população entender o momento de sacrifício fiscal que o governo pede a todos os brasileiros com os exemplos que chegam diariamente do andar de cima. No dia primeiro deste mês, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, garantiu aos juízes do Rio Grande do Norte o pagamento retroativo do auxílio moradia, no valor de R$ 39,5 milhões, referente ao período de 2009 a 2014. O mesmo pagamento há havia sido suspenso por recomendação do Conselho Nacional de Justiça.

É bom lembrar que o auxílio moradia é pago mesmo aos juízes que não precisam se deslocar do seu domicílio para exercer as atividades de magistrado. Independente de morarem ou não em casa própria, os senhores juízes,  e outras categorias contempladas com o mesmo benefício, recebem uma ajudinha extra no contracheque de R$ 4.377,73 por mês.

Mas isso não é tudo. A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, achou de tinha mais direitos que os demais trabalhadores brasileiros e apresentou um pedido ao governo para acumular a aposentadoria de  desembargadora com o salário de ministra, que somam R$ 61 mil, bem acima do teto estabelecido para os servidores federais, que é de R$ 33.700.

O pior foi a justificativa da ministra ao dizer que precisava desse dinheiro para comer, se vestir e calçar. Ela chegou até a fazer uma analogia com o trabalho escravo, como se algum escravo pelo menos sonhasse em ganhar a aposentadoria de R$ 30 mil, a que ela tem direito. O mesmo entusiasmo não se viu para combater a portaria que afrouxou as regras de combate ao verdadeiro trabalho escravo existente hoje em fazendas e fábricas pelo Brasil afora.

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