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O que ( ou quem) está por trás dos aguapés

A imagem acima é chocante, mas, infelizmente, não é novidade. Vez por outra, o leito do Rio Poty fica coberto por um tapete verde, formado por aguapés que se alimentam do material orgânico despejado pelos esgotos que caem diretamente no rio, sem tratamento. Os aguapés são, portanto, consequência da poluição que está matando um dos nossos maiores recursos naturais.

Quando há chuva, eles são arrastados naturalmente pela correnteza. Em época de seca, como agora, a vegetação cobre completamente o leito do rio, sufocando a fauna aquática. É uma realidade triste porque revela como nosso rio vem sendo maltratado com o despejo de esgotos a céu aberto.

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente vinha fazendo o manejo dos aguapés, mas o contrato com a empresa foi vencido e, para agilizar a sua renovação, a Seman está se valendo de uma organização social civil, a fim de proceder a limpeza e evitar um dano ainda maior aos peixes.

Mas os aguapés, como já se disse, são efeito, e não causa, do verdadeiro problema e, por isso, a Seman está organizando uma equipe para fazer uma fiscalização junto às vinte maiores empresas que fazem uso da água fornecida pela Águas de Teresina para identificar quais delas, e em que medida,  estão poluindo o rio. A equipe deverá contar com membros da própria secretaria, da Agência reguladora de águas do município – a Arsete- e da própria empresa Águas de Teresina. O resultado desse levantamento será encaminhado ao Ministério Público Federal para as providências cabíveis. E é bom mesmo que isso aconteça e que os responsáveis sejam punidos para que não venham a destruir um patrimônio natural da nossa cidade.

Semana decisiva para a economia

Esta é uma semana de grande significado para a economia  brasileira que, finalmente, começa a dar sinais de revitalização. A maior expectativa está voltada para o próximo dia 6, quarta-feira, quando haverá o mega leilão do pré-sal, de onde se espera uma considerável injeção de recursos, além de uma boa dose de otimismo.

O dinheiro oriundo desse leilão, além de irrigar os cofres do governo federal, também deve ser partilhado com os estados e municípios, ajudando a reduzir o déficit fiscal dos governos, afetado pelas contas da previdência.

Ainda esta semana, deve ser divulgado o novo IPCA, confirmando a tendência de queda da inflação, que acaba levando também à queda na taxa de juros. Essa combinação de inflação baixa e juros reduzidos ajuda a estimular o consumo, aquecendo a economia e propiciando a abertura de novas vagas no mercado de trabalho.

E, para completar, o governo deve encaminhar ao Congresso um pacote de medidas econômicas e reformas ( a exemplo da administrativa) para tornar o Estado brasileiro mais enxuto e mais viável. Tudo somado, é motivo para se pensar em respirar novamente e começar a sonhar com a recuperação dos níveis de emprego no país, devolvendo a esperança a milhares de trabalhadores que estão hoje sem ter como pagar suas contas.

Brincando com fogo

É inadmissível, sob todos os aspectos, que um deputado eleito democraticamente pelo voto popular e ,mais ainda, filho do presidente da República, venha a público defender a volta do AI-5, o mais duro Ato Institucional do período da Ditadura Militar, baixado em dezembro de 1968, e responsável pelo fechamento do Congresso – o mesmo Congresso para o qual ele disputou as eleições.

Não é a primeira vez que o deputado Eduardo Bolsonaro afronta a democracia e as instituições que a sustentam. Em um vídeo, ele já havia dito que para fechar o Supremo Tribunal Federal bastava um cabo e um soldado. Como pode um representante que tem o seu mandato assegurado por um regime democrático ameaçar, ainda que verbalmente, esse mesmo regime?

Eduardo passou de todos os limites. Chegou a tal ponto que o próprio pai, sempre em defesa do clã, o desautorizou publicamente. Ainda bem. O presidente Jair Bolsonaro fez questão de dizer que quem fala em AI-5 está sonhando. Mais que um sonho, senhor presidente, é um pesadelo!  Um pesadelo para o qual o Brasil não quer e não merece retroceder.

O país preza pela sua liberdade. Nós construímos uma Nação com instituições sólidas, apesar dos seus defeitos, que devem ser corrigidos, obviamente, mas nunca por meio da força e do autoritarismo, duas pragas das quais já nos livramos. Os colegas parlamentares já falam em afastamento do deputado Eduardo. De fato, quem não honra a casa que representa não merece ocupar um assento nela.

A bruxa está solta no Brasil

De tanto querer importar a festa do Halloween para cá, o Brasil acabou vivendo o seu dia das bruxas. Toda essa nebulosa história sobre o depoimento do porteiro do condomínio do presidente Jair Bolsonaro ainda tem pontos a serem explicados. A reportagem veiculada pelo Jornal Nacional, na Rede Globo, dava conta de um inquérito no qual constava um depoimento do funcionário da portaria em que ele dizia que havia ligado para casa de número 58, pertencente ao então deputado Jair Bolsonaro, e ouvido uma voz que, segundo ele, parecia com a do deputado, autorizando a entrada de um dos executores da vereadora Marielle.

A própria reportagem foi checar a veracidade da declaração do porteiro e apontou a contradição existente, ao revelar a digital do deputado Bolsonaro no registro de presença da Câmara dos Deputados. Um trabalho que poderia ter sido feito desde o dia do depoimento, pela própria polícia ou pelo Ministério Público, e que teria evitado, talvez, toda essa confusão.

Ontem, só depois que o documento veio a público, e com a destemperada reação do presidente nas redes sociais, é que os responsáveis pela investigação se deram ao trabalho de apurar com rigor essa versão contada pelo porteiro e constataram, pelos registros do computador da portaria do condomínio, que ele não havia ligado para a casa de número 58, mas para a de número 65.

Fica a indagação: diante de uma revelação grave como a que o porteiro fez em seu depoimento, por que as autoridades responsáveis pelo caso não tomaram as providências de checar os registros da portaria, bem como a presença do deputado na Câmara? O que teria levado o porteiro a prestar uma declaração falsa, de extrema gravidade, envolvendo o nome de Jair Bolsonaro? Quem está por trás disso? Por que, só depois da revelação do caso pelo Jornal Nacional, o inquérito se mexeu? São indagações que ainda precisam ser explicadas.

Turismo em baixa

Passados dois meses dos primeiros sinais de óleo nas praias nordestinas, o problema causado pelo derramamento do petróleo bruto no litoral brasileiro só aumenta, atingindo as praias e populações ribeirinhas à medida que as ondas se espalham  sobre a areia.  De início, o governo não deu muita importância ao problema e demorou mais do que devia para tomar providências.

Agora, os danos causados pelo desastre ambiental assumiram proporções imensas. Além do imensurável prejuízo ambiental, há também o econômico. Estamos chegando ao fim do ano e às férias escolares, quando as praias do Nordeste costumam ficar lotadas de turistas em busca das águas mornas e limpas do nosso litoral, movimentando toda a cadeia do turismo, que inclui hotéis, restaurantes, lojas e transportes urbanos. Quem vai querer ir para uma praia em que não se pode pisar a areia branca ou molhar os cabelos na água azul do mar?

Por outro lado, os pescadores também estão sofrendo com a contaminação das águas, que afeta os pescados. O governo federal já proibiu a pesca de três espécies de camarão – o rosa, o branco e o sete barbas – na divisa do litoral do Piauí com o Ceará. Apesar de o governo já ter autorizado o aumento do prazo para o pagamento do seguro defeso, as pessoas que dependem da pesca ficam no prejuízo. Primeiro, não se sabe ainda por quanto tempo essas manchas de óleo permanecerão no mar e, consequentemente, por quanto tempo eles ficarão proibidos de pescar. Os próprios consumidores, com justificada razão, estão temerosos de consumir os pescados enquanto não tiverem a certeza de que os animais estão livres da contaminação.

O cardápio das festas de fim de ano, certamente, ficará mais pobre este ano, sem as delícias do mar.

 

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