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Por que a democracia ainda é o melhor regime

Uma das vantagens da democracia é que ela permite corrigir os erros a cada nova eleição. Livres, os eleitores decidem mudar, quando julgam necessário, e, depois, esses mesmos eleitores avaliam a mudança que fizeram. Foi o que aconteceu ontem, nos Estados Unidos, com as eleições do meio de governo, ou “midterm elections”. Elas funcionam como uma espécie de referendo para ao governo. Se o presidente está sendo bem avaliado, sai vencedor. Caso contrário, perde as cadeiras no Congresso.

No primeiro teste popular de avaliação do governo Donald Trump, o partido de oposição ao presidente, o Democratas, saiu vencedor na escolha dos novos representantes da Câmara, apesar dos indicadores econômicos favoráveis obtidos pelo governo. Para ter maioria, o partido precisaria de 218 votos; obteve 219, contra 193 dos republicanos.

Trump se empenhou pessoalmente nesta eleição, fazendo campanha direta a favor dos republicanos. E, para isso, utilizou o medo como chantagem aos eleitores. Disse que votar nos Democratas era trazer aos EUA caravanas de imigrantes, promover a violência e ver os empregos dos norte-americanos nas mãos de estrangeiros.

Mas, em vez de muro, os americanos mandaram um recado claro: preferem pontes. É bom lembrar que, nos Estados Unidos, a votação não é obrigatória. Quem sai de casa para votar, o faz livremente. Trump ainda tem maioria no Senado, mas é sempre bom, em qualquer regime democrático, a existência de uma oposição responsável, para lembrar ao governante de plantão que não é ele o soberano, mas o povo que o elegeu.

Expectativa X Realidade

Passada a eleição que consagrou um quarto mandato ao governador Wellington Dias, logo no primeiro turno, os números negativos começam a aparecer oficialmente. E o anúncio veio pela boca do próprio secretário de Fazenda, Rafael Fonteles, ao admitir ontem, aqui na Cidade Verde, que o atraso no pagamento do décimo terceiro salário dos servidores estaduais é uma possibilidade real.  Segundo Rafael, “não está completamente descartado”.

Durante a campanha, questionado por seus adversários nos debates de que participou, o governador Wellington Dias sempre dizia que, apesar da crise econômica, as finanças do Estado estavam equilibradas e que o governo honrava seus compromissos com os servidores, cumprindo rigorosamente a tabela. Em entrevista concedida à Revista Cidade Verde, um dia após a eleição, disse o governador: “Nós estamos cumprindo a tabela e vamos seguir cumprindo a tabela, pagando os salários e o décimo terceiro.” A população confiou na palavra do governador e o elegeu sem dificuldade. Vai ser difícil convencer agora os servidores e seus familiares de que tudo não passava de discurso de campanha. Se isso acontecer, a justificativa da crise não vai ser maior que a do calote eleitoral.

O Piauí é um estado pobre. Muita gente depende do serviço público e é empregada do Estado. Se o salário atrasa, o comércio sofre e abre-se um efeito em cascata. Não é bom iniciar um mandato já com esse nível de insatisfação popular.

Otimismo no mercado

Aos poucos, o Brasil ensaia sair da pior recessão econômica já sofrida nas últimas décadas. No último trimestre, a taxa de desemprego caiu para 11,9%, um índice ainda alto, é verdade, mas abaixo dos 12,4%, registrados de abril a junho deste ano. Embora essa queda reflita um crescimento no mercado informal, e não no emprego de carteira assinada, já são mais pessoas com uma renda no final do mês.

A proximidade do fim do ano, melhor período de vendas para o comércio, também deve atrair a mão de obra temporária. Se o cenário continuar melhorando até 2019, é possível que alguns desses contratos temporários se efetivem.  

Janeiro será mais que o primeiro mês de um novo ano. Com a mudança de governo, será a esperança de que o país volte aos trilhos, com recuperação econômica e abertura de novas vagas no mercado de trabalho. Os primeiros sinais começam a ser dados pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, que está interessado na votação da reforma da Previdência, no enxugamento da máquina pública e numa política forte de combate à corrupção. Esse tripé soa como música aos ouvidos do mercado, abrindo perspectivas para novos investimentos.

O setor da construção civil, que costuma servir como um termômetro para a economia, se mostra otimista com o que está por vir. Depois de amargar prejuízos sucessivos nos últimos meses, os empresários da área já começam a fazer planos para lançar novos empreendimentos imobiliários, na expectativa de que o próximo ano não será igual aquele que passou. É o que todos esperam, também.

Ameaça à Lava-Jato

É grande a expectativa sobre o convite a ser feito pelo presidente eleito Jair Bolsonaro ao juiz Sérgio Moro para que este integre a sua equipe de governo como Ministro da Justiça. O juiz Moro se notabilizou por uma postura séria, rigorosa e implacável com os agentes públicos que praticaram atos de corrupção.

Com o uso da caneta para aplicar penas duras a personalidades de colarinho branco, como nunca antes neste país, rapidamente foi alçado à condição de herói. E assim passou a ser aclamado por onde quer que andasse. Destemido e corajoso, enfrentou poderosos, militância política e todo tipo de adversidade para pôr fim a um esquema de desvio de dinheiro dos cofres públicos que havia se disseminado na administração federal.

Sérgio Moro tornou-se símbolo de um país que luta pela moralização. O simples flerte com um cargo de ministro no futuro governo, porém, pode arranhar a imagem construída ao longo de anos de trabalho. As indagações que virão, justas ou não, serão inevitáveis. E não haverá quem deixe de dizer que tudo foi feito pensando em promoção pessoal, embora a seriedade do juiz seja inquestionável.

A partir de agora, qualquer ato que venha a tomar poderá ser colocado sob suspeição. Jair Bolsonaro foi eleito prometendo varrer o PT do Brasil. Associar-se ao seu governo, portanto, é como  se o juiz houvesse colocado o seu trabalho a serviço de um projeto político. A Lava Jato precisa mais de Sérgio Moro do que o ministério de Bolsonaro. Para ministros da Justiça, há muitos candidatos; outro juiz com a coragem e competência de Moro é mais difícil.

Cai o preço da gasolina

A Petrobras deve reduzir hoje o preço da gasolina, deixando o valor médio do combustível em R$ 1,8623 por litro, o menor valor em quase seis meses. Mas isso, caro leitor, acontece lá nas refinarias.

A ideia de tornar o preço da gasolina flexível, variando de acordo com a cotação internacional do barril de petróleo, até agora, só serviu para aumentar o valor final pago pelo consumidor na bomba. A cada elevação do dólar e aumento na cotação do petróleo no mercado internacional, o consumidor passa a pagar mais para abastecer o carro. A disparada no preço dos combustíveis até motivou uma paralisação dos caminhoneiros que travou  o país no último mês de maio.

Mas, quando o preço da gasolina cai na refinaria, dificilmente se vê a redução nos postos de combustível.  É uma lógica que só funciona quando o reajuste é para puxar o preço para cima. O motorista, claro, não consegue entender.

O corte anunciado pela Petrobras acontece em um cenário de valorização do real ante o dólar e, ainda, de um enfraquecimento das referências internacionais do petróleo, um dos critérios adotados pela companhia para o cálculo dos preços dos combustíveis.

Vamos acompanhar o comportamento nos postos para ver se haverá a redução de algum centavo no preço final. É hora de os consumidores cobrarem o efeito da queda nos valores praticados nas refinarias para que ele possa ser sentido também nas bombas espalhadas pelo país inteiro.

 

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