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Corrida contra o tempo

Uma preocupação constante dos médicos que estão na linha de frente do atendimento a pacientes nestes tempos de coronavírus é a demora na confirmação dos casos, o que acaba por retardar o isolamento necessário das pessoas que tiveram contato com o paciente infectado. E esse isolamento é crucial para determinar o tamanho da crise que iremos administrar.

Nem o Piauí, nem qualquer outro estado brasileiro dispõe de uma rede de saúde que suporte uma grande demanda de  pacientes ao mesmo tempo. Se essa realidade provocou o colapso no sistema de saúde da Itália, um país de primeiro mundo, imagine no Brasil. Muita gente por aqui ainda não percebeu a gravidade do problema e acha que tudo não passa de alarmismo. É preciso que fique bem claro que não se trata de alarmismo, mas de prevenção, a única arma de que dispomos no momento.

Com um número escasso de testes para o coronavírus, a estratégia de realizar primeiro todos os outros testes para influenza para, só depois da negativa destes, realizar o teste definitivo, leva a um atraso considerável na medida profilática com relação a outras pessoas que tiveram contato com o infectado. E assim a doença vai se espalhando em progressão geométrica, fugindo ao controle dos agentes de saúde.

O isolamento social e a higiene pessoal são medidas que devem ser levadas ao extremo neste momento em que ainda é possível fazer alguma coisa. Se essa barreira epidemiológica não for feita com segurança agora, só nos restará chorar pelo tempo perdido mais na frente.

Prejuízos na área do turismo já chegam a R$ 2,2 bilhões, depois do coronavírus

O setor de turismo e hotelaria é um dos mais afetados até o momento pela pandemia do novo coronavírus. Com a proibição da circulação de pessoas e até mesmo o fechamento de fronteiras na Europa e em vários países do mundo, as companhias aéreas, hotéis e toda a cadeia da indústria do turismo sofreram um esvaziamento sem precedentes. A mesma coisa acontece aqui também no Brasil, com o cancelamento de praticamente todas as viagens que já estavam agendadas.

A medida é necessária para conter a propagação do vírus que se alastra a uma velocidade assustadora. E os prejuízos no setor já começam a ser sentidos fortemente. A Confederação Nacional do Comércio – CNC – enviou um ofício ao Presidente Jair Bolsonaro apresentando os números de perdas acumuladas até agora. E eles são preocupantes.

A estimativa da CNC é de que só nesta primeira quinzena de março as receitas encolheram 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado, acumulando um prejuízo, até o momento, de R$ 2,2 bilhões. Ainda segundo a CNC, a cada queda de 10% no volume de receitas do turismo, o nível de emprego no setor é impactado negativamente em 2%. Um potencial que aponta para perdas, até agora, de 115,6 mil postos formais no turismo.

Diante desse cenário, a CNC propões algumas medidas para ajudar o setor que, segundo a entidade, é o maior empregador do país e não recebe incentivos fiscais. São sugestões nas áreas tributária, trabalhista, financeira e administrativa.  Os empresários estão preocupados com o tamanho da crise econômica que se avizinha e a consequente onda de demissões que virá em seguida. O vice-presidente da CNC e presidente da Fecomércio-PI, Valdeci Cavalcante, alertou que se a pandemia perdurar como previsto pelas autoridades, o desemprego no setor de turismo e hotelaria pode atingir 6 milhões de trabalhadores. É uma realidade que amedronta e que exige respostas rápidas para evitar um mal ainda maior.

INSS submete idosos a aglomeração para serem atendidos por perícia médica

A imagem acima, registrada por mim hoje cedo, em frente  à Agência da Previdência Social da Avenida João XXIII, na zona leste de Teresina, mostra o descompasso entre os órgãos do governo federal. Enquanto o Ministro da Saúde tem dito, reiteradamente, que os idosos precisam se manter em isolamento domiciliar porque fazem parte do grupo de risco, o INSS submete pessoas idosas à concentração nas portas das poucas agências que ainda funcionam em Teresina para o serviço de perícia médica.

No início deste ano, o atendimento à perícia médica foi fechado nas agências sul, norte e na Praça Pedro II, ficando restrito à da Rua Areolino de Abreu e à da Avenida João XXIII. O problema maior é que no interior esse serviço praticamente inexiste e doentes, muitos deles idosos, de vários municípios do Piauí, se obrigam a viajar até a capital para serem atendidos.

A solicitação da perícia é feita por pessoas já normalmente doentes e debilitadas e, portanto, mais vulneráveis a contrair doenças. Ao se submeterem a longas viagens e, depois, a aglomerações do lado de fora  e dentro das agências, ficam expostas a um risco maior, justo no momento em que o Brasil vive uma pandemia da covid-19.

Qual a orientação que prevalece: a sensata voz do Ministro da Saúde, um médico que vem se empenhando para que o Brasil sofra o mínimo possível com as consequências do novo coronavírus ou a insensibilidade dos órgãos que ainda não entenderam a gravidade do problema?

Firmino diz que, se a crise não for contida, municípios poderão atrasar a folha de pessoal

O pico do coronavírus ainda não chegou ao Brasil e estima-se que a crise deva durar de dois a três meses, tempo suficiente para comprometer não só o sistema de saúde pública como a economia do país. A suspensão gradativa das atividades comerciais, em maior ou menor escala, compromete seriamente a arrecadação de impostos, que é a base do dinheiro que circula e que é repassado aos estados e municípios por meio do FPE e FPM.

O prefeito Firmino Filho, que é professor de economia e um apaixonado pelo tema, considera que as expectativas são sombrias. Ele compara a atual crise à de 1929, quando o mundo sofreu a Grande Depressão. Na avaliação dele, se o Brasil não conseguir diminuir a curva de evolução da covid-19, a paralisação do comércio, indústria e serviços vai levar à uma recessão que pode fazer com que o ano de 2019 – o do pibinho – seja lembrado com saudades.

No pior cenário, prevê ele, a queda no FPM será tão brutal que muitos municípios brasileiros não terão sequer condições de pagar a folha de pessoal. Sem dinheiro, muitas famílias não terão como se alimentar. As empresas, por sua vez, poderão perder tanto dinheiro que serão levadas a promover demissão em massa. Infelizmente, não se trata de alarmismo. Ontem, uma grande rede de cinemas nacional já colocava em prática um plano de demissão voluntária para seus funcionários.

As indústrias de entretenimento e do turismo foram as primeiras a serem atingidas, já que em um ambiente de crise as pessoas estão sendo aconselhadas a só saírem de casa em situações de extrema necessidade, como já está ocorrendo na Itália, França e Espanha. Firmino Filho diz que o governo federal precisa tomar medidas severas e imediatas de socorro às empresas, assim como fizeram os Estados Unidos, do contrário teremos um país devastado por uma recessão sem precedentes, com Estados e municípios quebrados, serviços públicos comprometidos pela falta de pagamento e empresas fechando as portas e colocando milhares de trabalhadores na rua.

 

Norte do Piauí em alerta por causa das chuvas

O Piauí depara com duas realidades de forte impacto que merecem ações sérias, rápidas e eficazes. Não bastasse a ameaça do novo coronavírus que se alastra em progressão geométrica pelo mundo, ainda há o problema das inundações no norte do Estado, com aumento da umidade e a concentração de pessoas em abrigos improvisados.

Cidades como Esperantina, Barras, Batalha, Luzilândia e agora também Picos estão enfrentando inundações.  O Sistema de Alerta da Bacia do Rio Parnaíba, emitido hoje de manhã, informou que em Barras, apesar do registro de leve redução, o nível do Rio Marathaoan está com cota 4,49m, enquanto a cota de inundação é de 4,20. No caso de Esperantina, a situação é mais delicada. A cidade é banhada pelo Rio Longá, que está em cota de 7,59m, com lâmina de inundação nesta manhã de 19cm. Em Picos, a água da chuva inundou várias ruas ( como na foto acima) e até mesmo o Hospital Regional.

A Barragem de Boa Esperança aumentou a vazão para 800m3 em função do grande volume de água acumulado no reservatório. Com isso, foi registrada elevação de 1,37m no nível do rio na cidade de Floriano. E a previsão é de que nas próximas 8 horas haja uma elevação próxima de 5,57cm, atingindo a cota de atenção definida para a estação.

Em Luzilândia, a situação também merece atenção. Lá, a cota atual do Rio Parnaíba é de 5,02m, 2cm acima da cota de alerta definida, que é de 5,00.  Até às 19h30, o nível do rio deve ficar em 5,07m. A mesma coisa acontece com o Rio Poty aqui em Teresina, que apresentou elevação de 1,15m nas últimas 6 horas, com previsão de chegar a valores próximos a 8,43m no final da tarde de hoje. Lembramos que a cota de atenção para esta época é de 8,00.

Hora, portanto, de as autoridades estaduais e municipais, assim como a população, unirem-se em um esforço coletivo para tentar minimizar os danos causados pela combinação de cheia e coronavírus. Ainda há gente, a essa altura, que não se deu conta da gravidade do problema. Para esses, é bom olhar para o que está acontecendo na Itália.

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