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O DIA EM QUE O REITOR DANÇOU O CONGO

O 13° Salão do Livro do Piauí foi aberto ontem à noite com um cardápio variado de livros e um resgate que fez o distinto público saltar da cadeira e cair na dança. A solenidade de abertura do evento contou com a apresentação de um grupo de Congos de Oeiras, que fez um espetáculo absolutamente surpreendente.

 

 

A dança dos congos é mais uma herança africana. Ela chegou ao Piauí pelos negros  que acompanhavam o primeiro governador da província, João Pereira Caldas, no início da colonização do Estado. A dança é uma louvação a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito, dois santos venerados pelos negros, e mantida até hoje, de geração a geração, pelos moradores do bairro Rosário, localizado na primeira capital do Piauí.

Não sem algum sacrifício, o grupo vem sendo mantido, com figurino renovado e disposição de fazer inveja às bandas de axé. Por iniciativa do Professor Cineas Santos, os Congos de Oeiras vieram se apresentar na abertura do Salipi, mostrando uma encenação que reúne música, dança, teatro e história.

Ao final da apresentação, quando todos se encontravam extasiados diante do espetáculo que mostrou um pouco do nosso passado e de nossos costumes, o grupo surpreendeu convidando o público a dançar junto com eles no palco. E a platéia, que até então só aplaudia, não se fez de rogada e atendeu prontamente o chamado. Em pouco tempo, professores, alunos e até mesmo o reitor da UFPI, José Arimatéia Dantas, seguiam os passos dos congueiros, provando que a arte e a cultura possuem o condão de unir todos os povos, não importa a raça ou o status social.

A propósito, o Salão fica aberto até o dia 14 de junho no Espaço Rosa dos Ventos da Universidade Federal do Piauí.

RIOS QUE CHORAM

Teresina tem o privilégio de ser banhada por dois rios. E, mais ainda, de contar com o encontro desses rios na sua área urbana. No entanto, a cidade não está sabendo cuidar do seu patrimônio natural. Para ser justa, não é uma responsabilidade só de Teresina, mas de todo o Estado.

O Rio Parnaíba é o maior rio genuinamente nordestino e divide os Estados do Piauí e Maranhão. Nasce na chapada das Mangabeiras, no sul do Piauí, e percorre 1.450 km até desembocar no Oceano Atlântico, onde forma o Delta do Parnaíba, o único Delta em mar aberto das Américas. Um cenário deslumbrante que encanta a todos que o conhecem.

Nem precisa sair de Teresina para perceber o quanto o rio está maltratado. Os bancos de areia que se apresentam no leito do rio são o sinal mais visível do assoreamento e do desmatamento das suas margens, especialmente na região do Baixo Parnaíba.  De barco ou canoa, a visão é mais triste ainda. É possível ver esgotos sendo despejados nas águas do Velho Monge sem nenhum tratamento, poluindo um dos maiores tesouros que possuímos.

O Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba teve seus limites ampliados de 729.813 hectares para 749.848 hectares, mas não foi suficiente para garantir a proteção que o rio reclama. Hoje, no Dia Mundial do Meio Ambiente, o Parnaíba chora agonizante por falta de preservação. Os que o destroem parecem não entender que a sobrevida do rio está ligada diretamente à nossa própria existência.

O Rio Poty também sofre o descaso de quem deveria cuidar por sua saúde, ou seja, todos que dele se beneficiam. Mas a consciência ambiental ainda não foi incorporada pelos piauienses como uma necessidade para garantir a própria sobrevivência da espécie humana. Fossas são despejadas nas águas do rio, que acabam cobertas por uma incômoda camada de aguapés em parte da sua extensão urbana.

Os pescadores do Poty, uma tradição da zona norte, já não encontram mais peixe para pescar. E como poderiam? Como pode um peixe vivo viver fora da água limpa? População, empresários e Poder Público precisam entender que os rios Parnaíba e Poty não são apenas belas molduras para a nossa cidade, mas fonte de vida e  que  preservá-los  não é questão de opção, mas obrigação de cada um e de todos ao mesmo tempo.

FERIADÃO CULTURAL

O feriadão de Corpus Christi chega recheado de opções culturais para os piauienses. Hoje será aberto em Pedro II, a 208 km ao norte de Teresina, o Festival de Inverno que reúne música da melhor qualidade para quem estiver disposto a subir a serra. A cidade fica a 743 m de altitude e, por isso, tem um clima mais ameno, que acabou servindo de inspiração para o nome do festival. Não chega a fazer frio, mas a temperatura agradável, média de 20° graus à noite, é um convite para ir à praça ouvir cantores de expressão local e nacional.

Nesta quinta-feira, quem se apresenta é a cantora Ana Carolina, uma artista de talento consagrado, com seu timbre grave e interpretações marcantes de músicas que são sucesso em todo o país. A artista sofreu um acidente, machucou o joelho e chegará de cadeira de rodas. Mas nem por isso desmarcou o compromisso e vai soltar o vozeirão na praça principal da cidade.

Na sexta-feira quem sobe ao palco principal é o cantor Frejat e toda a sua irreverência. E, no sábado, encerrando as atrações nacionais, o grande Jorge Ben Jor leva a alegria da sua banda para animar os moradores e turistas que prometem lotar o município de Pedro II.

A cidade se preparou para o evento e toda a população está envolvida de alguma forma. A economia do lugar sai fortalecida com o incremento nos restaurantes, hotéis, pousadas e lojas que comercializam as famosas jóias confeccionadas com opala, a pedra semipreciosa encontrada no município. O artesanato local também entra em evidência com  as famosas redes e produtos de tapeçaria.

Para quem ficar em Teresina, a opção é o Salão do Livro do Piauí, que começa amanhã e vai até o dia 14, no espaço Rosa dos Ventos da Universidade Federal do Piauí. Este ano, o Salão ficou ameaçado e quase não se viabiliza por falta de patrocínio. Mas a abnegação de alguns professores garantiu a realização da maior feira literária no Estado.

Mesmo sem o brilho dos anos anteriores, vale a pena um passeio com a família pelos standes de livros. Olhando com cuidado, sempre dá para garimpar bons títulos que garantem uma leitura agradável durante o fim de semana. O contato com os livros, por si só, já proporciona um prazer imenso para quem gosta de ler. E leitura é o melhor combustível para alimentar uma sociedade que pretende crescer social e economicamente.

 

O MEDO DE SAIR NA RUA

Os alvos dos bandidos estão se diversificando. Um dia é uma clínica de saúde; noutro, um posto de gasolina; depois,  uma farmácia e, ontem,  uma gráfica. Todos os assaltos acontecem à luz do dia, em ruas e avenidas movimentadas de Teresina. Algumas com seguranças armados na porta. Mas nem isso intimida os assaltantes. Intimidados, mesmo, estamos nós, teresinenses.

De uns tempos para cá, viver tornou-se absolutamente perigoso no Piauí, seja na capital ou nas pequenas cidades do interior. Quase toda semana uma agência bancária é explodida no Estado. Criminosos aterrorizam os moradores alvejando até mesmo delegacias, em total afronta ao poder público.

A segurança pública, ou a falta dela,  tornou-se, de fato,  o maior problema para os piauienses. O simples ato de sair de casa é uma ameaça à vida. Mas dentro de casa as famílias também não estão seguras.

O Estado precisa dar uma resposta urgente para a sociedade. Já não há mais tranquilidade para as pessoas trabalharem e estudarem em paz. As escolas, aliás, são vítimas constantes de arrombamentos, causando temor tanto nos alunos quanto nos professores.

Nessa selva urbana cada um vai se defendendo como pode. Vivemos todos na defensiva, com medo, olhando pros lados sob a espreita de uma eterna ameaça. Quem pode,  contrata segurança particular, instala câmeras de vigilância, põe cerca elétrica e vai alimentando um segmento da economia que só se fortalece diante da fragilidade do Estado.

Aos demais cidadãos,  só resta esperar a providência divina, já que entre os humanos não há mais quem os proteja. O Piauí clama por segurança. E  essa é uma questão que já não pode esperar para amanhã.

 

QUER SABER QUANTO VOCÊ PAGA DE IMPOSTOS?

O consumidor costuma reclamar, com todo direito, quando paga caro por um serviço e não é bem atendido. O mesmo, no entanto, não costuma acontecer quando se trata do pagamento de impostos. O Brasil está entre os trinta países do mundo que mais cobram impostos e, na contramão dessa altíssima carga tributária, é um dos piores em termos de qualidade dos serviços públicos. Os dados são do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.

Aqui no Brasil, os tributos equivalem a 35% do PIB- Produto Interno Bruto, que corresponde à soma de todas as riquezas produzidas no país. Não é pouca coisa. Do início do ano até agora, já pagamos mais de R$ 858, 638 bilhões. Com uma arrecadação dessa monta era de se esperar uma saúde pública de qualidade, escolas funcionando em tempo integral, com crianças aprendendo de verdade, e segurança para que as pessoas pudessem sair de casa tranquilamente para estudar, trabalhar ou simplesmente passear. Mas não é isso que se vê. Pacientes se amontoam pelos corredores dos hospitais públicos em busca de atendimento. Muitos chegam a morrer à espera de uma cirurgia ou de uma vaga em um dos disputados leitos de UTI. Não é raro que crianças concluam o ensino fundamental sem saber interpretar um texto ou realizar as operações básicas de matemática. E a violência que toma conta de grandes e  pequenas cidades deste país são uma prova de que não dispomos de segurança nem mesmo dentro de casa.

O mesmo IBPT aponta o Brasil pela quinta vez como lanterna em termos de qualidade na prestação dos serviços públicos, atrás de países como o Uruguai e a Argentina. E nós continuamos pagando sem sequer nos darmos conta de quanto depositamos nos cofres públicos a cada dia, a cada compra. Sem conhecer, não há como cobrar. E já está passando da hora de levantarmos a voz para exigir que nossos impostos retornem sob a forma de serviços públicos compatíveis ao custo do que pagamos.

O site impostômetro ajuda o contribuinte a saber exatamente quanto já pagou e quanto ainda vai pagar de impostos. Acessando o site www.impostometro.com.br você irá encontrar um link chamado de “tribuloso”. Nele, você digita a data do seu nascimento e descobre quantos anos da sua vida você trabalha só para pagar impostos. É uma ferramenta importante para ajudar a conscientizar o brasileiro que segue pagando mais do que deve para receber bem menos do que merece.

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