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FERIADÃO CULTURAL

O feriadão de Corpus Christi chega recheado de opções culturais para os piauienses. Hoje será aberto em Pedro II, a 208 km ao norte de Teresina, o Festival de Inverno que reúne música da melhor qualidade para quem estiver disposto a subir a serra. A cidade fica a 743 m de altitude e, por isso, tem um clima mais ameno, que acabou servindo de inspiração para o nome do festival. Não chega a fazer frio, mas a temperatura agradável, média de 20° graus à noite, é um convite para ir à praça ouvir cantores de expressão local e nacional.

Nesta quinta-feira, quem se apresenta é a cantora Ana Carolina, uma artista de talento consagrado, com seu timbre grave e interpretações marcantes de músicas que são sucesso em todo o país. A artista sofreu um acidente, machucou o joelho e chegará de cadeira de rodas. Mas nem por isso desmarcou o compromisso e vai soltar o vozeirão na praça principal da cidade.

Na sexta-feira quem sobe ao palco principal é o cantor Frejat e toda a sua irreverência. E, no sábado, encerrando as atrações nacionais, o grande Jorge Ben Jor leva a alegria da sua banda para animar os moradores e turistas que prometem lotar o município de Pedro II.

A cidade se preparou para o evento e toda a população está envolvida de alguma forma. A economia do lugar sai fortalecida com o incremento nos restaurantes, hotéis, pousadas e lojas que comercializam as famosas jóias confeccionadas com opala, a pedra semipreciosa encontrada no município. O artesanato local também entra em evidência com  as famosas redes e produtos de tapeçaria.

Para quem ficar em Teresina, a opção é o Salão do Livro do Piauí, que começa amanhã e vai até o dia 14, no espaço Rosa dos Ventos da Universidade Federal do Piauí. Este ano, o Salão ficou ameaçado e quase não se viabiliza por falta de patrocínio. Mas a abnegação de alguns professores garantiu a realização da maior feira literária no Estado.

Mesmo sem o brilho dos anos anteriores, vale a pena um passeio com a família pelos standes de livros. Olhando com cuidado, sempre dá para garimpar bons títulos que garantem uma leitura agradável durante o fim de semana. O contato com os livros, por si só, já proporciona um prazer imenso para quem gosta de ler. E leitura é o melhor combustível para alimentar uma sociedade que pretende crescer social e economicamente.

 

O MEDO DE SAIR NA RUA

Os alvos dos bandidos estão se diversificando. Um dia é uma clínica de saúde; noutro, um posto de gasolina; depois,  uma farmácia e, ontem,  uma gráfica. Todos os assaltos acontecem à luz do dia, em ruas e avenidas movimentadas de Teresina. Algumas com seguranças armados na porta. Mas nem isso intimida os assaltantes. Intimidados, mesmo, estamos nós, teresinenses.

De uns tempos para cá, viver tornou-se absolutamente perigoso no Piauí, seja na capital ou nas pequenas cidades do interior. Quase toda semana uma agência bancária é explodida no Estado. Criminosos aterrorizam os moradores alvejando até mesmo delegacias, em total afronta ao poder público.

A segurança pública, ou a falta dela,  tornou-se, de fato,  o maior problema para os piauienses. O simples ato de sair de casa é uma ameaça à vida. Mas dentro de casa as famílias também não estão seguras.

O Estado precisa dar uma resposta urgente para a sociedade. Já não há mais tranquilidade para as pessoas trabalharem e estudarem em paz. As escolas, aliás, são vítimas constantes de arrombamentos, causando temor tanto nos alunos quanto nos professores.

Nessa selva urbana cada um vai se defendendo como pode. Vivemos todos na defensiva, com medo, olhando pros lados sob a espreita de uma eterna ameaça. Quem pode,  contrata segurança particular, instala câmeras de vigilância, põe cerca elétrica e vai alimentando um segmento da economia que só se fortalece diante da fragilidade do Estado.

Aos demais cidadãos,  só resta esperar a providência divina, já que entre os humanos não há mais quem os proteja. O Piauí clama por segurança. E  essa é uma questão que já não pode esperar para amanhã.

 

QUER SABER QUANTO VOCÊ PAGA DE IMPOSTOS?

O consumidor costuma reclamar, com todo direito, quando paga caro por um serviço e não é bem atendido. O mesmo, no entanto, não costuma acontecer quando se trata do pagamento de impostos. O Brasil está entre os trinta países do mundo que mais cobram impostos e, na contramão dessa altíssima carga tributária, é um dos piores em termos de qualidade dos serviços públicos. Os dados são do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.

Aqui no Brasil, os tributos equivalem a 35% do PIB- Produto Interno Bruto, que corresponde à soma de todas as riquezas produzidas no país. Não é pouca coisa. Do início do ano até agora, já pagamos mais de R$ 858, 638 bilhões. Com uma arrecadação dessa monta era de se esperar uma saúde pública de qualidade, escolas funcionando em tempo integral, com crianças aprendendo de verdade, e segurança para que as pessoas pudessem sair de casa tranquilamente para estudar, trabalhar ou simplesmente passear. Mas não é isso que se vê. Pacientes se amontoam pelos corredores dos hospitais públicos em busca de atendimento. Muitos chegam a morrer à espera de uma cirurgia ou de uma vaga em um dos disputados leitos de UTI. Não é raro que crianças concluam o ensino fundamental sem saber interpretar um texto ou realizar as operações básicas de matemática. E a violência que toma conta de grandes e  pequenas cidades deste país são uma prova de que não dispomos de segurança nem mesmo dentro de casa.

O mesmo IBPT aponta o Brasil pela quinta vez como lanterna em termos de qualidade na prestação dos serviços públicos, atrás de países como o Uruguai e a Argentina. E nós continuamos pagando sem sequer nos darmos conta de quanto depositamos nos cofres públicos a cada dia, a cada compra. Sem conhecer, não há como cobrar. E já está passando da hora de levantarmos a voz para exigir que nossos impostos retornem sob a forma de serviços públicos compatíveis ao custo do que pagamos.

O site impostômetro ajuda o contribuinte a saber exatamente quanto já pagou e quanto ainda vai pagar de impostos. Acessando o site www.impostometro.com.br você irá encontrar um link chamado de “tribuloso”. Nele, você digita a data do seu nascimento e descobre quantos anos da sua vida você trabalha só para pagar impostos. É uma ferramenta importante para ajudar a conscientizar o brasileiro que segue pagando mais do que deve para receber bem menos do que merece.

SAMMVIS ENFRENTA DIFICULDADE PARA FUNCIONAR

O caso das meninas violentadas em Castelo chocou o Piauí inteiro pela crueldade com que foi praticado. Mas a violência contra mulheres é uma realidade constante que nem sempre é revelada por conta do medo e da vergonha que tomam conta das vítimas, muitas ainda crianças e adolescentes.

Em Teresina existe um serviço específico para atendimento a mulheres que são vítimas de violência sexual. É o SAMVVIS – Serviço de Atenção à Mulheres Vítimas de Violência Sexual, que funciona em uma sala do Instituto de Perinatologia, ao lado da Maternidade Dona Evangelina Rosa.

O trabalho é coordenado pela experiente médica Maria de Deus Castelo Branco que, a exemplo das outras profissionais que lá trabalham, fazem o serviço funcionar mais pela boa vontade e dedicação do que pela estrutura de funcionamento. Todos os meses, o SAMMVIS atende uma média de 43 mulheres, sendo que mais de 80% delas são crianças e adolescentes abusadas por pais, padrastos ou vizinhos. Lá, elas recebem atendimento de uma equipe multiprofissional formada por médicas, enfermeiras, legistas, assistentes sociais e psicólogas.

As mulheres recebem medicamentos para tratamento de doenças venéreas, a pílula do dia seguinte ( para evitar gravidez indesejada) e, por meio de um convênio com o Hospital de Doenças Tropicais Nathan Portela, o coquetel preventivo contra a AIDS. Mas o sucesso do tratamento depende da rapidez com que as mulheres são atendidas. O ideal é que isso ocorra, no máximo, até 72h após a ocorrência.

É um serviço imprescindível e que proporciona não apenas o atendimento médico, mas também o suporte emocional e psicológico à essas mulheres,  muitas delas meninas, que chegam totalmente fragilizadas após serem abusadas por quem deveria protegê-las. No entanto, o SAMMVIS carece de apoio financeiro. O serviço não dispõe de um orçamento próprio e depende do que a Maternidade Evangelina Rosa, também com suas deficiências, pode repassar. Para ilustrar o tamanho da dificuldade, o telefone de lá ficou cortado de dezembro do ano passado a abril deste ano por falta de pagamento. Muitas vezes, são as profissionais que lá trabalham que se cotizam para suprir algumas necessidades mais imediatas. Pela relevância do trabalho realizado, já é tempo de o SAMMVIS receber mais atenção e recursos do Estado.

A DOR DE CASTELO TAMBÉM É NOSSA

É difícil analisar sob qualquer aspecto o crime monstruoso praticado na tarde da última quarta-feira contra quatro adolescentes do município de Castelo do Piauí, ao norte de Teresina. Difícil porque é insuportável supor que o ser humano seja capaz de tamanha brutalidade, sem que tenha restado qualquer traço de razão e sensibilidade, sobrando apenas o lado mais cruel e selvagem que alguém possa carregar.

Crimes contra mulheres são sempre revoltantes porque revelam a força bruta se impondo de forma abusiva do corpo mais forte sobre o mais frágil. Revela  que no século XXI ainda existe quem veja o gênero feminino como depósito de prazer, destituído de valores humanos, espirituais e psicológicos. Quando soma-se a violência física à violência sexual, o crime torna-se ainda mais repugnante.

Além da barbárie, chama a atenção, nesse caso específico, o fato de que entre os envolvidos estejam três menores, alguns ainda imberbes, com cara de crianças. Só que a ingenuidade própria da infância já foi perdida há muito tempo e o comportamento apresentado por eles é de fazer chorar qualquer adulto. Como alguém que ainda deveria estar brincando ou fazendo as tarefas escolares pode desviar-se tanto assim do caminho natural de um garoto? Em que momento, e por quais motivos, perdemos o controle da vida de meninos e meninas de norte a sul do Brasil?

A droga, certamente, é um vilão impiedoso que se apodera de corpos e almas, de idades cada vez mais tenras, subtraindo-lhes os vestígios de humanidade e de compaixão,  próprios do ser humano. Por isso mesmo, o combate ao tráfico de drogas deve ser implacável, constante e rigoroso. Assim como a punição aos culpados.

E por falar em punição, o caso em questão traz à tona, mais uma vez, a imputabilidade a menores. Pessoas com menos de 18 anos de idade que são capazes de cometer crimes tão chocantes como esse de Castelo podem ficar livres, sem conhecer o limite da lei? Eles devem continuar crescendo sem aprender que a cada comportamento nosso existe uma consequência e que, desde cedo, devemos responder por nossos atos? A questão não é simples de responder, mas alguma coisa precisa mudar na cultura de impunidade que reina hoje entre os que se desviam da lei, causando revolta e fazendo aumentar a dor de pais que vêm suas filhas violentadas e espancadas de forma covarde e estúpida.

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