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O BERRO DOS CONSUMIDORES

O ano de 2015 ainda não deu trégua aos brasileiros. As notícias que chegam a cada dia vão tornando o cenário cada vez mais sombrio. O índice de desemprego em janeiro, segundo o IBGE,  foi de 5,3%, o maior desde setembro de 2013. Os que ainda estão com a carteira assinada já estão botando as barbas de molho, com medo justificado de engrossar a fila dos desempregados.

Esta semana, a agência de risco Moody’s rebaixou a nota de crédito da PETROBRÁS para o grau especulativo, fazendo as ações da empresa caírem quase 8%. Isso enquanto ainda procuram-se os últimos corpos desaparecidos na explosão da plataforma no Espírito Santo.

A inflação já ultrapassou a meta estabelecida pelo governo e alcançou os 7,13%. Sinal de que os preços estão subindo além do esperado. Os consumidores, assustados com a escalada dos preços, estão retraindo o consumo. E não é para menos. Eles não podem, como o governo, gastar mais do que arrecadam e, dessa forma, a única alternativa é comprar menos. As sacolas das feiras e dos supermercados estão voltando mais vazias para casa.

E os preços correm o risco de subir ainda mais por conta dos protestos dos caminhoneiros que, até ontem à noite, mesmo depois de uma rodada de negociações para pôr fim ao movimento, ainda ocupavam 79 trechos de cinco rodovias. Como nosso transporte é basicamente rodoviário, se os caminhões param nas estradas, os produtos começam a faltar nas prateleiras dos mercados.

Ontem, produtores de leite derramaram o produto em praça pública, no sul do país, porque não têm como transportar a mercadoria. Imagina quem vai chorar o leite derramado? Você, caro consumidor. Além do risco do desabastecimento de alguns produtos, principalmente os perecíveis, quem conseguir comprá-los vai ter que desembolsar mais dinheiro por eles.

Na China, 2015 é o ano do carneiro. Aqui ele começou a berrar desde a virada do ano e não parou mais. Os carneirinhos somos nós, trabalhadores atordoados com o encolhimento do salário e sem perspectivas de melhoras, pelo menos à curto prazo. Mesmo com o jeitinho que é típico dos brasileiros, está ficando difícil manter a mesa posta e as contas em dia no final do mês. 

CÂMARA TOUR

O Congresso brasileiro não cansa de nos surpreender. Negativamente. Todos os noticiários dão conta de um ano de grave crise financeira. As dificuldades são muitas e não param de crescer. Aumento no valor dos impostos, aumento na cotação do dólar, queda na bolsa de valores, inflação acima da meta, queda na arrecadação da receita ( pelo quarto mês seguido), baixa na produção industrial, tudo isso somado deveria provocar ações de contenção e austeridade dos nossos parlamentares, certo? Errado!

Para os ilustres deputados que ocupam a Câmara Federal, dificuldade financeira é algo bem distante da realidade vivida em seus refrigerados gabinetes. Algo que só acontece lá nas suas bases eleitorais, nem sempre acompanhadas ou atendidas por eles.

Neste ano de retração, ou recessão como queiram chamar os economistas, a Câmara Federal resolveu aumentar os gastos com os deputados em R$ 146,5 milhões. O reajuste irá acontecer a partir do mês de abril. Enquanto os demais trabalhadores brasileiros não sabem sequer se vão conseguir manter seus empregos, ou se o salário vai dar para pagar todas as contas no final do mês, os parlamentares só aumentam as despesas com eles próprios, como se vivessem em uma realidade descasada do restante do país.

Agora, não satisfeitos com todas as mordomias a que têm direito, resolveram criar mais uma para satisfazer as madames. Cada parlamentar já recebe uma cota para despesas com passagens aéreas, cujo valor depende da distância do Estado de origem. Não satisfeitos, os cônjuges também terão direito a passagens aéreas para se deslocar do Estado natal a Brasília e vice-versa.

Pense aí, você que fica economizando dinheiro e procurando tarifas promocionais na internet, ou que junta milhas em todas as compras para ter direito a andar de avião:  o que você economiza para pagar a própria passagem vai ser utilizado para pagar as passagens das senhoras esposas e dos senhores esposos de quem ocupa uma cadeira na Câmara Federal.

O Deputado Eduardo Cunha alega que a Casa não fará despesa extra, mas remanejará recursos de outras destinações para pagar o mimo aos cônjuges. Você também acha que essa conversa é pura enrolação? Pois você não está sozinho.

Os brasileiros já estamos cansados de sustentar a mordomia dos nossos parlamentares, que são ágeis para defender seus interesses, mas se movem a passos de  tartaruga para votar as reformas necessárias ao bom funcionamento do país, como a reforma tributária, por exemplo, e tantas outras matérias importantes que mofam nos gabinetes de Brasília.

Essa discrepância entre o que pensam e como vivem os deputados brasileiros e os seus eleitores está chegando ao limite do insuportável. O que falta agora é a indignação verbal, ouvida em todas as esquinas do país, chegar também às urnas. 

DESCONECTADOS DO MUNDO

O fenômeno da internet é novo. Começou a ganhar corpo na década de 90 e, rapidamente, espalhou-se  como essas boas novidades que se irradiam feito febre entre as pessoas. Bastou pouco tempo para que a rede mundial de computadores começasse a desenvolver diferentes formas de uso: redes sociais, e-mails, notícias on line e WhatsApp.

Hoje, um ser humano que não esteja conectado ao WhatsApp é considerado um homem das cavernas, alguém totalmente alheio ao mundo moderno. Quase um E.T. Além dos contatos individuais, surgiram também os grupos. Muitos, vários, de diferentes origens. São grupos de família, de trabalho, de amigos, de academia, e de tudo mais que se possa imaginar.

Pois  nesta tarde, os internautas foram surpreendidos com a notícia que teve o impacto de um atentado para quem não desgruda do aplicativo mais popular dos smartphones. Por decisão do juiz Luis Moura, da Central de Inquéritos da Comarca de Teresina, foi expedido mandado judicial ordenando a suspensão do aplicativo WhatsApp em todo o território nacional.

Súbito, todo mundo entrou em choque. Como sobreviver sem essa forma de comunicação instantânea, capaz de nos manter informados em tempo real sobre tudo o que está acontecendo  nos quatro cantos do mundo? A geração Y , que não vive sem estar conectada um só minuto, de repente começou a procurar os sites de notícia para saber o que estava acontecendo. Que tipo de meteoro havia se chocado com a Terra para suspender o aplicativo?

Em conversa com o Dr. Luis Moura, procurei entender o motivo de tal decisão. Educadamente, ele informou que tratava-se de um processo criminal sigiloso e que, portanto, não poderia entrar em detalhes. Indaguei se ele havia imaginado a repercussão dessa decisão, parando o WhatsApp em todo o Brasil. Afinal de contas, esse aplicativo, entre outras funções, também é usado como instrumento de trabalho, dado a sua instantaneidade e gratuidade. O juiz me explicou que ao descumprir uma decisão judicial, que se arrasta desde 2013, a empresa responsável está sujeita às sanções da lei, como qualquer outra, independente dos desdobramentos que possa causar." É uma questão de soberania", disse-me o Dr. Luis. Decisão de juiz é para  ser cumprida, todo mundo sabe disso. Mas nesse caso, como afeta todos os cidadãos, mesmo os que não estão envolvidos com o processo em questão, a gritaria é geral.

Dá mesmo para imaginar o mundo, ainda que seja por curto espaço de tempo, sem um dos aplicativos mais populares? O mesmo que faz os pais monitorarem o paradeiro dos filhos, que serve para marcar encontros e desencontros, obter informações de forma rápida, enviar broncas ou mensagens amorosas?  Passar tarefas de trabalho? Compartilhar novidades? É difícil. Tecnologia tem disso. Antes de ser inventada, todo mundo vive muito bem sem a novidade. No entanto, depois que a população se apropria, já não consegue mais desgrudar um só minuto do novo recurso . Basta acabar a bateria do celular para o dono do mesmo surtar.

Por correr em segredo de justiça, não dá para avaliar os motivos que levaram o juiz a tomar medida tão radical. O que se questiona é o fato de a decisão punir, com isso, não apenas a empresa que tem o controle do aplicativo, mas todos os usuários que já incorporaram o aplicativo como ferramenta para facilitar a comunicação e simplificar a vida, encurtando distâncias e eliminando a barreira do tempo.

 

TURISMO DA SAÚDE

A ineficiência dos hospitais regionais do Piauí já é reconhecida por todos os pacientes e gestores do sistema. E não é de hoje. Prova disso é que, dos seis mil pacientes atendidos todos os meses no Hospital de Urgência de Teresina, mais da metade, 56%, são provenientes do interior do Estado. Muitos atendimentos que poderiam ser resolvidos lá no interior acabam sendo transferidos aqui para a capital numa rotina já batizada como ambulancioterapia.

Ainda no ano passado, mais precisamente no mês de outubro, a promotora Cláudia Seabra, do Centro de Apoio de Defesa da Saúde do Ministério Público, firmou um termo de ajuste de conduta com o então secretário de saúde, Mirocles Veras, para 11 hospitais regionais: Campo Maior, Piripiri, Parnaíba, Floriano, Oeiras, Uruçuí, Bom Jesus, Esperantina, Corrente, Valença e São Raimundo Nonato. Depois da visita a todos esses lugares foram constatadas várias deficiências e irregularidades.

Custa a crer, mas alguns desses hospitais não possuem, ou possuíam à época, sequer a licença sanitária, documento indispensável para o funcionamento do hospital. Em muitos deles foi constatada ainda a inexistência de equipamentos básicos. Onde havia mamógrafo, aparelho necessário para a detecção precoce do câncer de mama, ele estava sem funcionar. Em quase todos, o número de leitos é insuficiente. Faltavam até mesmo lixeiras adequadas para o descarte de material do centro cirúrgico.

Diante desse quadro, o Ministério Público firmou TAC com os onze hospitais, solicitando, entre outras providências, a adequação dos mesmos às normas sanitárias, a aquisição de equipamentos como mamógrafo, tensiômetro, desfibrilador, e até lençóis, além do registro eletrônico de todos os profissionais de saúde. O prazo dado para o cumprimento das normas foi de 90 dias, com multa diária de R$ 1.000,00 em caso de descumprimento.

Passados os noventa dias, o Ministério Público voltou à Secretaria de Saúde. Mas agora, um novo secretário de um novo governo ocupa a pasta. E com a justificativa de que assumiu o cargo há pouco tempo, sem dinheiro em caixa,  foi solicitado novo prazo, prontamente atendido pelo MP, em consideração às razões alegadas.

Uma nova reunião entre os promotores e o Secretário de Saúde foi agendada para o próximo dia 16 de março. Espera-se que até lá esteja pronto um plano de atendimento às providências solicitadas pelo Ministério Público para evitar que os pacientes do interior continuem a fazer o turismo forçado da saúde em Teresina.

PIAUÍ ESTIMA PERDER 20% DA SAFRA DE SOJA

Thiago Amaral/Arquivo Cidade Verde

Os produtores piauienses já começam a contabilizar os prejuízos provocados pela escassez e irregularidade das chuvas aqui no Estado. A estimativa, até agora, é de que haja uma perda de cerca de 20% na produção da soja, nosso principal produto de exportação do agronegócio e de maior peso na balança comercial piauiense. Pra completar, com o aumento na oferta mundial do produto, o preço da soja caiu no mercado internacional de U$ 14 , o bushel ( unidade de comercialização equivalente a 27,3kg) para U$10.

No ano passado, o Piauí produziu 1,3 milhão de toneladas de soja. 20% desse total seguem para exportação. O restante é consumido pelo parque industrial piauiense. Mas a tendência, agora em 2015, é de queda. Tanto da soja, quanto do milho. As intempéries climáticas são um risco inerente à atividade agrícola e os produtores que não se planejam para lidar com o problema são os mais afetados, já que na área de grãos a irrigação mecanizada praticamente inexiste. E, de dezembro do ano passado até este mês, os produtores piauienses já enfrentaram dois veranicos que se estenderam por mais de vinte dias, comprometendo a safra de 2015.

Hoje, o produtor Sérgio Bortolozzo, paulista que adotou o Piauí e passou a investir nos cerrados, encontra-se em Brasília para uma reunião com a Frente Parlamentar da Agricultura. Como Presidente da Associação Brasileira de Produtores de Milho, ele vai tentar implantar o seguro de renda do produtor, a exemplo do modelo existente nos Estados Unidos, onde o governo federal subsidia parte do seguro.

Também está sendo articulada em Brasília, sob as bênçãos da Ministra da Agricultura, Kátia Abreu, a criação de uma agência de desenvolvimento regional envolvendo os Estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia – MAPITOBA. A agência defenderia os interesses dos produtores dessa região. Para isso, eles contam com o apoio de uma bancada expressiva no Congresso, representada pela Frente Parlamentar da Agricultura, cujo presidente, Deputado Marcos Montes (PSD -MG), será empossado hoje.

 

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