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BRASILEIROS EM MIAMI

A crise econômica brasileira já começa a mostrar seus sinais nos Estados Unidos. Os brasileiros, que antes lotavam ruas e lojas em Miami, atraídos pelos preços convidativos da cidade, passaram a vir com menos frequência. E os que ainda vêm, já não compram mais com tanta intensidade. Com a cotação do dólar ultrapassando a barreira dos R$ 3, o turismo de compras nos EUA não é mais tão vantajoso para os brasileiros.

Circulando pelas ruas e lojas aqui em Miami, ouço os vendedores perguntando por onde andamos nós, brasileiros. Aquele barulho festivo que os turistas do Brasil faziam na hora das compras está se tornando mais raro. E quem ainda se aventura está sempre com uma calculadora à mão, fazendo a conversão para saber se os preços continuam valendo a pena, o que não é mais verdade, para tristeza dos consumidores.

Miami sempre foi associada a compras. Mas esse deixou de ser o principal atrativo da cidade. Hoje, brasileiros que visitam ou moram aqui destacam outros atrativos, como a segurança, civilidade, urbanização. A comparação com o Brasil é inevitável e desigual. Quase todos destacam a vantagem de poder  circular tranquilamente pelas ruas sem a ameaça de ter um revólver apontado para a cabeça na esquina seguinte. As leis e os direitos individuais dos cidadãos são respeitados.

Aqui, o preço da gasolina está em queda. A tarifa de energia elétrica é bem mais barata que a cobrada no Brasil. Os serviços funcionam, e com qualidade. Ruas e rodovias bem pavimentadas facilitam a vida de quem precisa dirigir pela cidade. Somando tudo, apesar da elevação do dólar, ainda há quem prefira gastar na terra do Tio Sam.

PENSE PIAUÍ

Pensar o Piauí não é tarefa fácil. Há décadas, o Estado marca posição entre os últimos da fila nos quesitos de economi, analfabetização  e desenvolvimento . Melhoramos um pouco, é verdade, e deixamos de ser o lanterninha dessa competição ao avesso. Mas ainda amargamos índices nada agradáveis nas áreas de educação e crescimento econômico. Se as riquezas naturais não nos faltam, o que está faltando mesmo é um planejamento comprometido com um modelo de desenvolvimento que faça o Estado decolar rumo ao progresso, com a consequente promoção do bem estar social.

Pois um grupo de profissionais de diferentes áreas resolveu assumir sua parte nesse debate e formou o PENSE PIAUÍ, um conjunto de pessoas interessadas em promover a mudança necessária e dar sua contribuição com ideias e sugestões sobre vários temas, que vão desde o turismo, meio ambiente, patrimônio histórico, educação, e o que mais possa ser discutido.

A proposta surgiu a partir de conversas na Universidade Federal do Piauí e no CENAJUS e, em pouco tempo, começou a ganhar corpo. Logo constituiu-se o grupo, de formação bastante eclética, mas com o mesmo objetivo : formar um novo Piauí, aproveitando e valorizando todas as oportunidades e riquezas de que dispomos. As discussões estão evoluindo, com o apoio do SEBRAE, que também abraçou a novidade.

Os próximos passos são a organização e a sistematização de todas as ideias em um seminário, que deve virar um documento. É a contribuição do terceiro setor para formar uma nova sociedade, mais atuante e participativa, com ações concretas para a construção de um novo Piauí, com o qual todos sonhamos.

A ÚLTIMA FLOR DO GÊNERO

Às vésperas das comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, o Congresso brasileiro aprovou uma lei que classifica como crime hediondo a violência praticada contra mulheres, também chamada de feminicídio. Demorou a acontecer, mas ainda assim a lei é benvinda. A violência praticada contra pessoas do sexo feminino é inadmissível, mas, infelizmente, uma realidade que persiste no século XXI. E o que é pior, muitas vezes ela é cometida pelos próprios parceiros ou parentes, ou seja, a agressão não vem de um sujeito estranho, mas de alguém bem próximo à vítima. E, ao contrário do que se imagina, não está restrita aos grotões da periferia, mas também faz parte do universo das classes sociais mais abastadas, porque o que leva um homem a agredir sua companheira não está necessariamente ligado à sua condição social, mas ao sentimento de posse que ele supõe ter sobre a mulher que está ao seu lado.

Com o aumento no rigor da pena, é possível que as estatísticas de violência contra a mulher venham a diminuir, já que a impunidade é um combustível perigoso para quem pratica crimes de qualquer natureza.  Tanto é que, com a adoção da Lei Maria da Penha, houve uma redução de cerca de 10% no número de homicídios domésticos contra mulheres. São conquistas pequenas que precisam avançar até que esse tipo de brutalidade seja completamente eliminado da sociedade.

Muitas mulheres ainda sentem medo de denunciar seus agressores, uma vez que nem sempre elas podem contar com a proteção do Estado. A estrutura para o amparo às vítimas desse tipo de crime é precária. Em todo o Piauí, existem apenas oito delegacias especializadas de proteção à mulher, três delas situadas aqui na capital. É um número bastante limitado para o universo de atrocidades praticadas contra as piauienses de norte a sul.

Nestas homenagens pelo dia 8 de março, mais uma vez, as floriculturas irão faturar um bom dinheiro com a venda de rosas a serem distribuídas entre as mulheres. No entanto, as pétalas mais aguardadas são as que compõem a flor do respeito pela dignidade humana, independente do gênero. A lei aprovada pelo Congresso, e que segue agora para a sanção presidencial, é um bom adubo para esse canteiro.

MAIS PERTO DA CURA DO CÂNCER

O crescimento do número de casos de câncer em todo o Brasil tem provocado uma atenção mais detalhada das autoridades médicas sobre a doença que, em um passado não muito distante, ainda era vista como uma sentença de morte para a grande maioria dos pacientes. Hoje, com o aumento da longevidade dos brasileiros e o maior tempo de exposição aos fatores de riscos, mais pacientes são diagnosticados com câncer. A boa notícia é que os tratamentos evoluíram consideravelmente, assim como a precisão nos diagnósticos, permitindo aos pacientes maior chance de cura ou, pelo menos, de convivência com a doença por mais tempo e com melhor qualidade de vida. Não por acaso, as ações de controle de câncer estão entre os 16 objetivos estratégicos do Ministério da Saúde para o período de 2011 a 2015.

Aqui no Piauí, foram registrados 5.560 casos em 2014, segundo dados do INCA – Instituto Nacional do Câncer. A maior incidência, seguindo uma tendência nacional, está nos casos de câncer de próstata, mama feminina e colo do útero. Além do componente hereditário, os hábitos de vida e a alimentação também contribuem de forma decisiva para o surgimento da doença. Atividade física regular, alimentação natural rica em fibras e abstinência de álcool e cigarro ajudam na prevenção do câncer. Mas os exames periódicos são essenciais para a detecção precoce, fundamental para o sucesso do tratamento. O problema é que a rede pública nem sempre está preparada para fazer esse tipo de atendimento. Recente relatório do Ministério Público constatou que boa parte dos hospitais regionais do Piauí não possui o mamógrafo, aparelho que faz a detecção do câncer de mama. Em alguns casos, o aparelho até foi comprado, mas permanece dentro da caixa.

Mas o médico gaúcho Stephen Doral, um dos maiores especialistas em oncologia do país, com vários livros publicados, é otimista quanto ao futuro da doença. Em entrevista ao cidadeverde.com, ele  avalia que os avanços na área têm acontecido de forma muito rápida e que, em breve, os prognósticos serão bem melhores.


Dr. Stephen Doral Stefani

 

Cláudia- Os números de casos de câncer realmente aumentaram ou foi o diagnóstico que tornou-se mais preciso, permitindo a sua identificação?


SD - São vários fatores. A população está envelhecendo (com menos mortes por doenças infecciosas e cardiovasculares) de forma que tem mais tempo para ter doenças mais prevalentes com o tempo, como o câncer. Estamos diagnosticando melhor, assim sendo,  os registros são mais confiáveis. Os pacientes que têm a doença podem viver muitos anos, fazendo com que o número de casos registrados seja maior. Estamos, também, pagando o preço por algumas décadas de maus hábitos (como exposição desregrada ao sol e o tabagismo "charmoso" , que estão vindo cobrar seu preço. Cabe mencionar, da mesmo forma, que estamos falando mais do tema, com menos preconceito, gerando a percepção de que a doença é frequente.



 

Cláudia - Como está o Brasil, hoje, em relação a outros países com relação a incidência de câncer?

SD -  Em alguns tipos de tumores, como câncer de colo de útero e fígado, temos estatísticas assustadoramente altas (o que é mais triste ainda pelo fato de serem doenças preveníveis). Outras doenças são mais raras, como melanoma (tipo mais grave de câncer de pele), mesmo que tenha triplicado sua incidência (casos novos) na última década. Os tumores mais comuns, como mama, pulmão e cólon, seguem estatísticas mundiais, com algumas diferenças regionais.
Existe, também, muita diferença entre norte e sul, assim como para pacientes com acesso ágil ao atendimento e pacientes dependentes do SUS, que geralmente têm um percurso mais árduo até o diagnóstico e tratamento.
Em resumo, temos uma epidemiologia particular que deve ser reconhecida para definição de políticas de saúde. "importar" estratégias de outros países sem conhecer nossa realidade é um grande risco de seguirmos por caminhos improdutivos.


 

Cláudia- Além do fator hereditário, que outros componentes devem ser levados em conta para o surgimento de novos casos?


SD - Cada tipo de câncer tem seu componente genético que pode ser mais forte (como mama e cólon, por exemplo) e ambiental, decorrente de maus hábitos como tabagismo (como câncer de pulmão e bexiga). De uma forma geral, todos os tumores são mais frequentes em pacientes que fumam (o dobro de chance no caso de câncer de rim  e até 45 vezes mais  no caso de pulmão, para se ter uma estimativa). Bebida alcoólica, obesidade, exposição ao sol e dieta pobre em fibras completam os principais fatores que geram maior risco da doença.


 

Cláudia- Como está a evolução no tratamento da doença, quais os medicamentos e exames mais modernos que ajudam o paciente na luta contra o câncer?


SD - Na última década tivemos mais avanços do que em  toda a história da medicina somada! Passamos a reconhecer mutações e, mais importante, atuar sobre elas. Tratamentos são mais específicos, mais efetivos e menos tóxicos. Pacientes até pouco tempo sem nenhuma opção de tratamento passaram a ter várias opções. É uma cenário completamente diferente do que viveu a geração anterior.



 

Cláudia- Podemos esperar, para um futuro próximo, se não a cura, pelo menos a cronificação da doença?


SD - Podemos esperar ambos. Alguns tumores passarão a ser mais curados e, em muitos casos, poderemos viabilizar uma vida longa e com sem restrições, mesmo com a doença.
Não existe uma "bala mágica" que resolverá o problema de um dia para outro... Mas cada avanço tem contribuído para a construção de um ambiente melhor.


 

Cláudia -O Brasil está preparado para tratar seus pacientes com câncer? Há equipamentos, como mamógrafo e outros, além de medicamentos disponíveis para os pacientes que dependem do SUS?

SD - O sistema privado (privilégio de 20% dos brasileiros) basicamente tem todos os recursos que existem... o problema maior é o sistema público que tem sérias carências, tanto orçamentárias como de gestão. Não basta ter um mamógrafo. Tem que ser um aparelho de boa qualidade e ter profissional que, em prazos adequados, possa avaliar e manejar o caso. Medicamentos sofisticados podem levar muitos anos antes de serem incorporados. Em oncologia, o modelo de APAC (pagamento fixo por doença, independente do remédio que se vai usar) impede que drogas mais recentes sejam incluídas, porque seu preço ultrapassa o valor dotado para aquela condição.
Em outras palavras, o sistema público tem seus méritos e conceitualmente pode ser ótimo, mas precisa de reflexões responsáveis se não quisermos migrar para um contexto de inequidade ainda maior.


 

Cláudia - A religiosidade realmente ajuda o paciente em tratamento de câncer?

SD - Toda contribuição para criar ambiente de paz e tranquilidade é muito útil  para sucesso dos manejos. Desde coragem para encarar o problema até o controle de sintomas são mais fáceis em pacientes que têm o apoio espiritual que aponte nesta direção. Uma visão desamparada de nossa existência cria mais angústia e, frequentemente, leva os pacientes a tomadas de decisões que desconsideram o valor precioso das nossas vidas.

 

 

 

 

O MANIFESTO DA OAB CONTRA A CORRUPÇÃO

A Ordem dos Advogados do Brasil voltou a assumir o protagonismo de outrora, quando em momentos de crise nacional, empunhava de forma destemida a bandeira em defesa dos interesses do país. Agora foi a vez da seccional Piauí, que lançou um manifesto conclamando toda a sociedade piauiense para o enfrentamento da corrupção. Motivos não faltam para tamanha indignação. Os escândalos com desvio de recursos públicos multiplicam-se a uma velocidade assustadora, deixando a população ao mesmo tempo atônita e perplexa.

Os advogados piauienses resolveram vir a público com a campanha  “ CIDADÃO CONSCIENTE REPROVA A CORRUPÇÃO” e lembram que “as práticas ilícitas se alastram por todos os órgãos da administração pública, gerando uma onda de escândalos, de ilegalidade e de imoralidade sem precedentes no país”.  A corrupção é um crime tipificado no código penal brasileiro, mas a punição aos culpados neste tipo de crime é a exceção, não a regra. E assim a impunidade serve como adubo para essa prática daninha que desvia dinheiro que deveria ser aplicado na promoção do bem comum e na redução da assombrosa desigualdade social que persiste em nosso país.

O texto publicado pela OAB/Piauí prega a reestruturação do judiciário, reconhecido por sua “morosidade crônica”. Ora, os advogados sabem bem do que estão falando. Vez por outra o Conselho Nacional de Justiça está puxando a orelha do Tribunal de Justiça do Piauí. Mas não é só isso. Os próprios advogados também dão a sua parcela de contribuição, quando invocam chincanas jurídicas para protelar indefinidamente o curso dos processos, já naturalmente lentos.

A celeridade e o rigor da justiça são fundamentais para fazer com que os envolvidos em crimes de corrupção paguem pelos seus atos na forma da lei e devolvam aos cofres públicos o que foi de lá retirado. E essa não deve, nem pode ser, uma luta isolada da OAB/PI. A sociedade civil deve entoar junta o mesmo grito de reprovação e cobrança contra os corruptos que se disseminam país afora em todas as esferas do poder. Que as outras entidades representativas, como conselhos, institutos, sindicatos,  exerçam  a sua cidadania plenamente, rechaçando a corrupção e exigindo punição aos culpados. Precisamos trazer de volta o Brasil aos brasileiros.

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