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UM NEGÓCIO LUCRATIVO E PERIGOSO

Apesar de urgente e necessária, a reforma tributária não é posta em discussão pelo Congresso Nacional. Em compensação, a bancada da bala traz de volta esta semana a discussão  sobre a reforma do Estatuto do Desarmamento, em vigor desde 2003.

O estatuto veio para limitar a circulação de armas no país. E trouxe bons resultados. Segundo o Ministério da Saúde, ele poupou 121 mil vidas de 2003 a 2012. Mas, agora,a indústria de armas e munições, inconformada com a queda nas vendas, está promovendo esta discussão para reacender os lucros gigantescos de outrora.

Pela proposta da reforma, fica mais fácil adquirir armas no país, o que só deve gerar mais violência neste Brasil já tão marcado por sangue nas suas ruas. As armas adquiridas por pessoas comuns quase sempre acabam indo parar nas mãos de bandidos e voltam-se contra seus próprios proprietários. Além do mais, mesmo pessoas comuns podem tornar-se perigosas ao portar uma arma. E para isso, basta uma discussão acalorada no trânsito ou até uma briga por motivo de ciúme. Com um revólver nas mãos, qualquer desentendimento pode vir a ter um desfecho trágico.

Pelo projeto, a idade mínima para comprar uma arma cai de 25 para 21 anos. Além do mais, o projeto libera o porte de armas nas ruas, que hoje só é permitido para policiais e profissionais da segurança e justiça. Para envolver ainda mais interesses financeiros, o projeto autoriza a publicidade de armas e munições, como se fossem produtos inofensivos e sem potencial de gerar mortes ou ferimentos graves. Equipara-se uma mercadoria altamente perigosa a um simples sabonete, anunciado a quem queira ou possa comprar. E mais: fica liberada a compra de até nove armas por pessoa. Agora pense em quem, além de quadrilhas de assaltantes, precisa de um arsenal de nove armas de fogo?

Com tantos crimes em nossas cidades, não precisamos mais de nenhum incentivo à violência e, sim, de propostas que estimulem uma cultura de paz, seja por meio da arte ou do esporte. Quanto mais armas em circulação, maior será o perigo que ronda à nossa porta. Mas quem disse que a indústria está preocupada com isso?

 

A DIFERENÇA ENTRE LÁ E CÁ

O ser humano é mesmo esquisito. E em matéria de educação e bons costumes, mais estranho ainda. Brasileiro, e o piauiense aí se inclui, adora falar maravilhas dos países do primeiro mundo e dos seus habitantes. Mas, na vida privada, age como cidadão de terceiro, desrespeitando regras mínimas de civilidade.

Na hora de estacionar o carro, por exemplo, não faz a menor cerimônia de ocupar a vaga destinada a  idosos ou a pessoas com deficiência, mesmo sendo jovem e saudável. Pode haver atitude mais desrespeitosa do que essa? E se alguém, com justificada indignação, tenta reclamar, ouve um sonoro palavrão.  A mesma coisa acontece na hora de deixar o filho na escola. Parar o carro uma quadra antes e ir caminhando até a portaria, de mãos dadas com a criança, nem pensar. Quem está ao volante, na maioria das vezes, se acha superior às leis de trânsito. Por isso acha que pode parar em fila dupla ou tripla, sem se importar com quem vem atrás. E o pior de tudo: basta o sujeito chegar atrasado a algum compromisso que, sem nenhuma cerimônia, tranca o carro de quem chegou cedo e estacionou direitinho.

Pode reparar que, ao voltar de uma viagem ao exterior, nossos conterrâneos não se cansam de elogiar a limpeza das ruas nos Estados Unidos ou na Europa. Mas ao  beber um copo  de água não se intimidam de  jogar a embalagem vazia na calçada. E fazem isso com o papel da bala, o palito do picolé ou qualquer outra coisa que lhes ocupe as mãos.

Acham bonito ver a verde grama das praças e jardins dos nossos irmãos europeus, mas,quando podem, não se acanham de pisar a nossa. Reclamam do calor de Teresina e nunca se dispõem a plantar um pequeno arbusto que seja, nem se propõem a adotar o canteiro da praça plantado em frente a suas casas.

A mesma coisa pode-se observar com relação a filas. Se há muita gente, o sujeito dá logo um jeitinho de furar. E ainda se ufana de ter passado na frente de quem está esperando pacientemente a sua vez. Não se importa nem mesmo se a fila é para idosos ou gestantes.

Se no dia a dia da vida privada as regras mínimas de civilidade não são obedecidas por cada um, como esperar que o coletivo funcione de forma harmônica e organizada? Enquanto cada morador não fizer a sua parte, o todo estará comprometido e o modo de vida que tanto admiramos lá fora continuará só lá fora mesmo.

A SAÍDA É GASTAR MENOS

O Governo do Estado está comemorando o aumento na arrecadação tributária neste primeiro trimestre do ano. De janeiro a março, a Secretaria da Fazenda contabilizou uma arrecadação de R$ 904 milhões. Um esforço louvável, ainda mais se levarmos em conta que os repasses federais já não estão mais chegando na mesma proporção. A queda na transferência de recursos do FPE compromete o frágil orçamento do Piauí e o secretário de Fazenda, Rafael Fonteles, tem se esforçado como pode para fazer crescer a nossa receita, aumentando a base de arrecadação e combatendo a sonegação.

Mas todo o esforço do Secretário será em vão se, na mesma medida em que aumentar a receita, não houver uma redução das despesas. Os gastos públicos costumam correr frouxo no Piauí, como de resto, no Brasil. E essa é uma das mazelas que comprometem a nossa situação econômica. O Brasil possui hoje uma das maiores cargas tributárias do mundo, o que sufoca o setor produtivo por asfixia, e inviabiliza muitos empreendimentos logo nos primeiros anos de vida.

O tamanho da máquina pública é enorme, bem acima do necessário. E quanto maior, mais ineficiente se torna. São muitos os órgãos públicos criados, com suas consequentes despesas de estrutura, gabinete, pessoal e tudo o mais que cerca uma secretaria ou ministério. Às vezes, as funções de um órgão até se chocam com a de outro já existente, sem que a população saiba para que serve um ou outro. Quase sempre para acomodar partidos ou pessoas.

O desperdício do dinheiro público é uma das piores chagas do Estado Brasileiro. Ele escorre por ralos que passam despercebidos pela maioria da população que sustenta essa grande máquina chamada Brasil. Como esse custo começou a pesar além da conta nas costas do trabalhador brasileiro, ele também começa a ficar de olho no destino final do dinheiro que é pago sob a forma dos muitos e variados impostos. Cada cidadão precisa ficar atento, e cobrar de forma efetiva, que o dinheiro público seja aplicado muito mais nas áreas fins, promovendo o bem estar da população por meio de obras e ações nas áreas da saúde, educação, segurança, saneamento e mobilidade urbana, e muito menos na área meio. Afinal, o Estado não vive para sustentar a si mesmo, mas para proporcionar qualidade de vida aos seus cidadãos. 

O BOM ANJO MIGUEL

A comunidade católica celebra hoje os 90 anos de vida de Dom Miguel Fenelon Câmara, Ministro de Deus que veio do Ceará em 1985 para ser o Arcebispo Metropolitano de Teresina e acabou tornando-se o irmão amigo e pai carinhoso do seu rebanho, com especial ternura dedicada aos pequenos e pobres da nossa capital. Dom Miguel nunca gostou de títulos e pompas. Sua marca, desde o início, foi a simplicidade e o acolhimento. Durante seu ministério à frente da nossa Igreja, os portões do Palácio Episcopal sempre estiveram abertos a tantos quanto o procurassem. E a todos, oferecia um sorriso afável, uma palavra de carinho e alguns bolinhos com café.

Carlos Lustosa Filho/CidadeVerde.com

Carregando consigo o nome de anjo e a alma de santo, Dom Miguel logo voltou os olhos para as comunidades mais carentes e, sensibilizado com a dor alheia, tratou de estender os braços da Igreja para muito além dos seus altares. Foi ao encontro dos que mais precisavam com um trabalho de ação social de infinita grandeza, restituindo dignidade e futuro a quem já os havia perdido.

Foi sob seu ministério episcopal que nasceu o Lar da Fraternidade, casa de acolhimento e tratamento para portadores do vírus HIV. O Lar é referência até hoje para quem vem a Teresina em busca de atendimento médico ou para quem foi rejeitado pela família por conta da doença. Foi também com ele que nasceu a Casa Menina, embrião da atual Casa de Zabelê, que recebe garotas em situação de risco e violência. É da sua época também o Lar de Misericórdia que abriga pacientes que vêm a Teresina para tratar-se de câncer. Sempre trabalhando ao lado do discípulo, Pe. Tony Batista, um pensava, o outro executava. Uma parceria que rendeu muitos frutos para a Ação Social Arquidiocesana.

De tanta bondade que espalhou em seus 16 anos de pastoreio, passou a ser chamado de Bom Miguel e aqui fez morada, tornando-se nosso Arcebispo Emérito. Até hoje, sua casa é lugar de peregrinação por parte dos milhares de amigos que cativou e cultivou nesses anos. A sua simples presença transmite a paz de que precisamos nesses dias de tanta turbulência e desassossego. Que ele continue a nos abençoar e a nos presentear com sua presença amiga entre nós.

 

A ÁGUA OCUPA SEU LUGAR

É impressionante como Teresina está despreparada para conviver com grandes volumes de chuva. Com um ciclo pluviométrico irregular,  o clima na cidade é seco e quente na maior parte do ano. Por isso mesmo, as chuvas sempre são aguardadas com muita ansiedade por parte dos teresinenses. Ansiedade e apreensão, como a gente constatou esta semana.

Com o crescimento acelerado e desordenado da cidade, ao longo dos últimos anos muitas áreas verdes foram devastadas para a construção de empreendimentos imobiliários e, infelizmente, nem todos obedeceram ou obedecem ao rigoroso estudo de impacto ambiental que deve preceder obras dessa natureza. O resultado é que a impermeabilização da área urbana só aumenta, fazendo crescer, como consequência, o risco de inundação. Pois foi exatamente o que aconteceu com a chuva que caiu na noite da última quarta-feira, que atingiu 70 mm.

Thiago Amaral/Cidade Verde

A construção de galerias é uma obra cara e complicada de ser executada. Mexe diretamente com o dia a dia da cidade e, depois de pronta, fica escondida debaixo do chão. Mas é inevitável que seja realizada para que os cidadãos possam habitar com segurança, sem o risco de terem as suas casas alagadas ou de ficarem presos em ruas e avenidas por conta da grande quantidade de água acumulada nas pistas.

Depois de um imbróglio com a construtora que venceu a licitação para a construção da galeria da zona leste, a obra foi reiniciada no ano passado e agora segue seu cronograma, mas só deve ficar pronta a partir do próximo ano. Dos sete quilômetros previstos, foram construídos 400 metros até agora. Há também um estudo na Secretaria Municipal de Planejamento para a elaboração do Plano Diretor de Drenagem, que contempla oito bacias na área urbana de Teresina. Só a elaboração do Plano custa R$ 18 milhões, o que serve como amostra do valor das cifras envolvidas quando o assunto é galerias. Pelo custo e demora na execução desse plano, já se pode prever que ele não vai ser executado a curto prazo, o que significa dizer que nos próximos anos voltaremos a conviver com o curso d’água invadindo o espaço de habitação e circulação dos moradores. A força da natureza é implacável. Se a água é desviada do seu caminho natural de escoamento, ela procura outro espaço para desaguar.

Portanto, pra começar, é preciso que haja mais rigor na fiscalização que autoriza novas construções. E, a médio prazo, uma mobilização de toda a bancada federal para obter recursos da União para a construção de galerias que venham a resolver, de forma definitiva e preventiva, o problema das inundações em Teresina.

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