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A HORA DA COBRANÇA

A Presidente Dilma Rousseff tem encontro marcado hoje com o Governador Wellington Dias e demais governadores do Nordeste. É uma ótima oportunidade para o Piauí cobrar a conta da larga margem de votos que garantiu à Presidente a vitória aqui no Estado com 70,61% de maioria. Uma vitória tão expressiva que Dilma chegou a agradecer em sua página nas redes sociais a expressiva vantagem obtida no Piauí.

Pois bem, agora que a popularidade da Presidente anda em baixa, que tal começar recuperando sua imagem justamente por quem mais lhe hipotecou apoio na hora da eleição? O Piauí há muito tempo vive de promessas não realizadas, esperando com paciência chinesa as grandes obras estruturantes que servirão para alavancar o seu desenvolvimento. Esperamos pelo porto de Luís Correia, pelo aeroporto de São Raimundo Nonato, pela conclusão da Transnordestina, por uma refinaria, e por muitos outros projetos não realizados.

Mas, ano a ano, assistimos aos investimentos  chegarem  aos Estados vizinhos, como Ceará, Maranhão, Bahia e Pernambuco, enquanto nós nos conformamos apenas com alguns cadastros no programa social Bolsa Família.

Se é para combater a desigualdade regional ainda enorme que nos separa do sul e sudeste do país, que nos seja dado tratamento diferenciado. Não podemos nos conformar só com a visita esporádica de ministros que chegam aqui com honras e pompas, mas nada deixam de concreto, ou deixam muito pouco. Queremos e merecemos mais, muito mais.

Como se não bastasse a esmagadora maioria dada à Presidente pelos piauienses , que garantiu a sua vitória nas urnas, o Governador do Estado é do mesmo partido, um aliado de primeira hora que comandou a sua campanha aqui no Piauí. Pois este é o momento de o governo federal retribuir esse apoio. E não apenas com palavras.

O Piauí sofre há séculos com o problema da seca. Agora mesmo, mais de 200 municípios decretaram situação de emergência por conta da estiagem. E o que já foi feito em termos de obra para que possamos enfrentar a escassez de chuvas que marca o Estado? Nada. Todos os anos, volta a mesma política ultrapassada de carros pipa. Não podemos mudar a natureza, mas podemos nos preparar para enfrentá-la em suas adversidades.

É isso o que os piauienses querem. E é isso que o Governador Wellington Dias, como representante eleito do nosso povo, deve fazer nesta reunião. É hora de levantar a voz e cobrar o que temos direito a receber. E pelo atraso, nós temos muito a receber. É esperar para ver.

A INDÚSTRIA PEDE SOCORRO

A crise econômica brasileira atingiu a indústria piauiense. Os sucessivos aumentos na tarifa de energia elétrica e no preço dos combustíveis, dois insumos indispensáveis para o setor, estão provocando uma desaceleração no ritmo de produção das empresas no Estado. Até indústrias tradicionais,  como a Cerâmica Cil, estão fechando as portas e demitindo seus funcionários.

Segundo o Presidente da Associação Industrial do Piauí, Joaquim Costa, a indústria está atravessando um momento muito difícil, com declínio acentuado nas vendas. “ Estamos preparando um documento para enviar à bancada federal, mostrando que não é mais possível aumentar a carga tributária neste país. O governo está preparando mais um ajuste fiscal que vai resultar em novos aumentos, onerando em 150% os tributos incidentes sobre a folha de pagamento. Isso não é possível. O que nós estamos pedindo é que o governo corte gastos de custeio. Nós temos uma máquina inchada com 39 ministérios e milhares de cargos comissionados.”

Ascom AIP

Empresário Joaquim Costa Filho, presidente da AIP

Como se não bastassem todos esses custos que incidem sobre o preço final da mercadoria, a indústria piauiense ainda sofre com a má prestação na qualidade da energia fornecida pela Eletrobrás, como comentamos ontem aqui nesse espaço. O Presidente da AIP fez um desabafo de que algumas empresas chegam a parar as atividades por até uma semana por falta de energia, o que é absolutamente inconcebível. Ele ilustra a dramática situação vivida pelo setor com o caso de uma indústria de cerâmica instalada  na BR 316 que já está pronta há 90 dias e ainda não começou a funcionar por falta de energia.

Os industriais que querem ver o setor prosperar estão metendo a mão no  próprio bolso para fazer o investimento que deveria ser da Eletrobrás. O presidente da AIP é um deles. À frente do grupo Mafrense, ele se viu obrigado a colaborar com aporte de recursos em uma estação em Nazária, a fim de poder inaugurar a ampliação da empresa naquele município.

Aqui no Piauí, o setor da construção civil é o mais afetado até agora, registrando o maior número de demissões. “ E o problema é que a construção civil puxa outros setores, como o de  cerâmica, o de madeira e o de móveis. É um efeito em cascata.”, explica Joaquim Costa.

O Programa Minha Casa, Minha Vida está parado e as empresas estão sem receber os recursos da Caixa Econômica Federal. Para completar, os juros subiram, fechando um cenário que, segundo ele, já se caracteriza como de recessão. A esperança de quem produz e gera riqueza, fazendo a roda da economia girar favoravelmente, é conseguir convencer os parlamentares a votar contra o aumento dos encargos tributários sobre a folha de pagamento. Caso contrário, a previsão é de mais indústrias fechando e mais trabalhadores perdendo o emprego. Exatamente o que não precisamos para ameaçar  ainda mais a nossa já frágil economia.

PRIVATIZAÇÃO DA ENERGIA

É quase unanimidade entre os piauienses que um dos piores serviços prestados no Estado é o da Eletrobras. O fornecimento de energia elétrica no Piauí é precário, e não é de hoje. Basta a menor mudança no clima, ou o simples surgimento de nuvens no céu, e pronto: a energia oscila até faltar de vez. Os consumidores já estão cansados de reclamar dos inúmeros prejuízos acumulados por conta da queda no fornecimento de energia elétrica.

A boa notícia que surge agora é a possibilidade de privatização do sistema, anunciada pelo Ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga. Ele está analisando a ideia de privatizar ou repassar o controle acionário das distribuidoras vinculadas à Eletrobras, como no caso da CEPISA. Além do Piauí, a Eletrobras tem ainda o controle das distribuidoras de Alagoas, Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima.

No Brasil, criou-se uma falsa imagem de privatização, associando-a a uma prática perversa do capitalismo selvagem, criada para prejudicar a população e os servidores. Nada mais antigo e retrógrado. Para desmontar esse argumento, basta lembrar como era o sistema de telefonia antes da privatização. Conseguir uma linha telefônica era quase como acertar na loteria. Telefone era algo tão raro e valioso que constava na declaração de bens do proprietário. Hoje, qualquer pessoa possui uma, duas, três linhas telefônicas.

Portanto, privatização em alguns setores é a solução, não a maldição como apregoa o pensamento atrasado dos que a condenam. É necessário varrer certos conceitos antigos que endossavam o coro dos movimentos sociais até as décadas de 70 e 80. Precisamos pensar na eficiência de setores essenciais como o da energia elétrica, indispensável para o desenvolvimento do país. A precariedade no serviço de energia elétrica tem comprometido severamente a indústria e o comércio no Piauí. A Eletrobras alega falta de recursos para investimentos essenciais na ampliação e modernização do sistema. E culpa a inadimplência dos consumidores, inclusive do setor público, pelo déficit financeiro da empresa. Os que pagam a sua conta rigorosamente em dia, e a um custo bem alto, diga-se de passagem, não querem mais ouvir desculpas. Querem simplesmente receber um serviço de qualidade, compatível com o valor pago mensalmente para desenvolver suas atividades domésticas e produzir o crescimento do Estado.

 

 

UM VOO À SERRA DA CAPIVARA

Com bastante atraso, os piauienses recebem a notícia de que dentro de 60 dias a pista do aeroporto internacional de São Raimundo Nonato deve ser homologada. As obras do aeroporto já estão em fase de finalização. Esta obra, tal como o porto de Luís Correia, é um sonho antigo de todos que moram neste Estado. Mas, uma e outra, arrastam-se indefinidamente pelo tempo, abrindo mão de um potencial gerador de renda.

O Estado do Piauí sofre desvantagem com relação ao turismo, se comparado aos outros Estados nordestinos que possuem uma faixa litorânea bem mais extensa que a nossa, de apenas 66 km. No entanto, aqui encontra-se situado um dos mais importantes sítios arqueológicos do planeta, mantido à custa de muito esforço e abnegação pela professora Niéde Guidon, uma guerreira incansável na defesa do Parque Nacional da Serra da Capivara. Não fosse a professora, não teríamos hoje o Museu do Homem Americano, uma joia rara incrustada no sertão piauiense.

O Parque ocupa uma área de 214 km e reúne 912 sítios arqueológicos com um acervo riquíssimo de pinturas rupestres que atestam a presença de vida humana naquela área há mais de 50 mil anos. Desde 1991, é considerado pela UNESCO Patrimônio Cultural da Humanidade. Diz-se que na Serra da Capivara estão os registros mais antigos da presença do homem no continente americano. Um tesouro inestimável, que deveria atrair milhares de turistas, gerando riqueza para o Estado.

No entanto, o Parque fica a 530 km de Teresina e chegar até lá não é tarefa fácil.  O acesso mais rápido é pelo aeroporto da cidade de Petrolina, em Pernambuco. Ou seja, a porta de entrada para um dos maiores atrativos turísticos do Piauí fica fora do Estado, inexplicavelmente.

O aeroporto internacional de São Raimundo Nonato não pode mais continuar sendo apenas uma promessa. É uma obra de infraestrutura imprescindível para alavancar o turismo cultural e ecológico, proporcionando a criação de empregos e gerando renda para uma das regiões mais carentes do Brasil, apesar da imensa riqueza natural de que dispõe.

A FORÇA É PASSAGEIRA

A Secretaria de Segurança montou uma grande operação, em conjunto com as polícias civil, militar e rodoviária federal, para desmontar um ponto de venda de drogas que atendia pessoas de alto poder aquisitivo na zona leste. A operação resultou em apreensão de armas e drogas, além da prisão de sete pessoas. É uma resposta ao apelo da sociedade que clama por medidas urgentes  e eficazes para o combate à violência que se alastrou em nosso Estado, especialmente na capital.

O trabalho contou com o aparato da Força Nacional, que foi convocada pelo Governador Wellington Dias logo no início do mandato. As imagens renderam grande cobertura na mídia e causaram boa impressão. Mas não podem ser uma ação isolada, caso contrário será apenas mais um fato midiático. As operações como a de ontem são necessárias, sim. E têm até um efeito psicológico sobre a população. No entanto, para garantir a segurança perdida, o trabalho a ser feito deve ser contínuo.

Por enquanto, a presença dos homens da Força Nacional reforça essa ideia de que a cidade está mais bem guardada. Mas a pergunta que fica é: E quando eles forem embora? Como o Estado está se aparelhando para resolver um problema dessa grandeza, que envolve vários segmentos?

Se é para dar sequência ao trabalho iniciado, que seja proporcionada a infraestrutura necessária às delegacias. Não dá para se falar em segurança quando existe um município como Cristino Castro, no sul do Estado, no qual a delegacia só abre uma vez por semana, e em um único expediente. Muito menos, quando se chega a uma delegacia, ainda que da capital, sem que haja viatura, telefone ou computador funcionando.

De todas as urgências do Estado, a segurança talvez seja a principal, porque a falta dela compromete a educação, a saúde e o desenvolvimento econômico. Muitas escolas são vítimas de assaltos e roubos, traumatizando professores e alunos e comprometendo o aprendizado destes. Em alguns hospitais de periferia, os profissionais de saúde temem por suas vidas porque também sentem-se desprotegidos. E os comerciantes dos bairros trabalham agora escondidos por trás das grades, lugar que deveria ser dos marginais.

A secretaria de segurança precisa ser fortalecida para que a população sinta-se confiante em sair à rua para  estudar, trabalhar ou simplesmente para vivenciar um pouco de lazer. A rua, a cidade, o Estado precisam voltar a ser do cidadão e não mais dos bandidos.

 

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