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A SAÍDA É GASTAR MENOS

O Governo do Estado está comemorando o aumento na arrecadação tributária neste primeiro trimestre do ano. De janeiro a março, a Secretaria da Fazenda contabilizou uma arrecadação de R$ 904 milhões. Um esforço louvável, ainda mais se levarmos em conta que os repasses federais já não estão mais chegando na mesma proporção. A queda na transferência de recursos do FPE compromete o frágil orçamento do Piauí e o secretário de Fazenda, Rafael Fonteles, tem se esforçado como pode para fazer crescer a nossa receita, aumentando a base de arrecadação e combatendo a sonegação.

Mas todo o esforço do Secretário será em vão se, na mesma medida em que aumentar a receita, não houver uma redução das despesas. Os gastos públicos costumam correr frouxo no Piauí, como de resto, no Brasil. E essa é uma das mazelas que comprometem a nossa situação econômica. O Brasil possui hoje uma das maiores cargas tributárias do mundo, o que sufoca o setor produtivo por asfixia, e inviabiliza muitos empreendimentos logo nos primeiros anos de vida.

O tamanho da máquina pública é enorme, bem acima do necessário. E quanto maior, mais ineficiente se torna. São muitos os órgãos públicos criados, com suas consequentes despesas de estrutura, gabinete, pessoal e tudo o mais que cerca uma secretaria ou ministério. Às vezes, as funções de um órgão até se chocam com a de outro já existente, sem que a população saiba para que serve um ou outro. Quase sempre para acomodar partidos ou pessoas.

O desperdício do dinheiro público é uma das piores chagas do Estado Brasileiro. Ele escorre por ralos que passam despercebidos pela maioria da população que sustenta essa grande máquina chamada Brasil. Como esse custo começou a pesar além da conta nas costas do trabalhador brasileiro, ele também começa a ficar de olho no destino final do dinheiro que é pago sob a forma dos muitos e variados impostos. Cada cidadão precisa ficar atento, e cobrar de forma efetiva, que o dinheiro público seja aplicado muito mais nas áreas fins, promovendo o bem estar da população por meio de obras e ações nas áreas da saúde, educação, segurança, saneamento e mobilidade urbana, e muito menos na área meio. Afinal, o Estado não vive para sustentar a si mesmo, mas para proporcionar qualidade de vida aos seus cidadãos. 

O BOM ANJO MIGUEL

A comunidade católica celebra hoje os 90 anos de vida de Dom Miguel Fenelon Câmara, Ministro de Deus que veio do Ceará em 1985 para ser o Arcebispo Metropolitano de Teresina e acabou tornando-se o irmão amigo e pai carinhoso do seu rebanho, com especial ternura dedicada aos pequenos e pobres da nossa capital. Dom Miguel nunca gostou de títulos e pompas. Sua marca, desde o início, foi a simplicidade e o acolhimento. Durante seu ministério à frente da nossa Igreja, os portões do Palácio Episcopal sempre estiveram abertos a tantos quanto o procurassem. E a todos, oferecia um sorriso afável, uma palavra de carinho e alguns bolinhos com café.

Carlos Lustosa Filho/CidadeVerde.com

Carregando consigo o nome de anjo e a alma de santo, Dom Miguel logo voltou os olhos para as comunidades mais carentes e, sensibilizado com a dor alheia, tratou de estender os braços da Igreja para muito além dos seus altares. Foi ao encontro dos que mais precisavam com um trabalho de ação social de infinita grandeza, restituindo dignidade e futuro a quem já os havia perdido.

Foi sob seu ministério episcopal que nasceu o Lar da Fraternidade, casa de acolhimento e tratamento para portadores do vírus HIV. O Lar é referência até hoje para quem vem a Teresina em busca de atendimento médico ou para quem foi rejeitado pela família por conta da doença. Foi também com ele que nasceu a Casa Menina, embrião da atual Casa de Zabelê, que recebe garotas em situação de risco e violência. É da sua época também o Lar de Misericórdia que abriga pacientes que vêm a Teresina para tratar-se de câncer. Sempre trabalhando ao lado do discípulo, Pe. Tony Batista, um pensava, o outro executava. Uma parceria que rendeu muitos frutos para a Ação Social Arquidiocesana.

De tanta bondade que espalhou em seus 16 anos de pastoreio, passou a ser chamado de Bom Miguel e aqui fez morada, tornando-se nosso Arcebispo Emérito. Até hoje, sua casa é lugar de peregrinação por parte dos milhares de amigos que cativou e cultivou nesses anos. A sua simples presença transmite a paz de que precisamos nesses dias de tanta turbulência e desassossego. Que ele continue a nos abençoar e a nos presentear com sua presença amiga entre nós.

 

A ÁGUA OCUPA SEU LUGAR

É impressionante como Teresina está despreparada para conviver com grandes volumes de chuva. Com um ciclo pluviométrico irregular,  o clima na cidade é seco e quente na maior parte do ano. Por isso mesmo, as chuvas sempre são aguardadas com muita ansiedade por parte dos teresinenses. Ansiedade e apreensão, como a gente constatou esta semana.

Com o crescimento acelerado e desordenado da cidade, ao longo dos últimos anos muitas áreas verdes foram devastadas para a construção de empreendimentos imobiliários e, infelizmente, nem todos obedeceram ou obedecem ao rigoroso estudo de impacto ambiental que deve preceder obras dessa natureza. O resultado é que a impermeabilização da área urbana só aumenta, fazendo crescer, como consequência, o risco de inundação. Pois foi exatamente o que aconteceu com a chuva que caiu na noite da última quarta-feira, que atingiu 70 mm.

Thiago Amaral/Cidade Verde

A construção de galerias é uma obra cara e complicada de ser executada. Mexe diretamente com o dia a dia da cidade e, depois de pronta, fica escondida debaixo do chão. Mas é inevitável que seja realizada para que os cidadãos possam habitar com segurança, sem o risco de terem as suas casas alagadas ou de ficarem presos em ruas e avenidas por conta da grande quantidade de água acumulada nas pistas.

Depois de um imbróglio com a construtora que venceu a licitação para a construção da galeria da zona leste, a obra foi reiniciada no ano passado e agora segue seu cronograma, mas só deve ficar pronta a partir do próximo ano. Dos sete quilômetros previstos, foram construídos 400 metros até agora. Há também um estudo na Secretaria Municipal de Planejamento para a elaboração do Plano Diretor de Drenagem, que contempla oito bacias na área urbana de Teresina. Só a elaboração do Plano custa R$ 18 milhões, o que serve como amostra do valor das cifras envolvidas quando o assunto é galerias. Pelo custo e demora na execução desse plano, já se pode prever que ele não vai ser executado a curto prazo, o que significa dizer que nos próximos anos voltaremos a conviver com o curso d’água invadindo o espaço de habitação e circulação dos moradores. A força da natureza é implacável. Se a água é desviada do seu caminho natural de escoamento, ela procura outro espaço para desaguar.

Portanto, pra começar, é preciso que haja mais rigor na fiscalização que autoriza novas construções. E, a médio prazo, uma mobilização de toda a bancada federal para obter recursos da União para a construção de galerias que venham a resolver, de forma definitiva e preventiva, o problema das inundações em Teresina.

DE VOLTA ÀS RUAS

Depois da manifestação realizada no dia 15 de março, o Movimento Vem Pra Rua já está com o bloco montado para voltar a ocupar os espaços públicos do país, no próximo domingo, dia 12. Aqui em Teresina, a concentração vai ser às 16h, na Avenida Marechal Castelo Branco. Um grande palco será montado em frente à Assembleia Legislativa, com apoio de ambulância, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. O movimento é coordenado pela médica Adriana Sousa, que promete uma estrutura bem mais organizada que a anterior.  Segundo ela, o governo não entendeu o recado das ruas. “ O povo não aceita mais um pacote anticorrupção. Isso não atende as nossas expectativas”, rebate a médica, que está em contato permanente com os organizadores do movimento em outros Estados.

A mobilização, mais uma vez, está sendo feita por meio das redes sociais. Vários grupos de WhatsApp foram criados para chamar as pessoas e convencê-las a vestir as cores da bandeira nacional em defesa de um novo Brasil. Os organizadores acham que como nada mudou da primeira manifestação até agora, a indignação popular só aumentou.

Há muito tempo não se via o povo brasileiro participando de forma tão efetiva de mobilizações populares com fins políticos. A última grande manifestação foi a que resultou no impeachment do Presidente Fernando Collor, hoje já instalado de volta ao poder.

Agora, com a queda acentuada da popularidade da Presidente Dilma Rousseff, os organizadores do Vem Pra Rua acham que há novamente clima para tirar as pessoas do  sofá e trazê-las para as praças. É verdade que a situação econômica não anda nada boa para os trabalhadores brasileiros. A soma dos ingredientes inflação alta, recessão, desemprego, queda no PIB e sucessivos escândalos de corrupção formam um caldeirão propício para a realização de protestos. E não adianta argumentar que é um movimento restrito “aos coxinhas”. O aperto financeiro está mexendo com o bolso dos trabalhadores de todas as classes sociais. Os mais experientes sabem  que quando a barriga aperta, a boca grita. E é nisso que aposta o movimento.

NO LIMITE

É grave, muito grave, quando uma autoridade policial vem a público dizer que a polícia não vai mais realizar operações e prisões em flagrante por falta de vagas para prender os bandidos. A deficiência do nosso sistema prisional já vem se arrastando por muito tempo, enquanto os números da violência só crescem no Estado. A polícia civil, ressalte-se, tem feito um esforço para desbaratar quadrilhas e desmanchar pontos de venda de drogas na capital. Mas é quase como o trabalho de enxugar gelo, porque os bandidos são presos, mas não têm onde ficar e acabam sendo soltos, voltando a praticar os mesmos crimes, com o agravante da certeza da impunidade.

O Gerente de Policiamento Metropolitano , Luci Keiko, foi corajoso ao fazer o desabafo. Como exemplo, cita que está com 80 presos na Central de Flagrantes, que só tem capacidade para 15 pessoas. O que se pode esperar de um lugar como esse? Em vez de servir à segurança pública, a Central provoca, na verdade, mais medo e insegurança. Com uma estrutura precária, não é de estranhar que a qualquer hora haja rebelião e fuga de presos.

Os piauienses já estão no limite da tolerância com a situação de violência a  que estão expostos  diariamente. Quem paga seus impostos corretamente espera receber de volta o mínimo necessário para viver em paz com sua família. Mas paz é um sentimento cada vez mais distante da nossa realidade.

A criminalidade já atingiu índices insuportáveis e os bandidos, por não se sentirem ameaçados, agem com ousadia e crueldade impressionantes. Com medo, os cidadãos vão perdendo a vontade de sair de casa. Os pequenos comércios de bairros que não podem investir em segurança privada cercam-se de grades, trancando justamente quem deveria estar livre para trabalhar e gerar riqueza, numa total inversão de valores.

Passados três meses de governo, o cidadão já não aceita mais desculpas para a falta de solução de um problema que é emergencial.  Se a polícia vai cruzar os braços, os bandidos, certamente, irão estender os seus. E os piauienses, indefesos, já não têm mais a quem recorrer.

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