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FELIPE MENDES É O NOVO PRESIDENTE DA CODEVASF

O piauiense Felipe Mendes é o novo presidente da CODEVASF - Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba. A nomeação dele foi publicada na edição de hoje do Diário Oficial da União. Ele já está em Brasília aguardando a posse, que deve ocorrer ainda esta semana. Em entrevista por telefone, agora de manhã, Felipe Mendes disse que vai priorizar a irrigação no Piauí e as obras de saneamento dos municípios da calha do Rio Parnaíba. A recuperação do Rio Parnaíba, aliás, é uma das metas de Felipe Mendes à frente da CODEVASF. Para isso, ele vai tentar financiamento externo, via Banco Mundial ou JICA.

Depois de perder a presidência do Banco do Nordeste, o Piauí foi contemplado com a presidência da CODEVASF, deixando para trás um baiano que também disputava o cargo. Felipe Mendes é economista e já foi Secretário de Estado do Planejamento e da Fazenda e também Secretário Municipal de Finanças .

O COLAPSO DO SUAS

Foto: Thiago Amaral/Cidade Verde

CRAS Norte I, no Parque Wall Ferraz

No ano em que o SUAS – Sistema Único de Assistência Social - completa dez anos, o serviço social no país passa por uma forte crise. Há meses, o governo federal atrasa o repasse de programas sociais básicos que garantem o atendimento a pessoas em condições sociais de vulnerabilidade, como moradores de rua, dependentes químicos e vítimas de violência.

Aqui em Teresina, muitos programas estão sem receber dinheiro desde o ano passado e só ainda não pararam de vez porque o município faz um aporte de recursos anual na ordem de R$ 33  milhões. O dinheiro que gerencia o cadastramento do Programa Bolsa Família, por exemplo, está atrasado oito meses. Já o repasse do dinheiro para alimentação e transporte dos CRAS não chega há seis meses. Os CRAS são Centro de Referência da Assistência Social. Em Teresina existem 19 deles, mas poderiam ser mais caso os recursos federais destinados à manutenção do programa estivessem chegando regularmente. Por enquanto, eles ainda se mantêm, mas com sérias restrições.

A Secretária Municipal do Trabalho, Cidadania e Assistência Social, Mauricéia Neves, fez um desabafo e disse que o atraso do governo federal compromete o atendimento social e que está encontrando dificuldade em manter os muitos serviços que são oferecidos à população mais necessitada. O Serviço de Fortalecimento de Vínculo, antigo PRÓ-JOVEM, que atende idosos, crianças e adolescentes não recebeu ainda um real sequer neste ano de 2015.

Que o Brasil enfrenta uma crise econômica grave, todos sabemos. Que o governo precisa fazer cortes e ajustes econômicos, todos entendemos. O que não dá para aceitar é que os cortes ou atrasos atinjam as camadas mais sofridas e necessitadas da população, justamente aquelas que não têm a quem recorrer e que ficam à espera da assistência social para levar uma vida minimamente digna.

INFÂNCIA ROUBADA

Hoje é o dia nacional da luta contra o abuso e a exploração sexual contra crianças e adolescentes. Um crime hediondo e inafiançável, deplorável sob todos os aspectos, mas que ainda é praticado com frequência no Brasil. Dados da OIT dão conta de que no país são registrados 100 mil casos por ano. É muito. E revoltante.

A pena para quem comete esse tipo de crime varia de quatro a dez anos de prisão. Mas, infelizmente, menos de 20% desses casos chegam ao conhecimento de quem deveria tomar as providências. Muitas vezes, a criança sente vergonha e medo de denunciar o agressor, principalmente quando é praticado por um parente ou alguém próximo da vítima.

O dia 18 de maio foi escolhido em homenagem à pequena Araceli, de apenas 8 anos, que foi raptada, estuprada e morta, em Vitória (ES), no ano de 1973. Um crime que ganhou repercussão nacional e que chocou todo o país. De lá pra cá, muitas outras Araceli sofreram o mesmo fim trágico.

Crianças são seres indefesos que devem receber cuidados e proteção para que cresçam saudáveis, tanto do ponto de vista biológico quanto psicológico. O abuso sexual resulta em trauma que pode acompanhar a pessoa pela vida inteira. Portanto, pais, professores e responsáveis devem ficar atentos a qualquer mudança de comportamento das crianças.  Segundo os psicólogos, é comum a criança ficar retraída e introspectiva após sofrer algum tipo de abuso.

A sociedade, como um todo, deve levantar a voz e protestar contra esse tipo de crime abominável. Não podemos esconder sob o manto do silêncio quem abusa de meninos e meninas. As meninas, aliás, são as maiores vítimas. E os responsáveis não podem ficar impunes.

 

 

PREFEITURA PROMETE AJUDAR O SALIPI

O Prefeito Firmino Filho informou agora há pouco, por telefone, que vai manter o patrocínio ao Salão do Livro do Piaui. Ele esclareceu que ainda não recebeu os organizadores do evento por conta de problemas na agenda e que, antes da sua viagem aos Estados Unidos, na próxima semana, onde vai a convite do Banco Mundial, vai deixar autorizado o repasse de recursos ao Salão, como fez no ano passado.

Ontem à noite, o Professor Cineas Santos, um dos fundadores do SALIPI, chegou a dizer textualmente que o evento estava inviabilizado por falta de patrocínio, já que a organização não havia recebido até agora um único centavo, e a abertura estava marcada para o dia 5 de junho. Com menos de um mês, segundo Cineas,  não dava para montar o salão, que envolve uma grande infraestrutura, além das passagens e hospedagem dos palestrantes.

Depois da repercussão negativa do fim do SALIPI, a Fundação Quixote apressou-se em emitir nota oficial  assegurando que iria realizar o Salão mesmo sem patrocínio, embora não tenha esclarecido como iria fazer isso.

Com a garantia da Prefeitura de Teresina de que vai ajudar o Salão resta esperar a manifestação dos outros patrocinadores para que o SALIPI não somente seja realizado, mas que mantenha o mesmo nível dos anos anteriores.

 

UMA PERDA IRREPARÁVEL

A cultura do Piauí sofreu um golpe profundo agora em 2015. Ontem à noite, recebi a notícia de que o Salão do Livro do Piauí- SALIPI não irá acontecer este ano. O motivo é a falta de patrocínio para o evento que já havia se tornado, indiscutivelmente, em um dos mais importantes do calendário do Estado. Segundo os organizadores, até agora, eles não receberam ainda qualquer ajuda dos dois maiores patrocinadores: Estado e Prefeitura de Teresina. No caso da Prefeitura, eles sequer foram recebidos.

É lastimável que, em um Estado tão carente de cultura como o Piauí, o SALIPI seja visto como uma coisa dispensável, descartável. O Salão do Livro nasceu da ideia obstinada de um grupo de professores que insiste, apesar de todas as dificuldades, em promover o conhecimento e incentivar a leitura. E não há outro caminho, que não este, para promover-se o desenvolvimento de um povo. Como diria Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros. Infelizmente, este não é o pensamento que predomina no Piauí. Talvez por isso ainda amarguemos índices  vergonhosos de desenvolvimento e analfabetismo.

Ao longo dos anos, a população acostumou-se com a realização do Salão todo mês de junho, oferecendo uma diversidade de livros, palestras, oficinas e bate-papo literário com autores locais e nacionais. Nomes destacados do mundo das letras já passaram pelo SALIPI, como o humorista Ziraldo e o escritor Laurentino Gomes, só para citar alguns. E o melhor, o público tinha acesso a tudo isso gratuitamente, já que o SALÃO nunca teve fins comerciais. O dinheiro arrecadado com os patrocinadores era apenas para pagar os custos de realização do evento.

No entanto, infelizmente, ainda prevalece a mentalidade limitada de que, quando o orçamento aperta, a primeira área a ser sacrificada é a da cultura. O fim do SALIPI é lamentável. Todos sofremos, todos perdemos, mas perde, principalmente, a população de baixa renda que não dispõe de dinheiro para frequentar as feiras literárias realizadas em outros Estados.

O SALIPI era um dos motivos de orgulho para os teresinenses. Uma porta generosa que se abria para a difusão das letras e promoção da educação. Mas educação, ao que parece, ainda não é prioridade por estas bandas. O caminho para a desinformação e a alienação é mais fácil e mais cômodo, porém muito mais danoso para a cidade e seus cidadãos.

 

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