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Sonho da Vila Olímpica mais distante

O mês de maio chega ao fim sem que tenha sido cumprida a promessa da inauguração da Vila Olímpica do Piauí, em Parnaíba. A obra começou ainda no ano de 2012 e, pelo cronograma inicial, deveria ficar pronta para a Copa de 2014 e Olimpíada de 2016. O Tribunal de Contas da União chegou a recomendar  o bloqueio do repasse de recursos federais à Vila Olímpica, e de mais doze obras federais, por haver encontrado  indícios de irregularidades graves. Entre as falhas apontadas pelo TCU estão projetos deficientes, sobrepeço e superfaturamento.

O projeto prevê a ocupação de uma área de 98 mil m2, com duas quadras de tênis de areia, duas quadras poliesportivas, duas quadras de voley, piscinas, pistas de corrida e estádio de futebol para 50 mil torcedores.  Um complexo gigantesco que se encontra parado e que poderia estar servindo aos atletas amadores e profissionais do norte do estado.

Se, antes da recessão, já estava difícil concluir esse mega projeto no litoral piauiense, agora, diante das dificuldades atuais, o sonho da Vila Olímpica fica ainda mais distante. Um elefante branco na paisagem onde deveriam estar centenas de jovens praticando esporte e criando oportunidades para o futuro.

Da bravura à intolerância

Depois de ceder às reivindicações dos caminhoneiros, o governo federal contava com o fim da greve. Só que, agora, a paralisação perdeu o controle e já não se trata mais apenas de uma manifestação de uma categoria com pauta específica. Os oportunistas de plantão viram na força dos caminhoneiros a oportunidade para tirar uma casquinha e estão alimentando um protesto que começou com o apoio da sociedade, mas já está chegando à exaustão.

Ontem, a declaração dos representantes da Associação Brasileira dos Caminhoneiros – Abcam –  de que se sentiam contemplados em sua pauta de reivindicações e que, portanto, não viam mais sentido na continuidade da greve deixou claro que o movimento não é mais apenas dos motoristas de caminhão.

É preciso ter cuidado com esse nível de manipulação que leva muita gente de boa fé a apoiar um movimento, sem saber exatamente o que se passa nos seus bastidores. O protesto  contra o aumento abusivo dos combustíveis é mais do que justo. Por mais que houvesse a necessidade de recuperar o equilíbrio financeiro da Petrobrás, a política de reajustes diários é inconcebível, ainda mais quando o mesmo governo que autoriza os aumentos celebra uma inflação acumulada de pouco mais de 2% nos últimos doze meses.

No entanto, tão importante quanto a coragem de deflagrar um movimento dessa dimensão por uma causa pela qual vale a pena lutar é saber o momento exato de parar. Quando há esse equilíbrio, os manifestantes saem vitoriosos, com conquistas reais e o respaldo da população. Ao contrário, quando perdem a medida, passam a imagem de intolerância, servem de instrumento a interesses obscuros e ainda geram prejuízos incalculáveis em todos os setores.

Terminal de Petróleo está com capacidade máxima de armazenamento

A Prefeitura de Teresina deve entrar hoje  com uma ação tutelar de urgência na Justiça Federal para assegurar  o uso das forças de segurança, inclusive o Exército, se for o caso, para desobstruir a entrada do terminal de petróleo na capital. Mesmo após o pronunciamento do presidente Michel Temer, ontem à noite, autorizando a redução de R$ 0,46 no litro do óleo diesel por 60 dias e uma política de reajustes mensal, e não mais diária, a entrada do terminal continua bloqueada, agora por motoristas de aplicativos.

Em reunião realizada ontem, os proprietários dos postos de combustíveis afirmaram que o terminal de petróleo encontra-se com a capacidade máxima de armazenamento e que há lá um milhão de litros de combustíveis, mas os caminhões que já estão abastecidos, pronto para fazer a entrega, não conseguem sair.

O Prefeito Firmino Filho também realizou ontem, no final da tarde, uma reunião com a equipe de gerenciamento de crise e assinou um decreto de emergência, que deve ser publicado ainda hoje no Diário Oficial. O Prefeito disse que os serviços essenciais estão garantidos na capital e que até mesmo as aulas das escolas da zona rural estão mantidas porque ainda há combustível nos ônibus que fazem o transporte escolar.

A preocupação maior está com as empresas que fazem o transporte urbano coletivo. Elas já estão circulando com a frota reduzida. Os supermercados também estão sofrendo com o desabastecimento, especialmente nos hortifrutigranjeiros e frios. As universidades e algumas escolas particulares também suspenderam as aulas nesta segunda-feira. Ou seja: a greve já deu o que tinha que dar. O país não pode ficar refém de uma categoria por mais de uma semana, com prejuízos acentuados na economia, saúde e educação.

Brasil possui a maior carga tributária da América Latina

Segundo o extensivo calendário de comemorações existente no Brasil, hoje é o Dia do Respeito ao Contribuinte, coisa que, aliás, não existe nesse país, onde o cidadão é extorquido a todo instante para sustentar o inchaço de uma máquina estatal pesada e ineficaz.

O brasileiro paga uma carga abusiva de impostos, até mesmo em produtos básicos. A atual crise dos combustíveis é um exemplo. O preço exorbitante cobrado nas bombas é impactado diretamente pelo percentual médio de 43% de impostos federais e estaduais que incidem sobre o produto.

Segundo dados da Receita Federal referentes ao ano de 2016, a carga tributária bruta do Brasil equivale a 32,38% do Produto Interno Bruto- PIB, percentual superior ao de países como os Estados Unidos, Suíça, Canadá, Espanha e até mesmo do Reino Unido. É também o maior percentual da América Latina.

O pior de tudo, porém, nem é o quanto pagamos de impostos, mas a destinação dos mesmos, o que leva à indignação de qualquer brasileiro minimamente informado. O Procurador Federal Paulo Roberto Falcão diz que o Brasil perde por ano cerca de R$ 200 bilhões para a corrupção, dinheiro equivalente a sete vezes com o que é gasto no Programa Bolsa Família, por exemplo.

Em um cenário como esse, o dia de hoje deveria ser de luta e de luto para que houvesse mais respeito com o dinheiro que o distinto contribuinte desembolsa regularmente e que é desviado de forma inescrupulosa e covarde.

A falta que faz a ferrovia

Se alguém ainda tinha alguma dúvida de que a economia do Brasil passa pelas rodovias, já não tem mais do que duvidar. Bastou os caminhoneiros decidirem parar de circular para travar o país de norte a sul. No quarto dia de paralisação, o caos começa a se instalar em diversos setores.

Sem o combustível transportado pelos caminhões, os voos estão sendo cancelados porque não há querosene para abastecer as aeronaves. Daqui a pouco, já não haverá também combustível para permitir a circulação dos ônibus urbanos, deixando milhares de passageiros na mão. Ou melhor, no pé.

O abastecimento nos mercados e supermercados também já começa a ser afetado. Hoje cedo, alguns comerciantes da Ceapi queixavam-se do baixo estoque de frutas porque os caminhões não haviam chegado com a carga do dia. A mesma coisa está acontecendo nos supermercados, especialmente com os hortifruti.

Ao longo do tempo, os governos brasileiros negligenciaram o transporte ferroviário, ficando quase que exclusivamente na dependência do rodoviário. A ferrovia Transnordestina é um exemplo. A obra que deveria ligar o porto de Pecém, no Ceará, ao de Suape, em Pernambuco, passando pelos cerrados piauienses, está parada há mais de uma década. Enquanto isso, a riqueza produzida pelo país está parada nas estradas até que os caminhoneiros decidam liberá-la.

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