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Jejum de corrupção

Começou ontem, com a quarta-feira de cinzas, o período da Quaresma,  tempo de recolhimento e conversão para os cristãos se prepararem para a Páscoa do Senhor. Na mensagem do Papa e nas homilias realizadas ontem durante a celebração da imposição das cinzas aos fiéis, o tema era o mesmo: a necessidade da prática de três pilares essenciais para bem viver a quaresma – a oração, o jejum e a caridade.

A oração e a caridade são facilmente compreendidas, mas quanto ao jejum, seu verdadeiro significado foi distorcido ao longo do tempo. Hoje, muitos fiéis consideram que basta a abstenção da carne vermelhar para estarem cumprindo o jejum quaresmal, e refestelam-se com banquetes suntuosos de bacalhau e camarão, quando, na verdade,  o jejum  não se restringe apenas ao consumo de carne.

O Evangelho diz: “rasguem o coração e não as vestes”. Ou seja, não é uma questão apenas ritual, externa. A mudança tem de vir do coração, que precisa converter-se efetivamente. E o jejum não se limita à carne bovina, mas a tudo que faz mal ao outro. Pode ser o jejum da palavra que fere, calunia e difama, como pode ser o jejum da ganância que corrompe e desvia recursos destinados ao bem comum.

Hoje, a Igreja Católica lança a Campanha da Fraternidade, que traz como tema Políticas Públicas, invocando a necessidade da justiça e do direito. Em tempo de Lava-Jato, quando se vê tanto político preso por corrupção e lavagem de dinheiro, a campanha vem reforçar a necessidade do uso de políticas públicas que promovam a dignidade e a cidadania dos brasileiros. Que o exemplo das prisões realizadas pela Lava-Jato seja um estímulo para o jejum permanente da prática da corrupção e da cobrança de propinas em obras públicas.

Sem margem para negociação

Em encontro seletivo com a imprensa ( parte dela, na verdade, já que ficaram de fora três grandes jornais brasileiros: Globo, Folha e Estado), o Presidente Jair Bolsonaro admitiu reduzir a idade mínima para aposentadoria das mulheres, passando de 62 para 60 anos de idade. O presidente mostra certa flexibilidade, mas no momento errado.

Ele entregou o poder de barganha antes mesmo do início do jogo, que é quando começam as discussões no Congresso. Se já começa a ceder agora, ficará sem margem de negociação depois com os parlamentares.

O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado foi pífio, restringindo-se ao mesmo índice de 1,1% do ano de 2017. As reformas anunciadas, a da Previdência em especial, são essenciais para que a confiança na economia seja recuperada e os empresários voltem a investir no Brasil, com a retomada das vagas de emprego perdidas durante a recessão.

Portanto, ainda não é hora de ceder. O governo deve assistir às negociações e embates que certamente surgirão no parlamento para entrar em cena no último momento, cedendo o que for possível sem comprometer a essência da reforma.

Carnaval em alerta

O carnaval ainda nem começou oficialmente e o número de ocorrências policiais já aumentou bastante. Os assaltantes sabem que parte do contingente policial é destacada para o interior do Estado e se sentem ainda mais à vontade do que de costume para agir como bem entendem, roubando os bens e o sossego dos cidadãos teresinenses.

Assaltos em descidas de pontes, cruzamentos e nas portas das garagens têm se intensificado ao longo de toda esta semana. O teresinense deve, pois, redobrar os cuidados durante esses dias de momo, em que a folia mesmo está por conta dos marginais.

A atenção maior deve estar voltada para o momento em que a pessoa entra ou sai de casa e de qualquer estabelecimento comercial, independente da localização do imóvel e do horário. São os momentos em que o motorista está mais vulnerável à ação dos ladrões.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Governo recua quanto ao congelamento de salários

Diante da forte reação negativa, não só da parte dos servidores públicos, mas até mesmo de parlamentares que compõem o bloco de apoio ao governo do estado, o governador Wellington Dias decidiu retirar do projeto que encaminhou à Assembleia Legislativa a proposta que previa o congelamento de salários, as promoções e progressões. A medida, segundo os líderes do governo, era para adequar as despesas com pessoal ao que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O governador lembrou que o Estado já atingiu o limite prudencial de 48,5% dos gastos com a folha de pagamentos. Acontece que quem elevou a folha a esse percentual foi o próprio governador. Portanto, não é o servidor que deve arcar com essa penalidade.

A necessidade de controlar os gastos da máquina pública é inegável e ninguém, em sã consciência, pode ser contra. Mas é preciso saber onde cortar sem prejuízo à população e aos servidores. Excesso de secretarias e órgãos da administração indireta, cargos comissionados em quantidade além do necessário, passagens, diárias, locação de veículos, telefones corporativos, tudo isso pode passar pela tesoura da Secretaria da Fazenda.

O equilíbrio das contas públicas deve perseguido ao longo de toda a gestão, mesmo em períodos eleitorais, para que a solução não venha depois em forma de um pacote imposto de cima para baixo, restringindo o direito de servidores que efetivamente trabalham e contribuem para o desenvolvimento do estado.

 

Educação em risco

A educação brasileira tem muitos problemas, todos já devidamente diagnosticados e estudados por especialistas de norte a sul do país. Não precisava, pois, arrumar mais um. Mas ele veio, justamente na pessoa de quem deveria resolvê-los: o Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez.

Até agora, esse colombiano naturalizado brasileiro não apresentou uma ideia ou proposta consistente para melhorar a educação em qualquer dos níveis. Ao contrário, tem assumido o comportamento de um macaco em loja de louças, provocando desastre de todas as formas, com declarações e documentos estapafúrdios, que em nada contribuem para o aperfeiçoamento dos alunos brasileiros.

A infeliz entrevista concedida à Revista Veja, por si só, já seria motivo suficiente para sua demissão. Falar publicamente para um grande veículo de comunicação que os jovens brasileiros se comportam “como canibais, quando viajam ao exterior, roubando tudo que encontram pela frente”, é de uma leviandade sem tamanho.  Sem conhecer os jovens brasileiros, o ministro que deveria zelar pelo futuro deles, jogou-os todos na vala comum da marginalidade. Imagine agora como serão recebidos os adolescentes que partirem daqui para fazerem intercâmbio, ou simplesmente turismo, em outros países!

Achando pouco tamanha asneira, escreve um documento oficial com o slogan de campanha do já não mais candidato, mas agora Presidente da República, pedindo que, ao cantarem o hino nacional, os alunos fossem filmados. O que ele pretende com essa filmagem? Usar as crianças como garotos de uma propaganda ideológica que ele cisma em implantar no ensino brasileiro? O maior problema do senhor Ricardo Rodríguez é que ele parece estar mais preocupado em ideologizar o ensino do que em oferecer uma educação de qualidade aos estudantes.

A conta caiu no colo errado

A proposta encaminhada pelo governador  Wellington Dias à Assembleia Legislativa transfere para o trabalhador o ônus de um erro que é do próprio governo. O texto propõe o congelamento dos salários do servidores públicos estaduais e congela as promoções a que eles têm direito, com o argumento de que o governo ultrapassou o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Wellington Dias foi o governador do Piauí nos últimos quatro anos, portanto não pode se queixar de má gestão do antecessor. Aliás, esta já é a quarta vez que o petista administra o Estado. E por que permitiu que a folha de pagamento inchasse ao ponto de se tornar insustentável? Por que, só agora, percebeu que a folha deve obedecer ao limite de 60% da receita do Estado?

Os servidores que trabalham diariamente com dedicação e competência não têm culpa se o governo não soube gerir a política de pessoal. Eles têm direito a receber o reajuste para que seus salários não sejam corroídos pela inflação, assim como merecem as promoções a que fazem jus. Não é justo transferir para os servidores uma conta que eles não fizeram.

Mas o governo está certo de que sua proposta será aprovada. Afinal , conta com a esmagadora maioria de 26 dos 30 votos da Assembleia Legislativa. Os quatro votos da oposição, assim como os servidores, no máximo, podem fazer barulho.

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