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Piauí diz adeus ao Desembargador Manfredi

Fonte: UFPI

O Piauí se despede nesta manhã de um dos seus mais ilustres magistrados. Aos 94 anos de idade, a maior parte deles dedicada à justiça, o Desembargador Manfredi Mendes de Cerqueira deixa a vida terrena para ingressar na eternidade. O filho de Piracuruca nasceu para brilhar no mundo jurídico e literário. E durante toda a sua vida, fez questão de espalhar a luz da sabedoria por todos os cargos que ocupou.

Manfredi Cerqueira foi laureado em primeiro lugar no Bacharelado em Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. De volta ao Piauí, foi aprovado em concurso público para o Ministério Público do Estado. Exerceu vários cargos de destaque, todos com a seriedade, competência e dignidade que tanto fazem falta nos dias de hoje.  Antes de ser nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça, pela vaga do MP, foi Advogado Geral do Estado, Secretário do Interior, Justiça e Segurança Pública e Procurador de Justiça do Tribunal de Contas do Estado.  Foi também professor de Direito da Universidade Federal do Piauí, sempre muito admirado pelos alunos, chegando a assumir as funções de Chefe do Departamento de Ciências Jurídicas e de Diretor do Centro de Ciências Humanas e Letras naquela instituição. Foi também o primeiro Diretor da Escola Superior de Magistratura do Piauí – ESMEPI e Presidente da Associação dos Magistrados do Piauí. Teve a satisfação de presidir as solenidades de comemoração do centenário de instalação do Tribunal de Justiça durante a sua gestão como presidente do órgão. E, na condição de presidente do Tribunal, assumiu o Governo do Estado, interinamente, ainda que por um dia, apenas para coroar uma carreira brilhante, em honra e títulos.

Em todas as funções ocupadas, deixou a marca do homem afável, alegre, espirituoso e honrado. Sua simplicidade era inversamente proporcional à sua inteligência privilegiada, demonstrada em todas as atividades realizadas. Sempre com um comentário afiado na ponta da língua, dominava todas as rodas de conversa, arrancando gargalhadas dos inúmeros amigos que cultivou ao longo da vida.

O desapego pelas coisas materiais fazia com que seu interesse fosse canalizado para a família e para as letras. Casado com D.Zelita, deixou cinco filhos: Manfredi, Márcio, Marcelo, Marisa e Marúcia. Autor de vários livros e trabalhos publicados, Desembargador Manfredi ocupava a cadeira de número 28 da Academia Piauiense de Letras. A imortalidade concedida pelos colegas acadêmicos será vivenciada agora, em plenitude, na morada divina conquistada por quem, assim como o apóstolo Paulo, combateu o bom combate e guardou a fé.

 

Por que ir ao Salipi

Só a leitura nos salva. Em tempos difíceis, em que armas são apontadas como solução, um punhado de professores e escritores planta a semente da paz a partir dos livros. Estes, sim, são a mais poderosa arma contra a ignorância que mata tanto quanto a bala disparada dos revólveres.

O Salão do Livro do Piauí, que será aberto hoje à noite no Espaço Rosa dos Ventos da Universidade Federal do Piauí, completa este ano 17 edições bem sucedidas de um evento de promoção da literatura e discussões sobre a língua portuguesa. Apesar de todas as dificuldades para a realização do evento, sobretudo de ordem financeira, a Fundação Quixote, responsável por sua organização, não desiste.

A cada ano, o Salão homenageia um escritor. Este ano, a homenageada é a professora Cecília Mendes, articulista da Revista Cidade Verde. Além da feira de livros, o evento promove ainda exposições artísticas e shows musicais. O cantor e compositor Geraldo Azevedo fará o show de encerramento do Salipi  no próximo fim de semana.

Ao longo de dez dias, os visitantes poderão percorrer os 80 stands de livros, contendo as novidades do mercado editorial, e assistir às palestras e bate-papos literários com nomes como os dos jornalistas Francisco José, da Rede Globo, Xico Sá, ou ainda das escritoras Paula Pimenta e Débora Aladim, além do cordelista Braulio Bessa, só para citar alguns.

É, sem dúvida, uma das melhores programações do calendário permanente de Teresina. Um sopro de sanidade que inspira e estimula os leitores a se deliciarem com o prazer de saborear um bom livro, iluminando as trevas da ignorância. Com livros, abrem-se a mente, as ideias, o coração. Com livros, e não com armas, constrói-se uma nação.

O drama dos refugiados é nosso também

O drama dos refugiados venezuelanos, em fuga desesperada da miséria em que se encontra aquele país, só aumenta. Agora, eles desembarcam em Teresina em caravanas cada vez maiores. Até chegarem aqui, já enfrentaram uma longa jornada, passando pelos estados de Roraima, Pará e Maranhão. Chegam, portanto, exaustos e debilitados física e psicologicamente.

O poder público ainda está atônito, preocupado em como lidar com uma situação que exige uma ação humanitária, mas que, ao mesmo tempo, é difícil de ser resolvida. Não há como saber quantos mais virão para cá em busca de alimento, casa e trabalho. A Fundação Municipal de Saúde e a Secretaria de Assistência Social estão acompanhando os que já se encontram aqui, em número próximo de cem. Muitos deles estão com a carteira de vacinação atrasada.

Teresina não tem capacidade para absorver um sem número de refugiados, proporcionando habitação, saúde e emprego a todos eles. Mas também não pode simplesmente virar as costas e permitir que essas pessoas morram à míngua, sem qualquer tipo de assistência. É um desafio e tanto imposto à atual administração.

Quem deixa sua terra, história, casa, família e amigos, e parte sem qualquer expectativa com relação ao que vai encontrar pela frente, o faz por absoluto desespero. Depois de perder tudo o que tinham, buscam recuperar a dignidade que ficou para trás e recomeçar outra vez em terras estrangeiras. O que a ditadura da Venezuela fez com a população daquele país é absolutamente desumano. E, ao que parece, sem solução a curto prazo.

Serviço de telefonia móvel no Brasil é mal avaliado em pesquisa

Um relatório da empresa independente Open Signal, que recolhe dados da internet móvel mundial, constatou, na prática, o que todo brasileiro já descobriu ao utilizar esse serviço no país. Segundo a empresa, a qualidade da telefonia móvel no Brasil é bem inferior à da europeia ou a de países como Japão e Coreia do Sul. Ficamos bem longe dos 25 melhores países nesse quesito.

A título de ilustração, a aferição da velocidade de Download colocou o Brasil em 50º lugar, comparado aos 87 países pesquisados. Com relação à velocidade de Upload, enquanto o primeiro lugar, que coube à Dinamarca, registrou 15,3 Mbps, o Brasil apresentou modestos 4,5 Mbps.

A pesquisa foi realizada de janeiro a março deste ano, medindo itens como velocidade de Download e Upload, latência, disponibilidade 4G e vídeo, baseada na experiência real dos usuários. Os dados foram levantados antes da implantação do 5G.

Não é de estranhar que isso ocorra por aqui. Basta recordar que a Anatel – Agência Nacional de Telecomunicação -  determina que provedores de internet forneçam, no mínimo, 40% da velocidade instantânea contratada e 80% da velocidade média contratada. Ou seja, o cliente já compra o serviço sabendo que pode receber só 40% do que está pagando, tudo isso chancelado pela agência reguladora.

Em um mundo que corre em realidade virtual, o Brasil caminha analogicamente, de forma lenta e atrasada, com o aval do poder público. Não é de estranhar, pois, que estejamos em desvantagem com relação aos países desenvolvidos. Sem tecnologia e educação de qualidade, fica difícil competir no mercado global.

Soluções inteligentes para o clima de Teresina

Esta imagem do Parque Del Centro Del Poblenou, em Barcelona, na Espanha, mostra que a geografia e seu clima não são, necessariamente,  determinantes para que os moradores de uma região sofram com um calor acima do suportável, como acontece em Teresina.

O parque em questão fica no distrito de San Marti e foi construído em 2008 pelo arquiteto francês Jean Nouvel. Mostra uma cobertura verde sobre a rua, filtrando a incidência de raios solares, diminuindo a temperatura consideravelmente.  Não é algo fora do comum ou sobrenormal, ao contrário, é uma solução perfeitamente aplicável.

Com o aquecimento do planeta e o aumento médio da temperatura global, Teresina, que fica localizada próxima à linha do Equador, vai ficando mais quente a cada ano. Sem uma cobertura vegetal que faça frente à radiação solar que incide sobre a cidade, os moradores sofrem os efeitos de um calor que beira o insuportável.

Preservar o meio ambiente e incentivar o plantio de árvores, portanto, merecia ser prioridade na capital piauiense. As árvores proporcionam um conforto climático significativo, como mostra um estudo coordenado  pela professora Melissa Oda, da Uespi, no município de União. Ela provou que uma boa cobertura vegetal pode reduzir a temperatura em até 10°C.

Infelizmente, não se vê por aqui o incentivo ao plantio e à preservação das árvores. Muitas vezes, são desmatadas áreas extensas para construções de empreendimentos públicos ou privados sem que haja a preocupação com a presença do verde nesses espaços. E, com isso, sofremos todos nós, especialmente no segundo semestre do ano.

 

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