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Piauí tem a 4ª maior taxa de mortalidade infantil do país

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – divulgou ontem dados desanimadores para os piauienses, especialmente com relação à taxa de mortalidade infantil, que diz respeito à  probabilidade de um recém-nascido não completar o primeiro ano de vida. Enquanto a taxa brasileira é de 12,8 óbitos para cada 1000 nascimentos, a do Piauí é de 18,5 para 1000 nascidos vivos.

Nos países desenvolvidos, como Japão e Finlândia, essa taxa é de 1,9 óbitos para cada 1000 nascimentos. A comparação mostra o quanto estamos distantes de ser uma nação que trata bem a saúde materno-infantil. A falta de investimentos em saneamento básico é uma prova disso. Dados da Organização Mundial de Saúde revelam que para cada R$1 investido em saneamento são economizados R$ 4 em saúde. Mas os gestores públicos insistem em continuar invertendo a lógica de investimentos, resultando em um prejuízo irreparável para a vida da população.

O Piauí apresentou, ainda de acordo com o IBGE, a quarta maior taxa de mortalidade infantil do país. O descaso com que vem sendo tratada a Maternidade Dona Evangelina Rosa é outro motivo que contribui para elevar essa mórbida estatística que envergonha os piauienses. Só no mês de outubro, 29 bebês morreram naquela casa, que deveria ser lugar de vida e não de morte.

Ou passamos a tratar a saúde pública como prioridade ou continuaremos a enterrar nossos bebês. Não é a toa que o Piauí apresenta a segunda pior taxa de expectativa de vida do Brasil.

Eles não aprenderam nada com a Lava-Jato

Alguns gestores públicos parece que não aprenderam nada com as recentes prisões desencadeadas pela Operação Lava-Jato, iniciada em 2014. Os que se acostumaram a meter a mão no dinheiro público se acham mais espertos que os demais e imaginam que o braço da lei nunca os alcançará. Para o bem da Nação, a realidade tem provado o contrário.

A prisão do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), hoje de manhã, como parte da Operação Boca de Lobo, é exemplo disso. É como se Pezão tivesse uma venda nos olhos e não visse o que está acontecendo com seu ex-chefe, Sérgio Cabral, também preso por desvio de dinheiro.

O esquema de recebimento de propinas do atual governador do Rio começou quando ele ainda era vice-governador de Sérgio Cabral, embora mantivesse “um esquema de corrupção próprio, com seus próprios operadores financeiros”, como destaca a procuradora-geral da república, Raquel Dodge. E continuou até 2015, com a Lava-Jato já em pleno curso.

De acordo com os registros documentais, Pezão recebia uma mesada de R$ 150 mil e acumulou, de 2007 a 2015, mais de R$ 25 milhões, com recebimentos em espécie. Corrigida aos valores de hoje, essa quantia chega a R$ 39 milhões.

Quanta vergonha para os cidadãos cariocas ver um governador de estado sair do Palácio das Laranjeiras preso por corrupção ou, em linguagem mais corriqueira, por roubar o dinheiro da população, que trabalha e vive honestamente pagando seus impostos, à espera de receber serviços públicos de qualidade. Que mais esta prisão seja pedagógica aos novos gestores e que eles tenham a consciência de que o Brasil está mudando. A roda da corrupção, enfim, pode estar encontrando o seu freio.

A segurança não pode mais esperar

Antônio Rayron esperava o ônibus, esperava a hora de chegar em casa para descansar de um plantão cansativo no Hospital de Urgência de Teresina, esperava formar-se em medicina pela UFPI, esperava o dia de voltar para sua cidade natal com o diploma de médico e entregá-lo ao pai, que esperava ver o filho doutor.

Como ele,  todo o Piauí espera pelo dia em que poderemos sair para trabalhar ou estudar sem correr o risco de levar um tiro no peito. Assim como se espera pela punição rigorosa aos criminosos que, confiantes na impunidade, aterrorizam o estado com uma violência sem limite.

Os bandidos que assassinaram barbaramente o jovem estudante de medicina tiraram não apenas sua vida, mas levaram junto os sonhos de uma promissora carreira médica, roubaram os sonhos de um pai humilde, do interior, que desejava ver o filho formado; tiraram a esperança de tantos jovens, como a vítima, que acreditam que o esforço e a dedicação valem a pena; tiraram, enfim, a nossa paz.

O menino que veio do interior para estudar na capital era um idealista, dedicado, estudioso. Além de ingressar no disputado curso de medicina da federal, era estagiário do HUT. Queria aprender mais, ganhar mais experiência e, de sobra, algum dinheiro para ajudar nas despesas. Voltava para casa cansado, depois de um plantão de fim de semana. Poderia estar na balada, como tantos colegas da sua idade, mas preferiu trocar a diversão pelo trabalho. O estágio era parte complementar da sua formação, que não chegou a ser concluída.

Todas as esperas de Rayron e sua família foram em vão. Mas que não se perca a esperança de que a segurança pública venha a ser prioridade para nossos gestores, que venham a ser implementadas políticas de prevenção à criminalidade, que se invista com seriedade no aparelho de segurança, que se proporcione, enfim, a tranquilidade necessária para que todos os piauienses possamos viver em paz, realizando os seus sonhos e o de suas famílias.

Quando a ideologia obscurece a gestão

Mais uma vez a ideologia se sobrepõe à gestão. Primeiro, foi com a administração petista, como ficou evidenciado com os telegramas em que Cuba define como devem ser os moldes do Programa Mais Médicos para que o regime dos Castros fosse beneficiado financeiramente. Toda a condução da política externa foi marcada por um viés partidário durante os anos do governo do PT.

E agora, pelo visto, não será diferente, só que com o pêndulo voltado para o outro lado da ideologia da balança. Depois de ensaiar o nome do conceituado educador Mozart Neves, do Instituto Ayrton Sena, para o Ministério da Educação, o presidente eleito Jair Bolsonaro recuou por conta da pressão da bancada evangélica. Nada mais retrógrado. Mozart é reconhecido e respeitado pelos professores do país inteiro pelo trabalho desenvolvido na área educacional.

Ontem, Bolsonaro finalmente anunciou quem comandará uma das pastas mais importantes de qualquer governo, e declarou o nome do professor colombiano Ricardo Vélez Rodriguez para comandar a educação brasileira pelos próximos quatro anos. Se você nunca ouviu falar nesse nome, fique tranquilo, você não é o único.

Vélez Rodriguez é desconhecido até mesmo pela maioria dos profissionais da área. Trata-se de um professor-colaborador do programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião, na Universidade Federal de Juiz de Fora. Entendeu agora a motivação? Ele foi escolhido pelo que diz ser contra: é contra a escola sem partido e contra a política de cotas raciais. Como bem disse Thomas Eckschimidt, autor do livro Capitalismo Consciente, está na hora de pararmos de andar como siri, para a esquerda ou para a direita, e começarmos a andar para a frente. Só assim sairemos do atraso.

À espera da nova maternidade

 

Não é de hoje que a Maternidade Evangelina Rosa passa por problemas graves de falta de estrutura que comprometem o atendimento às gestantes e causam, até mesmo, a morte de bebês. O assunto foi tema de capa da Revista Cidade Verde em janeiro de 2016. De lá para cá, em vez de melhorar, a situação só se agravou, ao ponto de o Conselho Regional de Medicina chegar a interditar aquele estabelecimento de saúde.

A atual maternidade foi inaugurada em julho de 1976, em uma estrutura pré-moldada, vinda da Inglaterra. Até os anos de 1990 prestava um serviço de qualidade reconhecida por médicos e mães. Hoje, encontra-se completamente sucateada. A alternativa seria a construção de um novo prédio, com capacidade para atender a uma demanda bem superior à de quarenta anos atrás.

A Secretaria de Saúde do Estado havia prometido lançar o edital para a construção de uma nova maternidade na primeira quinzena de 2016. A obra seria construída na Avenida Presidente Kennedy, na zona leste da cidade. Hoje, quase três anos depois, nada de maternidade. A informação fornecida pela Secretaria de Saúde é que o dinheiro em conta – R$ 51 milhões -  não é suficiente para a execução do projeto; ainda faltam R$ 30 milhões .

Enquanto isso, mãe e bebês padecem pela falta de suporte para um atendimento digno, preconizado pela Constituição. No mês passado, 29 bebês morreram na Evangelina Rosa. A solução para este problema não pode continuar sendo empurrada com a barriga, com o perdão pelo trocadilho infame.

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