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Delatores e chantagistas

O delator mor da república, Joesley Batista, não se conforma de ter sua premiada imunidade revogada, após o vazamento do áudio em que tripudia da justiça e deixa claro que ainda havia muito coisa por revelar. Da prisão onde se encontra, Joesley ainda tenta falar grosso e já mandou um recado de que só entregará as novas gravações, ainda inéditas, se o acordo de delação premiada não for rescindido.

Desde o início, há muita controvérsia sobre os termos do acordo firmado entre Joesley e a Procuradoria Geral da República, homologado pelo Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. A população brasileira aguarda, ansiosamente, os desdobramentos de mais esse capítulo da novelesca delação do grupo JBS.

 

 ENCONTRO NO BOTEQUIM

Para assanhar mais ainda a imaginação de quem acompanha o caso, a imagem do procurador-geral, Rodrigo Janot, conversando com o advogado de Joesley em um bar, por trás de um amontoado de grades de cervejas, foi como jogar querosene em fogueira. A imagem do procurador já estava tisnada pelos benefícios generosos concedidos a Joesley e a participação do seu braço direito, Marcelo Miller, na orientação ao empresário da carne. Agora, Rodrigo ainda aparece junto com o advogado. A justificativa dos dois é que foi um encontro casual. Há muitas coincidências acontecendo no mundo jurídico.

 

 DE VOLTA À ASSEMBLEIA

O Deputado Luciano Filho - PSDB- não está pensando em trocar a cadeira da Assembleia Legislativa por uma outra, na Câmara Federal, como foi cogitado nos meios políticos. Com tanta indefinição nas regras do jogo, que ainda estão sendo discutidas no âmbito da reforma política, o certo mesmo, pelo menos pro enquanto, é o deputado disputar a reeleição para mais um mandato de deputado estadual.

Rebeliões de presos causam prejuízos de R$ 2 milhões ao estado

As constantes tentativas de fuga, somadas aos motins e rebeliões nos presídios  do Piauí já causaram aos cofres do Estado um prejuízo de R$ 2 milhões. A informação é do Secretário de Justiça, Daniel Oliveira. Ele garante que os presos estão trabalhando nos reparos de menor complexidade como forma de compensar os danos causados ao sistema prisional.

Para tentar diminuir esses movimentos, a Secretaria investiu no monitoramento eletrônico por meio de câmeras de segurança e está incentivando a leitura entre os detentos, oferecendo o abatimento da pena em razão do número de livros lidos durante o período em que estão encarcerados. Após cada livro lido, segundo o secretário, o preso apresenta um resumo escrito sobre a obra.

A superlotação das casas de detenção é um dos motivos que levam os presos a se amonitarem. O secretário anuncia para o próximo mês a inauguração do Presídio Nelson Mandela, em Campo Maior, com capacidade para 160 vagas.

 

O homem que sabe demais

Lula mal encerrava a caravana pelo Nordeste, tentando recuperar o seu prestígio no reduto onde sempre obteve maioria, e a delação do ex-ministro e amigo pessoal, Antônio Palocci, cai como uma bomba sobre sua cabeça. Palocci era braço direito de Lula, chegou até mesmo a ser cotado para ser seu substituto no Planalto. Não havia negociação que não passasse por ele.

A proximidade e confiança existente entre Lula e Palocci no passado é justamente o que dá peso às suas palavras. Ele participou diretamente de todos os acordos e conversas entre o então presidente e os empreiteiros desejosos por obter vantagens nas contratações de obras públicas. Para serem atendidos nesses desejos, abriam os cofres generosamente.

O “italiano”, como consta nas planilhas da Odebrechet, resolveu falar e contar tudo o que sabe, inclusive confessando os próprios erros. Em um passado recente, Lula havia postado uma mensagem em seu twitter, declarando total apoio e confiança em Palocci.

O acordo de delação do ex-ministro nem chegou ainda a ser homologado, mas ele já deu muitas pistas do que sabe e do que ainda pode revelar. Falou sobre o pagamento de palestras a Lula no exterior, o sítio de Atibaia, o terreno do Instituto Lula e mais R$ 300 milhões de bônus para as despesas de campanha. São declarações extremamente comprometedoras.

Essa avalanche de denúncias veio exatamente na semana de estreia do filme Polícia Federal – A Lei é para Todos, que conta os bastidores da Lava Jato. Ontem, na sessão vespertina , a plateia aplaudiu espontaneamente ao final do filme. Sintoma de que as coisas não andam bem para a estrela petista.

O que pode mudar na política piauiense com as gravações da JBS

Os últimos acontecimentos envolvendo as delações da Lava Jato repercutem não só em Brasília, mas aqui também no Piauí. O PP é hoje um partido de grande expressão no estado, graças ao crescimento capilar que obteve nas últimas eleições e ao empenho pessoal do seu presidente, senador Ciro Nogueira, em obter recursos para serem aplicados por aqui. Assim é que Ciro tem conseguido manter boas relações tanto com o PT, como com o PSDB, de onde atraiu três nomes de peso este ano: o da primeira dama, Lucy Soares; do presidente da FMS, Sílvio Mendes; e do secretário municipal de planejamento, Washington Bonfim.

Ciro, como se viu, foi citado de forma comprometedora no áudio gravado inadvertidamente pelo empresário Joesley Batista e seu diretor Ricardo Saud. Ainda não há qualquer prova formal contra o senador, a não ser a conversa entre os dois executivos da JBS. Mas a imagem do partido, por si só, já fica arranhada.

O PP briga para continuar ocupando a cadeira de vice-governador na chapa majoritária encabeçada pelo governador Wellington Dias, até agora o franco favorito para vencer a eleição de 2018. Lucy Silveira se articula para disputar uma vaga no Legislativo, estadual ou federal. Teria o partido a mesma força de antes para pleitear manter e, até mesmo, aumentar a sua bancada?

Só os desdobramentos dos próximos dias dirão o que pode acontecer daqui pra frente. Como as conversas rumo às eleições do próximo ano já estão adiantadas por aqui, até lá, os outros partidos vão fazer de tudo para tentar ocupar os espaços do PP, uma vez que não existe vazio no campo político.

A ficção já não consegue acompanhar a realidade brasileira

Está cada vez mais difícil a ficção acompanhar a realidade brasileira. Quando a gente pensa já ter visto o mais escabroso dos roteiros policiais, eis que uma nova trama surge com detalhes ainda mais sórdidos. Não está fácil acompanhar o desdobramento dos fatos que misturam política, economia e polícia em um mesmo camburão.

A mala de dinheiro carregada às pressas pelo deputado Rocha Loures  parece agora coisa de trombadinha perto dos caixotes e malas de dinheiro vivo encontrados em um apartamento do ex-ministro Gedel Vieira Lima, aquele mesmo que tentou dar uma carteirada para aprovar um empreendimento imobiliário em situação irregular em Salvador.

Do outro lado, o homem que se apresentava como o grande empresário do país, o rei da carne bovina, negocia com seu assessor a melhor maneira de destruir o Executivo e o Judiciário, como se brincasse de faroeste. Expõe seu plano  diabólico para levar o ex-ministro da justiça, José Eduardo Cardoso, a implicar os ministros da mais alta Corte do país. Tudo para se livrar das penalidades previstas pelos crimes que ele sabia ter praticado. E o pior: devidamente orientado por um procurador federal  diretamente ligado ao procurador geral, Rodrigo Janot.

Alguém, no mais profundo delírio, poderia imaginar um membro do Ministério Público a serviço da força-tarefa da Lava Jato servir do lado de lá, onde estão os bandidos que deveriam estar sendo investigados por esse mesmo MP? E ensinar como deve ser feita a armadilha para detonar os poderes constituídos da república?

A sordidez do diálogo entre Joesley Batista e o seu diretor Ricardo Saud é de arrepiar os cabelos. Eles chegam a cogitar  até mesmo levar mulheres para a cama com o único propósito de alcançar o objetivo do que eles chamam de “negócio”.  É de enojar qualquer cidadão. O Brasil está atolado na pior crise moral já vivida desde que Pedro Álvares Cabral o descobriu. Essas notícias vêm à tona justamente às vésperas do feriado da pátria, que não terá do que se orgulhar nesse sete de setembro.

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