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Semana decisiva para a economia

Esta é uma semana de grande significado para a economia  brasileira que, finalmente, começa a dar sinais de revitalização. A maior expectativa está voltada para o próximo dia 6, quarta-feira, quando haverá o mega leilão do pré-sal, de onde se espera uma considerável injeção de recursos, além de uma boa dose de otimismo.

O dinheiro oriundo desse leilão, além de irrigar os cofres do governo federal, também deve ser partilhado com os estados e municípios, ajudando a reduzir o déficit fiscal dos governos, afetado pelas contas da previdência.

Ainda esta semana, deve ser divulgado o novo IPCA, confirmando a tendência de queda da inflação, que acaba levando também à queda na taxa de juros. Essa combinação de inflação baixa e juros reduzidos ajuda a estimular o consumo, aquecendo a economia e propiciando a abertura de novas vagas no mercado de trabalho.

E, para completar, o governo deve encaminhar ao Congresso um pacote de medidas econômicas e reformas ( a exemplo da administrativa) para tornar o Estado brasileiro mais enxuto e mais viável. Tudo somado, é motivo para se pensar em respirar novamente e começar a sonhar com a recuperação dos níveis de emprego no país, devolvendo a esperança a milhares de trabalhadores que estão hoje sem ter como pagar suas contas.

Brincando com fogo

É inadmissível, sob todos os aspectos, que um deputado eleito democraticamente pelo voto popular e ,mais ainda, filho do presidente da República, venha a público defender a volta do AI-5, o mais duro Ato Institucional do período da Ditadura Militar, baixado em dezembro de 1968, e responsável pelo fechamento do Congresso – o mesmo Congresso para o qual ele disputou as eleições.

Não é a primeira vez que o deputado Eduardo Bolsonaro afronta a democracia e as instituições que a sustentam. Em um vídeo, ele já havia dito que para fechar o Supremo Tribunal Federal bastava um cabo e um soldado. Como pode um representante que tem o seu mandato assegurado por um regime democrático ameaçar, ainda que verbalmente, esse mesmo regime?

Eduardo passou de todos os limites. Chegou a tal ponto que o próprio pai, sempre em defesa do clã, o desautorizou publicamente. Ainda bem. O presidente Jair Bolsonaro fez questão de dizer que quem fala em AI-5 está sonhando. Mais que um sonho, senhor presidente, é um pesadelo!  Um pesadelo para o qual o Brasil não quer e não merece retroceder.

O país preza pela sua liberdade. Nós construímos uma Nação com instituições sólidas, apesar dos seus defeitos, que devem ser corrigidos, obviamente, mas nunca por meio da força e do autoritarismo, duas pragas das quais já nos livramos. Os colegas parlamentares já falam em afastamento do deputado Eduardo. De fato, quem não honra a casa que representa não merece ocupar um assento nela.

A bruxa está solta no Brasil

De tanto querer importar a festa do Halloween para cá, o Brasil acabou vivendo o seu dia das bruxas. Toda essa nebulosa história sobre o depoimento do porteiro do condomínio do presidente Jair Bolsonaro ainda tem pontos a serem explicados. A reportagem veiculada pelo Jornal Nacional, na Rede Globo, dava conta de um inquérito no qual constava um depoimento do funcionário da portaria em que ele dizia que havia ligado para casa de número 58, pertencente ao então deputado Jair Bolsonaro, e ouvido uma voz que, segundo ele, parecia com a do deputado, autorizando a entrada de um dos executores da vereadora Marielle.

A própria reportagem foi checar a veracidade da declaração do porteiro e apontou a contradição existente, ao revelar a digital do deputado Bolsonaro no registro de presença da Câmara dos Deputados. Um trabalho que poderia ter sido feito desde o dia do depoimento, pela própria polícia ou pelo Ministério Público, e que teria evitado, talvez, toda essa confusão.

Ontem, só depois que o documento veio a público, e com a destemperada reação do presidente nas redes sociais, é que os responsáveis pela investigação se deram ao trabalho de apurar com rigor essa versão contada pelo porteiro e constataram, pelos registros do computador da portaria do condomínio, que ele não havia ligado para a casa de número 58, mas para a de número 65.

Fica a indagação: diante de uma revelação grave como a que o porteiro fez em seu depoimento, por que as autoridades responsáveis pelo caso não tomaram as providências de checar os registros da portaria, bem como a presença do deputado na Câmara? O que teria levado o porteiro a prestar uma declaração falsa, de extrema gravidade, envolvendo o nome de Jair Bolsonaro? Quem está por trás disso? Por que, só depois da revelação do caso pelo Jornal Nacional, o inquérito se mexeu? São indagações que ainda precisam ser explicadas.

Turismo em baixa

Passados dois meses dos primeiros sinais de óleo nas praias nordestinas, o problema causado pelo derramamento do petróleo bruto no litoral brasileiro só aumenta, atingindo as praias e populações ribeirinhas à medida que as ondas se espalham  sobre a areia.  De início, o governo não deu muita importância ao problema e demorou mais do que devia para tomar providências.

Agora, os danos causados pelo desastre ambiental assumiram proporções imensas. Além do imensurável prejuízo ambiental, há também o econômico. Estamos chegando ao fim do ano e às férias escolares, quando as praias do Nordeste costumam ficar lotadas de turistas em busca das águas mornas e limpas do nosso litoral, movimentando toda a cadeia do turismo, que inclui hotéis, restaurantes, lojas e transportes urbanos. Quem vai querer ir para uma praia em que não se pode pisar a areia branca ou molhar os cabelos na água azul do mar?

Por outro lado, os pescadores também estão sofrendo com a contaminação das águas, que afeta os pescados. O governo federal já proibiu a pesca de três espécies de camarão – o rosa, o branco e o sete barbas – na divisa do litoral do Piauí com o Ceará. Apesar de o governo já ter autorizado o aumento do prazo para o pagamento do seguro defeso, as pessoas que dependem da pesca ficam no prejuízo. Primeiro, não se sabe ainda por quanto tempo essas manchas de óleo permanecerão no mar e, consequentemente, por quanto tempo eles ficarão proibidos de pescar. Os próprios consumidores, com justificada razão, estão temerosos de consumir os pescados enquanto não tiverem a certeza de que os animais estão livres da contaminação.

O cardápio das festas de fim de ano, certamente, ficará mais pobre este ano, sem as delícias do mar.

 

Energia solar na mira da ANEEL

A matéria-prima mais abundante deste país tropical, o sol, está na mira dos que querem taxar até mesmo um recurso natural e inesgotável. Durante muito tempo desperdiçada por aqui, a energia solar, finalmente, começa a despertar o interesse tanto de empreendedores quanto de consumidores, exaustos de pagar por uma tarifa altíssima pelo fornecimento de energia elétrica.

Aos poucos, os consumidores começaram a se dar conta de que poderiam usufruir de uma energia limpa, abundante e barata. Os investidores no setor também viram aí uma boa oportunidade para ganhar dinheiro. E as placas que transformam o astro rei em energia passaram a se multiplicar. Foi o suficiente para que as distribuidoras de energia elétrica crescessem os olhos ao perceberem que estavam perdendo receita e que poderiam vir a perder muito mais no futuro.

A Agencia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), por outro lado, em vez de estimular o uso de uma fonte renovável de energia, quer reduzir subsídios para quem tem sistemas de energia solar. Ora, é comum os níveis dos reservatórios baixarem a níveis preocupantes a cada episódio de estiagem no Brasil, fazendo com que o país passe a fazer uso das termelétricas, encarecendo significativamente a conta no final do mês.  Assim, o natural seria incentivar o uso de um recurso que existe disponível praticamente o ano inteiro, já que vivemos em um país tropical.

A norma atual garante uma redução que varia de 80% a 90% nas contas de luz dos consumidores que instalam as placas em suas casas, um investimento que costuma variar entre R$ 15mil  e R$ 25 mil. Depois disso, a conta reduz drasticamente porque passa a vigorar o consumo líquido, que corresponde à diferença entre o que foi gerado e o que foi consumido. Quem gera mais do que consome paga somente uma taxa de disponibilidade da rede.

Ia tudo muito bem, mas a ANEEL planeja rever essa norma já a partir do próximo ano. Mais uma vez, as agências reguladoras do governo ficam contra o consumidor.

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