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Negligência X Emergência

O transtorno por que passam os moradores de José de Freitas, ao norte de Teresina, era previsível e poderia perfeitamente ter sido evitado. Mas parece que o governo nada aprendeu com o desastre de Algodões, em Cocal, no ano de 2009. Ofício da Prefeitura de José de Freitas, datado de março do ano passado, já pedia providências para a barragem do Bezerro. Nenhuma ação foi providenciada e, mais uma vez, a negligência levou à situação em que se encontram hoje as famílias que moram próximo ao açude.

Agora, o governo corre contra o relógio e a previsão meteorológica, que prevê ainda mais chuvas para o mês de abril. Trabalhar sob pressão e debaixo de chuva forte torna tudo mais difícil. O correto é fazer a manutenção adequada fora do estado de crise. A isso chama-se planejamento, uma ação praticamente inexistente por essas bandas.

Os bombeiros, sempre comedidos em suas declarações, chegaram a dizer ontem que o risco é gravíssimo. As primeiras medidas tomadas para aumentar a vazão no sangradouro estão conseguindo diminuir o volume de água no açude, mas, como efeito colateral, essa água que está saindo do Bezerro deve chegar a outros municípios próximos, como Barras, que já sofre com a cheia do Rio Marataoan.

O berro dado pelo açude do Bezerro chamou atenção pelo caráter emergencial do perigo do rompimento da parede. Mas ele não é o único. Outras barragens piauienses estão igualmente precisando de manutenção. Que não se ouça novamente o clamor desesperado por uma ação feita às pressas, no improviso.

Férias da Páscoa

Esta colunista saiu de férias por dez dias, na esperança de encontrar um país mais pacificado no retorno.

Em banho maria

O governador Wellington Dias (PT) é um dos políticos mais hábeis do estado. Acena a todos com simpatia, até mesmo aos mais combativos opositores do seu governo. E segue costurando alianças silenciosamente, sem pressa, na certeza de que tudo tem seu tempo e, em política, esse tempo nem sempre acompanha a dinâmica do relógio.

Desde o ano passado, o governador vem sendo pressionado para indicar o vice na sua chapa para concorrer à reeleição. Não diz sim nem não para os partidos que lhe assediam. Mantém todos em fogo brando, criando uma expectativa e valorizando ainda mais a cadeira que tem para oferecer.

PP e MDB, os dois mais fortes nessa corrida rumo à vice, apresentam seus trunfos, argumentos, até mesmo alguma chantagem. Mas Wellington permanece impassível, conversando com um e com outro, distribuindo afagos e esperança a ambos. Ora apresenta-se ao lado do senador Ciro Nogueira (PP), que tem dado uma ajuda substancial ao seu governo, por meio da obtenção de verbas federais, ora acena para o MDB, que tem o comando da Assembleia Legislativa.

Ontem, o governador disse que um partido com a capilaridade e dimensão do MDB merece um espaço na chapa majoritária, mas, espertamente, não disse que lugar é esse, mantendo o suspense até o último minuto e segurando possíveis movimentações alternativas desses mesmos partidos.

Segunda parcela do empréstimo permanece suspensa

Ainda não está totalmente esclarecida a questão da prestação de contas da primeira parcela do empréstimo feito pelo governo do estado junto à Caixa Econômica Federal. O banco se manifestou, por meio de nota, dizendo que a liberação da segunda parcela, que corresponde à R$ 292 milhões, só ocorrerá após completa análise da prestação apresentada pelo governo, o que, segundo cálculos da própria CEF, só deve acontecer em meados do mês de maio.

Além desta segunda parcela, há ainda um outro empréstimo, no valor de R$ 315 milhões, que aguarda liberação. Mas, também este, só será liberado depois de uma análise detalhada da prestação de contas que encontra-se pendente na Caixa.

O governo diz que já apresentou a prestação e aguarda a liberação o mais rápido possível para investir em obras de infraestrutura no estado. A Caixa, cautelosa, especialmente por ser um ano de eleição, não demonstra a mesma pressa.

 

Ameaça à República

É de extrema gravidade a denúncia feita ontem pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, de que ele e a família estariam recebendo ameaças. O ministro disse que está preocupado e que teme, especialmente, pelos integrantes da família dele. Fachin é o relator do pedido de Habeas Corpus do ex-presidente Lula e já se manifestou contrário à aceitação do pedido.

Ameaça feita ao ministro da mais alta Corte de justiça do país é um fato que ameaça a democracia e a instabilidade das instituições republicanas. Parece até coisa da máfia. A Presidente do Supremo, ministra Carmem Lúcia, e o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, garantiram reforço na segurança do ministro.

Os adeptos da teoria da conspiração não tardaram em lembrar o acidente de avião ocorrido com o também ministro do Supremo, Teori Zavascki, no ano passado. O filho dele já havia postado que estavam tentando barrar a Lava Jato.

O recado de Moro

O juiz federal Sérgio Moro esclareceu ontem, de forma clara e didática, às principais dúvidas sobre a Operação Lava Jato, a maior ação de combate à corrupção já realizada no Brasil. Os números que envolvem essa operação são hiperbólicos. O desvio de dinheiro na Petrobrás chega a R$ 6 bilhões.

E o juiz falou, no Programa Roda Viva, exibido pela TV Cultura, justamente no momento em que a jurisprudência sobre a prisão após a condenação em segunda instância pode ser revista pelo Supremo Tribunal Federal. Como esclareceu o próprio juiz, a revisão desse entendimento vai liberar, só na 13ª Vara, onde atua, 114 casos de condenados, e não só por corrupção, mas também por tráfico de drogas e até por pedofilia.

Outro ponto de destaque levantado pelo juiz é o caso das indicações políticas para cargos de direção nas estatais. Esse loteamento, no entendimento de Sérgio Moro, levou ao sucateamento da Petrobrás. E é o que acontece também em outras estatais, para infortúnio do país.

A Lava Jato está completando quatro anos com um legado de que, finalmente, o país começou a punir os corruptos que dilapidaram o patrimônio público e, mais, que o  Erário fosse ressarcido, coisa nunca antes vista nesse país. Com essa operação, a população brasileira voltou a acreditar na justiça e a ter esperança de que o país estava mudando, de que a lei vale para todos. Seria muito triste que esse sonho fosse enterrado justamente agora.

 

 

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