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O MANIFESTO DA OAB CONTRA A CORRUPÇÃO

A Ordem dos Advogados do Brasil voltou a assumir o protagonismo de outrora, quando em momentos de crise nacional, empunhava de forma destemida a bandeira em defesa dos interesses do país. Agora foi a vez da seccional Piauí, que lançou um manifesto conclamando toda a sociedade piauiense para o enfrentamento da corrupção. Motivos não faltam para tamanha indignação. Os escândalos com desvio de recursos públicos multiplicam-se a uma velocidade assustadora, deixando a população ao mesmo tempo atônita e perplexa.

Os advogados piauienses resolveram vir a público com a campanha  “ CIDADÃO CONSCIENTE REPROVA A CORRUPÇÃO” e lembram que “as práticas ilícitas se alastram por todos os órgãos da administração pública, gerando uma onda de escândalos, de ilegalidade e de imoralidade sem precedentes no país”.  A corrupção é um crime tipificado no código penal brasileiro, mas a punição aos culpados neste tipo de crime é a exceção, não a regra. E assim a impunidade serve como adubo para essa prática daninha que desvia dinheiro que deveria ser aplicado na promoção do bem comum e na redução da assombrosa desigualdade social que persiste em nosso país.

O texto publicado pela OAB/Piauí prega a reestruturação do judiciário, reconhecido por sua “morosidade crônica”. Ora, os advogados sabem bem do que estão falando. Vez por outra o Conselho Nacional de Justiça está puxando a orelha do Tribunal de Justiça do Piauí. Mas não é só isso. Os próprios advogados também dão a sua parcela de contribuição, quando invocam chincanas jurídicas para protelar indefinidamente o curso dos processos, já naturalmente lentos.

A celeridade e o rigor da justiça são fundamentais para fazer com que os envolvidos em crimes de corrupção paguem pelos seus atos na forma da lei e devolvam aos cofres públicos o que foi de lá retirado. E essa não deve, nem pode ser, uma luta isolada da OAB/PI. A sociedade civil deve entoar junta o mesmo grito de reprovação e cobrança contra os corruptos que se disseminam país afora em todas as esferas do poder. Que as outras entidades representativas, como conselhos, institutos, sindicatos,  exerçam  a sua cidadania plenamente, rechaçando a corrupção e exigindo punição aos culpados. Precisamos trazer de volta o Brasil aos brasileiros.

A LISTA DE JANOT

Esta é uma semana de medo e apreensão em Brasília. Os nervos estão à flor da pele porque o procurador-geral, Rodrigo Janot, deve apresentar nos próximos dias o pedido de abertura de inquéritos contra políticos envolvidos na Operação Lava Jato, que investiga o esquema bilionário de desvio de dinheiro da PETROBRÁS.  A temida lista de Janot está sendo aguardada ansiosamente. Não que a moral e a reputação ainda valham muita coisa neste país. Mas é sempre incômodo ver o nome saindo da crônica política para a policial.

Os políticos eleitos legitimamente pelo povo deveriam ser figuras respeitadas pela nação, modelos de comportamento para as futuras gerações. Homens e mulheres ungidos pelo voto popular para defender os interesses de todos os brasileiros. E como há interesses precisando de uma voz que os defenda. Mas, em vez disso, muitas vezes enrolam-se em tenebrosas transações, transferindo o público para o privado e enriquecendo ilicitamente à custa de acordos nebulosos e obscuros.

Na lista de Janot, especula-se que haja nomes de deputados, senadores e ex-governadores de diferentes partidos. Um vexame nacional. Se o caso continuar a ser apurado com rigor e isenção, longe das interferências políticas já insinuadas em encontros fora das agendas ministeriais, é possível que alguns deles venham a ter um desfecho semelhante ao dos que se beneficiaram do mensalão. Como também pode ser que não venha a acontecer punição alguma e eles sigam falantes pelos corredores de Brasília, posando para fotos com ares de autoridades idôneas.

Qualquer que seja o desfecho, no entanto, fica a mácula na imagem de quem deveria nos representar.  E é muito triste quando nossas autoridades perdem representatividade, principalmente agora quando assistimos a mais uma enxurrada de benefícios e privilégios financeiros para aumentar ainda mais os seus rendimentos. Com um custo tão alto, o povo brasileiro tem o direito de voltar a olhar para o Congresso Nacional com o respeito que ele deve ter, mas, para isso, é preciso que seus ocupantes honrem o mandato que receberam.

 

POR QUE INVESTIR NO SALIPI

O Salão do Livro do Piauí – SALIPI – foi uma dessas ideias luminosas nascidas de um punhado de quixotes, que deu certo e frutificou. Até tinha tudo para não vingar. O projeto não passava de um sonho gestado por professores apaixonados por leitura, mas sem recursos para bancá-lo, como até hoje permanece. Mas paixão é mesmo um sentimento que não se intimida com dificuldades. Tanto é que o SALIPI chega este ano à sua 12ª edição, já consolidado como o maior evento cultural do nosso Estado. O projeto, que começou pequeno e acabrunhado, cresceu e já encontrou uma noiva, formando um casamento perfeito entre a sede do saber e a produção literária. A noiva, no caso, é a Universidade Federal do Piauí, que resolveu unir-se em matrimônio, espera-se indissolúvel, com o jovem SALIPI, desde o ano passado. Ao abrir o espaço Rosa dos Ventos para abrigar o Salão do Livro, a UFPI estende os braços à comunidade e abre as portas para o conhecimento que vem de fora, ao mesmo tempo em que apresenta a sua produção científica. É uma troca de saberes altamente proveitosa tanto para a comunidade acadêmica como para a sociedade. E assim deve mesmo funcionar uma instituição de ensino superior: extrapolando os limites da sala de aula e permitindo esse saudável intercâmbio científico/cultural. O Salão também ganha quando ocupa um lugar que já abriga um público consumidor de livros. Professores e alunos são, ou deveriam ser, os maiores consumidores dos produtos expostos no SALIPI. A aproximação entre livros e leitores é natural em um ambiente acadêmico. E para completar, o espaço dispõe de toda a infraestrutura necessária para oferecer conforto e segurança aos freqüentadores. Além de estacionamento, há segurança, área suficiente para os expositores, sombra, auditório, cine-teatro, caixas eletrônicos, enfim, o lugar certo para o salão acontecer. A Universidade já está se programando para o lançamento de vários títulos editados pela instituição com o selo EDIUFPI, editora criada em 1993 para estimular a produção acadêmica e promover a difusão do conhecimento. Este ano, o SALIPI faz justa e merecida homenagem ao historiador Monsenhor Chaves, figura de destaque na religião e nas letras. O evento já está programado para o período de 5 a 14 de junho. Mas apesar da sua importância, até hoje os seus organizadores encontram dificuldades para bancá-lo e precisam correr com o pires na mão em busca de patrocinadores. Seria bom que governo e iniciativa privada reconhecessem a grandiosidade do Salão do Livro e decidissem investir generosamente na leitura como forma de combater o atraso do Estado. Afinal, a educação ainda é o caminho mais seguro para chegarmos ao sonhado desenvolvimento.

O BERRO DOS CONSUMIDORES

O ano de 2015 ainda não deu trégua aos brasileiros. As notícias que chegam a cada dia vão tornando o cenário cada vez mais sombrio. O índice de desemprego em janeiro, segundo o IBGE,  foi de 5,3%, o maior desde setembro de 2013. Os que ainda estão com a carteira assinada já estão botando as barbas de molho, com medo justificado de engrossar a fila dos desempregados.

Esta semana, a agência de risco Moody’s rebaixou a nota de crédito da PETROBRÁS para o grau especulativo, fazendo as ações da empresa caírem quase 8%. Isso enquanto ainda procuram-se os últimos corpos desaparecidos na explosão da plataforma no Espírito Santo.

A inflação já ultrapassou a meta estabelecida pelo governo e alcançou os 7,13%. Sinal de que os preços estão subindo além do esperado. Os consumidores, assustados com a escalada dos preços, estão retraindo o consumo. E não é para menos. Eles não podem, como o governo, gastar mais do que arrecadam e, dessa forma, a única alternativa é comprar menos. As sacolas das feiras e dos supermercados estão voltando mais vazias para casa.

E os preços correm o risco de subir ainda mais por conta dos protestos dos caminhoneiros que, até ontem à noite, mesmo depois de uma rodada de negociações para pôr fim ao movimento, ainda ocupavam 79 trechos de cinco rodovias. Como nosso transporte é basicamente rodoviário, se os caminhões param nas estradas, os produtos começam a faltar nas prateleiras dos mercados.

Ontem, produtores de leite derramaram o produto em praça pública, no sul do país, porque não têm como transportar a mercadoria. Imagina quem vai chorar o leite derramado? Você, caro consumidor. Além do risco do desabastecimento de alguns produtos, principalmente os perecíveis, quem conseguir comprá-los vai ter que desembolsar mais dinheiro por eles.

Na China, 2015 é o ano do carneiro. Aqui ele começou a berrar desde a virada do ano e não parou mais. Os carneirinhos somos nós, trabalhadores atordoados com o encolhimento do salário e sem perspectivas de melhoras, pelo menos à curto prazo. Mesmo com o jeitinho que é típico dos brasileiros, está ficando difícil manter a mesa posta e as contas em dia no final do mês. 

CÂMARA TOUR

O Congresso brasileiro não cansa de nos surpreender. Negativamente. Todos os noticiários dão conta de um ano de grave crise financeira. As dificuldades são muitas e não param de crescer. Aumento no valor dos impostos, aumento na cotação do dólar, queda na bolsa de valores, inflação acima da meta, queda na arrecadação da receita ( pelo quarto mês seguido), baixa na produção industrial, tudo isso somado deveria provocar ações de contenção e austeridade dos nossos parlamentares, certo? Errado!

Para os ilustres deputados que ocupam a Câmara Federal, dificuldade financeira é algo bem distante da realidade vivida em seus refrigerados gabinetes. Algo que só acontece lá nas suas bases eleitorais, nem sempre acompanhadas ou atendidas por eles.

Neste ano de retração, ou recessão como queiram chamar os economistas, a Câmara Federal resolveu aumentar os gastos com os deputados em R$ 146,5 milhões. O reajuste irá acontecer a partir do mês de abril. Enquanto os demais trabalhadores brasileiros não sabem sequer se vão conseguir manter seus empregos, ou se o salário vai dar para pagar todas as contas no final do mês, os parlamentares só aumentam as despesas com eles próprios, como se vivessem em uma realidade descasada do restante do país.

Agora, não satisfeitos com todas as mordomias a que têm direito, resolveram criar mais uma para satisfazer as madames. Cada parlamentar já recebe uma cota para despesas com passagens aéreas, cujo valor depende da distância do Estado de origem. Não satisfeitos, os cônjuges também terão direito a passagens aéreas para se deslocar do Estado natal a Brasília e vice-versa.

Pense aí, você que fica economizando dinheiro e procurando tarifas promocionais na internet, ou que junta milhas em todas as compras para ter direito a andar de avião:  o que você economiza para pagar a própria passagem vai ser utilizado para pagar as passagens das senhoras esposas e dos senhores esposos de quem ocupa uma cadeira na Câmara Federal.

O Deputado Eduardo Cunha alega que a Casa não fará despesa extra, mas remanejará recursos de outras destinações para pagar o mimo aos cônjuges. Você também acha que essa conversa é pura enrolação? Pois você não está sozinho.

Os brasileiros já estamos cansados de sustentar a mordomia dos nossos parlamentares, que são ágeis para defender seus interesses, mas se movem a passos de  tartaruga para votar as reformas necessárias ao bom funcionamento do país, como a reforma tributária, por exemplo, e tantas outras matérias importantes que mofam nos gabinetes de Brasília.

Essa discrepância entre o que pensam e como vivem os deputados brasileiros e os seus eleitores está chegando ao limite do insuportável. O que falta agora é a indignação verbal, ouvida em todas as esquinas do país, chegar também às urnas. 

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