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Fiocruz irá pedir registro da vacina até a próxima semana

A Fiocruz anunciou que até a próxima semana encaminha o pedido de registro da vacina produzida em parceria com a Astrazeneca contra o novo coronavírus à Anvisa. E no início de janeiro começa a produzir o imunizante na fábrica de Bio-Manguinhos. Assim que o registro for concedido, já haverá a liberação das primeiras doses. As previsões do Ministério da Saúde, que apostou todas as fichas nesta vacina, é de começar o plano de imunização em meados de fevereiro.

Enquanto isso, o restante do mundo já está sendo imunizado. Em Portugal, as pessoas estão recebendo o aviso por SMS para receberem a dose da vacina. Nos Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia, e até mesmo no Chile e no México, a população também já está sendo vacinada.

Sem uma política clara de combate à Covid-19, doença que já matou mais de 191 mil pessoas no Brasil, a população segue fazendo festas e participando de shows, como se não estivéssemos em meio a uma pandemia, a pior dos últimos cem anos.

Aqui mesmo no Piauí, as festas e celebrações se multiplicam de norte a sul, especialmente no litoral do Estado. Os participantes, a grande maioria sem máscaras, se divertem como se já houvessem sido vacinados e ainda postam vídeos e fotos nas redes sociais das aglomerações formadas nas suas comemorações.

Enquanto isso, as equipes de saúde – médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, motoristas de ambulância – estão exaustos, travando uma luta desigual contra o vírus da doença e, o pior deles, da indiferença à dor e ao sofrimento alheio.

Com 100% de UTIs lotadas, Hospital São Marcos pede providências para conter Covid

A situação da Covid-19 no Piauí voltou a se agravar de forma alarmante. Ontem à noite, o diretor técnico do Hospital São Marcos, Dr. Marcelo Martins, enviou um documento às principais autoridades do Estado e do Município de Teresina chamando a atenção para a saturação da rede privada quanto à capacidade de atendimento de pacientes infectados pelo novo coronavírus e pedindo providências urgentes para conter o avanço da doença. VEJA O DOCUMENTO

Marcelo Martins relata que o Hospital São Marcos está com 100% dos leitos de UTI ocupados, consequência do aumento significativo do número de atendimentos por síndromes gripais na unidade de pronto atendimento daquela casa de saúde. A situação é tão grave que, nos últimos dias, a diretoria do hospital teve que fechar a unidade de pronto atendimento por diversas vezes, por não ter mais como acomodar pacientes em sua estrutura.

Esta situação não é muito diferente da que está ocorrendo no restante da rede privada de saúde da capital, que tem recebido um número crescente de pacientes, especialmente vindos do interior do Estado. O documento lembra ainda que, em outros meses, quando a rede privada ficou lotada, em seguida, a rede pública também chegou ao limite de atendimento.

Como alguns leitos exclusivos para Covid-19 já foram desativados, e levando em consideração a exaustão das equipes de saúde que estão trabalhando ininterruptamente desde março, o diretor médico do HSM alerta as autoridades e pede medidas necessárias para evitar o colapso do sistema de saúde o mais rápido possível.

O aviso foi dado e convém não desobedecer a ciência porque, sempre que isso acontece, o preço é pago com vidas humanas. As aglomerações realizadas durante a campanha eleitoral e as comemorações de vitória dos eleitos estão mostrando os resultados agora. Da mesma forma, as confraternizações e festividades de fim de ano são um estopim para o surgimento de novos casos em janeiro. Um colapso anunciado que pode ser prevenido com determinações rígidas, corajosas e urgentemente necessárias. Não há o que festejar quando milhares de vidas são perdidas para uma doença que pode ser prevenida.

 

Situação se repete em outros hospitais privados

Em outros hospitais privados em Teresina também não há mais vagas para pacientes com Covid-19. Para esta segunda-feira (28) está prevista uma reunião do Comitê de Operações Emergenciais (Coe Municipal).

Comitê Científico recomenda que governadores negociem diretamente com fornecedores de vacina

O Comitê Científico do Nordeste para enfrentamento à Covid-19 divulgou um documento em que externa extrema preocupação com o avanço da doença na região e em todo o Brasil. Para os pesquisadores que orientam as decisões do comitê, a gravidade da segunda onda é severa e, por isso, os gestores devem tomar medidas duras para evitar o colapso provável com a continuidade da aceleração do número de novos casos de pessoas infectadas pelo coronavírus.

Entre as recomendações, está a de que os governadores negociem com fornecedores de vacinas que já tenham a segurança e eficácia comprovadas na fase 3 dos estudos clínicos, com o aval da Anvisa. E vão ainda mais longe, ao proporem que vacinas já aprovadas por organismos internacionais de reconhecida credibilidade, como o FDA americano e o CDC europeu, sejam considerados para uso emergencial, antes mesmo da aprovação da Anvisa.

O Comitê é formado por renomados pesquisadores e tem servido como orientador nas decisões dos governadores nordestinso. Neste documento, divulgado ontem à noite, os pesquisadores mostram preocupação e recomendam várias medidas, além das que dizem respeito às vacinas. Entre as medidas propostas, estão:

  1. Implantação de laboratórios nos aeroportos, com capacidade para realização de testes por RT-PCR e resultados emitidos em até 4h;
  2. Exigência de apresentação de atestados dos visitantes da ausência de infecção, por meio de exames realizados até 48h antes do embarque;
  3. Implantação de stands sanitários nos aeroportos, com pessoal capacitado para orientar os visitantes e aferir a temperatura;
  4. Quarentena de 14 dias para turistas que não apresentarem atestado;
  5. Lockdown de 14 dias para todas as cidades que estiverem com taxa de ocupação dos leitos de UTI superior a 80% e RT ( taxa de transmissibilidade do vírus) acima de 1;
  6. Proibição forma de eventos comemorativos de fim de ano;
  7. Fechamento de praias, parques e outros espaços que possam provocar aglomerações.

Em uma medida mais radical, o Comitê chega a propor que os governadores se dirijam às autoridades federais competentes, e até mesmo ao STF se for preciso, para solicitar o fechamento do espaço áereo brasileiro para voos internacionais, caso a situação se agrave ainda mais nos próximos dias e semanas. É um recado duro, emitido por quem está estudando o assunto desde o início da pandemia. Que sirva de alerta para quem ainda continua brincando com a doença.

Confira todas as recomendações desta edição e os dados atualizados da pandemia por estado no site https://www.comitecientifico-ne.com.br/

Charles Silveira apresenta boa recuperação em São Paulo

Foto: Roberta Aline

O professor Charles Silveira, ex-secretário de governo da Prefeitura de Teresina, está reagindo bem ao tratamento contra a Covid-19, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde se encontra internado desde os primeiros sintomas da doença. Ele é obeso, diabético e hipertenso e, por isso, optou por procurar o atendimento no Sírio logo após os primeiros sintomas para evitar complicações por causa das comorbidades que possui.

No boletim de ontem, a equipe do hospital informou que Charles dormiu bem, sem apresentar tosse ou febre. Apesar de ainda estar com quadro inflamatório, os exames dele estão estáveis. Por prevenção, ele encontra-se na unidade semi-intensiva, com cateter de oxigênio com baixo fluxo e mantendo a saturação em 93/94 – o ideal é acima de 97.

Com quadro clínico geral em boas condições, e sem sentir qualquer mal estar, o professor Charles Silveira está bem e com boas expectativas de recuperação.

Festas de fim de ano estão na mira do COE

O Piauí está acompanhando, com preocupação, o aumento no número de novos casos de coronavírus no Estado. Só ontem, 17, foram 604 casos confirmados da doença. Esse repique vem quando já houve uma diminuição no número de leitos de UTI disponíveis na primeira onda. Segundo o superintendente de gestão da rede de média e alta complexidade da Secretaria de Saúde, Dr. Alderico Tavares,  o Estado desativou mais de 200 leitos de UTI e atualmente gerencia 153. A taxa de ocupação está em 54%. Quanto aos leitos clínicos, dos mais de mil existentes no primeiro semestre, restam 328.

E esse cenário se dá em meio a uma profusão de festas de confraternização de fim de ano e às comemorações de Natal e Ano Novo. Para completar, os estudos da Universidade Federal do Piauí mostram que a taxa de transmissibilidade da doença no Estado está em 1,2 – um índice considerado alto. Significa que cada 100 pessoas infectadas podem contaminar outras 120. Quando esse índice está acima de 1, como é o caso agora, a propagação da doença se dá de forma muito rápida.

Por tudo isso os médicos que estão trabalhando na linha de frente, assim como as autoridades de saúde, fazem um apelo para que se evite festas e confraternizações nesse período. O COE desaconselha festas com número elevado de pessoas e pede que elas sejam realizadas apenas com as pessoas que moram na mesma casa. A recomendação é suspender as festividades neste ano para que no próximo todos estejamos vivos e vacinados, celebrando como convém.

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