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Nem o Delta escapou

O problema das manchas de óleo espalhadas pelo litoral nordestino vem agravando, em vez de diminuir. Alguns santuários de reprodução de animais marinhos e paraísos turísticos também já foram afetados. Na última quinta-feira, véspera do feriadão da República, a Secretaria do Meio Ambiente declarou que a praia de Atalaia estava imprópria para banho, mas os turistas que já haviam programado viagem para lá não deram muita importância ao alerta e se arriscaram a entrar no mar.

No sábado, manchas de óleo também foram vistas nas praias da Pedra do Sal, em Parnaíba, e no Peito de Moça, em Luís Correia. Pior: a presença do óleo já foi encontrada também no Delta do Parnaíba, o único Delta em mar aberto das Américas, rico em biodiversidade e berçário de muitas espécies animais.

Pescadores, catadores de caranguejo e ambientalistas estão receosos de que o óleo contamine os manguezais. O quadro despertou a ação da Marinha, Ibama e ICMBIO, que passaram a monitorar com mais frequência as praias piauienses. Ontem estava sendo aguardado um navio da Marinha para fazer uma patrulha ao longo da costa. Muitas pessoas que estão ajudando na limpeza, porém, ainda aguardam o envio dos Equipamentos de Proteção Individual, indispensáveis para o trabalho de remoção dos pontos de óleo.

 

A desnecessária capacidade de criar crises

A agenda liberal do governo Bolsonaro está entregando exatamente o que prometeu durante a campanha. Com um programa de desburocratização para as empresas, flexibilização dos contratos de trabalho, redução de juros e reformas administrativa e previdenciária, vem conseguindo dar um gás para a economia, que já dá sinais de recuperação, como mostrou o crescimento no setor de serviços, ainda que discreto, assim como o aumento da produção de veículos automotivos. O desemprego, lentamente, também já começa a arrefecer.

Com isso, o governo deveria estar colocando a aeronave chamada Brasil em voo de cruzeiro, certo? Mas não é isso que se vê. Para cada boa notícia colhida pelo ministro Paulo Guedes, o famoso Posto Ipiranga, o presidente e seus filhos criam uma crise desnecessária, turvando a água que deveria permanecer tranquila para atrair quem quer navegar em novos investimentos no país.

Sem qualquer razão, o Presidente Jair Bolsonaro protagonizou mais uma declaração infeliz ao dizer que o deputado Luiz Philippe é que deveria ser seu vice, e não “esse Mourão aí”. Além da grosseria com o seu companheiro de chapa, Bolsonaro foi mais longe ao dizer que o deputado só não foi seu vice porque Gustavo Bebianno, seu aliado à época,  teria entregue um dossiê contra o príncipe de Orleans e Bragança contendo imagens de orgias gay e de agressões a um mendigo.

Ontem mesmo, à noite, Gustavo Bebianno gravou um vídeo que está circulando nas redes sociais, desafiando o presidente a provar o que disse. Segundo Bebianno afirma categoricamente, ele nunca entregou tal dossiê a Bolsonaro. Ele diz que o então candidato a presidente o ligou certo dia, às 4h da madrugada, para dizer que um militar teria colocado em suas mãos um documento com imagens comprometedoras do deputado Luiz Philippe. Fica a pergunta: por que o presidente insiste nesse comportamento autodestrutivo de espalhar brasa e criar crises à sua volta? Já não bastam os problemas naturais do Brasil que exigem serenidade, competência e maturidade para resolvê-los? Não dá para entender por que ele insiste em ser governo e oposição ao mesmo tempo.

Só 13% dos municípios piauienses possuem aterro sanitário

A coleta e destinação adequada do lixo é um dos sinais de desenvolvimento que implicam diretamente a qualidade de vida da população. No Piauí, ainda temos muito a fazer nessa área.  A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) divulgada pelo IBGE mostra que o Piauí tem o maior indicador de falta de esgotamento sanitário no país e o segundo maior de ausência de coleta de lixo. Teresina, a capital do Estado, lidera o ranking tanto da falta de esgotamento sanitário como da ausência de coleta de lixo, quando comparada com as demais capitais brasileiras.

O Ministério Público Federal, por meio do Projeto Lixo Legal, realizou um levantamento entre os municípios piauienses e obteve dados reveladores, que encontram-se disponíveis no site do órgão. Dos 224 municípios piauienses, 126 não possuem licenciamento ambiental da área destinada à disposição final de resíduos sólidos urbanos. 79 afirmaram não possuir o Plano Municipal de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.

Um dado que merece especial preocupação é o de que 70% dos municípios ainda convivem com o lixão, uma destinação inadequada para os resíduos sólidos.  Por lei, eles deveriam ser extintos, a princípio, até 2014, mas depois esse prazo foi prorrogado até o ano de 2021, daqui a dois anos, portanto. Mas, por enquanto, apenas 12% dos municípios piauienses afirmam possuir aterro controlado e somente 13% declaram possuir aterro.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece que o manejo do lixo urbano deve trabalhar, por ordem, a sua redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Uma realidade ainda bem distante da nossa.

Passaporte aos maus gestores

É impressionante como a prática de desvio de dinheiro público está enraizada na cultura de boa parte dos gestores brasileiros. A despeito de todas as operações e prisões já realizadas no país por causa desse tipo de crime, ele continua a existir. Hoje cedo, o Ministério Público do Piauí deflagrou a Operação Canteiro de Obras, no município de Manoel Emídio, a cerca de 450 km de Teresina. O trabalho do MP, ppor meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, apura fraudes à licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro, associação criminosa e crimes contra a Administração Pública.

Na mira dos procuradores está a contratação de uma  empresa, pelo ex-prefeito de Manoel Emídio, José Medeiros da Silva, para execução das obras de reforma nas escolas do município, com o pagamento efetuado sem a devida realização do serviço. A Operação cumpre dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Manoel Emídio, Floriano e Barão do Grajaú (MA). A investigação recai sobre o ex-gestor e, ainda, sobre servidores públicos e empresas que supostamente integram o esquema cirminoso.

Um município pequeno, de escassas receitas, ainda se permite desperdiçar dinheiro com obras não executadas ou superfaturadas, roubando da população o direito de ser bem assistida em suas necessidades básicas. Se a corrupção já corria solta, agora é que a situação fica mais grave ainda porque os criminosos sabem que dificilmente irão para a cadeia depois da decisão do STF em impedir a execução antecipada da pena.

O Ministério Público até faz sua parte, mas sabe que seu trabalho não trará muitos resultados, pois não adianta denunciar se os culpados não forem punidos. 

As feras estão soltas na arena política

A  polarização política, que há algum tempo já vem dominando a cena nacional, ganhou contornos mais firmes desde sexta-feira, quando o ex-presidente Lula foi posto em liberdade, após decisão do Supremo Tribunal Federal que considerou inconstitucional a execução antecipada da pena.

A saída de Lula da carceragem da Polícia Federal em Curitiba, como era de se esperar, despertou a militância de esquerda que conduziu o líder petista nos ombros em manifestações de grande mobilização popular. Até aí, está tudo dentro do roteiro. O problema é que o tom dos discursos, tanto da esquerda quanto da direita, começaram a se elevar novamente, acirrando ainda mais os ânimos entre os dois lados.

Nos embates políticos que representam Lula e Bolsonaro, ouve-se menos a discussão sobre projetos de governo, ideias e novos caminhos para o Brasil e mais o xingamento e achincalhe de uma parte a outra. Essa guerra de palavras, que inclui adjetivos como “canalha” e “ladrão”, cai como gasolina sobre a população em chamas que já não consegue mais manter a serenidade em um debate, ainda que travado no almoço de família aos domingos. Qualquer opinião emitida funciona como faísca em um ambiente altamente inflamável.

O debate é um tijolo importante na construção da democracia, quando praticado de forma civilizada. Se vira arma de munição simplesmente para ferir o adversário em nada contribui para a consolidação da cidadania. O Brasil está precisando de muito trabalho para encontrar seu caminho de paz e prosperidade. A guerrilha urbana e virtual em nada contribuirá para o país que desejamos.

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