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2020, o ano que não começou

1968 entrou para a história recente como o ano que não terminou, conforme a definição do jornalista e escritor Zuenir Ventura, no título de seu livro sobre o período.

Desde o início deste ano, o mundo se debate com uma nova pandemia que tem desafiado a ciência com seus efeitos drásticos que espalham terror, angústia, depressão, estresse e mortes por onde passa.

O Brasil, particularmente, entrou em 2020 com a casa arrumada para, enfim, começar a crescer, depois de uma prolongada e brutal recessão econômica, iniciada em 2015.

Nesse período de aguda crise econômica, o país já havia começado as reformas apontadas como necessárias para a retomada e a aceleração do crescimento, como a trabalhista e a previdenciária.

Outras estavam na agenda para este ano, como a administrativa e a tributária.

Por água abaixo

Tudo, porém, foi por água abaixo com a explosão da pandemia da Covid-19. Com a chegada da doença, o país não apenas ficou paralisado, como despencou irremediavelmente de vários degraus que já havia escalado, espatifando-se no chão duro da crise.

O futuro do Brasil e do planeta ainda é incerto. Não se sabe quando o novo vírus será dominado nem por quanto tempo ele continuará provocando tantos estragos e assombro.

No mundo todo, os cientistas estão debruçados dia e noite sobre pesquisas e ensaios, na busca de armas químicas para vencer o coronavírus, nos campos da medicação eficaz e da vacina contra a doença.

Inevitavelmente, os cientistas alcançarão os seus objetivos. As últimas informações dão conta de que estão próximos disso.

Até lá, no entanto, muitas pessoas ainda serão penalizadas ou mesmo sacrificadas pela doença.

O fim do isolamento

Enquanto isso, batendo recorde de mortes, dia após dia, o Brasil ensaia o fim do isolamento social.

A pressão do setor econômico e da própria população sobre o poder público é gigantesco. E não é para menos. Esta geração nunca havia passado por situação igual.

Como o Brasil se especializou em fazer de tudo para as coisas darem errado, é muito provável que, agora, consiga novamente acertar no erro mais uma vez.

Errando ou acertando, acabando agora ou não a quarentena, o fato, porém, é que 2020 já tem assegurada na posteridade a sua condição de o ano que não começou.

E assim me despeço!

Bem, por aqui encerramos a nossa participação diária neste espaço e nos demais veículos do Grupo Cidade Verde.

Já vínhamos conversando há algum tempo com a Direção do Grupo sobre isso e a hora chegou.

Agradeço aos que me deram a honra e o privilégio da companhia, como leitores da coluna e da revista e, ainda, como ouvintes e, ultimamente, como telespectadores.

Sou grato também aos colegas de trabalho pela afetuosa acolhida, durante estes três anos de maior proximidade na rádio, no portal, na revista e na TV. 

Levo mais aprendizado e as melhores lembranças dessa convivência profissional e fraterna.

Seguiremos para novos desafios, com entusiasmo, fé e esperança.

Boa sorte para quem fica e um agradecimento especial à Direção do Grupo Cidade Verde pela oportunidade que nos foi dada!

 

Tem cantoria no Céu!

Imagem: Izânio/Reprodução-Facebook

 

João Claudino Fernandes, de quem o Piauí se despediu ontem, era um homem múltiplo.

Além do talento excepcional para os negócios e da imensa capacidade de trabalho, ele tinha também o dom da comunicação, um tato raro para a política e uma grandeza de espírito incomum.

Todos esses atributos pessoais fizeram dele um empresário de sucesso. Como um Midas dos tempos modernos, transformou, com seu irmão Valdecy, uma pequena loja aberta no interior do Maranhão em um dos maiores impérios econômicos do Nordeste, com sede no Piauí.

Não é do mega empreendedor, porém, que vou falar. Quero me fixar na figura humana de João Claudino, o Seu João – o homem simples, festeiro, emotivo e solidário que havia por trás do sagaz gigante do mundo dos negócios; o homem que não permitiu que o sucesso lhe subisse à cabeça nem lhe retirasse a simplicidade e a espontaneidade de sertanejo; o homem que, enfim, seguiu à risca a lição de Fernando Pessoa: “Põe quanto és no mínimo que fazes”.

No reino do repente

Conheci Seu João há mais de 30 anos. O que nos aproximou foi a cantoria de viola. Ninguém gostava mais de repentista do que ele. Ninguém valorizou mais esses artistas populares do que ele.

Desde que ouviu o primeiro cantador, Chagas Moisés, fazendo versos de improviso na pequena mercearia de seu pai, ainda na Paraíba de sua infância, tomou-se de encanto pela magia do repente.

Já um empresário próspero, irmanou-se com o professor Pedro Ribeiro na promoção do Festival de Violeiros que se realiza anualmente em Teresina, desde 1971.

Não há outro evento do gênero com tamanha longevidade no Nordeste, nem no Brasil nem no mundo!

E foi no festival que me aproximei dele, através do professor e poeta Pedro Ribeiro, esse gigante da cultura popular. Era um de seus amigos mais íntimos. Um dos poucos que tratavam Seu João como Claudino ou simplesmente como João.

Desde quinta-feira, quando circulou o boato do falecimento de Seu João, o Dr. Pedro é só pranto pela dolorosa perda do amigo e confidente. Chora incontrolavelmente por todos os poetas e amigos.

Outra amizade que nos aproximava era a do humorista João Cláudio Moreno, nosso amigo comum, que desde ontem chora e ora por todos os amigos.

A Casa do Cantador

Seu João financiava a Casa do Cantador, que construiu e inaugurou em 1985, mas dava aos poetas uma assistência que ia muito além do abrigo certo quando estavam em trânsito.

Eles recebiam também ajuda financeira para seus festivais, assistência médica e o que mais precisassem.

O principal de tudo era, no entanto, o respaldo moral que dava aos cantadores, apresentando-os aos seus amigos e às autoridades como gênios da arte.

E foi a partir de lá, da Casa do Cantador, que testemunhei em Seu João os gestos mais largos de simplicidade, amor e respeito aos mais humildes, nas mais diferentes situações.

O mecenas

A sensibilidade de Seu João para a arte não se manifestava apenas em relação ao repente, pelo qual inegavelmente tinha uma predileção especial.

“Sua sensibilidade para a cultura era do tamanho dos seus negócios! O coração 8.9 pulsava com mais força e se expressava pelo sorriso quando falávamos de livros, música, espaços de cultura e do Festival de Violeiros!”, resumiu ontem o secretário de Cultura, deputado Fábio Novo, ao se despedir dele em mensagem pelas redes sociais.

“Nos últimos 4 anos, foi o empresário disparado que mais patrocinou teatro, dança, música, artes plásticas, reformas de museus e bibliotecas, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura (SIEC)”, enfatiza o secretário.

Este é, portanto, o outro João Claudino que muitos não conhecem: o mecenas, que na maioria das vezes fazia e fazia questão de não aparecer.

Ele mostrou continuamente, durante mais de 60 anos, que o apoio às artes e às letras, bem como ao esporte, não impede a empresa de prosperar.

Ele mostrou, também, que investir em cultura é acreditar nos valores da terra.

A despedida

No dia 22 do mês passado, morreu vítima de infarto, aos 64 anos, em São José do Egito, Pernambuco, o repentista Valdir Teles, um dos maiores de sua geração e presença frequente e aplaudida no Festival de Violeiros do Piauí. Era um dos poetas preferidos de Seu João.

Ontem, o poeta paraibano Jomaci Dantas, que conhecemos menino no Festival de Violeiros de Teresina, compartilhou versos do poeta Antônio Marinho (neto do repentista Lourival Batista, o Louro do Pajeú, uma lenda da cantoria), despedindo-se do amigo João Claudino:

 

Quando Seu João Claudino percebeu

Que estava na luz sem sentir dor

Perguntou a Jesus, Nosso Senhor:

- Salvador, o que foi que aconteceu?

Então Cristo, sorrindo, respondeu:

- Entre, sente, Seu João, pode invadir...

Pense logo num mote pra pedir,

Olhe a festa que o céu hoje lhe fez!

Foi pra isso, que há pouco mais de um mês

Eu mandei o convite pra Valdir.

 

Que a alma de Seu João descanse em paz no Reino da Glória!

 

Firmino reage ao fim do isolamento

Imagem: Reprodução/Twitter

Postagens do prefeito Firmino Filho sobre o isolamento

 

O prefeito Firmino Filho postou mensagens ontem à tarde em suas contas nas redes sociais demonstrando que não está disposto suspender agora o isolamento social decretado por conta da pandemia da Covid-19.

Ao contrário, ele reagiu com firmeza às pressões para que a Prefeitura comece a retomada das atividades econômicas e sociais o quanto antes.

“Não tem um dia que alguém, inclusive amigos, não tentem me convencer a abrir mão do isolamento. Dizem que estou errado. Rezo muito para que eles estejam certos. Mas arriscar vidas dessa forma, tendo todas as informações que a gente tem, é mais que irresponsável, é desumano”, afirmou.

O prefeito questionou: “Agora me digam. Como flexibilizar o isolamento e abrir comércio em Teresina? Isso precisa ser feito com muito critério, cautela e responsabilidade. Só hoje o Brasil perdeu mais de 400 vidas. Isso as que foram notificadas”.

Segundo Firmino, o Brasil ainda caminha no escuro, em relação ao combate à pandemia. Ele exemplificou com o caso da testagem dos suspeitos.

“São Paulo, nosso Estado mais rico, testa dez vezes menos que a Turquia”, comparou.

Plano de reabertura

Na quarta-feira, o governador Wellington Dias acenou com a possibilidade de suspensão da quarentena, desde que o número de infectados caia – o que não tem acontecido – e que a rede hospitalar esteja preparada para atender os doentes da Covid-19 – o que também ainda não aconteceu.

Na Prefeitura, a própria assessoria de Firmino Filho também dava conta, na quarta-feira, da preparação de um plano para o fim do isolamento social, sem precisar quando ele seria concluído e posto em prática.

Firmino informou, ontem, que a Frente Nacional de Prefeitos está se articulando junto ao Ministério da Saúde para que o próprio governo federal defina com as capitais um plano de flexibilização do isolamento.

O fim da quarentena ainda é, pois, uma questão em aberto.

 

O fim do isolamento

Da mesma forma que adotaram atropeladamente o isolamento social, para combater o coronavírus, os Estados e municípios começam agora o relaxamento da medida também sem planejamento.

A mudança de posição dos governadores e prefeitos, quanto ao afrouxamento da quarentena, decorre das pressões que eles têm sofrido por parte de setores econômicos, receosos do aprofundamento da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Empresários pedem que haja uma abertura escalonada, ou seja, setor por setor.

Nessa estratégia, escolas e outras instituições devem permanecer fechadas por mais tempo, ficando entre as últimas atividades a serem reabertas.

Nada de dinheiro

Os governadores refluem também porque muitos deles sonharam que poderiam encher o cofre com a crise do coronavírus, recebendo vultosas boladas de dinheiro de Brasília para gastar como quisessem no enfrentamento da Covid-19.

E isso não aconteceu. A liberação de recursos e equipamentos hospitalares para os Estados e municípios ficou praticamente só na promessa.

O ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, tão exaltado pelos governadores, deixou todos eles na mão. Nem os Equipamentos de Proteção Individual ele mandou.

Alguns governadores tiveram que brigar na justiça por respiradores retidos pelo governo federal.

A salvação da pátria

Hoje infectados pelo coronavírus e quebrados, literalmente quebrados, os Estados jogam suas últimas fichas agora na aprovação do projeto de socorro aos entes federados que tramita no Congresso.

A proposta repõe as perdas com arrecadação de ICMS e ISS neste ano, uma espécie de indenização ou seguro.

O projeto de lei já foi aprovado na Câmara dos Deputados, debaixo do protesto do presidente Jair Bolsonaro, e tramita de forma lenta no Senado, que ainda não escolheu nem o relator do texto.

O projeto é alvo de tentativas de modificações por parte dos senadores. A maior parte dos pedidos de alteração é feita para conter o impacto financeiro da proposta.

O impacto estimado será de R$ 89,6 bilhões. O governo federal quer limitar a R$ 40 bi. A conta não fecha.

Como gastar

Emenda do senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) cria uma série de exigências a serem cumpridas por governadores e prefeitos para que os Estados e municípios sejam auxiliados.

O senador Márcio Bittar (MDB-AC) sugere emenda, por exemplo, para que não seja levado em conta o critério das perdas de ICMS e ISS para compensar financeiramente os estados e municípios.

Esse ponto causa temor no governo pela imprevisibilidade do impacto e também pelo receio de que governantes e prefeito deixem de arrecadar para receber ajuda maior. Assim, toda a conta fica com a União.

“O que se cria é um verdadeiro cheque em branco para que governadores e prefeitos recebam recursos e os utilizem sem se preocupar com o equilíbrio das contas públicas e retira deles a obrigatoriedade de tomar medidas de ajuste necessárias”, escreve o senador ao justificar a solicitação.

O pior não passou

Se os governadores acreditam mesmo na ciência, como juraram ao decretar o isolamento, esbravejando em defesa da medida, eles sabem que o pior ainda não passou.

A flexibilização do isolamento e distanciamento social, com a reabertura do comércio e a retomada de alguns serviços não essenciais, está sendo anunciada e vai ser operada em meio ao aumento diário, em escala assustadora, do número de casos e mortes confirmadas em função da pandemia.

Os governadores buscaram, porém, essa situação. Fizeram certo quando decretaram o isolamento, pois seguiram um padrão internacional adotado pelo próprio Ministério da Saúde.

Mas fizeram errado quando aproveitaram o caso para fustigar o presidente Bolsonaro e foram brigar com o governo federal, no Supremo, pelo poder para determinar regras de isolamento, quarentena e restrição de transporte e trânsito em rodovias em razão da epidemia do coronavírus.

Vão sair da quarentena sem conseguir pregar a conta nas costas do presidente.

(Com informações da Agência Senado e do Congresoemfoco.com)

 

Governador admite afrouxar o isolamento

Foto: Divulgação/CCom

O governador no Hemopi para doação de sangue

 

O governador Wellington Dias anunciou ontem a formação de um grupo de trabalho para planejar o fim gradativo do isolamento social no Piauí, decretado em 16 de março, em função da pandemia da Covid-19.

Ele condiciona a flexibilização da quarentena, no entanto, a dois fatores. O primeiro é que se verifique se o pico da pandemia efetivamente já passou no Estado. O segundo é que o número de casos da doença caia.

Com isso, o Estado terá segurança de que a rede de saúde poderá atender os que precisassem de internação por causa da doença, o que não seria possível se todos corressem para os hospitais ao mesmo tempo.

O governador dispõe de informações indicando que o pico da pandemia será alcançado no Piauí em 15 de maio.

Dez Estados, além de Brasília, já estão flexibilizando o isolamento, permitindo a volta gradual das atividades econômicas por setores.

Ontem, o governador Wellington Dias esteve no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí (Hemopi) para doar sangue.

Desde o início da pandemia do coronavírus, o Hemopi apresentou uma queda nas doações.

Nada chegou do Ministério

Wellington participou, na segunda-feira, de uma videoconferência entre os governadores do Nordeste e o novo Ministro de Saúde, Nelson Teich.

Os governadores solicitaram que o Ministério trabalhe de forma integrada com os estados e municípios para combater o coronavírus e defenderam o isolamento social como medida de proteção.

O ministro ouviu todas as manifestações e garantiu que quer manter um fluxo de trabalho contínuo. Pediu que cada estado faça um levantamento do que foi solicitado ao Ministério da Saúde e ainda não foi cumprido. Haverá uma nova conferência na próxima sexta-feira, 24.

O governador disse que nada do que foi prometido pelo Ministério da Saúde para o Piauí chegou até agora. A lista inclui respiradores, Equipamentos de Proteção Individual e leitos.

O fim da quarentena

Quanto ao fim da quarentena, claro que se trata de um aceno do governador para acalmar os ânimos dos que estão estressados com a medida, sobretudo, os empresários.

A pressão contra o isolamento aumentou muito, especialmente depois da prisão truculenta de um pequeno comerciante no Parque Piauí, com repercussão negativa para o governo e a prefeitura.

Na real mesmo, o Governo do Piauí não fez plano nem para o começo do isolamento. Imagine para o fim dele.

Já se passaram quase 40 dias do início da quarentena e o que foi feito efetivamente pelo Estado neste período?

A Secretaria de Saúde informou, por exemplo, na semana passada, que o Piauí dispunha de mais de 700 leitos para pacientes da Covid-19.

Ontem, porém, o governador fazia outra conta, após a conversa dele com o ministro da Saúde: “Para sair mais cedo (do isolamento), precisamos ampliar a capacidade de atendimento. Somos um Sistema Único de Saúde. Queremos alcançar próximo de 600 leitos, entre UTIs e leitos clínicos, juntando público e privado”, frisou, em relação à situação do Estado.

É nessa base que o Piauí enfrenta a pandemia!

A Secretaria de Saúde contabiliza mais de 700 leitos para tratar pacientes da Covid-19

 

Tancredo, o último estadista brasileiro, morria há 35 anos

Foto: PSDB

Tancredo Neves, o presidente que não tomou posse

 

Ele não era um líder de massas que coubesse em um desses modelos que se tem visto ultimamente. Não era.

Em sua época, porém, ganharia a eleição de presidente de qualquer candidato, se ela tivesse sido decidida no voto popular.

Como o jogo foi outro, ainda através do voto indireto, ele se submeteu às regras postas – na verdade, impostas – e venceu no Colégio Eleitoral.

Tancredo de Almeida Neves, o autor de tal façanha, entrou para a história como o último estadista do século 20.

Ele uniu o país em um momento excepcionalmente dramático de sua vida republicana, marcado pelo fim do ciclo de 21 anos dos militares no poder.

O último ato

Foi o último ato político de uma carreira pública, iniciada em 1951, com sua primeira eleição para a Câmara Federal. A partir de junho de 1953, foi ministro da Justiça de Getúlio Vargas até o suicídio do presidente. Ele ainda viu o presidente em suas últimas agonias, após o tiro que disparou no peito, em 24 de agosto de 1954.
Com a instauração do regime parlamentarista, logo após a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, foi nomeado primeiro-ministro do Brasil. Ocupou o cargo de setembro de 1961 a julho de 1962.

Seus atos foram marcados sempre pela moderação. Era líder do presidente João Goulart na Câmara dos Deputados quando este foi deposto pelos militares, em 1964.Na tumultuada sessão do Congresso Nacional que declarou vago o cargo de presidente, ele saiu do tom. Foi uma das raras vezes que fez isso. Aos berros, chamava os golpistas de canalhas. 

Durante o regime militar, foi um dos principais líderes da oposição, filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ao se reeleger deputado federal em 1966, 1970 e 1974. A seguir, elegeu-se senador.

Em 1982, foi eleito governador de Minas e renunciou ao mandato para ser candidato a presidente da República, em 1985.

Foto: FGV

Comício de Tancredo Neves

O candidato das ruas

Naquele março de 1985, o Brasil se preparava para dar posse, enfim, ao seu primeiro presidente civil, depois de cinco generais sem voto exercendo sucessivamente a Presidência da República – Castello Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo.

Tudo bem que Tancredo não tinha o respaldo das urnas, mas tinha o das ruas. Tancredo fez campanha nas ruas, através de numerosos e concorridos comícios, com o slogan Muda Brasil!

Ele venceu no Colégio Eleitoral com 480 votos, contra 180 de Paulo Maluf (PDS).

Embora eleito pelo voto indireto, ele encarnava os sentimentos de mudança que o país respirava naquele momento.

Por isso, o Brasil depositava nele a esperança de um reencontro com a democracia.

A vontade de tê-lo na Presidência era tamanha que os brasileiros fizeram vistas grossas para o seu vice, José Sarney, um recém-egresso do partido dos militares que na última hora pulou fora do barco e enfileirou-se na trincheira das oposições.

Foto: Célio Beto/Senado

A eleição no Colégio Eleitoral com votação consagradora

A Nova República

Com a vitória no Colégio Eleitoral, o ministério composto e vencidos todos os obstáculos para a subida da rampa do Palácio do Planalto, a festa da posse, marcada para 15 de março, era apenas uma questão de horas.

O noticiário televisivo da noite de 14 de março dava conta dos últimos preparativos para as cerimônias que iriam inaugurar um novo tempo no Brasil, que Tancredo chamou de “Nova República”.

Os brasileiros foram dormir, assim, na expectativa da grande festa cívica.

Quando o país acordou, na manhã do dia 15, chocou-se com a bombástica notícia veiculada pelo rádio e pela televisão: o presidente fora internado às pressas e submetido a uma cirurgia de urgência, em Brasília.

A notícia que dali a instantes se reproduziria e se repetiria à exaustão pelo país e pelo mundo afora dava fim a toda a euforia nacional.

Brasília mergulhava em clima de tensão e o Brasil, em um mar de incertezas.

Enganaram o presidente

Tancredo Neves, então com 75 anos, vinha sentindo dores no abdômen há dias. A princípio, procurava disfarçar o incômodo, passando levemente a mão sobre a barriga. Não queria aproximação com hospital.

Sua cisma fazia sentido. Havia perdido dois irmãos para o câncer. Assim, resistiu o quanto pôde à internação. Chegou a avisar que tomaria posse de maca.

Para convencê-lo a se internar, os médicos lhe disseram que era apenas para tomar soro com antibióticos e realizar novos exames.

A caminho do centro cirúrgico, em uma maca, apesar de já estar conformado com a operação, reclamou para a equipe médica:

- Vocês me enganaram, né?

Diagnóstico falso

“Enquanto Brasília vivia uma madrugada chuvosa e tensa, sob o diagnóstico falso de diverticulite de Meckel, inventado para iludir e tranquilizar o assustado povo brasileiro, começava a agonia pessoal do presidente Tancredo Neves e a do governo”.

Esta é uma das passagens do livro que o mineiro Ronaldo Costa Couto, escolhido por Tancredo como seu ministro do Gabinete Civil, escreveu em 1995 um livro sobre a trajetória do ex-presidente.

Intitulado Tancredo Vivo – Casos e Acasos, o livro publicado dez anos após a sua morte relata:

“O médico Francisco Pinheiro da Rocha corta com seu bisturi frio o ventre inchado de Tancredo. O caso era de abdômen agudo cirúrgico. Depois se verifica que era inflamação de tumor benigno. Uma cirurgia simples, na avaliação médica”.

Cirurgia em sessão pública

Contra as normas e recomendações, a cirurgia teria sido assistida por 30 a 40 pessoas, relata o livro.

“Pouquíssimas teriam que estar no centro cirúrgico, muito menos na disputada sala de cirurgia, onde o excesso de pessoas, a negligência com os procedimentos obrigatórios de prevenção e a situação específica do hospital multiplicaram os riscos de infecção”, critica Ronaldo Costa Couto. Ele prossegue: “Eram presenças por interesse político ou de outras naturezas. Médicos ou não, todos os que ali estavam desnecessariamente aumentaram o risco de contaminação do ambiente cirúrgico e do indefeso paciente”.

O autor questiona: “Mesmo sem má-fé dos médicos ou de quem quer que seja, você admitiria ter seu ventre aberto diante de dezenas de pessoas, caro leitor? A maioria delas sem qualquer intimidade, relacionamento ou mesmo conhecimento com você?”

E arremata: “Pois fizeram isso com o presidente da República naquela noite. A cirurgia terminou às 3 horas da madrugada. A sete horas do horário da posse perante o Congresso Nacional”. (p.194 e 195).

Nova operação

Sarney tomou posse, no dia 15, mas o governo ficou capengando com a ausência de Tancredo no comando.  Passavam os dias e Tancredo não dava qualquer sinal de melhora.

Ronaldo Costa Couto registrou: “Os médicos ficam preocupados com a paralisia intestinal do presidente que já se arrastava desde o dia 15. Concluíram que era “nó nas tripas” e decidiram fazer uma nova cirurgia, dia 20. Uma laparotomia branca. Não havia um único nó nas tripas do presidente. Dúvida: abriu-se a barriga dele em vão?” (p.256).

Arquivo: EBN

Após esta foto de aparências, o presidente apresentou quadro de hemorrria interna

Um show macabro

Em 25 de março, retiraram Tancredo da UTI e o puseram em uma cadeira de rodas. Ele foi conduzido até uma sala previamente preparada.

“Ali, vestido de pijama e robe de chambre, uma alegre echarpe no pescoço, de meias e calçando chinelos fechados, o ventre perceptivelmente inchado, posou para fotografias com a equipe médica.

Nelas, todos riam, aparentando descontração e confiança. Mais exposição e sacrifício do doente. Algo inteiramente dispensável. O país sofria com Tancredo, mas estava em paz, sem nenhum sinal de instabilidade”, conta. (p.258).

Horas depois, coincidência ou não, Tancredo sofria forte hemorragia interna. Na manhã seguinte, era transferido às pressas para São Paulo, em uma maca, no avião presidencial.

“No Instituto do Coração, o Dr. Henrique Pinotti divulgava boletim médico informando que o paciente carregava infecção hospitalar contraída em Brasília.

Ele havia acompanhado o tratamento do residente na capital e jamais falara em infecção hospitalar”, observa o autor.

Tancredo morreria nas mãos de Pinotti, na noite de 21 de abril de 1985, vítima de infecção generalizada, após passar por sete cirurgias, duas em Brasília e cinco em São Paulo.

Foto: Duda Bentes/FGV

Cortejo de Tancredo Neves em Brasília

A difícil travessia

Sem Tancredo, o Brasil fez a travessia para o regime democrático a duras penas. A legitimidade de Sarney foi afrontada por muitos  e não reconhecida por tantos outros líderes.

Para vencer a disputa no Colégio Eleitoral, Tancredo havia sangrado o regime militar, atraindo para sua campanha expressivas lideranças do partido do governo, mas sem causar traumas.

A Aliança Democrática que o levou à vitória, formada pelo PMDB e o PFL, contou ainda com o apoio de outros partidos de oposição.

O PT foi a única sigla a não votar nele. Absteve-se, em sinal de protesto, por avaliar que se tratava de um arranjo político de cúpula.

E, de fato, era mesmo. Naquele momento, sem o povo ter direito a votar para presidente, não havia outro caminho para derrotar o sistema.

Porém, o arranjo político só saiu porque Tancredo soube conversar com todas as correntes políticas com ponderação, sem sujar as mãos nem trair suas convicções democráticas. 

Soube costurar, paciente e habilmente, a conciliação nacional e interpretar os sentimentos do país. Soube, enfim, ser estadista em uma hora da maior gravidade para o Brasil, catalisando os sonhos e as esperanças de seu povo.

Foto: Arquivo

Tancredo costurou a conciliação nacional em um momento difícil do Brasil

Isso não vai acabar bem!

O Brasil tem uma crise tão grave quanto a do coronavírus, com seus terríveis efeitos sanitários, econômicos e sociais. É a da política, que vem se acentuando à medida que a Covid-19 avança no país.

No final de semana, o Senado aprovou, em segundo turno, Proposta de Emenda à Constituição (PEC) criando o chamado Orçamento de Guerra”.

A PEC separa R$ 700 bilhões do orçamento de 2020 para ações de combate à Covid-19.

Para se ter uma ideia melhor do valor, ele representa o que o governo pretende economizar em 10 anos com a reforma da Previdência.

Mudança

Apesar de o texto já ter passado pela Câmara Federal, ele retornará à Casa, pois foi alterado no Senado. Mais tempo de espera para quem já está sem ar para respirar.

Quando a PEC entrar em vigor, o governo poderá adotar processos simplificados de compras, contratação de pessoal, execução de obras e serviços.

A proposta também estabelece que o Orçamento de Guerra não precisará cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Declaração de guerra

O presidente Jair Bolsonaro informou pelas redes sociais que orientou a Controladoria Geral da União, órgão responsável pela fiscalização dos gastos públicos, a atuar preventivamente, para assegurar que os recursos cheguem de fato ao usuário final.

O presidente afirmou também que até agora o governo federal já empenhou R$ 140 bilhões no combate à Covid-19. Governadores e prefeitos reclamam que ainda não viram a cor desse dinheiro.

Depois, em entrevista, o presidente disparou uma crítica contundente contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acusando-o de querer inviabilizar o governo e derrubá-lo, com a aprovação do pacote de bondades para governadores e prefeitos, sendo que a conta será paga pelo governo federal.

O exército virtual de Bolsonaro imediatamente caiu de pau no presidente da Câmara.

O presidente achou pouco e ontem participou, em Brasília, de um ato público organizado pela sua militância contra Rodrigo Maia, o Supremo e quem mais atravessar o seu caminho.

Há quem veja em sua atitude a pregação de um golpe de estado.

O fato é que, outra vez, ele atropelou todas as recomendações de isolamento social e falou à multidão.

Só não falou mais porque um repentino acesso de tosse não deixou!

O protesto dos governadores

Pois bem! As coisas estavam nesse pé, inclusive com carreatas pelo fim da quarentena em várias cidades, a partir de Teresina, quando os governadores, que assistiam o embate de camarote, não se aguentaram e saltaram no campo de batalha.

Ontem, 20 deles lançaram uma “Carta aberta à Sociedade Brasileira e em Defesa da Democracia”, jogando mais lenha na fogueira.

O documento manifesta o apoio aos presidentes do Senado e da Câmara Federal, pelo que consideram ataques partidos do presidente da República.

Também sustentam que Bolsonaro assume uma posição de afronta aos princípios democráticos que deveriam nortear o país.

Quem assinou

Entre os que assinaram o documento estão os nove governadores do Nordeste e os de São Paulo e do Rio. Todos fazem oposição aberta ao presidente.

Negaram-se a assinar a carta contra Bolsonaro os governadores Romeu Zema (Minas); Gladson Cameli (Acre), Wilson Lima (Amazonas), Ibaneis Rocha (Distrito Federal), Ratinho Júnior (Paraná), Marcos Rocha (Rondônia) e Antônio Denarium (Roraima).

Estados quebraram

Bem, esse enredo tem tudo para não acabar com um final feliz. Os Estados e municípios estão quebrados. Quebrados!

Já estavam em situação ruim antes da pandemia e ela piorou demais após a quarentena. As receitas despencaram irremediavelmente.

O Piauí, por exemplo, vai começar a respirar por aparelhos. Em abril do ano passado, a arrecadação de ICMS do Estado foi de R$ 250 milhões. Até a semana passada, não passava de R$ 50 milhões.

Em vários órgãos, o pagamento dos salários de março foi feito com atraso. Outros ainda não pagaram.

E o pior vem aí com o pagamento de abril, se o Estado não receber urgentemente nova injeção de recursos através do “Orçamento de Guerra”.

A conta chegou

Então, não dá para entender como os governadores ainda procuram esticar a corda com Bolsonaro. A não ser que estejam já na fase do tudo ou nada.

Claro que eles seguiram um padrão internacional com a adoção das medidas de isolamento, mas não combinaram com o governo federal quem pagaria a conta. Ela chegou agora e os cofres dos Estados estão vazios.

O resultado é que o país se vê diante de duas graves crises graves, a do coronavírus e a da política. Ambas têm poder devastador,  sem perspectiva de solução imediata.

A diferença entre elas é que a primeira se impôs como um fenômeno imponderável, enquanto a segunda é fabricada artificialmente pelas mãos e as mentes dos que só pensam em poder.

Esta segunda crise, a da política, tem um potencial extraordinário para agravar ainda mais o que já é muito grave na primeira, a da pandemia.

E assim vai o Brasil descendo a ladeira!

Brasileiro cordial, uma ova!

Imagem: Reprodução

Operários, de Tarsila do Amaral (1933), ilustrou a capa de várias edições do livro

 

Em seu livro “Raízes do Brasil”, publicado em 1936, com dezenas de reedições até aqui e transformado em clássico, o historiador Sérgio Buarque de Holanda apresentou a figura do “brasileiro cordial”.

De acordo com esse conceito, virtudes nacionais tão elogiadas por estrangeiros, como hospitalidade e generosidade, representam “um traço definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece viva e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano”.

O “homem cordial” é, segundo sua definição, “a forma natural e viva que se converteu em fórmula”. 

Com tal conceito, ele procura, pois, definir a personalidade alegre, agregadora e tolerante que se atribui ao brasileiro. Mas tal definição deixa muita gente com o pé atrás e de orelha em pé.

Há quem interprete que, no caráter etimológico defendido pelo autor, não é exatamente “cortês” ou “bondoso” o que definiria o brasileiro. “Cordial” viria de coração. Ou seja, é o tipo de pessoa que se orienta de forma passional – portanto, emocional – muito mais do que pela racionalidade.

A vida como ela é

Na vida real, não faltam exemplos para confirmar essa visão. Eles se propagam de forma assustadora e escandalosa nos últimos tempos.

“A relação conflituosa entre o amor e o ódio tem levado às ruas atitudes que desconhecem os limites do bom senso. Perdemos a vergonha da nossa vergonha e agora gritamos ao mundo a revolta generalizada contra tudo e contra todos”, analisa na Revista Fórum a jornalista Maíra Streit, especializada na cobertura de temas voltados para os direitos humanos.

Ela sustenta que, no debate político, “importamos do futebol a rivalidade e os palavrões; das novelas, vieram os arquétipos de “mocinhos” e “vilões” e seu consequente maniqueísmo simplificador”.

Guerra virtual

A jornalista chama a atenção para o fato de que, aquele que se diz “do lado do bem” é o mesmo que pede cadeia para adolescentes, pena de morte, justiçamento, repressão a homossexuais. “É o mesmo que objetifica as mulheres, faz piadas racistas, fura a fila e, se possível, “molha a mão” do guarda para se livrar de uma multa.”

Esse mesmo tipo não se envergonha de berrar em defesa de políticos condenados por crimes de corrupção ou abraçar tipos populistas, demagogos e salafrários que vendem promessas fáceis para problemas complexos.

Esse mesmo tipo é, ainda, o que usa anonimamente as redes sociais para destilar sua ideologia raivosa contra potenciais inimigos, mas, claro, colocando-se como exemplo pronto e acabado da mais absoluta e fina retidão moral e ética.

Na verdade, o espírito de beligerância do “brasileiro cordial” se acentuou de forma brutal nos últimos anos, especialmente nas mídias sociais, que se tornaram uma praça de guerra virtual. Do pescoço para baixo, tudo é canela.

Ulysses no Piauí

Na campanha presidencial de 1989, a primeira depois do golpe militar de 1964, o candidato do PMDB, deputado Ulysses Guimarães, foi chamado de velho pelo candidato do PMN, Fernando Collor, então líder disparado nas pesquisas de intenção de voto.

O deputado deu sua resposta no Piauí, em comício realizado em Oeiras. Eu estava lá, fazendo a cobertura da visita de Ulysses ao Estado para o jornal Correio Braziliense e para a TV Clube (a reportagem saiu também no Jornal Nacional).  

A visita de Ulysses ao Piaui, em campanha eleitoral, foi organizada pelo então prefeito de Teresina, Heráclito Fortes, amigo do candidato. Na época, o PMDB piauiense, puxado pelo cabresto pelo governador Alberto Silva, estava no palanque de Collor. Mas aí já é outra história.

O fato é que a caravana peemedebista foi a Oeiras e, antes, fez uma escala em Floriano, para um ato político organizado pelo ex-deputado Filadelfo Freire de Castro.

Lá em Oeiras, no comício montado pelo ex-prefeito B. Sá, registrei para todo o Brasil a resposta do Dr. Ulysses a Collor: “É preciso saber, primeiro, o que cada um fez de sua idade. Sou velho, uma ova!”

Nestes tempos de coronavírus, repito então o velho e sábio Uysses: brasileiro cordial, uma ova!

 

Adiamento das eleições, mas sem prorrogação

À medida que se aproxima o prazo para o início das convenções partidárias para a escolha dos candidatos, mais aumentam as chances de adiamento das eleições municipais deste ano.

As convenções devem ocorrer de 20 de julho a 5 de agosto, porém as eleições estão ameaçadas pelo coronavírus. Não há previsão de controle da pandemia. Ao contrário, a perspectiva é de avanço.

O novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, eleito ontem, defendeu que, se for necessário adiar as eleições 2020 por causa da pandemia, que elas aconteçam no menor período possível.

O novo presidente do TSE afirmou que as eleições são vitais para a democracia e que estará em articulação com o Congresso Nacional sobre as possíveis mudanças no calendário eleitoral.

"Ainda é cedo para termos uma definição se a pandemia vai impor um adiamento da eleição, mas é uma possibilidade", admitiu.

O ministro descartou, porém, levar as disputas municipais para 2022. Ou seja, deu um chega prá lá na tese da prorrogação dos mandatos dos atuais prefeitos e vereadores, que tem encantado muita gente, a partir deles próprios.

 

Imagem: Reprodução

 

Balançou e caiu

O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, balançou, balançou e acabou caindo, como estava previsto.

O escolhido para o seu lugar é o oncologista Nelson Teich, que chegou avisando que não pretende fazer qualquer mudança brusca na política da pasta, mas defendeu o entendimento entre as áreas de saúde e da economia sobre a melhor estratégia de combate à crise do coronavírus no País.

Alinhamento

O novo ministro disse haver um "alinhamento completo" com o presidente Jair Bolsonaro.

Era o que faltava entre Mandetta e o presidente. O ex-ministro defendia o isolamento social. Bolsonaro era contra e ainda procurava um jeito de desmoralizar o esforço do Ministério da Saúde para cumprir a medida.

A crise

Que o novo ministro arregace as mangas e comece a suar a camisa. A crise sanitária vem se agravando a cada dia, com o vírus se espalhando por vários lugares e a impaciência contra o isolamento social aumentando.

Ele chega já sabendo o que fazer: testes em massa, abertura de leitos e equipamentos proteção individual.

O dono da caneta

Quanto ao ministro Mandetta, deu a sua contribuição, dentro do que orienta o seu conhecimento técnico e a sua visão política.

Porém, esticou a corda demais. Volta para casa sabendo que quem dá a diretriz – certa ou errada – é o presidente, o dono da caneta.

Nota de repúdio

A Associação Piauiense de Municípios (APPM) emitiu ontem nota de repúdio contra declarações pelo presidente da Federação do Comércio do Estado do Piauí (Fecomércio), Valdeci Cavalcante, feitas através de vídeo que circulou pelas redes sociais na quarta-feira.

Ele acusou governadores e prefeitos de chantagem, banditismo e oportunismo na decretação do isolamento social.

Desconhecimento

De acordo com a nota, assinada pelo presidente da APPM, Jonas Moura, o empresário Valdeci Cavalcante desconhece a situação em que vive o Brasil e o Piauí.

“Tal comportamento do presidente da Fecomércio demonstra o seu total desconhecimento sobre a situação que o Brasil vive hoje, especialmente a situação do Piauí, onde os gestores estão sofrendo conjuntamente com a população, solidários com as forças produtivas locais, com a grave queda de arrecadação e cientes de que os efeitos desta indesejável crise vão perdurar por algum tempo em todos os municípios”, afirma.

A nota segue repudiando os atos e as calúnias do presidente da Fecomércio, mas não fala em processo contra ele.

Na linha com Bolsonaro

Ainda ontem, o presidente da Fecomércio recebeu ligação telefônica do presidente Jair Bolsonaro agradecendo as suas declarações.

O presidente queixou-se que, na atual crise, estava sendo traído inclusive por membros de sua equipe.

Bolsonaro compartilhou o vídeo com as declarações de Valdeci Cavalcante em suas contas nas redes sociais.

 

 

* O Sinte está chiando contra a tentativa da Secretaria de Educação de retomar as aulas através do sistema de ensino à distância.

* Se não é assim, como deve ser? As escolas particulares já engrenaram o ensino à distância em sua prática durante a quarentena.

* A deputada Teresa Brito (PV) disse que vai pedir vista nos novos pedidos de empréstimos do governador Wellington Dias, que totalizam R$ 1,6 bilhão.

* Em plena crise, o governador deu condições para convocação de mais um suplente de deputado estadual. É o companheiro Paulo Martins, sétimo suplente.

 

 

Tempos estranhos

Do professor Jônathas Nunes, físico nuclear e ex-militar, sobre a pandemia do Covid-19:

- Tempos estranhos!... Tão estranhos que é prudente a gente estar preparado para ver dois raios caírem no mesmo lugar.

Isolamento é chantagem, denuncia presidente da Fecomércio

Foto: Reprodução

Presidente da Fecomércio denuncia que isolamento é armação

 

A temperatura subiu ontem, em Teresina, em meio à pandemia do Covid-19: o presidente da Federação do Comércio do Piauí, Valdeci Cavalcante, também vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio, acusou governadores e prefeitos  de estarem fazendo chantagem com o Governo Federal com o isolamento social.

Segundo ele, o que governadores e prefeitos querem, na verdade, é passar a mão em R$ 180 bilhões que estão sendo aprovados pelo Congresso como “Orçamento de Guerra” para combater a pandemia e seus efeitos.

“Eu tenho como provar que tudo isso é banditismo, chantagem e oportunismo”, afirmou o empresário, em vídeo que circulou pelas redes sociais com milhares de visualizações em poucas horas.

Valdeci Cavalcante denunciou que no Piauí o governador Wellington Dias e o prefeito Firmino Filho estão tomando medidas arbitrárias para forçar a população a ficar em casa.

Terrorismo e demissões em massa

“Não há necessidade desse isolamento. O setor de cemitérios da Prefeitura informou que de janeiro até 31 de março foram sepultados 918 corpos em Teresina. Desses, apenas 5 morreram por coronavírus”, criticou.

Ele afirmou também que governadores e prefeitos querem receber os R$ 180 bilhões para gastar sem licitação, na compra de material descartável, o que dificulta a posterior fiscalização do Tribunal de Contas e de outros órgãos de controle externo.

“Querem esse dinheiro é para colocar no bolso e, para isso, estão causando tanto terrorismo à população”, acusou o presidente da Fecomércio.

Valdeci Cavalcante informou à tarde, em entrevista, que 91,2% das empresas do Piauí são do Simples, faturam menos de R$ 4 milhões por ano e têm em média 5 empregados. Apenas 1,8% são consideradas médias ou grandes.

“As micro e pequenas - 91% - começaram a demitir esta semana sem condições sequer de pagar as verbas rescisórias de seus empregados. Não dispõem hoje de meios mínimos para sobreviver. E eu que represento está categoria e eles têm acesso a mim, imagine como eu estou emocionalmente!”, relatou.

Isolamento continua

O governador Wellington Dias e o prefeito Firmino Filho se mantêm firmes quanto às decisões de isolamento social decretadas para até o final deste mês.

“Afrouxar as medidas agora significa a explosão de casos brevemente. Experiências em todo mundo, especialistas dos mais variados setores provam isso. Não será eu que irá contra o que diz a Ciência”, avisou o prefeito, pelas redes sociais.

O prefeito deu também uma panorâmica da situação de isolamento social por regiões na capital: “As regiões que ficam entre 40% e 50% e que precisam de mais cuidado são: - Zona Sudeste: Itararé, Novo Horizonte, São Sebastião, Beira Rio. - Zona Leste: Vale do Gavião, São João - Zona Norte: Buenos Aires, Memorare, São Joaquim, Residencial Francisca Trindade, Parque Brasil”.

Segundo Firmino, hoje os bairros Teresina Sul, Brasilar e Santo Antônio são a maior preocupação da Prefeitura, pois têm registrado taxa de isolamento em torno de 40%, “o que é muito pouco”.

À tarde, o prefeito conversou com quase 70 lideranças da região Sul da cidade. Todas se comprometeram a orientar sobre a importância do isolamento.

Mais doentes

Ontem também, o Conselho Regional de Medicina divulgou uma nova recomendação prorrogando por mais 15 dias a suspensão do atendimento eletivo prestado em clínicas, consultórios, hospitais, ambulatórios médicos, laboratórios e clínicas de imagem no Piauí, em função do coronavírus.

Ontem à noite, a Secretaria de Saúde divulgou novo boletim sobre a situação do Covid-19 no Piauí. A doença se alastra: 91 casos confirmados em 10 municípios do Estado.

Dias mais tensos virão!

O novo mapa do Covid-19 no Piauí divulgado ontem à noite

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