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Depois da pandemia...

Foto: Reprodução/Cidadeverde.com

Governador Wellington Dias, na TV Cidade Verde: "Vai passar!"

 

A previsão do Governo do Estado é de que o alto risco de a pandemia do Covid-19 se alastrar pelo Piauí vai até a metade de maio. A partir daí, será possível fazer um novo diagnóstico da situação e lançar um novo prognóstico.

Em entrevista ontem à TV Cidade Verde, o governador Wellington Dias reforçou a necessidade das medidas de isolamento social e reiterou o apelo para que as famílias fiquem em casa durante toda a Semana Santa, suspendendo as costumeiras viagens ao interior nesse período.

Ele reconhece os prejuízos econômicos provocados pela quarentena, mas insistiu que ela é, no momento, o melhor remédio para o enfrentando da pandemia.

O isolamento é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. Ele avisou que o Estado não abrirá mão de fazer cumprir as medidas de isolamento.

Caos na saúde

Ele lembrou que várias cidades brasileiras, como Manaus, já estão enfrentando o colapso na saúde, ou seja, não têm mais leitos disponíveis para a internação dos doentes mais graves de Covid-19.

O governador advertiu que, se o Piauí relaxar no cumprimento da quarentena, enfrentará os mesmos problemas. “Isso vai passar. Vamos ter paciência que logo, logo, passa”, confia.

Ele adiantou que o retorno das atividades deve ocorrer de forma gradativa, de acordo com os próximos panoramas da epidemia que vão se apresentando.

E depois?

Na segunda parte da entrevista, o governador disse que o Piauí está se preparando, também, para o momento seguinte à pandemia do coronavírus. Ou seja, para a retomada das atividades econômicas.

Para tanto, ele orientou a sua equipe, através de audiência virtual, na terça-feira, para que todos estejam com os projetos de suas pastas preparados, de modo que eles possam ser executados assim que houver as condições de investimentos.

“Primeiro vamos cuidar das pessoas, da vida; em seguida, vamos trabalhar para alavancar a economia”.

Wellington enfatizou que muito se fala que estão sendo liberados bilhões para os Estados, para o combate ao Covid-19, mas que esse dinheiro ainda não chegou.

“Estamos fazendo tudo aquilo que é possível. Adotamos medidas duras e temos investido em ações e na compra de exames e organização de UTIs”, destacou.

Novos empréstimos

Ele lembrou que a situação do Estado é de calamidade, sendo necessário injetar dinheiro na economia.

Por isso, está solicitando à Assembleia Legislativa autorização para contrair novos empréstimos, totalizando R$ 1,6 bilhão, para investimentos imediatos na área da saúde, fundamentalmente.

Bem, nessa parte já não é possível acreditar que o Piauí vá fazer alguma obra de relevância depois da crise do coronavírus.

Dinheiro de empréstimo não faltou para o Piauí virar um canteiro de obras. E isso não aconteceu, mesmo sem coronavírus. Fez-se uma obra eleitoreira aqui e outra acolá. Outras foram abandonadas sem conclusão, como o Centro de Convenções.

Mas a hora é de enfrentar o Covid-19 e seus efeitos danosos.

A discussão sobre a incapacidade do Governo do Piauí de fazer obras fica para outra oportunidade.

 

Uma mulher que fez história

Foto: Reprodução

Myriam Portella, ex-deputada federal constituinte

 

O Piauí se despediu ontem de uma mulher que fez história na política – Myriam Portella, que faleceu aos 87 anos, de pneumonia.

A cerimônia de despedida foi restrita à família, em função da pandemia do Covid-19, que proíbe aglomerações, inclusive nos velórios.

As homenagens à sua memória foram prestadas através da imprensa e das mídias sociais.

Dona Myriam Portella se projetou na vida pública como presidente da Comissão de Assistência Comunitária (CAC), no governo Lucídio Portella (1979-1983).

O cargo era exercido pelas primeiras-damas, que abraçavam muitas das políticas sociais do Estado.

Eleição para a Câmara

Sua atuação foi tão marcante, sobretudo nos bairros mais pobres de Teresina, que ela acabou sendo eleita deputada federal nas eleições de 1986, quando já não era mais primeira-dama nem ocupava cargo público.

Dos 27 mil votos que garantiram seu mandato, mais de 18 mil foram obtidos na capital.

Na Câmara Federal, ela aliou-se aos grupos parlamentares progressistas na defesa dos direitos sociais e da mulher, especialmente durante o processo de elaboração da nova Constituição do Brasil.

Myriam Portella, em foto da época em que foi candidata a deputada

Candidata a prefeita

Nas eleições municipais de 1988, ela quebrou tabu novamente na política e foi candidata a prefeita de Teresina, através de uma aliança que uniu no mesmo palanque o PDS, o PCdoB e o PMDB estadual.

Na reta final da campanha, rompeu com o governador Alberto Silva, de quem seu marido era vice-govenador. Resultado: seu palanque foi esvaziado pelo governo. Acabou em terceiro lugar.

O candidato vitorioso foi o deputado federal Heráclito Fortes (PMDB). O segundo colocado foi o também deputado federal Átila Lira (PFL).

Fundadora do PSDB

Derrotada na eleição municipal em Teresina, a deputada Myriam Portella levantou, sacudiu a poeira e voltou para Brasília, para retomar as suas atividades no Congresso.

Lá juntou-se a Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, José Serra, Chagas Rodrigues, Moema São Thiago e outros parlamentares na fundação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), em 1989.

Não se reelegeu para a Câmara nas eleições de 1990 e retornou à vida pública em 1993, como secretária municipal da Criança e do Adolescente, a convite do prefeito Wall Ferraz, liderança do PSDB no Piauí.

Em sua gestão, a Prefeitura de Teresina recebeu um Prêmio da Fundação Ford pelo Projeto Creches Comunitárias, idealizado e implantado por ela nos bairros periféricos.

É também desse tempo a criação da Casa de Zabelê, instituição de apoio a meninas em situação de rua e de risco em Teresina. O projeto foi implantado em parceria com a Arquidiocese.

Na Prefeitura, o xodó de todos

Foi nessa época que fiquei próximo de dona Myriam. Eu era secretário de Comunicação na mesma equipe.

Nossa amizade se estreitou a partir daí e se prolongou até o seu silêncio definitivo. Também estou muito triste com a sua partida.Dona Myriam era uma pessoa doce, bela, inteligente, generosa, firme e alto astral, apesar das duríssimas provações que a vida lhe impôs.Conhecia a fundo os bastidores da política piauiense.

Todos os secretários a reverenciavam, especialmente os que mais gostavam de política, mesmo se declarando técnicos: Firmino Filho (Finanças), Kleber Montezuma (Trabalho e Ação Comunitária), George Mendes (Indústria e Comércio), Matias Matos (Agricultura), Romildo Mafra (Chefe de Gabinete) e José Reis Pereira (Educação) – este, sim, político, ex-deputado estadual e dirigente do PSDB.

Como lembra o publicitário George Mendes, em crônica que lhe dedica, “Ela sempre trazia uma curiosidade, queria dialogar sobre um determinado tema, assunto, circunstância. Sabia, como poucos, fazer o jogo das influências: bebia da fonte e servia água fresca.A passada curta trazia elegância e firmeza de orientação”.

Dona Myriam era uma tucana fervorosa. Sempre ia para a rua defender as bandeiras do partido e seus candidatos a presidente.

Ela presidiu o PSDB em Teresina e integrou a ala feminina do PSDB nacional.

Era formada em Direito pela Universidade Federal do Piauí e servidora aposentada da Justiça Eleitoral.

Foto: Agência Senado

Mulheres constituintes homenageadas no Senado, em 2018

Homenagem do Congresso

Em março de 2018, o Senado e a Câmara Federal prestaram homenagem a Myriam Portella e às demais 25 deputadas que atuaram no processo constituinte, entre 1987 e 1988. Elas receberam o Diploma Bertha Lutz.

A entrega foi feita durante sessão solene do Congresso Nacional, no Plenário do Senado. O evento integrou a programação comemorativa dos 30 anos da Constituição de 1988.

O Diploma Bertha Lutz foi criado em 2001 para premiar anualmente pessoas que tenham oferecido contribuição relevante à defesa dos direitos da mulher e questões de gênero no Brasil, em qualquer área de atuação.

Mulher na política

A sua condição de primeira mulher a se eleger deputada federal pelo Piauí e de única mulher do Estado a participar de uma Assembleia Nacional Constituinte não a envaidecia.

Ela não encarava isso como uma conquista pessoal sua. Via mais longe: em uma sociedade historicamente machista, a sua eleição para a Câmara Federal significava, antes de tudo, uma abertura na política para a participação feminina.

Hoje, das 10 cadeiras do Piauí na Câmara Federal, quatro são ocupadas por mulheres, uma delas a deputada Iracema Portella, filha de dona Myriam.

Que a sua caminhada política continue a inspirar as mulheres do Piauí!

Siga em paz, dona Myriam, para o seu descanso eterno!

Bolsonaro desiste de demitir ministro da Saúde

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Bolsonaro ameaça, mas não demite ministro

 

Em meio à crise do coronavírus, o Brasil viveu ontem um dia de tensão política e expectativa.

Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro avisou que, a qualquer momento, poderia usar a sua caneta bic para exonerar auxiliar que, segundo ele, o poder lhe subiu à cabeça e se acha estrela.

A declaração do presidente foi vista como um recado curto e grosso ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, cujo desempenho no combate ao Covid-19 vem sendo elogiado por muitos, especialmente porque ele se orienta por critérios técnicos.

Rota de colisão

Ao longo dessa crise na saúde, o presidente e o seu ministro já apareceram várias vezes em rota de colisão.

Mandetta orientou e defende o isolamento social, uma medida que vem sendo recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e adotada por todos os países afetados pela pandemia.

Já o presidente é contra. Para ele, deveriam estar isolados os grupos de risco, especialmente os idosos. O mais deveria estar funcionando normalmente.

O presidente não está só na defesa desta tese. Vários especialistas também concordam que ela seria o bastante, pois o isolamento total e prolongado acaba sendo mais danoso que o vírus.

Descompasso

O fato é que o próprio governo não se entende. O Ministério da Saúde caminha para um lado e o presidente para o outro, na questão do enfrentamento do Covid-19.

Não é de hoje também que o debate sobre a questão está politizado. E de uma forma muito radical.

O presidente estaria sendo criticado da mesma forma se estivesse apoiando as medidas do seu ministro da Saúde. Ou se tivesse cruzado os braços.

Em uma situação dessas, porém, sendo sempre desautorizado pelo chefe e até levado ao constrangimento público, qualquer ministro com o mínimo de simacol já teria pedido exoneração.

É a regra básica de qualquer atividade, pública ou privada: não dá para trabalhar com quem desautoriza a sua ação ou não confia em seu serviço.

Queda anunciada

Durante toda a tarde, a gritaria foi grande nas redes sociais, com uma reação violenta à eventual demissão do ministro da Saúde, que chegou a ser noticiada por grandes veículos de comunicação, em seus portais de notícia. Chegou a ser escalado até o nome do substituto.

Os principais críticos da exoneração foram, naturalmente, os adversários do presidente.

O caso, porém, é que houve uma reunião de Bolsonaro com o seu ministério, no final da tarde, e a exoneração do ministro da Saúde não se confirmou. Ele continua na linha de frente do combate ao coronavírus.  

A cabeça do presidente

Mais uma vez, o Brasil não perde a oportunidade de reafirmar a sua condição de país surrealista.

O presidente da República não pode demitir um ministro de Estado, qualquer que seja ele, por qualquer que seja o motivo.

No entanto, todos os que se revoltam contra o seu poder constitucional de nomear e exonerar ocupantes de cargo de confiança em seu governo se acharam com poder e no direito de pedir a cabeça do presidente.

Queda no faturamento atinge 86% das pequenas empresas

Foto: Letícia Santos/Cidadeverde.com

Superintendente do Sebrae, Mário Lacerda

 

A quarentena imposta em função do Covid-19 já provocou uma queda de 86% nos negócios das pequenas empresas no Piauí.

É que mostra a pesquisa “Impacto do Coronavírus nos Pequenos Negócios”, feita pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Sebrae Nacional.

Conforme o levantamento, 89% dos pequenos negócios brasileiros já registram queda no faturamento.

A pesquisa foi feita entre os dias 20 e 23 de março, junto a um universo de 9.105 donos de pequenos negócios de todo o país.

O levantamento revela também que 18% dos empreendimentos precisarão encerrar as atividades no período de um mês, caso não haja mudança em relação aos decretos que determinam a suspensão de atividades não essenciais.

Angústia e calma

“Os números fazem compreender a angústia dos empresários, já que o funcionamento dos negócios é o que garante o pagamento da energia, do aluguel, dos funcionários e de outras despesas, além da sustentabilidade do empreendimento”, destaca o diretor superintendente do Sebrae no Piauí, Mário Lacerda.

Segundo ele, o momento é delicado, mas é preciso ter calma. “São muitas as decisões a serem tomadas, e é importante não se deixar guiar pelo desespero. A nossa recomendação é buscar o máximo de informação”, orienta.

O superintendente do Sebrae Piauí recomenda ainda que é importante também ficar atento às medidas de governo. “São medidas que beneficiam diretamente os Microempreendedores Individuais e empresários de micro e pequenos negócios, como é o caso do diferimento de tributos, auxílios emergenciais e crédito para pagamento de funcionários”, frisa.

Essas medidas devem contribuir para mitigar os efeitos da redução de faturamento nos pequenos negócios do país, calcula.

Com a expressiva queda nas vendas, 54% dos empreendedores brasileiros já preveem que precisarão solicitar empréstimos para manter o negócio em funcionamento sem gerar demissões.

No Piauí, tem essa mesma previsão 57,1% dos empreendedores.

Socorro financeiro

Para o presidente do Sebrae Nacional, Carlos Melles, a pesquisa confirma a importância e a urgência de medidas de socorro aos pequenos negócios.

No pacote de medidas para reduzir os efeitos da pandemia do Covid-19 na economia o governo federal anunciou a liberação de R$ 59,4 bilhões para as empresas enfrentarem a crise.

Anunciou também o adiamento do prazo de pagamento do FGTS por três meses (R$ 30 bilhões); adiamento da parte a ser recebida pela União no Simples por três meses (R$ 22,2 bilhões); crédito adicional para micro e pequenas empresas por meio do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) (no total de R$ 5 bilhões) e redução de 50% nas contribuições ao Sistema S por três meses (R$ 2,2 bilhões).

(Com informações do Sebrae-PI)

Uma viagem a Marte

Imagem: Reprodução/NASA

 

Uma nova crônica da quarentena, agora escrita pelo professor Jônathas Nunes e publicada por ele no grupo de WhatsApp da Academia Piauiense de Letras, e que compartilho com nossos leitores:

 

“Se eu tivesse bem menos idade, certamente iria me inscrever na NASA  para o processo de escolha dos primeiros astronautas a caminho de Marte. Por que digo isso?

Antes que 2030 desponte na linha do horizonte, os primeiros astronautas com destino a Marte estarão levando a tiracolo a parafernália de recursos do mundo virtual e da inteligência artificial. 

Há fortes conjecturas de que a solidão cósmica poderá desenvolver na tripulação a sensação aterradora de perturbação do psiquismo humano, de esmagamento das potencialidades do cérebro com alteração do ciclo de atividade elétrica e ausência prolongada do regime circadiano.

É certo que esses aprendizes de astronauta passarão por rigorosíssimo processo seletivo. Não somente isso. Submetidos a treinamento intensivo, a provas e testes duríssimos de resistência mental, psíquica e emocional,  e passagem por períodos de quarentena de dois a três meses.

É óbvio que muitos poderão se interessar por empreitada original e inédita como esta, embora seja certo que todo o arsenal de armas da neuropsiquiatria será utilizado na filtragem dos primeiros candidatos a astronauta.

Quarentena

De minha parte, como sabido de todos, estou submetido presentemente a rigorosa quarentena provavelmente de mais de mês. Vejo que minhas condições psíquicas, do meu ponto de vista, parecem se conformar às exigências dos padrões da NASA. 

Por que me animo a fazer esta afirmação? Tendo já vivido ao menos duas quarentenas, observo ao fim e ao cabo, que, além desse fato, ainda bem jovem, assim quis o destino, passei por uma espécie de semi-isolamento  de dois anos e meio, em circunstâncias tais que evidenciam a resiliência  do ser humano em situação de risco de natureza variada.

Explico. Jovem tenente do exército, meus primeiros dois anos e meio na tropa foram no Quartel de Amaralina, em  Salvador. Tendo que morar em pensão no centro da cidade, bem distante do Quartel, a alternativa aos quatro jovens oficiais chegados foi irmos morar numa casa velha do Exército, virtualmente caindo aos pedaços, abandonada, distante uns duzentos metros do Quartel.

Isolamento

Após umas poucas semanas, no entanto, nos foi oferecido um quarto bem equipado, dentro do Quartel. Os três colegas aceitaram. Eu declinei. Minhas atividades intelectuais estavam a exigir um quarto exclusivo, ainda que em péssimas condições de habitabilidade, mas onde poderia espalhar os livros, revistas e jornais e ficar até tarde da noite lendo. Optei por continuar morando nessa casa velha ou pardieiro, sem calçada em volta, só mato no entorno, a rigor um tanto mal-assombrada, isolada, sem casa nenhuma por perto.

E assim fiquei dois anos e meio, morando sozinho nessa casa, sem conforto algum, sem rádio, sem televisão, sem geladeira, sem fogão, sem água, sem a mínima segurança, praticamente incomunicável.

Nos dois anos e meio ali vividos nunca recebi a visita de colega algum, nem mesmo do Quartel. Meu comandante, Major Germano Seidl Vidal, foi uma única vez lá dar uma espiada e me lembro de ter ficado horrorizado como eu me dispunha a ficar morando num lugar tão insalubre e naquelas condições, até sem água encanada.

Segurança precária, sem ter para quem apelar numa emergência, toda noite dormia com a pistola Colt 45 debaixo do travesseiro e o carregador cheio de bala.

Uma vaga no espaço

Hoje, no retrovisor do tempo, vejo que ao longo da vida tenho mostrado certa capacidade física e mental de me adaptar a condições as mais adversas.

Assim sendo, não fosse pela idade, estaria eu hoje, talvez, me credenciando a disputar uma vaga na primeira espaçonave que aí por volta de 2028/29 estará decolando de Cabo Canaveral, na Flórida, com destino ao Planeta Vermelho.

Estava eu divagando nesses planos de viagem ao espaço, quando o celular toca. Era o netinho Tutu, de cinco anos, dizendo: “Daddy você é meu”.

Os planos desabaram como castelo em areia movediça."

Prefeitura endurece regras da quarentena

Foto: Cidadeverde.com

Guarda Municipal sai às ruas para fiscalizar isolamento em Teresina

 

“Eu, como prefeito e como cidadão, me sinto absolutamente frustrado em tentar tudo que está ao nosso alcance para proteger as pessoas e ver que grande parte continua saindo de casa, inclusive para amenidades”.

O desabafo foi feito pelo prefeito Firmino Filho, através das mídias sociais, com a dura advertência: “Sinto em dizer que não vai demorar o momento de grandes arrependimentos. Esse descompromisso será pago com a vida de muitas pessoas. Muitos nossos conhecidos e familiares”.

Depois do desabafo, o prefeito decidiu baixar ontem um novo decreto restringindo ainda mais o comércio, mesmo em atividades que são importantes para a cadeia de serviços essenciais.
Pela decisão que endurece as regras da quarentena contra o Covid-19, a partir de hoje as lojas de material de construção e de peças automotivas deverão ser totalmente fechadas.

Os petshops deverão fechar parcialmente, com expediente das 8 às 13h. Continuarão abertos apenas para atendimento clínico dos animais.

Guarda na rua

O prefeito assinou também a nomeação de todos os aprovados no concurso da Guarda Municipal de Teresina.

Com isso, a Prefeitura vai aumentar em quase três vezes a presença da Guarda Municipal nas ruas da cidade.
A missão principal é reforçar a fiscalização do isolamento social, segundo o prefeito, “nossa única arma contra a pandemia”.

Serão fechados os estabelecimentos que não se enquadram na área dos serviços essenciais.
O prefeito informou que, a partir de hoje, por decisão do governador Wellington Dias, a Polícia Militar vai reforçar a fiscalização da Guarda Municipal em todas as regiões de Teresina.

Firmino disse que os esforços da Prefeitura e do Governo do Estado serão em vão se cada morador da cidade não fizer a sua parte.
“Então, reforço o apelo para quem relaxou nos últimos dias e está saindo de casa. Essa atitude pode custar a sua vida e a vida de quem você ama. Essa é uma escolha que nem eu nem ninguém pode fazer por você”, apelou.

As autoridades sanitárias alertam que estas duas semanas serão as mais cruciais para a disseminação ou não do coronavírus, daí porque se faz necessário o reforço do isolamento social.

Dividindo a crise com os bancos

Foto: Pedro França/Agência Senado

Senador Ciro Nogueira: dividindo a conta da crise com os bancos

 

Os bancos privados vão ajudar no combate ao Covid-19 no Brasil se o Senado aprovar um projeto de lei que aumenta a alíquota e a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos dos atuais 15% para 50%.

O projeto foi apresentado pelo senador Ciro Nogueira (Progressistas) e atinge, sobretudo, quatro bancos: Bradesco, BB, Itaú e Santander.

Conforme o senador, trata-se de fazer com que esse segmento da economia, que possui histórico de recordes de lucro decorrente de atividades financeiras, colabore efetivamente com os recursos necessários para a saúde no país.

O parlamentar esclareceu que a medida não afetará correntistas e será aplicada exclusivamente aos grandes bancos e instituições financeiras. 

A ideia do senador é que a receita possa ser dividida entre União, Estados e Municípios, “que hoje enfrentam escassez de recursos em virtude da epidemia da Covid-19”.

Ele disse que os recursos estarão vinculados aos setores da saúde e assistência social.

Ciro Nogueira já se declarou a favor da destinação do Fundo Eleitoral deste ano exclusivamente para a Saúde, se as eleições forem adiadas.

Lucro recorde

Os bancos tiveram um lucro superior a R$ 100 bilhões no ano passado, com o país ainda atolado na crise econômica e financeira.

Há poucos dias, essas instituições financeiras alardearem que ajudariam os clientes a enfrentar a crise econômica decorrente da pandemia de coronavírus.

A seguir, decidiram não liberar empréstimos, aumentaram os juros e reduziram os prazos de pagamentos para dívidas novas.

O Congresso está com três projetos importantes para votar nessa área. Um trata da taxação das grandes fortunas, outro taxa os lucro e dividendos e, por fim, esse do senador Ciro Nogueira que muda a taxação dos lucros estratosféricos dos bancos.

Urgência

O senador Elmano Férrer (Podemos/PI) protocolou pedido de urgência na tramitação do projeto que taxa grandes fortunas. Os recursos, segundo ele, serão destinados para reforçar o sistema de saúde do país, dispondo de novos leitos de UTIs, aquisição de respiradores e hospitais de campanha.

O Projeto de Lei Complementar 183/2019, de autoria do senador Plínio Valério (PSDB-AM), cria o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), que incidirá sobre patrimônios líquidos superiores a R$ 22,8 milhões, com alíquotas que vão de 0,5% a 1%.

Segundo o senador, a expectativa de arrecadação é de R$ 70 a R$ 80 bilhões. 

O projeto está pronto para ser votado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), com relatório do senador Major Olímpio pela sua aprovação.

(Com informações da exame.com e Agência Senado)

 

“Janela” partidária se fecha na sexta-feira

Foto: Divulgação/TSE

Eleição deste ano ainda não é certa

 

Começou a contagem regressiva para as eleições municipais de 2020, conforme o calendário elaborado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

De acordo com o calendário do TSE, o prazo da chamada ‘janela’ eleitoral acaba na próxima sexta-feira, dia 3.

Até lá, vereadores podem mudar de partido para concorrer à eleição (majoritária ou proporcional) de outubro sem incorrer em infidelidade partidária. A ‘janela’ foi aberta em 5 de março.

Também este mês, no dia 4 – seis meses antes do pleito – esgota-se o prazo para que novas legendas sejam registradas na Justiça Eleitoral a tempo de lançarem candidatos próprios às eleições deste ano.

Além disso, até o dia 4 de abril, aqueles que desejam concorrer ao pleito devem ter domicílio eleitoral na circunscrição na qual desejam disputar e estar com a filiação aprovada pelo partido.

Desincompatibilização

Por fim, a sexta, dia 4, marca ainda o fim do prazo para que detentores de cargos de confiança no Poder Executivo renunciem para que possam se lançar candidatos a vereador.

Os que disputarão mandatos majoritários (prefeito e vice-prefeito) só precisam renunciar quatro meses antes do pleito.

Em Teresina, quatro pré-candidatos a prefeito estão nessa situação: Fábio Abreu (PL, secretário de Segurança; Fábio Novo (PT), secretário de Cultura; Simone Pereira (PSD), secretária de Agronegócio, e Kleber Montezuma (PSDB), secretário municipal de Educação.

As convenções partidárias para a escolha dos candidatos deverão ser realizadas de 20 de julho a 5 de agosto.

Eleição incerta

Embora os prazos estejam correndo, não é certa a realização das eleições municipais deste ano. A proposta de adiamento do pleito vem ganhando corpo no Congresso Nacional, em função do avanço da pandemia do Covid-19.

A presidente do TSE, ministra Rosa Weber, avalia que ainda é cedo para se pensar na suspensão das eleições, mas o Tribunal ainda não bateu o martelo sobre o caso.

 (Com informações do TSE)

O pior ainda não passou

As autoridades sanitárias estão monitorando o avanço do Covid-19 nas mais diferentes perspectivas. O cruzamento de dados inclui desde a evolução e o controle da pandemia em outros países até a propagação da doença em outros Estados brasileiros.

No Piauí e em várias partes do Brasil, as duas primeiras semanas de isolamento social foram enfrentadas com muitas dificuldades. Não era para menos. O país nunca passou por isso.

Ontem, o governador Wellington Dias decidiu prorrogar os efeitos dos decretos nº 18.901, de 19 de março de 2020, e nº 18.902, de 23 de março de 2020, de suspensão de todas as atividades comerciais, educacionais, religiosas, eventos e demais determinações, para o dia 30 de abril.

As medidas foram definidas em reunião por videoconferência com o Comitê de Operações Emergenciais (COE) para o coronavírus, coordenado pela Secretaria de Saúde.

A prorrogação da quarentena vem com medidas mais rigorosas para os idosos, intensificação das barreiras sanitárias nas divisas do Estado, continuação da suspensão das aulas, prorrogação dos prazos de vigência de concursos, ajuda financeira aos alunos da rede estadual de ensino e a continuação da suspensão de todo e qualquer evento.

Abril nervoso

O prefeito Firmino Filho disse ontem que abril será um mês nervoso no combate ao Covid-19, mas o fundamental é preparar a cidade para uma eventual situação de calamidade na saúde pública.

A Prefeitura e o Governo do Estado estão na corrida contra o tempo para oferecer pelo menos 1.000 leitos de UTI com a maior urgência. Mas, se as medidas de isolamento social não surtirem os efeitos esperados, a demanda por leitos de UTI’s pode chegar a 3.000 no Estado.

Firmino informou que os governadores e prefeitos estão pressionando o governo federal para agilizar a remessa dos equipamentos hospitalares e também a liberação de recursos para as ações de combate ao Covid-19.

O cenário é, pois, de muita intranquilidade e incerteza, ainda. Muitos desafios ainda virão até a derrota do vírus. Cada um luta com as armas que tem. Quem está em casa, pode lutar com água e sabão. E sem botar o pé na rua.

Coronavírus avança e isolamento vai continuar

O Comitê de Organização de Emergência (COE) montado pelo Governo do Estado para enfrentar o Covid-19 se reúne hoje para avaliar o resultado das medidas de contenção adotadas até agora e definir novas ações para os próximos 15 dias.

As manifestações do governador Wellington Dias e do prefeito Firmino Filho, através das mídias sociais, indicam que o isolamento social vai continuar.

O governador gravou um vídeo ontem renovando seu apelo para que as pessoas continuem em casa, protegendo-se e procurando proteger também suas famílias. “Ficar em casa é uma grande ajuda neste momento”, enfatizou.

Já o prefeito Firmino Filho afirmou que “tudo que é possível ser feito por uma cidade como Teresina, está sendo feito. Mas as pessoas não podem achar que isso promove segurança para interação social. Não promove!”

O Ministério da Saúde divulgou ontem à tarde que subiu para 14 o número de casos confirmados de coronavírus no Piauí. Em todo o país, são 4.256 casos confirmados e 136 mortes pela doença.

O Piauí resgistra três mortes por coronavírus. A primeira foi a do prefeito de São José do Divino, Antônio Felícia (PT), ocorrida na sexta-feira. Ontem, foram confirmadas mais duas, em Teresina. 

Economia

Ontem, Firmino participou de teleconferência com o ministro da Economia, Paulo Guedes, junto com os demais gestores que compõem a Frente Nacional de Prefeitos.

No encontro, foi solicitada agilidade na liberação de recursos para que as cidades do país possam enfrentar a crise decorrente da disseminação do coronavírus.

“A pauta incluiu a necessidade de termos os recursos na intensidade e na agilidade necessárias para que possamos ter a máquina municipal funcionando, especialmente nas cidades médias e grandes, que não dependem apenas de FPM [Fundo de Participação dos Municípios]. Expusemos ainda a necessidade de termos a agilidade na chegada de recursos naquelas famílias mais vulneráveis, que estão precisando do nosso apoio neste momento”, informou Firmino Filho.

O prefeito disse que o ministro Paulo Guedes demonstrou abertura em relação às pautas dos gestores da Frente Nacional de Prefeitos.

Teste rápido

Firmino Filho revelou que a Prefeitura de Teresina está avaliando uma medida inovadora no combate ao Covid-19: a realização de testes por amostragem na capital.

A ideia considera que a Prefeitura ainda não tem informações precisas sobre o percentual da população que está infectado com o coronavírus em Teresina. Isso exatamente em função da baixa quantidade de testes realizados.

Dessa forma, o plano da Prefeitura é testar cerca de 900 pessoas assim que o Ministério da Saúde encaminhar o material. “Pretendemos realizar 300 testes por dia. Nossa proposta é detectar os focos, fazer o isolamento e o monitoramento”, explicou o prefeito.

Para ele, essa verificação é necessária para adotar medidas de controle e prevenção. “Como a Covid-19 pode ter sintomas semelhantes aos de várias outras doenças, é muito importante que a gente tenha uma noção da nossa realidade”, ressalta.

Em várias regiões da Ásia, as medidas foram mais bem-sucedidas no controle da doença, com testagem em massa de pacientes e contatos, isolando seletivamente e bloqueando cadeias de transmissão.

As autoridades procuram, de todas as formas, medidas rápidas e eficazes no controle e combate da pandemia.

Estas ações precisam ser reforçadas, entretanto, pela colaboração de cada um, individualmente, tomando os cuidados orientados pelo Ministério da Saúde.

É o que se pode fazer, neste momento crítico.

 

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