Cidadeverde.com

A nova escola do Sesc e a homenagem a Bolsonaro

Foto: jornaldaparnaiba.com

A fachada principal da nova escola do Sesc

 

Um equipamento que bem poderia ser recebido com festa por todos no Piauí transformou-se em alvo de uma acirrada polêmica nos últimos dias.

Trata-se da nova escola do Serviço Social do Comércio Comercial (Sesc), em Parnaíba, a ser inaugurada na próxima quarta-feira, dia 14, no aniversário da cidade, com a presença do presidente da República.

A nova escola está sendo instalada em um antigo prédio histórico, que de 1927 até o final da década de 1950 abrigou o Ginásio Parnaibano, símbolo de orgulho da cidade, situado na avenida principal do centro histórico, a Getúlio Vargas, antiga Rua Grande.

Com o passar do tempo, o velho ginásio, por onde passaram personalidades do quilate de Alberto Silva, Chagas Rodrigues e Reis Velloso, foi desativado.

Outros estabelecimentos de ensino funcionaram sucessivamente no prédio. Por último, ele abrigou o Curso de Direito da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), que transferiu-se para outras instalações.

Foto: jornaldaparnaiba.com

O prédio antes da reforma

Às traças

Assim, há anos, o velho e majestoso prédio estava entregue às traças, todo deteriorado, com sua estrutura física comprometida e sem que ninguém, absolutamente ninguém, quisesse assumir a responsabilidade por ele.Desde 2013, estava interditado pelo Corpo de Bombeiros.

Ofícios e outra papelada correram de mão e mão, de gabinete em gabinete, cobrando uma imediata intervenção no prédio, antes que ele viesse a desabar. Todos os signatários fizeram ouvido de mercador.

O Sistema Fecomércio Sesc/Senac, que tem em sua bagagem um história de empreitadas semelhantes, como a completa restauração do prédio da antiga União Caixeiral, também no Centro de Parnaíba, transformado no belíssimo Centro Cultural Ministro Reis Velloso, abraçou a ideia da recuperação do prédio do velho Ginásio Parnaibano, com o apoio da Prefeitura de Parnaíba.

Foto: Divulgação/Sesc

A história da escola em bronze

A nova escola

Em tempo recorde, pôs o prédio novamente de pé, dando-lhe nova roupagem, com mobiliário de primeira qualidade e equipamentos de primeiro mundo, restaurando a sua missão de educar, sua beleza arquitetônica e a sua dignidade histórica. Cada passo foi devidamente acompanhado pelo Iphan.

A nova escola vai funcionar com 400 alunos do ensino fundamental, nos dois turnos, com a metodologia pedagógica do Sesc. A grade curricular inclui disciplinas como Educação Moral e Cívica, lições de civismo, patriotismo e respeito aos símbolos nacionais.

Os alunos vão aprender pelo menos dois idiomas estrangeiros, a tocar dois instrumentos musicais e a praticar dois tipos de esporte.

No primeiro momento, oferecerá as séries do ensino fundamental e, à medida que as turmas forem concluindo o curso, será ofertado o ensino médio. A escola só começa a funcionar em janeiro, mas a procura já é grande.

Um de seus atrativos será a formação profissional com a participação do Senac Piauí, onde estudantes vão aprender lições de empreendedorismo. A ideia é formar empresários, empreendedores, geradores de empregos.

O estopim da polêmica

Mas aí veio o estopim da polêmica: a escola terá disciplina militar, até buscando resgatar uma tradição histórica da cidade. Parnaíba já teve uma escola militar, no século 19, e uma Academia de Polícia, no Governo Mão Santa.

Isso, porém, não é tudo: a Direção Regional do Sesc decidiu dar à sua nova escola o nome do presidente Jair Bolsonaro.

Por uma coisa ou pela outra, ou pelas duas, os críticos do governo viram aí uma boa oportunidade para entrarem de penetra na festa. E abriram nas mídias sociais as suas baterias contra a escola e a homenagem.

Ninguém mais lembra do estorvo que era o velho e abandonado prédio, pelo qual os incomodados de agora não moveram uma palha no sentido de recuperá-lo e atribuir-lhe uma função social.

Agora, com tudo zelosamente feito, aparecem até muitos ‘pais da criança’, com falsas certidões de nascimento em mãos.

É o Piauí, onde quem faz tem que enfrentar ainda a fúria de quem não faz!

Fotos: Divulgação/Sesc

O mobiliário da nova escola do Sesc, em Parnaíba