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Um empréstimo atrás do outro

O Governo do Estado encaminhou, na semana passada, à Assembleia Legislativa, uma nova mensagem solicitando autorização para crédito adicional suplementar por excesso de arrecadação de receitas no exercício de 2019. Segundo a mensagem, o valor é de R$ 1 bilhão 769 milhões e 062 mil.

O governador Wellington Dias explica que esse novo crédito terá finalidade exclusiva de cobrir as despesas do Fundo de Previdência, Dívida Pública e Precatórios do Estado do Piauí e fazer frente a outras obrigações de caráter compulsório. 
Wellington acrescenta que, até o final do exercício de 2019, pretende obter receitas de alienação de ativos para dar cobertura, exclusivamente, às despesas previdenciárias. Ele enfatiza que o novo crédito é “de grande importância para garantir o equilíbrio previdenciário e dar tranquilidade aos servidores e servidoras”.

Dívida passa de R$ 5 bi

De uns tempos para cá, a contratação de empréstimos tem sido a receita mais fácil para a falta de dinheiro no caixa do Estado. É um empréstimo atrás do outro.

A dívida consolidada já passa de R$ 5 bilhões, conforme exposição feita no mês passada na Assembleia pelo secretário de Fazenda, Rafael Fonteles.
Neste aspecto, há que se ressaltar, porém, que não é apenas o Piauí que tem lançado mão de financiamentos.

Em todos os Estados, falta dinheiro para investimentos e até para a manutenção da máquina. O Governo Federal também vive em grave e prolongada crise financeira, sem poder ajudar os Estados.

Então, sem capacidade de investimento, todos os governadores fazem uma corrida rumo aos empréstimos e procuram atrair, também, o capital externo, das empresas privadas nacionais e estrangeiras.

Capacidade de endividamento

O governador Wellington Dias garante que a situação do Piauí é absolutamente tranquila, quanto à capacidade do Estado para fazer novos empréstimos, uma preocupação crescente diante dessa política financeira adotada por ele. O governador disse que o Piauí ainda tem uma boa folga.

Wellington Dias aponta vantagens na contratação dos financiamentos, enfatizando que eles movimentam a economia estadual.

"Em 2015, quando assumi o mandato, o nosso endividamento era 62% da receita. Tomamos mais ou menos 2, 5 bilhões de financiamento, a economia cresceu, a receita cresceu e a dívida baixou para 46%”, observa.

Para ele, trata-se de uma acertada sistemática de antecipar desenvolvimento. “É isso que estamos fazendo. Um estado pode ter 200% da receita anual de empréstimos. Estados como São Paulo e Rio Grande do Sul, têm 250% da receita com empréstimos. Somos o terceiro menor acumulado de empréstimos. Nossa nota é B.  O Piauí tem condições de tomar financiamentos sem o aval da União. Precisamos de investimentos para crescer a economia", afirmou. 

3ª menor dívida

Wellington afirma que o Piauí tem a terceira menor dívida do país. Ele garante que a medida de renegociação dos contratos proporciona um maior fôlego para investimentos. 

"Pela regra brasileira, o estado tem uma capacidade gigante de investimentos. A nossa dívida é uma das menores do Brasil.  De um lado fazemos um alongamento, uma troca de papeis. Ela não aumenta. Vamos ter cinco contratos com um prazo curto de 10 anos que vamos alongar para 30 anos. Pagamos encargos elevados e trabalhamos para financiamento em torno de 8 a 9 %. Vamos ter uma prestação anual de R$ 450 milhões reduzida para R$ 230 milhões. Do outro lado, são operações na área da infraestrutura que vão nos permitir mais crescimento. À medida que antecipo os investimentos cresce a economia e cresce a receita e reduz a proporção da dívida", contabiliza.