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A vida vale a pena

Imagem: Reprodução/CVV

 

O Brasil deflagrou no início da semana passada uma campanha que vai atravessar o mês inteiro: “Setembro Amarelo”, que destina-se à abordagem de um tema-tabu na sociedade – o suicídio.

Abraçam a campanha instituições oficiais, organizações não-governamentais e profissionais de diversas áreas que de alguma forma se sentem na responsabilidade de dar a sua contribuição para a questão.

Ontem, na missa das 9 horas do Santuário de Santa Cruz dos Milagres, o padre Raniery Alencar Moura abordou o tema em sua homilia.

Dirigindo-se aos fiéis que participam dos festejos de Santa Cruz, ele afirmou que a depressão, que apresentou como o mal do novo século, não é falta de Deus, mas sim uma doença, uma doença gravíssima.

O padre declarou aos fiéis que ninguém quer morrer. Assim, quando alguém manifesta alguma ideação suicida, na verdade está pedindo socorro. E é importante a família estar atenta para atender ao pedido de ajuda.

A campanha

Desde 2014, setembro é o mês de prevenção do suicídio. A campanha foi lançada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), em parceria com o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria.

Trata-se de um esforço para conscientizar a população sobre a importância de se falar acerca do tema.

O mês foi escolhido para estender as ações do Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, 10 de setembro.

Neste período, as três entidades incentivam e apoiam escolas, governos, empresas e ONGs a aderirem ao movimento.

Segundo o CVV, 32 brasileiros se suicidam por dia no país, taxa superior às mortes causadas por câncer e AIDS. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos.

Imagem: Reprodução/CVV

 

Faixa de risco e comunicação

A faixa etária mais exposta ao problema se situa entre os 15 e os 28 anos, segundo o médico Carlos Francisco de Oliveira, doutor em Psiquiatria. Ele falou sobre o assunto à Rádio Cidade Verde, na sexta-feira passada.

O psiquiatra disse que é cedo para apontar o fenômeno das redes sociais como indutor do aumento de casos de suicídios, como querem alguns. Ele afirmou que as mídias sociais são importantes também para abrir uma discussão responsável sobre o problema e isso vem sendo feito por pesquisadores e especialistas.

Dr. Carlos Francisco, nos estúdios ds Rádio Cidade Verde

A família

Carlos Francisco afirmou ainda que as campanhas promovem uma maior conscientização da população, aumentando a responsabilidade dos profissionais e dos comunicadores. E aponta alguns avanços.

“Já não se vê na chamada mídia tradicional a espetacularização do suicídio, com abordagem direcionada a provocar sensações mórbidas nas pessoas”, observa.

Ele avalia que as informações sobre o problema são massificadas, mas não conseguem chegar ao núcleo mais importante, que é o familiar. “Acabam sendo difusas, daí porque o Setembro amarelo deveria ser o ano todo”, propõe.

O psiquiatra insiste que a primeira comunicação deve chegar é à família. “Quando alguém está com ideação de automorte, se a família sabe, fica mais fácil de tratar o caso. Alguém vai sugerir: ‘Vamos procurar um profissional, um psiquiatra, um psicólogo’. Enfim, dá-se um passo em busca de auxílio”.

Aumento de suicídios

Os problemas que levam ao suicídios são os mais variados. Um Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado no ano passado informava que, em 2016, a taxa de mortalidade por suicídio no Brasil foi 5,8 casos a cada 100 mil habitantes.

Em 2007, esse índice era de 4,9 mortes a cada 100 mil habitantes. Ou seja, um aumento de 18% em dez anos.

Entre os estados, Sergipe, Ceará e Goiás são aqueles com maiores taxas de suicídio por intoxicação exógena. Também chama a atenção o aumento na mortalidade por suicídio em alguns estados, como Amazonas, Rondônia, Alagoas, Maranhão e Piauí.

 

Padre Raniery, na celebração do Santuário de Santa Cruz dos Milagres

A cruz de cada um

O suicídio é, pois, um gravíssimo problema de saúde pública que preocupa não apenas o Brasil, mas todo o mundo.

Por isso, ele traz a necessidade de discussão do tema, aprofundando os estudos sobre os fatores de riscos e pela busca de soluções para amenizar o sofrimento de tantas pessoas que vivem esse drama.

É importante, em primeiro lugar, que a sociedade como um todo diminua o preconceito e o estigma sobre o suicídio.

O avanço dos casos é assustador e fica ainda mais alarmante quando se leva em conta que o mundo hoje está bem melhor para se viver. Os avanços da ciência, da tecnologia e tantos outros tornaram a vida muito mais aprazível, por maiores que sejam os problemas do mundo moderno.  

Como acentuou o padre Raniery, cada pessoa carrega uma cruz, mas nem por isso deixa de querer viver plenamente.

No fundo, todos querem viver em abundância, porque, em suma, a vida vale a pena.

(Com informações de setembroamarelo.org.br)