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Por essa ninguém esperava!

Gilmar Mendes e Janot, no Supremo

 

“O Brasil é um país estranho que cada dia tem uma novidade”, comentou, no Rio de Janeiro, na sexta-feira, o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

De fato, contando ninguém acredita. A revelação só ganhou veracidade porque foi feita e confirmada pela sua personagem principal.

O presidente da Câmara se referia à confissão do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que se preparou para assassinar o ministro Gilmar Mendes, em uma sessão do Supremo Tribunal Federal, e depois se matar.

O caso vem repercutindo em todo o país desde a noite de quinta-feira, quando ganhou as manchetes dos principais portais de notícia e de outros veículos de imprensa.

Em resumo, a notícia foi a seguinte: em 11 maio de 2017, o então procurador-­geral da República foi a uma sessão do Supremo Tribunal Federal decidido a matar o ministro Gilmar Mendes.

O plano dele era dar um tiro na cabeça do ministro e depois se matar. A cerca de 2 metros de distância do seu alvo, na sala reservada onde os ministros se reúnem antes de iniciar os julgamentos no plenário, Janot sacou uma pistola do coldre que estava escondido sob a beca e a engatilhou. A arma travou, o tirou não saiu e ele amarelou.

Um livro

“Ia dar um tiro e me suicidar”, afirmou Janot em entrevista à revista Veja e ao jornal Estado de São Paulo.

A surpreendente revelação explodiu como uma bomba nos meios judiciais e políticos. Ela foi feita a propósito do lançamento do livro Nada Menos que Tudo, que o ex-procurador lança esta semana.

Na obra, escrita pelos jornalistas Jailton de Carvalho e Guilherme Evelin, Janot narra episódios desconhecidos ao longo dos quatro anos em que esteve à frente das investigações do maior escândalo político do país – a Lava Jato. O plano para executar o ministro do Supremo é um deles.

Bala trocada

Na época que se preparou para matar Gilmar Mendes, o embate entre o procurador e o ministro do STF entrava em ebulição, por causa da Operação Lava Jato.

Janot havia pedido ao Supremo que impedisse Gilmar Mendes de atuar em um processo que envolvia o empresário Eike Batista. O procurador alegou que a esposa do ministro, Guiomar Mendes, trabalhava no mesmo escritório de advocacia que defendia Eike.

Na sequência, foram publicadas notícias dando conta que a filha de Janot era advogada de empreiteiras envolvidas na Lava-­Jato — o que, por analogia, também colocaria o pai na condição de suspeito.

O procurador identificou Gilmar Mendes como origem da informação — e, nesse instante, decidiu matá-lo, desistindo depois do malfadado intento.

Batida na casa de Janot

Com a sua revelação, o ex-procurador acabou por apressar uma batida da Polícia Federal em sua casa e em seu escritório, em Brasília, no final da tarde de sexta-feira, para cumprir mandados de busca e apreensão.

As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito que apura ofensas, ameaças e informações falsas (fake news) contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

No apartamento de Janot, a Polícia Federal apreendeu arma e munição. Janot entregou ainda seu celular, tablet, e as respectivas senhas dos aparelhos.

O ministro determinou também a coleta imediata do depoimento do ex-procurador-geral da República; a suspensão imediata do porte de arma de Janot; a proibição da entrada de Janot na sede e nos anexos do STF, e o distanciamento do ex-procurador-geral de todos os ministros do Supremo.

Pela determinação, Janot não pode chegar a menos de 200 metros dos ministros.

Mente doentia

Diante da revelação do ex-procurador e de sua repercussão, o ministro Gilmar Mendes sugeriu que Janot procure um psiquiatra.

De fato, se o Dr. Janot planejou matar um ministro do Supremo e se matar depois, porque discordava dele nos julgamentos, isso é um forte sintoma de doença mental.

Como confessa isso em livro que acaba de escrever e em entrevista, conclui-se que o mal é mais grave do que se imagina.

Se apenas inventou essa história para alavancar as vendas de seu livro, como chegou a ser especulado, continua seriamente doente.

O melhor, então, que o Dr. Janot faz é seguir o conselho de seu inimigo e buscar ajuda psiquiátrica, já que, neste caso, cadeia não ficou para ele, pois ninguém pode ser preso apenas por más intenções, sem que se efetive a tentativa de levá-las a efeito.