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Previdência abre as portas do governo para senadores

Um dia depois da aprovação da reforma da Previdência no Senado, em primeiro turno, 18 senadores já amanheceram ontem em conversas de pé de ouvido em um café com ministros do governo Bolsonaro.

Foi na Comissão Mista de Orçamento, presidida pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI). Participaram do café da manhã ministros e diretores de órgãos públicos e os coordenadores de bancada das regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

A ideia do grupo é chegar a um entendimento para que as emendas impositivas atendam ao mesmo tempo os interesses dos parlamentares e dos ministérios.
 
O senador Marcelo Castro explicou que os parlamentares estão tentando fazer um link com o governo devido a dois grandes estímulos: primeiro, o orçamento mais apertado da história; e segundo, a aprovação da PEC da impositividade orçamentária, que traz um poder maior para a bancada.

Foi o segundo encontro do gênero – o primeiro, na semana passada, reuniu os coordenadores de bancada dos estados do Nordeste.

Marcelo Castro anunciou mais dois cafés da manhã para as próximas semanas, dessa vez com os ministérios da Saúde, da Educação, do Desenvolvimento Regional e da Agricultura.

O senador explicou ainda que o objetivo é promover uma integração para que haja uma sinergia maior na alocação dos recursos públicos.

Então, nos preparativos para o segundo turno da reforma da previdência, os senadores, na explicação de Marcelo Castro, fazem um esforço para aproximar Executivo e Legislativo na elaboração do Orçamento.

Em outras palavras, uma aproximação maior da boca do cofre.

A história se repete

Neste aspecto, os senadores não estão inovando em nada. Apenas dão andamento a uma velha e conhecida política do parlamento – o toma lá, dá cá.

Em agosto passado, o governo enviou ao Congresso Nacional uma mensagem presidencial pedindo para liberar um crédito extra de pouco mais de R$ 3 bilhões.

Segundo a mídia nacional, os recursos seriam para honrar o pagamento de emendas parlamentares e conseguir avançar com a reforma da Previdência.

A reforma fora aprovada em primeiro turno na Câmara em julho, mas a votação em segundo turno acabou ficando para agosto, após o recesso parlamentar.

O governo liberou, então, as emendas e aprovou a reforma também em segundo turno.

Como deve fazer agora também no Senado.

Ressalte-se que não há ilegalidade alguma nessa prática. As emendas orçamentárias agora são obrigatórias.O que define, no entanto, a hora da liberação é a necessidade do governo por voto, como está ocorrendo no momento.