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E tome teatro!

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O plenário do Congresso discute aprovação do crédito das emendas orçamentárias

 

O Congresso Nacional está metido em uma nova queda de braço. O estica e puxa entre senadores e deputados federais resultou no adiamento da decisão sobre o projeto de lei que libera R$ 3 bilhões do Orçamento federal para o pagamento de emendas parlamentares.

Discutido na sessão da noite de terça-feira do Congresso, o projeto até chegou a ser aprovado pelos deputados, porém não foi votado pelo Senado.

Os senadores de oposição decidiram obstruir a votação por entenderem que essas emendas foram usadas como moeda de troca para garantir a aprovação da reforma da Previdência.

Dessa forma, o assunto será pautado novamente na próxima sessão do Congresso.

Muito barulho por nada

Discutido por mais de duas horas, o texto também sofreu obstrução na Câmara. Vice-líder do Psol, Marcelo Freixo (RJ) chegou a dizer que os deputados estavam tirando dinheiro da educação e do meio ambiente para garantir o pagamento dessas emendas, prometidas na época da votação da reforma da Previdência na Câmara.

Deputados do Novo, que votaram a favor da reforma da Previdência, também criticaram a liberação das emendas por conta desse entendimento e se uniram à oposição para obstruir a votação.

A base do governo, contudo, se mobilizou para garantir a votação, dizendo que as emendas garantiriam a realização de mais investimentos no País.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), saiu em defesa das emendas. Ele afirmou que esse crédito não tinha relação com a reforma, porque a Previdência havia sido aprovada pela convicção dos deputados.

Mesmo com a obstrução dos partidos de oposição e do Novo, o projeto foi aprovado por 270 votos favoráveis, apenas 17 contrários e uma abstenção. Uma lavagem!

Para ser promulgado, contudo, o projeto de lei das emendas parlamentares também precisa ser aprovado pelo Senado.

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) comemorou o resultado. Ele disse que a bancada oposicionista conseguiu obstruir a votação pela quarta vez consecutiva.

A oposição reconhece, no entanto, que essa votação deve ocorrer antes do segundo turno da reforma da Previdência no Senado, marcado para o próximo dia 22.

É só teatro!

Bem, que ninguém se iluda, entretanto, com toda essa movimentação da oposição, na questão da votação das emendas orçamentárias.

É tudo encenação, é tudo bravata, pois as emendas serão liberadas para todos os parlamentares, os do governo e os da oposição.

Todos estão coçando as mãos. Uns verão a liberação das emendas caladinhos. Outros, fazendo barulho, como se também não fossem diretamente beneficiados.

Qualquer dia, na calada da noite, o bilionário crédito das emendas será aprovado no Congresso e tudo volta a ser como dantes no quartel de Abrantes. É este o Congresso. É este o Brasil!

(Com informações do congresso em foco.com)