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Irmã Dulce, a Santa do Brasil

Fotos: Acervo Irmã Dulce/Agência Brasil

Irmã Dulce, a primeira santa brasileira

 

O Brasil acordou mais cedo, hoje, para assistir à canonização da irmã Dulce, conhecida como “anjo bom da Bahia”. O início da cerimônia foi marcado para as 5 horas, no Vaticano, sob a presidência do papa Francisco.

Também neste domingo, a nova santa ganha o primeiro santuário do mundo dedicado a ela: a Paróquia e o Santuário Santa Dulce dos Pobres, em Salvador.

A primeira missa em honra à Santa Dulce dos Pobres será celebrada em Roma, na Igreja San't Andrea della Valle, amanhã, 24 horas depois da canonização.

No dia 20 de outubro, domingo que vem, em Salvador, haverá a celebração pela canonização da Santa. Será no estádio de futebol Arena Fonte Nova, com abertura dos portões ao meio-dia.

Como tudo começou

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, nominada como Irmã Dulce desde 1933, nasceu em Salvador, em 1914. 

Pequenina, com menos de 1,5m e pouco mais de 40 kg, Irmã Dulce era grande na boa vontade, na coragem, na disposição de servir e na devoção à fé cristã.

Foi uma vida dedicada aos pobres, doentes e socialmente excluídos. Nos anos 40, a irmã não tinha para onde ir com 70 doentes e conseguiu abrigar as pessoas em um galinheiro, ao lado de um convento de Salvador. 

Hoje, as obras sociais Irmã Dulce realizam 3 milhões de procedimentos ambulatoriais, por ano, em todo o estado da Bahia e só faz atendimentos gratuitos, em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS).

Irmã Dulce entre os pobres e doentes que procuravam sua ajuda

Vocação social

A vocação religiosa de Irmã Dulce é revelada ainda na adolescência, sob influência de uma tia paterna. Ela tornou-se freira no começo da década de 1930, pela Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em São Cristóvão (Sergipe).

Formada como professora, teve como primeira missão ensinar a crianças em colégio de sua congregação em Salvador.

A vocação para as causas sociais teve início naquela década quando passou a prestar assistência à comunidade pobre de Alagados, e a participar da União Operária São Francisco.

Em 1937, fundou o Círculo Operário da Bahia, juntamente com Frei Hildebrando Kruthaup. Em 1939, Irmã Dulce inaugura o Colégio Santo Antônio, escola comunitária voltada para operários e filhos de operários.

Dez anos depois, ocupa um galinheiro ao lado do Convento Santo Antônio de Salvador para acolher 70 doentes. Em 1959, é instalada oficialmente as Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) e no ano seguinte é inaugurado o Albergue Santo Antônio.

A canonização

A canonização de Irmã Dulce ocorre nove anos após o colegiado de cardeais e bispos da Congregação para a Causa dos Santos, da Cúria Romana, atestar o primeiro milagre atribuído a ela.

A decisão do colegiado é baseada em avaliação de peritos de saber científico (como médicos) e teólogos.

O milagre que levou à beatificação foi a intercessão da freira, a pedido de orações de um padre, para salvar a vida de uma mulher que deu à luz a um menino e estava desenganada por causa de uma hemorragia pós-parto que os médicos não conseguiam estancar.

O caso ocorreu em uma cidade do interior de Sergipe, nove anos depois da morte de Irmã Dulce. O milagre está descrito no processo de beatificação da religiosa iniciado pela Arquidiocese de São Salvador da Bahia.

Outro milagre

Por estes dias, o publicitário Nizan Guanaes, que é baiano, publicou um artigo na imprensa a propósito da canonização de Irmã Dulce, no qual afirma que a Organização Social Irmã Dulce é o seu primeiro milagre. Ele escreveu:

Franzina, saúde frágil, ela não tinha a rigor condições físicas de fazer nada nem de segurar um copo de água.

Mas seu hospital de mil leitos construído sabe Deus como é obra do seu empreendedorismo. O hospital começou num galinheiro nos fundos do convento e hoje tem 40 mil metros quadrados.

Conheço bem a história da santa porque Irmã Dulce, que tinha sérios problemas pulmonares, era paciente do meu pai, médico pneumologista. Meu irmão André Guanaes, quando residente, também foi seu médico.

Ele conta: os problemas respiratórios de Irmã Dulce pioravam todo fim de mês. E ele sempre a escutava dizer: dia tal eu tenho 3 milhões para pagar, isso é problema de Santo Antônio, isso não é meu problema, isso é um problema dele.

O problema era de Santo Antônio, mas era ela quem ia pedir a Antônio Carlos Magalhães, a Ângelo Calmon e a outros poderosos da Bahia e do Brasil.

Ela era santa com os pobres, mas não era santa com os ricos. Com esses, ela era pragmática. Conversava com todo o mundo. Com a direita, com a esquerda, com o que está entre as duas e além. 

Escrevo este artigo emocionado porque conheço a história de perto —de seu início no bairro pobre de Alagados até os atuais 2 milhões de atendimentos ambulatoriais, 18 mil internamentos e 12 mil cirurgias por ano. Como uma pessoa que dormia sentada por causa dos problemas pulmonares pode tocar uma obra desse tamanho? Milagre.

A nova santa

Irmã Dulce morreu em 1992, aos 78 anos. 27 anos depois, a Bahia, o Brasil e o mundo ganham uma nova santa.

Na verdade, apenas a oficialização, pois de fato ela já era santa desde quando fez de sua fraqueza a fortaleza que amparou os pobres em suas maiores aflições.

Que irmã Dulce, a primeira santa brasileira, abençoe e proteja o Brasil!

(Com informações da Agência Brasil)