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“Aonde a vaca vai o boi vai atrás...”

Foto: Agência Brasil

Bolsonaro se prepara para trocar de partido pela décima vez

 

Quem menos está preocupado com a crise que ameaça a implosão do PSL, o seu partido, é o presidente Jair Bolsonaro.

Sua carreira pública chega aos 30 anos com ele mostrando que tem pouco ou nenhum apego às legendas partidárias.

Antes de ir para o PSL, em 2018, para concorrer à Presidência da República, Bolsonaro passou por oito legendas, o que dá uma média de uma troca de partido a cada três anos.

A primeira filiação dele ocorreu em 1988, quando assinou ficha ao PDC, o Partido Democrata Cristão. E aí conseguiu seu primeiro mandato eletivo, de vereador do Rio de Janeiro. Em 1990, elegeu-se deputado federal pela mesma legenda.

Daí em diante, Bolsonaro começou a trocar de partido como quem troca de camisa, como se diz no jargão político.

A primeira mudança ocorreu em 1993, quando se filiou ao PP. Dois anos depois, a segunda troca: migrou para o PPR.

Em 1995, realizou a terceira mudança de legenda, ao se filiar ao PPB. A quarta mudança ocorreu em 2003, quando entrou no PTB.

Em 2005, ocorreram a quinta e a sexta trocas de partido. Primeiro se filiou ao PFL. Meses depois, migrou para o PP, onde permaneceu por mais de uma década.

Assim, esteve duas vezes no PP, que ainda não se chamava Progressistas.

A sétima troca ocorreu em 2016, quando entrou no PSC. A oitava mudança de partido foi bem turbulenta, com trocas de farpas com o presidente do PSC, pastor Everaldo.

De olho na Presidência da República, Bolsonaro chegou a divulgar sua filiação ao PEN, que acabou não se concretizando. Em março do ano passado, filiou-se, enfim, ao PSL.

À sombra de seu prestígio popular, o minúsculo partido saiu de uma bancada de 8 deputados para 52 cadeiras na Câmara Federal.

Bola de cristal

No Piauí, o presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira, lamentava, após a eleição, não ter segurado Bolsonaro em seu partido: “A gente não tinha bola de cristal”.  Ou seja, o PP não adivinhou que ele chegaria à Presidência.

O jeito Bolsonaro de fazer política é diferente. Então, o presidente está pouco preocupado com a crise em seu partido. Sua situação particular, neste aspecto, é confortável, pois ele pode mudar de sigla na hora que quiser, sem prejuízo para o mandato.

Além do mais, ele sabe, que, na política brasileira, quando o presidente da República está com a caneta cheia de tinta, como é o seu caso, tudo funciona como na letra da modinha: “Aonde a vaca vai o boi vai atrás...”

Isto é, para o partido que Bolsonaro seguir, todo mundo que vê na Presidência da República uma vaca leiteira corre junto, e a sigla será ainda maior que o PSL.