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Os populistas não aceitam NÃO!

Foto: Agência Brasil

Bolsonaro funda o seu próprio partido

 

Acabou o casamento do presidente Jair Bolsonaro com o seu partido, o PSL. Como os anteriores, com outras siglas, esse era também um casamento só de aparências, para garantir a sua condição de candidato.

Em sua carreira política que chega a 30 anos, Bolsonaro já passou por quase dez partidos. Ele começou como vereador do Rio de Janeiro, em 1988, quando foi eleito pelo Partido Democrata Cristão (PDC).

No meio do mandato de vereador, em 1990, foi eleito deputado federal, ainda pelo PDC, extinto em 1993. Conseguiu mais seis mandatos na Câmara Federal, entre 1991 e 2018, sendo eleito através de diferentes partidos.

Além do PDC, ele foi filiado a outros oito partidos ao longo de sua carreira política: PPR (1993-95), PPB (1995-2003), PTB (2003-2005), PFL (2005), PP (2005-2016), PSC (2016-2017) e o PSL (2018-2019).

Destaque-se que PPB e PPR formaram o mesmo PP, hoje Progressistas. Quem se achar no direito, pode descontar duas filiações da extensa ficha partidária do presidente que não lhe farão falta.

Nesse rol não entram, evidentemente, os partidos aos quais Bolsonaro pensou em se filiar, como Prona e PEN, atual Patriota. As tratativas nesse sentido até que avançaram, mas não se concretizaram.

Foi pelo Partido Social Liberal que Bolsonaro chegou à Presidência da República, nas eleições do ano passado. E sai da legenda por desavenças com a sua direção.

Como não tem apego a siglas e também não tem qualquer impedimento para trocar de partido, por ocupar um cargo majoritário, deu tchau ao PSL. Seguiu a máxima popular: “Os incomodados que se retirem”.

Foto: Eraldo Peres – AP-Folha

Bolsonaro em campanha pela presidência da República

A voz do contra

O presidente larga o PSL por uma questão muito simples: não conseguiu controlar o partido. Os líderes populistas são assim: só aceitam os que rezam em sua cartilha.

No passado recente, Leonel Brizola fundou o PDT e arregimentou muitas lideranças para a nova sigla, entre elas muitos líderes emergentes, como o cacique Mário Juruna, eleito deputado federal.

Mas aí começou o bate-boca entre o caudilho e vários pedetistas que não aceitavam sem questionamento as suas ordens, destacando-se Anthony Garotinho. Então, ele passou a enxotá-los da sigla.

O mesmo aconteceu com Lula, quando chegou ao poder em 2003. Durante seu primeiro mandato, ele fez uma limpeza geral no Partido dos Trabalhadores. Só ficaram na sigla os que lhe diziam amém.

A senadora alagoana Heloisa Helena e a deputada federal Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo, estão no rol de petistas que Lula expulsou de casa porque não se dobravam às suas orientações.

Outros, como Eduardo Jorge, foram suspensos do partido ou constrangidos com alguma outra punição.

Foto: PDT

Brizola nas ruas, em campanha eleitoral

O novo partido

Bolsonaro não pode fazer o mesmo, pois não é um Brizola nem um Lula. Ou seja, não tem o comando do partido. Então, é ele quem deixa a casa.

O presidente anuncia a criação de um novo partido com a sua cara, o Aliança pelo Brasil. Seria algum saudosismo? O partido do regime militar foi a Aliança Renovadora Nacional (Arena), de triste memória.

Não lhe faltarão adeptos. Pelo menos enquanto ele estiver com a caneta azul na mão.

E que ninguém se iluda: por melhores e mais nobres que sejam as intenções do presidente, o novo partido dele não será em nada diferente dos muitos que aí estão.

Para a nova sigla correrão os fisiologistas e arrivistas, os que não podem viver ou sobreviver sem as benesses do poder.

E, para concluir: o partido do presidente nasce com o enorme risco de ficar isolado dentro do parlamento, pois ali a primeira lição que se aprende é esta: não se dá agua a pinto.

Foto: Instituto Lula

Lula no poder: todos os petistas rezando na mesma cartilha

(A coluna deixa de ser atualizada pelas próximas duas semanas, em função de férias do titular)