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Nem Bolsonaro chegou a tanto!

Foto: Divulgação/CCom

O governador participa de solenidade no Tribunal de Justiça após queda de urgência para PEC

 

Por motivos diferentes, o governador Wellington Dias e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho (MDB), recorreram da decisão do desembargador Raimundo Alencar que suspendeu a votação da PEC da Reforma da Previdência Estadual em regime de urgência.

O governador tem pressa na aprovação da PEC e, por isso, instruiu a Procuradoria Geral do Estado a entrar com recurso no próprio Tribunal de Justiça para derrubar a decisão monocrática do desembargador Alencar.

Já o presidente da Assembleia concluiu que houve interferência indevida do Judiciário no Poder Legislativo.

O deputado afirmou que o Judiciário foi “induzido ao erro” pelos deputados da oposição, na fundamentação do pedido de suspensão da votação da matéria.

Themístocles disse também que, diante do impasse, a votação do Orçamento 2020 está ameaçada.

Mudança necessária

Wellington Dias esteve ontem no Tribunal de Justiça, para participar da solenidade de assinatura do termo de cooperação para a criação do escritório social.

A medida trata da ressocialização dos presos do sistema prisional do Estado.

Em entrevista, ele voltou a defender a necessidade de aprovação da reforma da Previdência.

E avisou que, sem a aprovação, o déficit previdenciário do Estado continuará crescendo. Com isso, haveria o risco de atraso no pagamento da folha.

"Respeitamos a decisão do Judiciário e, na forma da legislação, tanto o Estado quanto a Assembleia estamos recorrendo, esclarecendo, para que se tenha as informações corretas. Posso afirmar é que buscamos fazer tudo dentro da legalidade. É assim que queremos agir. O fato é que temos a situação de um déficit da Previdência. Estamos tendo a coragem de pensar não no hoje, mas também, no futuro. Todo mundo gosta quando se tem uma tabela salarial que é cumprida. Queremos seguir assim. Para isso precisam resolver problemas como o déficit da Previdência ", declarou.

Economia de 200 milhões

A tramitação da PEC está agora nas mãos da relatora, a desembargadora Eulália Pinheiro.

Segundo o governo, na forma proposta, a reforma da Previdência resultará numa economia anual projetada em R$ 200 milhões, o que representa aproximadamente 20% do déficit anual.

Os números mostram que a reforma da Previdência estadual se faz necessária e inevitável.

Estranha, porém, toda essa pressa do governo na aprovação de um emaranhado de regras que vão mexer com a vida de 100 mil servidores.

O governo e sua bancada não recuam da posição de aprovar o pacote em regime de urgência urgentíssima, a toque de caixa, sem chance para discussão, sem acreditar que alguém mais possa contribuir para melhorar o texto elaborado pelos iluminados de sua equipe.

Nem o governo Bolsonaro, que tem fama de intolerante e autoritário, chegou a tanto!

A reforma da Previdência federal levou quase 9 meses para ser aprovada no Congresso, sem contar que a discussão sobre as mudanças já vinha sendo feita desde o governo Temer.