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Duas derrotas na luta contra o crime

O Brasil fecha o ano com duas grandes derrotas na luta contra o crime.

A primeira delas foi a queda da prisão em segunda instância, determinada pelo Supremo Tribunal Federal, 30 anos depois da promulgação da Constituição de 1988.

O Supremo acabou com a prisão em segunda instância justo no momento em que a Lava Jato chegou aos poderosos e começou a mandá-los para a cadeia.

E também quando a operação fechava o cerco aos togados.

A outra derrota foi a criação do tal ‘juiz garantista’. Com a novidade, o réu passa a ter dois juízes diferentes no mesmo processo, o natural, que abre o caso, e o garantista, que o encerra.

Ou seja, em cada processo, o réu passa a ter duas vezes mais chance de ficar impune. 

Neste caso, a lambança foi do Congresso Nacional, com o jamegão do presidente Jair Bolsonaro, que sancionou a invencionice.

É uma medida que vai justamente na contramão da agilidade conquistada na Lava Jato e que dá ao criminoso todas as chances de empurrar seu processo para as calendas gregas.

Não é difícil entender essa aberração. Existe no Congresso Nacional a movimentação de muitos parlamentares, sempre nas sombras, com o interesse claro de tornar a Justiça mais lenta e, portanto, mais longe da justiça.

Tanto cuidado não é para menos: a Lava Jato, o maior esforço de combate à corrupção da história do Brasil, assombrou meio mundo político.

Meio mundo que vivia ou ainda vive no submundo do crime.