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A vez do pé de chinelo

Fotos: Roberta Aline/Cidadeverde.com

O presidente da Fundação Municipal de Saúde, professor Charles Silveira, pré-candidato à Prefeitura de Teresina até a semana passada, saiu do páreo deixando um bom mote para a campanha do escolhido pelo PSDB, o professor Kleber Montezuma, secretário municipal de Educação.

Em entrevista, o professor Charles informou que lhe explicaram que ele não foi o escolhido porque não é pé de chinelo.

De fato, Charles amealhou um bom patrimônio para quem passou boa parte de sua vida como professor universitário.

Não é o caso do professor Kleber, que também é professor universitário e, como a maioria de seus colegas, vive contando os dias para o salário atravessar o mês.

Mas em nenhum momento a riqueza do professor Charles foi questionada, porque sua história é conhecida: depois de exercer o cargo de reitor da Universidade Federal do Piauí, ele migrou para a iniciativa privada.

Associou-se a um grupo de investidores e há 20 anos montou uma pequena faculdade em Teresina. Graças ao seu talento e à sua dedicação, em poucos anos ela se transformou em um dos melhores centros de ensino superior do Nordeste. No ano passado, o grupo vendeu a faculdade.

Eis porque avaliaram que Charles não é pé de chileno. Não é só isso, porém.

Charles foi reconhecido como de elite, e não pé de chinelo, porque é de uma família tradicional do Piauí e primo do prefeito Firmino Filho. Os tucanos avaliaram que, para as próximas eleições, precisam de um candidato com cara de povo.

Pés descalços

Acontece que mal o candidato escolhido pelo PSDB metia seus pés no chinelo, apareceu o ex-governador Wilson Martins (PSB) querendo deixá-lo descalço na campanha. Aliado do MDB, o ex-governador afirmou que o verdadeiro pé de chinelo é o seu candidato a prefeito, o ex-deputado Dr. Pessoa (MDB).

Ele lembrou que Dr. Pessoa viveu na roça até os 15 anos, saindo de lá analfabeto para se formar depois em medicina e ser professor universitário.

O ex-governador não disse, mas, por esse critério, o candidato do PL, deputado federal Capitão Fábio Abreu, também pode ser considerado pé de chinelo. Sua origem é igualmente humilde.

Vendo que essa história franciscana pode pegar na próxima eleição, o candidato a prefeito pelo PT, deputado Fábio Novo, secretário de Cultura, não reivindicou para si o título de pé de chinelo, já que sua família tem posses, em Bom Jesus. Ele calça, no entanto, as sandálias da humildade e se apresenta como pé no chão.

Enfim, a campanha eleitoral em Teresina começa assim, com cada candidato já lançado querendo meter o pé no chinelo. Só que o ex-governador Wilson Martins quer tomar os chinelos do professor Kleber Montezuma para o Dr. Pessoa.

Como ex-tucano, merece umas boas chineladas!