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Bolsonaro prega o fim da quarentena

Foto: Reprodução/Internet

Presidente Bolsonaro faz pronunciamento sobre o coronavírus

 

Em pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, ontem à noite, o presidente Jair Bolsonaro cobrou o fim da quarentena adotada como estratégia de combate à propagação do coronavírus.

O presidente começou criticando os meios de comunicação do Brasil, que, em sua opinião, provocaram 'histeria' coletiva sobre o Covid-19 e "espalharam a sensação de pavor", tendo como base as mortes na Itália.

Ele lembrou que o país europeu tem clima diferente do Brasil e que as vítimas fatais do coronavírus foram principalmente idosos.

O presidente criticou também governadores e prefeitos, afirmando que alguns fazem uma política de "terra arrasada", fechando as escolas e o comércio.

Ele lembrou que o coronavírus tem taxa de mortalidade baixa. E exemplificou que, em seu caso pessoal, por seu histórico de atleta, se pegasse o Covid-19, só teria uma "gripezinha" ou um "resfriadinho".

Para o presidente, o mais importante seria só se preocupar com o grupo de risco, formado pelos idosos.

Bolsonaro garantiu que o governo federal vem trabalhando firme no combate do coronavírus 'contra tudo e contra todos'.

Em resumo, o presidente avalia que não deve haver confinamento das pessoas, as escolas devem ser reabertas, as lojas devem voltar a funcionar e o transporte de passageiros deve ser feito normalmente.

Na contramão

Em seu pronunciamento de ontem, o presidente Jair Bolsonaro aposta em estratégia totalmente diferente da que vem sendo adotada em todo o mundo para combater o Covid-19.

O presidente anda na contramão do que faz o próprio Ministério da Saúde. O isolamento social como prevenção da doença é uma das ações recomendadas pelo Ministério.

O Ministério da Saúde alertou que, sem essas providências, o sistema de saúde pública do Brasil iria colapsar em meados de abril.

Os números da pandemia

Até aqui, os números da pandemia não assustam o presidente.

O Covid-19 havia infectado, até ontem, 2.129 brasileiros, matando 46 deles, quase todos idosos. Só ontem foram registrados mais 323 casos em todo o país. Não há dúvida quanto à subnotificação. Os exames são demorados e, além disso, muitos infectados não apresentam sintomas.

No mundo, o coronavírus atingiu até ontem 294 mil pessoas, em 50 países, com o total de 18 mil mortes.

Em 2009, o vírus H1N1 infectou mais de 750 milhões de pessoas, atingiu 200 países e matou 285 mil indivíduos. Foi controlado com vacina, o que ainda não é o caso do Covid-19.

A batalha da volta

Nos Estados Unidos, país apontado pelas autoridades sanitárias como próximo foco da pandemia, o presidente Donald Trumb convocou os norte-americanos a retornarem ao trabalho a partir da próxima semana.

Ele alegou que, se a economia do país for forçada a uma recessão profunda, por medidas de distanciamento social, poderá haver mortes por suicídios e outras causas, além das provocadas pelo coronavírus.

Panelaço

Diversas cidades brasileiras registraram panelaços durante o discurso do presidente, ontem à noite. Não eram contra a sua fala, que os manifestantes nem estavam ouvindo. Eram contra ele mesmo.

Apesar do pronunciamento de Bolsonaro, é provável que tanto o Ministério da Saúde quanto governadores e prefeitos mantenham as estratégias já lançadas para enfrentar o coronavírus, avaliando o que deve ser reforçado e o que pode ser suspenso.

É certo que o pronunciamento do presidente teve mais o objetivo de dissipar um pouco o clima de pânico que se instalou no país diante do novo vírus.

Quem observa tudo isso do lado de fora, não deixa de ficar, entretanto, com esta sensação: se correr, o vírus pega; se ficar, o bicho come.