Cidadeverde.com

Uma crise a mais

Além da pandemia do coronavírus, com seus impactos desastrosos na saúde e na economia, o Brasil tem uma crise a mais, na política – esta fabricada artificialmente pelos seus próprios líderes.

O que se vê, então, em meio à pandemia na saúde, é um pandemônio na política. Nem em um momento tão crucial para a vida do país, os líderes conseguem se entender. Eles vivem permanentemente a duelar, por qualquer motivo.

Os governadores e prefeitos, seguindo protocolos do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS), adotam a quarentena como medida para conter o avanço da doença.

Nesse aspecto, não estão inovando. Seguem os mesmos passos dos demais 50 países que tentam debelar o vírus ou reduzir os seus efeitos na saúde da população.

Bombardeio

O presidente da República, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, ao invés de apoiar as medidas e solicitar, naturalmente, o reexame de algumas delas, sai atirando nos governadores e prefeitos.

A propósito, o presidente em tudo vê armação contra o seu governo e abre fogo contra os governadores, alguns deles, inclusive, seus aliados, como se estivessem promovendo uma desobediência civil.

Por acaso, em algum momento, passou pela cabeça do presidente Jair Bolsonaro que seria fácil governar um país tão complicado quanto o Brasil? Nunca foi, não é nem será.

Antes dele, todos os presidentes que passaram pelo cargo comeram o pão que o diabo amassou no exercício do mandato.

Uns tiraram os mandatos completos a duras penas. A história dá conta que houve, por exemplo, quem chegou à Presidência vendendo saúde e saiu dela só os cacos; também houve quem sofreu derrame cerebral e morreu no cargo; houve ainda quem renunciou; outros foram afastados e houve até quem meteu uma bala no coração para dar fim à crise no governo.

Fora, Bolsonaro!

Pois bem! Os adversários do presidente, por sua vez, sacam da algibeira o velho plano para derrubá-lo do poder porque ele pensa diferente quanto às medidas emergenciais adotadas.

Ora, as medidas são emergenciais. Podem valer por curto tempo, o necessário. Ou menos que isso, pois não seria razoável arrastar a quarentena indefinidamente.  

Além do mais, não é apenas Bolsonaro que imagina uma estratégia diferente para enfrentar a crise advinda do Covid-19.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Tramp, após duas semanas de isolamento social no país, também quer ver a imediata retomada das atividades dos norte-americanos.

E ninguém está pedindo a cabeça dele por lá por fazer esse chamamento à nação.

O inimigo é outro

No Brasi, porém, tudo é politizado. E não é por aí, através desse espírito de beligerância dos políticos, que o país terá sucesso no combate ao Covid-19.

É certo que o Brasil está com os nervos à flor da pele. O mundo inteiro está nessa mesma situação, por causa da pandemia. E também diante da iminente e brutal recessão que está à porta de todos. Esta virá acompanhada, além do coronovírus, de muitos outros males, muitas outras mortes e muitas outras dores.

Então, o presidente e os governadores, os políticos e empresários, a imprensa, enfim, podem pensar diferente sobre como e o que fazer, mas têm que se dar as mãos para aumentar as chances de vitória nessa guerra medonha.

A luta é contra um inimigo perigoso e invisível, mas não invencível. A derrota do coronavírus é apenas uma questão de tempo.

Até lá, entretanto, é preciso deixar as disputas políticas de lado, é preciso cabeça fria, para enfrentá-lo com mais inteligência e segurança. Ou perderemos a guerra.