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Carta a um amigo que aniversaria

“Meu caro amigo, me perdoe, por favor, se não lhe faço uma visita”... Estes versos da canção do Chico, tão nossa, tão da nossa geração, se atualizam no tempo e cabem perfeitamente na abertura desta missiva.

Eles foram compostos, como você sabe, em momento de silêncio imposto aos brasileiros pelo regime político que até na respiração via ato imperdoável de perturbação da ordem.

Hoje, me valho deles, dos versos do Chico, em um instante que é bem o contrário daquele – chega a ser de plena barafunda.

O pandemônio de hoje decorre, como você sabe, de uma nova pandemia classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como Covid-19.

Trata-se de um vírus infernal que verdadeiramente viralizou. Não é dessas bobagens de rede social que não duram 24 horas.

O Corona-19 já chegou a mais de 50 países, inclusive a superpotências, e está furioso para atravessar outras fronteiras no planeta.

Por onde passa, o estrago é grande: colapso nos sistemas de saúde, mortes e pânico.

Por incrível que pareça, o medo maior é o do capital. Mas não é medo de perder vidas. É medo de perder dinheiro.

De fato, no momento, o vírus ameaça matar mais pessoas jurídicas do que físicas. A diferença é que a segunda não pode ressuscitar.

Como diz o filósofo de botequim, melhor descer a ladeira que nas cordas.

Politização

O caso é tão sério, mas tão sério, meu amigo, que Palestina e Israel deram uma trégua em suas lutas sem fim e se deram as mãos para enfrentar juntos o tal coronavírus.

E, no Brasil, o que se vê? Ora, por aqui, em meio à crise monstruosa, o que se vê é político procurando ser mais oportunista que o Covid-19, só pensando em voto.Que coisa!

Mas há também, felizmente, gestores procurando proteger e guiar seu povo, o que não está sendo fácil. Na Bíblia também foi assim, quando Moisés fez a travessia do deserto em busca de porto seguro, a Terra Prometida, liderando uma multidão de impacientes.

Por estes dias vê-se, ainda, a construção fenomenal de redes de solidariedade como testemunho vivo de nossa grandeza humana. 

Cerco ao vírus

O fato positivo é que tropas avançadas de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros profissionais de saúde estão no campo de batalha, dia e noite, combatendo o perigoso inimigo. Muitos só com a cara e a coragem.

Exércitos de cientistas estão lutando também, em todo o mundo, dentro dos laboratórios, no combate à fera invisível e indomável, em busca de armas químicas e biológicas para derrotá-la.

Enquanto isso, o remédio que as autoridades sanitárias prescrevem é o do isolamento social, é cada um ficar em sua casa. Os que podem, não é? Muitos não conseguem parar. 

Está provado e comprovado que sofreram e sofrem mais em função dos ataques do vírus os lugares que desdenharam dele, que minimizaram seu poder ofensivo.

Tudo passa

Diante disso, não poderei ir até você, para lhe abraçar, hoje, na data de seu aniversário. Fica para outra ocasião.

Vamos esperar esta tempestade passar, como tantas outras já passaram. E que esta noite escura lançada sobre o mundo não seja longa, mas que sirva para melhorar interiormente cada um de nós, em todos os lugares, após este choque terrível.

Que o novo sol que está por nascer para todos nos encontre mais fraternos, mais solidários, menos ambiciosos, menos egoístas e também menos maniqueístas.

E que, assim, possamos dar mais importância aos verdadeiros valores da vida, aos sentimentos humanos mais nobres, dos quais vimos abrindo mão quase sem perceber.

E que, por fim, possamos retornar à nossa rotina o quanto antes, em segurança, mais dispostos, mais determinados e mais entusiasmados do que antes.

É o que espero!

Fique bem e em paz! Parabéns e muitas felicidades!

(para Carlinhos – Dr. Carlos Francisco Almeida de Oliveira)