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Aliados e ex-adversários comem o queijo do PT

O silêncio obsequioso do PT em torno da propalada reforma no governo Wellington Dias diz muito da insatisfação do partido com o rumo das negociações. Pelo que está posto, os aliados e ex-adversários dos petistas comerão o queijo deles no governo. Eles perderão cargos estratégicos.

Nas negociações feitas pelo governador com o PP e o PMDB, o deputado federal Assis Carvalho, companheiro de primeira hora de Wellington Dias e petista aguerrido, será o mais sacrificado. De cara, ele perderá a Secretaria de Saúde, que será entregue ao PP.

Pavio curto, o deputado ainda não quis se manifestar sobre o assunto. Ontem, circularam informações de que ele será compensado com o comando da recém-aprovada Empresa Piauiense de Serviços Hospitalares (Episerh), criada à semelhança da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), fundada na era petista para administrar os hospitais federais em todo o país.

É esperar para ver se a idéia vai adiante e se ela terá o sinal verde do novo dono da Secretaria de Saúde, senador Ciro Nogueira. É difícil acreditar que ele aceite o esvaziamento da pasta, pois através dela pretende estabelecer uma ponte direta com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, indicado pelo seu partido.

O PT se reúne hoje para discutir o caso e se pronunciar sobre o acordo. Essa quebra de silêncio é aguardada com muita expectativa nos meios políticos.

 

 

Retaliação

Há quem veja no veto do prefeito de Parnaíba, Mão Santa (SD), à construção de um novo presídio na cidade, com capacidade para 600 presos, uma retaliação direta à decisão do governador Wellington Dias de fechar a Academia de Polícia Civil, no início de seu atual mandato.

A Academia foi instalada por Mão Santa, no seu primeiro governo.

O troco

Em seu ofício ao secretário de Justiça, Daniel Oliveira, negando o terreno para a construção da nova penitenciária, o prefeito deixa clara a retaliação, ao lembrar que Wellington fechou a Academia de Polícia, “credenciando-se a receber o repúdio dos parnaibanos por tal medida, quando oportuno for”.

O momento, pelo visto, chegou. E o novo presídio será construído no vizinho município de Bom Princípio.

Fica, Francisco!

Circulou ontem nas mídias sociais um abaixo–assinado eletrônico apelando ao governador Wellington Dias para que ele mantenha na cadeira o secretário de Saúde, Francisco Costa.

Segundo os signatários, “um estado que cresce junto com sua gente não pode fechar os olhos para os avanços na saúde nos últimos dois anos.”

Melhorou

E prossegue o texto: “A gente vê as melhorias da gestão do médico Francisco Costa, à época prefeito que renunciou ao cargo lá da pequena São Francisco do Piauí, para contribuir no seu governo, desafiando e vencendo todos os tipos de preconceitos, por ser de uma família humilde, negro, mas aguerrido, trabalhador, que viu nos estudos a oportunidade de mudar de vida. Como viu também que à frente da Secretaria de Saúde poderia fazer algo por nós. E ele fez, senhor governador.”

Moeda

Para os signatários do abaixo-assinado, em sua maioria médicos, “a Saúde não pode ser moeda de barganha, ser loteada e dividida como um reles pedaço de pano. A Saúde é do povo, não é sua, governador! E por ser nossa, não aceitamos as mudanças impostas. Não aceitamos o retrocesso!”

Os defensores do secretário só esquecem que ele chegou ao cargo através dos métodos que criticam.

Pé na estrada

O presidente nacional do Sesi, ex-ministro João Henrique, toma hoje a rota de Floriano, para dar continuidade ao “Piauí em Movimento”, evento bolado por ele à frente da Fundação Ulysses Guimarães no Piauí.

O encontro reúne peemedebistas e outros interessados na conversa de João Henrique.

 

Parou no tempo

A quem perguntar, o ex-ministro diz que o Piauí precisa ser sacudido, pois não saiu do lugar nos últimos 15 anos.

“Em 2003, quando o PT assumiu o  Governo do Estado, o Piauí era o 25º estado do país. Hoje continua o 25º, só que com uma dívida de 5 bilhões acumulada nesse período”, critica.

 

Os que derrubaram a presidente Dilma a acusavam de estar alienada, em seus últimos meses de governo.

De fato, ela se mostrava indiferente à realidade do país, com a economia derretendo, o desemprego aumentando e a violência tomando conta de tudo.

Mas o que dizer agora dos que estão no poder, começando pelo presidente Michel Temer, que blinda um amigo no ministério para protegê-lo da Lava-Jato?

E do senador Édson Lobão, investigado na operação, como presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, que abriga mais outros nove denunciados?

Blocão já era

O acordo de parte da oposição com o governo no Piauí vem recebendo ácidas críticas nos bastidores políticos. Um observador da cena política disparou ontem:

- Antigamente, isso se chamava de esquemão e blocão. Mas esse aí vamos chamá-lo de facção.