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PP - de aliado fiel a adversário perigoso

Senador Ciro Nogueira, presidente do PP: desenvoltura para jogar dos dois lados do campo - governo e oposição. A foto é de ontem à noite, na casa do deputado Robert Rios (PDT)

 

O fato político da semana no Piauí foi a puxada de tapete que o governador Wellington Dias deu no PP: depois de ter acertado com o partido que lhe entregaria a Secretaria de Saúde, ele recuou da decisão e manteve a pasta nas mãos do PT, que esperneou até a última hora para não perder o cargo.

O PP passou a semana tentando digerir a quebra de compromisso por parte do governo. O seu ‘Plano A’ era se engajar, a partir de agora, na reeleição do governador Wellington Dias. A ampliação de seus espaços no governo já faria parte dessa estratégia. Mas ela ficou comprometida com a mudança de rota do governador.

Num primeiro momento, o Partido Progressista até cogitou preparar a candidatura do ex-prefeito Sílvio Mendes ao governo, por uma frente de oposição.

O PP é, antes de tudo, um partido que se alimenta do fisiologismo. Assim, é afeito à política do “toma lá, dá cá”, como a rigor também são as demais siglas partidárias que atuam no Piauí. Mas é, por outro lado, um partido que não hesita em correr riscos na defesa de seu pragmatismo.

No governo Wilson Martins, por exemplo, ocorreu algo parecido com o que está havendo agora. Como havia participado da reeleição de Wilson, em 2010, o PP controlava alguns cargos no governo, entre eles a Agespisa e o Detran.

O governador entendeu, porém, de mexer em sua equipe, com mudanças que o PP avaliou como prejudiciais aos seus interesses. Ainda era fevereiro de 2013, mas o partido rompeu com o governo, entregou os cargos e foi chafurdar nas hostes da oposição. Daí nasceu a chapa que derrotou o esquema governista, nas eleições seguintes – 2014.

Amanhã o PP deve anunciar publicamente qual foi, afinal, a sua posição diante do desencontro com o governador Wellington Dias. De já, o partido sabe que hoje está bem mais forte do que naquele fevereiro de 2013.