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Investigados na Lava Jato procuram se esconder na lista fechada

Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara

Plenário da Câmara dos Deputados: discussão sobre a reforma política

À medida que a investigação da Lava Jato avança, os políticos sob a mira da operação se mostram cada vez mais audaciosos na busca de blindagem e, consequentemente, da impunidade. Somente dessa forma dá para se entendida a proposta da lista fechada, embutida no texto da reforma política em análise no Congresso Nacional.

Pelo sistema de lista fechada, o eleitor vota no partido, e não diretamente nos candidatos, como acontece atualmente. A sigla que tiver mais votos conseguirá o maior número de cadeiras no parlamento. Caberá às legendas decidirem os primeiros nomes da lista e, portanto, aqueles com mais chance de se eleger. Se for aprovado, o novo modelo começa a valer a partir das eleições de 2018.

O principal argumento de quem é a favor do modelo é que, diante da proibição das doações de empresa, será necessário aumentar o financiamento público e, por consequência, alterar o sistema eleitoral. Os defensores da mudança alegam que não há como financiar uma campanha com dinheiro apenas de pessoas físicas. Assim, restaria a questão do financiamento público, e esse financiamento só casa bem com um sistema, o de lista de fechada.

Os críticos da lista fechada entendem, por sua vez, que o modelo é pouco transparente e fortalece enormemente a cúpula partidária, que teria poder para fixar a ordem do rol de candidatos. Hoje, no Brasil, com raras exceções, os partidos têm donos.

Esta, porém, é a crítica mais amena. Com a lista fechada, busca-se na verdade proteção para os parlamentares que são alvos da Lava Jato. Eles estariam na lista de candidatos independentemente dos problemas que enfrentam na Justiça. E não precisariam fazer campanha pela reeleição mostrando a cara, o nome e o número. Ou seja, estariam perfeitamente escondidos na tal lista.

Em 2015, durante votação sobre propostas de mudança no sistema eleitoral, o modelo de lista fechada teve o apoio de apenas 21 dos 513 deputados. Naquela época, a Lava Jato ainda não havia acuado tantas autoridades e lideranças políticas.