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Só o PMDB do Piauí não tem dúvida

Ainda não se sabe se o presidente Michel Temer, hoje com a popularidade no volume morto, vai reagir. Ele tem tempo e tem ação para isso, mas a recuperação é incerta, embora não seja impossivel. Também não se sabe se a recessão econômica do país vai se prolongar indefinidamente até o final do mandato do atual governo; nem os efeitos da aprovação das reformas em tramitação no Congresso Nacional. Em 1994, o PT abriu fogo cerrado contra o Plano Real, como faz agora com as reformas do governo, e deu com os burros n'água, pois o plano deu certo.

Da mesma forma, não se sabe também qual será o desfecho da Lava-Jato, com suas investigações ainda a pleno vapor. Por isso, do mesmo modo não se sabe quem vai ou não sobreviver ao tsunami provocado pela força-tarefa na política nacional. Outra dúvida que se tem ainda é se a nova reforma política vai vingar.

Se o cenário nacional é visivelmente de incertezas para o próximo ano, com estas e muitas outras dúvidas postas – e em qualquer direção ele terá fortes impactos na política dos Estados – no Piauí, não há dúvidas. Pelo menos no maior partido do Estado, o PMDB, o mesmo partido do presidente da República, não há dúvidas.

Reeleição do governador

O presidente regional da sigla, deputado federal Marcelo Castro, avisou que, faça chuva ou faça sol, desde já o PMDB apóia incondicionalmente a reeleição do governador Wellington Dias. Ele disse que só o ex-ministro João Henrique Sousa, vice-presidente do partido, e a deputada Juliana Falcão não apóiam essa tese. Os dois são votos vencidos.

“O partido já decidiu o seu lado para 2018. Quando fizemos há pouco uma aliança com o governador Wellington Dias, demos um passo irreversível no apoio à sua reeleição. É uma decisão definitiva”, avisa o deputado. Ele disse que, além dele, cinco dos seis deputados estaduais já fecharam questão com a reeleição do governador, inclusive o presidente da Assembleia Legislativa, Themístocles Filho.

Como se sabe, o PMDB disputou as eleições de 2014 com Wellington Dias, em uma campanha eleitoral dura, vencida pelo petista. Mas já desde a posse do governador o partido amoleceu e vem apoiando a sua gestão, o que levou o ex-governador Zé Filho a abandonar as suas fileiras, por entender que a sigla havia negligenciado em seu papel de oposição.

Depois que recebeu, há pouco tempo, uma mão cheia de cargos no governo, o PMDB estadual apareceu com um discurso governista de fazer inveja ao PT do Piauí. Não é isso, porém, o que mais impressiona no partido. É, sim, a sua capacidade de espichar os olhos no horizonte e ver além das montanhas de dúvidas e incertezas que estão à vista de todos.  

 

Foto: Mauro Costa/RCV

Deputado Marcelo Castro, nos estúdios da Rádio Cidade Verde: PMDB fecha com Wellington Dias para 2018