Cidadeverde.com

Delatores da JBS espalham lama para todos os lados

Foto: Divulgação/STF

O ministro Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo

O Supremo Tribunal Federal liberou ontem o conteúdo das delações premiadas dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS (Friboi), no âmbito da Operação Lava Jato. As delações foram homologadas pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da operação na Corte.

Os delatores espalharam lama para todos os lados: Temer, Lula, Dilma, Aécio, Serra, Marta, Palocci, Mantega, Eunício e Cid Gomes estão entre os nomes citados como beneficiários de esquemas de propinas pagas pela empresa. Ricardo Saud, diretor da JBS, entregou planilha com doações a 28 partidos e 1.829 candidatos, no total de R$ 600milhões. E garantiu que quase tudo é propina.

Joesley Batista afirma que o presidente Michel Temer solicitou, em 2017, o montante de 5% do lucro obtido com o afastamento do monopólio da Petrobras no fornecimento de gás, assim como destravamento das compensações de créditos de PIS/COFINS com débitos do INSS.

Lula e Dilma

A JBS afirma também que o grupo fez pagamentos de propina de US$ 50 milhões depositados em uma conta no exterior para o ex-presidente Lula e de cerca de US$ 30 milhões em outra conta em benefício da então presidente Dilma Rousseff.

Os depósitos teriam sido feitos por intermédio do então ministro da Economia, Guido Mantega, em razão de esquema criminoso do BNDES e em fundos de pensão (Petros e Funcef) para beneficiar JBS. O saldo dessas contas somavam US$ 150 milhões em 2014. Joesley Batista contou ainda que negociou a compra de cinco deputados contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff por R$ 3 milhões.

Propinas tucanas

Ele afirma também que fez pagamento de propina, em 2017, no valor de R$ 2 milhões, ao presidente do PSDB, senador Aécio Neves, em razão da aprovação da lei de abuso de autoridade e anistia ao Caixa 2.

Em outro trecho, a JBS afirma que deu R$ 60 milhões em propina para Aécio em 2014. Também relata que houve repasse de R$ 20 milhões ao senador tucano José Serra a pretexto de campanha eleitoral. A operacionalização dos pagamentos teria sido feita pelo Sr. Furquim, já falecido, amigo de José Serra.

Foto: Jota.com.br

No STF, a distribuição dos HD's da delação da JBS à imprensa

No varejo

A JBS contou ainda que fez repasse de R$ 1 milhão para senadora Marta Suplicy (ex-PT e hoje no PMDB) a pretexto de campanha eleitoral de 2010 e repasse de R$ 3 milhões em 2014 em troca de possíveis negócios caso ela vencesse a eleição para a Prefeitura de São Paulo.

Outro repasse, no valor de R$ 30 milhões, foi feito ao ex-ministro Antônio Palocci, para a campanha de Dilma em 2010. O delator conta que fez pagamento de R$ 20 milhões ao ex-governador do Ceará, Cid Gomes, em troca da liberação de créditos de ICMS.

Mais um pagamento, no valor de R$3,6 milhões, foi feiro ao governador de Minas, Fernando Pimentel, na época em que comandava o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, no governo Dilma. Também o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), teria recebido R$ 5 milhões da JBS, como pagamento da Medida Provisória que disciplinava créditos de PIS/Cofins.

Todos os acusados negaram o recebimento das propinas informadas pelo dono do Friboi. Mas como ficam, agora, os que nos últimos dois dias festejaram euforicamente por todos os meios ao seu alcance as acusações do delator da Lava-Jato contra Temer e Aécio, legitimando a delação da JBS? (Com informações do site jota.com.br)