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As traumáticas soluções para a crise

Foto: CUT

Ato público pelas diretas já: pouca participação popular

Até aqui, são todas traumáticas as saídas apresentadas para a encruzilhada em que o Brasil foi metido na semana passada: renúncia do presidente, impeachment e eleição direta fora de época. A primeira já foi refutada peremptoriamente pelo presidente, a segunda não tem como ser breve e a terceira se mostra inviável.

Quem prega as diretas-já ou não quer para logo uma solução para esta grave crise ou não está fazendo conta. O processo passa, obrigatoriamente, pela aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Para sua votação, são necessárias sete fases, no mínimo, com três comissões e quatro decisões plenárias, duas na Câmara dos Deputados e mais duas no Senado.

Neste caso, uma particularidade: os que defendem esta tese apontam a falta de moral do Congresso para fazer uma eventual escolha de um novo presidente pela via indireta. Mas esse mesmo Parlamento sem moral serviria perfeitamente para mudar a Constituição e convocar eleição direta para presidente!

Ou seja, na cabeça desses ‘devotos da democracia’, o Congresso serve para uma coisa e não serve para a outra. Dentro do próprio Parlamento, os que abraçaram efusivamente essa ideia não querem nem ouvir falar em eleições gerais agora, o que de certa forma daria mais legitimidade ao Legislativo.

Pregando no deserto

No momento, os que gritam por eleição direta estão falando praticamente sozinhos. As manifestações convocadas por eles para domingo passado, contra Temer e a favor das diretas, foram um fiasco de público. Compareceu apenas a militância profissional, composta de sindicatos e outras entidades ligadas ao PT e aliados.

Admitindo-se, porém, a hipótese da aprovação das diretas, quem iria disputar a presidência agora? Ou, perguntando de outro modo: quem entre os que se apresentam para a disputa está com a ficha-limpa? Então, para resolver um grave problema ético na política, o país apenas trocaria um sujo por um mal lavado?

Outra coisa: como o Brasil pode realizar uma eleição de presidente da República com uma megainvestigação dos políticos em curso, sem que se saiba ainda quem, ao final, vai ser inocentado ou mandado para a cadeia?

A Constituição marca uma nova eleição presidencial para 2018. É o tempo que o país tem para tirar tudo isso a limpo e começar a escrever um novo capítulo de sua história.

Foto: Wilson Filho/Cidadeverde.com

O deputado Heráclito Fortes vê armação contra Temer

Heráclito lá

Da bancada do Piauí na Câmara Federal, o deputado Heráclito Fortes (PSB) foi o único que foi ao jantar de domingo à noite no Palácio da Alvorada.

Os demais, vendo a casa pegar fogo, se mandaram para seus Estados.

Heráclito defende as investigações, mas acredita na inocência do presidente Michel Temer, que para ele foi vítima de uma cilada.

O blefe do delator

O empresário delator Joesley Batista, dono da Friboi, começa a dar as suas explicações. Uma delas foi a de que blefou ao dizer que teria comprado dois juízes.

É um crime que põe em dúvida tudo o que não for comprovado nas delações dele e de seus funcionários e que também poderá servir de motivo para cancelar o acordo.

Nos EUA, não tem disso, não!

Nos Estados Unidos, o caldo está engrossando para os irmãos Batista. Os acionistas norte-americanos de suas empresas exigem que eles se afastem imediatamente do comando delas.

Os gringos também querem que as multas impostas pela Justiça brasileira sejam pagas pelos dois irmãos, não pelas empresas.

Como se vê, lá as coisas são diferentes das do Brasil, onde a malandragem e a esperteza são premiadas.

Calado

O governador Wellington Dias chegou mudo da viagem ao exterior, na sexta-feira. Comumente, ele convoca uma coletiva para apresentar uma resenha da viagem.

Desta vez, porém, ele fugiu do script e viajou calado, ontem, para Brasília e São Paulo, onde participou de um encontro da executiva nacional do PT.

Propinagem

A operacionalização dos pagamentos de propina do grupo J&F (JBS-Friboi) era de responsabilidade do executivo Ricardo Saud, conforme delação dele próprio feita à Procuradoria-Geral da República.

Nas conversas com os procuradores, o executivo detalhou os destinatários do dinheiro, a forma de entrega e juntou documentos na intenção de corroborar o que dizia.

Lavanderias

Em um dos vídeos gravados pelos investigadores, ao falar dos pagamentos para partidos políticos que apoiavam a chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer à Presidência da República, em 2014, Saud diz: “No final, nós vamos ter tratado com mais de 100 escritórios de advocacia, todas notas falsas.”

O envolvimento dos escritórios é detalhado em dezenas de páginas dos anexos da delação.

A diligente OAB ainda não se manifestou sobre a revelação do delator sobre os causídicos.

Dr. Ramos

O sepultamento do corpo do médico e ex-deputado Francisco Ramos será hoje, às 8 horas, no Cemitério São José, em Teresina.

O Dr. Ramos morreu ontem, aos 87 anos, de parada cardiorrespiratória e recebeu muitas homenagens.

Foto: Cidadeverde.com

Dr. Francisco Ramos: morte aos 87 anos

*A anulação da primeira prova do concurso da PM, realizada domingo, frustrou 32 mil candidatos que acreditaram no certame.

*A providência foi tomada pela Uespi/Nucepi e a própria Secretaria de Segurança em razão da suspeita de fraude no concurso.

*O senador Ciro Nogueira (PP) foi um dos seis senadores presentes ao jantar com o presidente Temer, no domingo.

* Depois da OAB, ainda falta a CNBB pedir também o impeachment do presidente Michel Temer.

O crime do presidente

Do deputado federal Heráclito Fortes (PSB), sobre a crise que atingiu em cheio o presidente da República:

- O crime cometido pelo presidente Temer foi o de ser ingênuo.