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'Mosca azul' pica ministros, ex-ministros e congressistas

Foto: Reprodução

O Ministério da Saúde adverte: o Brasil ainda não venceu a praga do mosquito Aedes aegipty, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus, e já está às voltas com outra de potencial ofensivo ainda maior e mais devastador: é a “mosca azul”. Uma nuvem dessa espécie de mosca invadiu Brasília e já picou um sem-número de brasileiros importantes na última semana.

A “mosca azul” é sazonal. Ela aparece de dois em dois anos, em períodos eleitorais. Desta vez, ela invadiu o país num surto fora de época, menos de uma semana depois de o governo Temer entrar em sangria desatada, por conta da delegação premiadíssima do dono da JBS-Friboi, após grampear o presidente da República.

Com esse repentino surto de “mosca azul”, nos bastidores de Brasília muitos nomes procuram se cacifar como eventuais candidatos à sucessão presidencial. Isso, evidente, na hipótese que dão como certa de que Michel Temer não vai escapar do profundo golpe de espeto de assar churrasco que o dono da Friboi deu nele pelas costas.

Do governo

O ministro da Fazenda, Henrique Meireles, encabeça a lista dos presidenciáveis na eventual eleição indireta. Ele é o nome predileto do mercado financeiro. E até já se ofereceu ao sacrifício, ao garantir que dará andamento às reformas em tramitação no Congresso. O ministro declarou publicamente que o cronograma da reforma da Previdência pode atrasar, mas ela será aprovada om ou sem Temer. 

Dois fatos pesam contra ele. Um é o de não ter a “política no sangue”. Apesar de já ter sido eleito deputado federal, em 2002, pelo PSDB, não assumiu o mandato, ao qual renunciou para presidir o Banco Central, no governo Lula.

O outro ponto negativo é o de ter sido diretor do grupo J&F, a holding do grupo JBS, por quatro anos. Esse grupo é o responsável por colocar o presidente Temer no olho do furacão.

Foto: Fernanda Cruz/Agência Brasil

O ministro Meireles: alta cotação

Bancada dos sem-mandato

Outro nome de peso que passou a circular nas bolsas de apostas é do ex-ministro Nelson Jobim. Ele foi deputado constituinte, ministro da Justiça e da Defesa e ministro do Supremo Tribunal Federal. É um dos políticos mais experientes do país. Nos últimos meses foi visto como o único interlocutor capaz de unir as principais classes políticas como Lula (PT), Michel Temer (PMDB) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

O ponto negativo dele é que atualmente está vinculado ao banco BTG Pactual, um dos grupos investigados na Operação Lava Jato. Ele deu uma declaração pública para não contarem com ele. Mas aí é que está o perigo!

Na lista dos sem-mandato surge também o nome do ex-deputado federal Aldo Rebelo, do PCdoB. Ele é uma alternativa dos opositores de Temer que teria alguma aceitação entre os governistas. A seu favor pesa o fato de ter presidido a Câmara dos Deputados em meio a um dos principais escândalos que o Legislativo viveu, o Mensalão, entre 2005 e 2007.

Na ocasião, dialogou com todas as vertentes políticas na Câmara. Depois disso, chefiou quatro ministérios nas gestões petistas: Ciência e Tecnologia, Esportes, Relações Institucionais e Defesa. Por ter ficado tanto tempo nos governos Lula e Dilma, poderia perder votos entre os parlamentares.

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O ex-ministro Nelson Jobim: correndo por fora

Da Justiça

A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, e dois ex-presidentes do órgão, Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, têm sido apresentados como possíveis candidatos à sucessão de Temer.

Os defensores dessas candidaturas entendem que o momento é de colocar no Planalto alguém de fora da política e que, principalmente, não tenha nenhuma pretensão eleitoral em 2018. Cármen Lúcia já negou mais de uma vez que esteja disponível para a corrida presidencial.

Gilmar Mendes, o ministro mais polêmico do STF, é um dos magistrados com maior trânsito entre políticos, principalmente de partidos como PSDB e PMDB.

Desde que deixou o STF, Joaquim Barbosa é visto como uma alternativa política. Ele presidiu o julgamento do Mensalão, que mandou muita gente importante para a cadeia. Depois, renunciou à presidência do Supremo e ao cargo de ministro. Vem dando pitacos sobre a política nacional nas redes sociais, mas sem a aura de outrora.

Foto: STF

 A ministra Carmén Lúcia, presidente do STF

Do Senado

Os senadores Álvaro Dias (PV-PR) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) tentam se cacifar para concorrer ao Planalto. Mas, por enquanto, não têm apoios internos. Álvaro Dias está negociando a mudança de partido para buscar mais espaço. A tendência é que brevemente ele oficialize sua ida ao PODEMOS, o antigo PTN.

Outro nome que surge com lastro político dentro e fora do Congresso Nacional é o novo presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati.

Foto: PSDB

O senador Tasso Jereissati: no páreo

Da Câmara

Nos últimos dias, o nome que mais tem ganhado força é o do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM). O parlamentar tem a seu favor o fato de transitar bem entre todas as bancadas do Legislativo. Além disso, os aliados de Temer enxergam nele a continuidade das reformas econômicas que já foram iniciadas, principalmente a da Previdência, que ainda está em uma comissão da Casa. Outro trunfo: é genro do ministro Moreira Franco.

O ponto negativo é o mesmo que pesa contra vários parlamentares brasileiros: o de ser investigado pela Polícia Federal. Ele é alvo da Operação Lava Jato, sob a acusação de ter se beneficiado de doações ilegais (ora como propina ora como caixa 2) da empreiteira Odebrecht.

Como a vítima da picada da 'mosca azul' leva algum tempo para apresentar os primeiros sintomas, seguramente a lista de presidenciáveis é bem maior.(Com informações de elpaís.com)

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia