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Outros pesos-pesados picados pela "mosca azul"

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava-Jato

Não apenas no Governo, no Congresso e na Justiça existem poderosos e influentes picados pela “mosca azul”. Ontem, demos a lista dos que estão na fila para concorrer à sucessão do presidente Michel Temer nos três Poderes, em eleição indireta, caso ele venha a cair. (Veja aqui: http://cidadeverde.com/colunadozozimo/84419/mosca-azul-pica-ministros-ex-ministros-e-congressistas).

Hoje, com base em informações da imprensa nacional, listamos outros prováveis candidatos que figuram como protagonistas da cena brasileira. Mas estes não concorrerão à eleição presidencial. As especulações dão conta que disputarão outros mandatos eletivos, em 2018.

Deltan Dallagnol

Um deles é o procurador federal Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato. O jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, publicou uma entrevista dele na qual aponta “algo que pode ser revelador sobre seus planos”. Segundo o jornal, Dallagnol afirmou que tudo o que foi obtido pela operação pode se perder caso não haja uma renovação de quadros na política nacional.

Conforme ainda o jornal, ao contrário do juiz Sérgio Moro, que jura de pés juntos não querer disputar eleições, Deltan Dallagnol se recusa, quando questionado, a dizer o mesmo. Disse apenas que todas as opções estão abertas.

Discurso pronto

“Seria candidato agora? Ou quem sabe em 2022? Se for sair a algum cargo agora, segundo políticos experimentados, teria chance até de levar o Governo do Paraná. Ou desejaria mais? Quem sabe muito mais?”, especula o jornal, o mais influente do Estado.

Em breve se saberá, já que no ano que vem o procurador, caso seja candidato, terá de estar filiado a algum partido e precisará deixar o posto no Ministério Público. O discurso, no entanto, já tem: seria o homem no poder para garantir a tal renovação e impedir que se destruam os avanços da Lava Jato.

Foto: Adauto Cruz/Correio Braziliense

Márlon Reis, idealizador da Ficha Limpa

Márlon Reis

Também é apontado como virtual candidato cargo às próximas eleições o idealizador da Lei da Ficha Limpa, Márlon Reis. Ele pediu aposentadoria em abril do ano passado do cargo de juiz no Maranhão, após 19 anos de trabalho, e hoje é advogado da Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva.

São muitas as opções do ex-magistrado, atualmente um dos palestrantes mais requisitados em todo o país para falar sobre reforma e ética na política.Ele tem viajado mais pelo país do que a presidenciável Marina Sousa, líder da Rede.

Livro-denúncia

Além de advogado e conferencista, Márlon Reis é também escritor. Seus livros sobre política alcançam grande repercussão. “O Nobre Deputado”, lançado em 2013, rendeu ao seu autor um processo movido pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). Ainda que escrito em tom ficcional, o livro é um relato chocante (e verdadeiro) de como nasce, cresce e se perpetua um corrupto na política brasileira.

No final do ano passado, o juiz lançou outro livro, “República da Propina”, antecipando muitos fatos políticos que hoje escandalizam o país.

Ele vem recebendo incentivos para disputar as próximas eleições em diversos Estados, especialmente no Maranhão, mas não se definiu ainda sobre uma eventual candidatura.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot

Rodrigo Janot

Outro nome de peso que aparece na lista de prováveis candidatos é o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que tem encurralado muitos figurões da política brasileira, entre eles o presidente Michel Temer (PMDB), o ex-presidente Lula (PT) e o senador afastado Aécio Neves (PSDB).

Especula-se que ele vai fazer carreira política em Minas Gerais, seu estado, depois de deixar o cargo de chefe do Ministério Público Federal, em setembro próximo. Se a especulação vai ou não confirmar-se, só o tempo dirá. O fato, porém, é que o caminho já começa a ser limpo, com sua denúncia contra o senador Aécio Neves e o pedido de sua prisão.

O parlamentar foi delatado como beneficiário do megaesquema de corrupção montado e tocado pelo grupo JBS/Friboi e denunciado por Janot ao Supremo.

Alto prestígio

Conforme a revista Carta Capital, edição nº936, de 31 de janeiro último, “alçado ao estrelato, fonte de prestígio e poder, o cargo de chefe do Ministério Público da União tornou-se cobiçadíssimo. O mandato de Janot, seu segundo desde que assumiu em 2013, termina em setembro, e já há seis nomes a sonhar com a vaga. Ou seriam sete? Inspirado pelo andamento da Lava Jato, o atual ocupante do posto passou a namorar a ideia de ficar mais dois anos no pedaço.”

Não deu para o procurador pleitear o terceiro mandato consecutivo e hoje já são oito os pré-candidatos ao seu posto dentro do MPF. A escolha do PGR é feita em lista tríplice encaminhada ao presidente da República. O nome escolhido pelo presidente precisa ainda ser confirmado pelo Senado.

Em vários órgãos de imprensa, ora o procurador é citado como provável candidato a governador de Minas ou a presidente da República. Esta última hipótese é menos provável, pois ele passou a colecionar adversários poderosos depois que passou a denunciar políticos investigados pela Lava-Jato. Nessas condições, dificilmente conseguiria montar um palanque competitivo.