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Ao absolver chapa Dilma-Temer, TSE é condenado

José da Cruz/Agência Brasil 

Julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE

 

O fato de maior repercussão nos meios políticos, esta semana, no Brasil, foi o da conclusão do julgamento do processo pedindo a cassação da chapa vitoriosa na eleição presidencial de 2014. O veredito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi de 4 a 3 pela absolvição da chapa Dilma-Temer.

A ação foi impetrada pelo PSDB, logo após a eleição, com o objetivo de fustigar o PT, segundo o candidato derrotado à presidência, senador Aécio Neves. Os tucanos alegaram abuso do poder econômico na campanha eleitoral dos adversários.

A relatora do processo, ministra Maria Thereza de Assis Moura, decidiu pelo seu arquivamento, por falta de provas, mas o novo presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, tratou de ressuscitá-lo, de modo, enfim, a fustigar o PT.

No meio do processo, o PT caiu do poder, através do impeachment da presidente Dilma Rousseff, substituída no Planalto pelo vice Michel Temer. O julgamento foi reaberto em abril passado, sendo suspenso.

Sujeira nas urnas

Na retomada do julgamento, mais novidade: a gravação do presidente da República pelo dono do grupo JBS-Friboi, apresentada pelo Ministério Púbico Federal como um escândalo. E o TSE retomou o julgamento debaixo de pressão para cassar a chapa a qualquer custo.

Depois de intensos e nervosos debates, no julgamento, a Corte se dividiu, com três votos a favor e três contra a condenação. O ministro Gilmar Mendes desempatou a favor da absolvição.

Durante o julgamento, dentro e fora do TSE muitos se mostraram chocados com a exposição das vísceras do sistema eleitoral brasileiro, como se os malfeitos nas campanhas políticas fossem efetivamente uma grande novidade no país.

O eleitor brasileiro que se mostrou revoltado com o resultado do julgamento é o mesmo que, em sua esmagadora maioria, suja a urna eletrônica com voto despejado nela sem critério algum. São os mesmos eleitores que, em repetidas eleições, votam nos mesmos, legitimando os mesmos esquemas, mas que, ao fim, cobram mudanças radicais no país.