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Crise no governo completa um mês

Foto: Agência Brasil

Michel Temer faz pronunciamento sobre gravação

O presidente Michel Temer estava em meio às comemorações pela geração de 59.856 empregos no Brasil em abril. De fato, havia motivo para festa, afinal era o primeiro resultado positivo na oferta de novos postos trabalho para o mês desde 2014. O governo calculava, então, que estava no rumo certo da recuperação econômica do país.

Os dados alvissareiros sobre a retomada do emprego formal se somavam a outros indicadores econômicos acumulados em um ano de governo que mostravam luz no fim do túnel: queda da inflação, redução das taxas de juros e aumento da credibilidade do país junto aos investidores externos. Tudo isso animava o governo também a levar adiante as reformas trabalhista e previdenciária no Congresso, onde contava com ampla e sólida maioria.

O governo ainda estava no primeiro brinde quando a bomba explodiu: o plantão da Globo informava que o dono da JBS-Friboi, Joesley Batista, havia gravado o presidente da República dando aval para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), preso pela Lava-Jato, e para obstruir a Justiça.

Delação

O Jornal Nacional dava os detalhes do caso e informava que a gravação era fruto de uma delação premiada do empresário ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, homologada pelo ministro Edison Fachin, do STF. A delação teria sido fechada em tempo recorde, se comparada com a das empreiteiras Odebrecht e OAS. As conversas teriam começado em março e os depoimentos realizados de abril a maio.

O jornal O Globo informava também que os diálogos e as entregas de malas com dinheiro haviam sido filmadas pela Polícia Federal. Além disso, as malas estavam com chips para que o caminho do dinheiro pudesse ser rastreado.

Toda a imprensa repetia as mesmas informações no dia seguinte e não havia dúvida: naquela mesma quarta-feira, 17, o presidente renunciaria. Em nota à imprensa, o Palácio do Planalto garantiu que o presidente Michel Temer "jamais solicitou pagamento para obter o silêncio" de Eduardo Cunha.

O presidente fez um pronunciamento à nação, na tarde do dia 17, confirmou o encontro com o empresário, mas negou peremptoriamente as denúncias. E avisou que não renunciaria.

Balança, mas não cai

À noite, o Supremo autorizou a divulgação dos áudios da conversa do empresário com o presidente e eles não confirmaram as denúncias. Houve, na verdade, uma interpretação das falas. Muitos trechos inaudíveis. A gravação está sendo periciada pela Polícia Federal.

O fato é que, depois disso, o presidente Michel Temer nunca mais foi o mesmo. Ainda no mesmo dia começaram a pipocar os pedidos de impeachment, que totalizam 18.

A agonia de seu governo completa um mês hoje.  E muita coisa aconteceu. A principal delas é a guerra declarada entre Ministério Público Federal e Governo.  Houve também a devolução da mala com R$ 500 mil entregue por um executivo da JBS ao deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto do grupo. O próprio Loures acabou preso e vem sendo apontado como homem-bomba.

Até aqui, falharam as datas dadas como certas para o fim do governo. No dia da renúncia, deu o fico; no dia da cassação da chapa Dilma-Temer, no TSE, uma solução apontada para a crise, deu absolvição. O presidente vem sobrevivendo a duras penas, respirando com o que lhe resta de sustentação no Congresso.

Nova investida

A próxima investida contra ele será a denúncia da Procuradoria-Geral da República, que precisa ser aprovada pela Câmara Federal para seguir em frente. Ela precisará estar bem fundamentada, com provas, para ser aceita. Os parlamentares desconfiam que, se o presidente cair, eles podem ser os próximos.

O noticiário sobre a crise vem perdendo força, pois, na falta de algo mais devastador, a imprensa vem derivando para outras pautas menos impactantes, como reformas nas casas de uma filha e da sogra do presidente pagas supostamente com dinheiro de origem duvidosa. Algo parecido com os tais pedalinhos do sítio de Atibaia, que enfraqueceram as denúncias da Lava-Jato contra o ex-presidente Lula.