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Cutucando o monstro com vara curta

Foto: Cidadeverde.com

Gasolina sobe, depois de sucessivas quedas

Depois de baixas seguidas no atual governo, o preço da gasolina volta a subir. A alta decorre de portaria assinada pelo presidente Michel Temer aumentando as alíquotas dos impostos PIS/Cofins sobre os combustíveis.

De acordo com o Ministério do Planejamento, a medida vai gerar, durante o restante deste ano, uma receita adicional de R$ 10 bilhões ao governo. A alíquota de PIS/Cofins cobrada sobre a gasolina passa de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 por litro.

Significa dizer que o repasse integral do reajuste aos consumidores eleva o preço do litro do combustível em 41 centavos. O preço médio do litro da gasolina no Brasil estava em R$ 3,485, segundo o último relatório divulgado pela Agência Nacional do Petróleo. Com a alta confirmada, o valor deve passar para R$ 3,895 por litro.

Responsabilidade fiscal 

O presidente Michel Temer argumentou que o reajuste é necessário e considerou 'pequeno' o aumento do PIS/Cofins. Segundo o presidente, “isto é o fenômeno da responsabilidade fiscal”. Temer disse ainda que a população vai compreender o reajuste.

O novo reajuste ainda deixa os preços médios dos combustíveis com valores inferiores aos praticados em maio do ano passado. Mas nesse período a inflação caiu seguidamente e o Brasil chegou até a registrar deflação.

‘Pane seca’

Com a popularidade já no nível de uma “pane seca, a sua base sofrendo seguidas baixas e às vésperas de uma votação que decidirá sua sorte no plenário da Câmara dos Deputados, no julgamento da admissibilidade ou não da denúncia da Procuradoria Geral da República contra ele, o presidente Temer só pode é estar muito seguro da vitória. Do contrário, não empurraria mais esse reajuste impopular na cara e no bolso dos brasileiros.

Ao contrário do que imagina o presidente, a população vai compreender, sim, é que o governo, mais uma vez, não resiste à tentação de aumentar imposto quando a receita cai, a despesa pública não diminui e ele se nega a cortar gastos. Isto é, não corta na própria carne, como se diz popularmente, para avançar no bolso do contribuinte.

O monstro

Conta-se que no governo e depois que deixou o poder, o ex-presidente Juscelino Kubitscheck tinha um modo particular de lidar com a repercussão das ações governamentais e dos atos políticos. Naquele tempo ainda não havia os institutos de opinião pública, mas ele costumava indagar com muito interesse aos seus interlocutores:

- Como está o monstro?

- Que monstro, presidente?

- A opinião pública. Ele está em todos os lugares.

Abaixava-se, como se procurasse alguma coisa embaixo da mesa, e prosseguia:

- Ele está em todos os lugares, aqui, ali e onde mais você imaginar. E também onde você nem imagina.

O presidente Temer certamente conhece a história da preocupação de JK com a opinião pública, bem como as consequências de seus humores, mas finge não conhecer.

A opinião pública não aprova o seu governo, porém não lhe tem sido hostil. Até aqui, nada de panelaço.

Não bastasse as emoções e tensões que o cercam, o presidente ainda se dá ao risco de cutucar o monstro com vara curta.