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A especialidade do PMDB do Piauí

No PMDB do Piauí, há uma corrente majoritária que acredita sair vitoriosa na convenção extraordinária acertada para janeiro. Se tal ocorrer, o partido apoiará a reeleição do governador Wellington Dias, indicando o candidato a vice.

Os acordos sobre a candidatura de vice na chapa majoritária só serão fechados, no entanto, a partir de abril. Como são muitos os interessados de peso, a partir do próprio PP, hoje dono da cadeira, não é certo como 2 mais 2 são 4 que o PMDB será o dono da vaga. A questão fica em aberto.

Admitindo-se, porém, que a corrente do ex-ministro João Henrique Sousa, que advoga a candidatura própria, saia vencedora, desbancando a da aliança governista defendida pelos deputados, para onde o ex-ministro vai sem o apoio do PMDB?

Dando as costas

Abandonar os companheiros no meio do caminho, nas campanhas eleitorais, é a especialidade do PMDB do Piauí. Relembre alguns episódios:

1. No restabelecimento da eleição presidencial, em 1989, o partido tinha candidato próprio ao Planalto. Era o deputado Ulysses Guimarães, Senhor Diretas e condutor da Constituinte que resultou na Carta Cidadã de 88. No Piauí, ele foi abandonado pelo partido, que abraçou a candidatura do furacão Collor;

2. Nas eleições estaduais de 2002, o partido, derrubado do poder pela Justiça Eleitoral, lançou como candidato próprio a governador o professor Jônathas Nunes, ex-reitor da Universidade Estadual do Piauí. Ele foi  responsável pela expansão da interiorização do ensino superior no Estado em ritmo frenético. Os peemedebistas aderiram à candidatura do deputado petista Wellington Dias, que se apresentava como mais promissora;

3. Nas eleições de 2006, o senador Mão Santa quis voltar ao governo. Venceu a convenção do PMDB, mas o partido não o acompanhou. Preferiu a sombra e a água fresca do poder e caminhou com o governador Wellington Dias para a reeleição;

4. Agora na sucessão estadual de 2014, o PMDB do Piauí lançou ao Karnak o seu presidente regional, deputado federal Marcelo Castro, com o apoio de todos os partidos aliados. Quando o vice-governador Zé Filho sentou na cadeira de governador, o PMDB em peso deu as costas a Marcelo e acompanhou o governador.

5. Com derrota de Zé Filho, o PMDB, que estava na oposição, pela vontade das urnas, correu de novo para os braços do governador Wellington Dias. Hoje está no governo, muito bem, obrigado!

É com esse partido que o ex-ministro João Henrique quer contar para o seu sonho de disputar o governo?